P.S.: Era para ser uma espécie de prolongamento

C&C quarta-feira, maio 20, 2015 79 Comentários

Caríssimos, venho escrever umas últimas linhas só para deixar patente que o que fui anunciando, em resposta aos muitos e simpáticos comentários que muitos fizeram o favor de me ir deixando, aqui e na página de Facebook (que desapareceria, antes da meia noite de segunda-feira, qual Cinderela - tal como veiculado na entrada anterior, que deu conta do fim deste blogue) não vai poder acontecer. Na verdade o C&C, em vez de retirado do ar, como inicialmente decidira, era para se manter online por mais algum tempo, a pedido de alguns de vós, e de modo a que pudesse ser consultado quando vos aprouvesse.
O fim anunciado, no entanto, manter-se-ia: sou a favor da eutanásia (também) dos blogues e, assim que percebesse que o número de visitantes diários tinha ultrapassado a linha daquilo que considero razoável para manter um blogue no ar com um mínimo dignidade (eu diria que cerca de 500 visualizações diárias, em média, seria o número a considerar), dar-lhe-ia o descanso que estou a adiar porque assim me foi solicitado - e, nesse caso, seria sem aviso prévio.
Ora isto era o que tinha previsto anunciar na próxima segunda-feira.


Só que, e é aqui que entra aquilo que não estava à espera de escrever, hoje aconteceu uma coisa extraordinária que me vai impedir de manter o prometido. Passo a explicitar: uma leitora da chafarica foi inconveniente e disparatada no Facebook (e não posso remeter para lá porque, tendo-a banido da página, os comentários só podem ser vistos por mim, mas isso também não importa). Ora eu sabia que se tratava de um perfil falso - a tipa volta e meia aparecia, tipo troll, para dizer umas cenas (certa vez perguntou-me, a propósito de uma parceria nova, se eu não afinal não tinha uma carreira que me satisfazia e onde estava a teoria de que o blogue era só um hobby). E desta vez voltou e disse umas coisas (chamando "anedota" ao facto de eu dizer que a empresa Makeup Geek me enviara produtos - é tão burra que nem sabe que já o fez com outros blogues, eu nem sequer sou a primeira), e eu respondi, e estávamos numa magnífica troca de galhardetes quando a senhora se engana e, em vez de me responder com o seu perfil falso, responde com o verdadeiro. Claro que apagou imediatamente. Mas eu vi - e primeiramente até pensei que estava a tomar o meu partido e a responder à outra, porque se tratava de uma pessoa conhecida (mas já lá vamos).
Ora isto não tinha qualquer interesse se não estivéssemos a falar de uma mulher com uma profissão respeitável, mãe de família (coitadinhas das crianças, caramba...), que trabalha numa empresa de nomeada, que conheço pessoalmente (a pedido dela) e que ainda na semana passada me enviou uma mensagem pessoal a lamentar muito a minha partida da blogosfera e a desejar as maiores felicidades (o que, de facto, foi estranho, se pensarmos que ela era, à época, minha "amiga" pessoal no Facebook e mora logo abaixo do meu irmão, não precisava de desejar nada, havíamos de ir falando - mas isso eu só percebo agora). Uma mulher que é uma querida (já lhe apanhei umas ironias estranhas, mas sempre fiz questão de fazer de conta que não percebia) com o seu perfil pessoal e uma troll com um perfil falso onde nem sequer teve a inteligência de postar fotografias fidedignas (numa, tinha pés com joanetes, na outra nem por isso). Uma mulher a quem muitos de nós (ou de vós, que dessa eu já estou livre) pode vir a recorrer profissionalmente, crendo que por detrás da profissional só pode haver uma mente equilibrada.
Este blogue ensinou-me muita coisa: desde logo, que se pode muita coisa, se se quiser (consegui coisas que nunca pensei, como foi o caso do post que espoletou a fúria da criatura: ela tem este problema de querer ter tudo quanto vê, a mal ou a bem - e se ela não pode, os outros também não). Mas também que o ser humano é um bicho muito estranho, quando por detrás do ecrã de um computador. Não são só os polícias que viram bichos e abusam da autoridade: quando acha que não está a ser filmado, quando pensa que ninguém está a ver, o ser humano é capaz de atrocidades que poderiam dar cadeia. Como assumir uma falsa identidade - no Facebook, onde toda a gente sabe que, em rigor, nada se apaga. Mas eu entendo: quando começou a frequentar o meu estaminé em busca de leitores, a criatura, que é blogger, disse-se uma info-excluída; melhorou muito mas há coisas que ainda lhe escapam (para além da ética). É que até para se ser sacana é preciso talento e a senhora, que quase foi apanhada numa outra situação, agora não escapou à vergonha de eu saber quem ela é. Mais: se houver ali ponta de consciência, ela mesma deve estar enfiada num buraco, a tremer de medo de si mesma. Não só por isto, mas também por escrever sobre produtos que usou uma só vez (sim, sim, também reparei nisso, minha querida: ter não é o mesmo do que saber dizer coisas sobre).
É que eu só tive a certeza de que era ela a troll tarde: primeiramente pensei que o comentário dela era a tomar o meu partido e a posicionar-se contra a outra louca (que afinal era ela); depois percebi que não. Mas ainda lhe mandei uma mensagem a perguntar o que fora aquilo e ela negou qualquer comentário, mesmo sabendo que eu eu vi (o que é uma técnica de manipulação recorrente mas, neste caso, ineficaz). Só aí tive a certeza absoluta de que ali reside uma alma que pode comprar toda a maquilhagem do mundo mas jamais conseguirá camuflar a sina de ser um estupor (se é que isso lhe dói).

E este foi o facto determinante para eu voltar à posição inicial: o blogue desaparecerá, com a página, na segunda-feira. Chega de loucura, muito obrigada - é que se esta, que até me conhece e tudo (ou se calhar por isso mesmo), é assim, que dizer de tantos outros que por aqui andam? Desculpem-me os bons, mas desta vez ganham os maus - mas não completamente, porque eu vou continuar atenta. (Muito atenta, minha linda.)


Entretanto, obrigada, mais uma vez, por isso: foi muito bom sentir, ao longo das últimas semanas, que o C&C não mudou o mundo (como nada nem ninguém mudam) mas fez a diferença junto de muita gente.
Obrigada pelas palavras que não calaram (não sou pródiga em adivinhar pensamentos) e que fizeram questão de deixar escritas: significaram mesmo muito para mim (mesmo aquelas que foram só fogo de vista, como as da senhora em causa - porque eu não sei/não sabia que são fogo de vista, fico/fiquei feliz na mesma).
Obrigada pelo carinho, pela força, pela consideração, por tudo.
Foi mesmo um prazer estar por aqui, até que deixou, claramente, de ser.
Façam por ter a melhor das vidas, sim?
(Sempre com a coragem de os ter no sítio e sem perfis forjados nem essas coisas de gente que nem gente é.)

O fim do C&C | Pensar (Nunca) é Tramado

C&C terça-feira, maio 12, 2015 231 Comentários
A (minha) conjugação do verbo ir. 
(E sim, sou eu, não ponho para aqui fotografias de gente à balda).



Dizer que tudo tem um princípio e um fim é o maior dos clichés e eu odeio clichés - mas também é uma verdade absoluta e, porque há poucas, permitam-me que use uma, quando posso.
A vida deste estaminé chega hoje ao seu termo, assim mesmo, sem aviso prévio nem períodos de grande reflexão: houve um dia em que soube que isto deixara de me divertir e que não me apetecia mais - e eu disse sempre que esse seria o dia em que isto terminaria. Foi no passado dia 21 de Abril: acordei sabendo que não escreveria mais (e eu confio muito nas minhas epifanias matutinas, que jamais me deixam ficar mal), para além dos posts já alinhavados e até que esses fossem publicados (bem como outros, daqueles mais espontâneos ou "necessários", que aparecessem) e até que sentisse que era hora de fechar o tasco).

É hoje, portanto: o blogue faz exactamente dois anos e sete meses e é hoje.

Foram trinta e um meses;
1.909 entradas, a contar com esta (ficaram mais setenta em rascunho, à espera de que as escrevesse);
12.591 comentários (a interacção foi sempre o melhor disto tudo e a maior das minhas vitórias), a contar com os meus, evidentemente, porque nunca deixei comentários sem resposta (e sim, o meu dia tem 24h. tenho uma profissão muito exigente e carradas de outras responsabilidades, que assumo e a que correspondo com o mesmo rigor), nem e-mails;
1.593.703 visualizações totais, até este preciso momento (curiosamente, um milhão nos primeiros 26 meses, mais de meio milhão nos cinco seguintes - a coisa estava a evoluir extraordinariamente);
Mais de 5.000 mil visualizações/dia, consistentemente, no último mês e meio; às vezes seis mil e tal, c'um escafandro (há quem tenha milhares de likes no Facebook e muito menos de mil visualizações diárias; já eu sempre fui uma coisa estranha, comigo funciona sempre tudo ao contrário);
E carradas de prazer - que se findou, definitivamente, naquele dia 21.

Também não gosto de despedidas, pelo que deixo apenas um obrigada:
A todos os que perceberam e nunca amuaram,
Aos que aceitaram que aqui interessava pouco quem eu sou, o que faço ou onde vivo e qual é o meu estado civil, ou sequer a minha fisionomia (mesmo porque sobre algumas destas coisas até fui falando, só porque sim),
Aos que chegaram há pouco - e hoje chegaram tantos, graças à fantástica Giullia (desculpem, mas tenho mesmo de ir), cujo blogue sobre receitas saudáveis é, cada vez mais, um êxito mais do que merecido,
Aos que sempre estiveram (alguns, poucos, ficarão mesmo).
Aos poucos (mas muito bons) parceiros que tive (Face Colours, Kitchen Make Up, Essentials e La Palomera Farma, soindes os maiores!).

Isto foi mesmo muito giro enquanto durou. Ou a maior parte do tempo foi giro, vá - depois já não.
Fiz o que queria ter feito num determinado sector da blogosfera, fui campeã de unlikes no Facebook, escrevi sobre o que me apeteceu, disse mal e bem de quem quis e, sobretudo, provei aquilo que era apenas uma opinião: sim, é possível ter visualizações mensais superiores a malta que se tem como genial, sem deixar cair princípios nem andar de braço dado com quem acha que domina esta cena toda.
O segredo (nisto como em tudo na vida) está no empenho, na dedicação e na seriedade com que se fazem as coisas, sem perder o humor ou a personalidade (esse deve ser um fim em si mesmo; as contrapartidas, a virem, são um efeito não necessário) - pelo menos se o nosso público-alvo é gente com neurónios, já se sabe.
Claro que também criei inimizades e odiozinhos de estimação (não correspondidos, note-se) e irritei meio mundo, mesmo os que julgavam inicialmente que eu era o máximo e depois deram por eles a achar-me uma sobranceira esquisitóide e a sentir-se atacados por isto ou por aquilo (a malta é serena mesmo quando lhes violam direitos liberdades e garantias e exala um suspiro consternado mas conformado quando vê gente (ou bichos) ser morta, torturada, violada, estripada e o diabo; já haver uma blogger assim ou assado, que não alinha em grupinhos, é coisa para se formarem piquetes de indignação ou dar lugar silêncios ostracizantes) - mas o que seria da vida (e dos meus estudos de caso) sem coisas destas para a salgar?!

Beijinhos e olhem, vemo-nos por aí, que este mundo é uma ervilha.
O C&C entrará em hibernação dentro de duas semanas (só para  dar tempo a que esta entrada seja lida pelo maior número possível de pessoas, porque jamais deixaria de publicar duas vezes ao dia sem dar uma justificação a quem me fez companhia durante este tempo todo), bem como a página de Facebook - onde poderei ir publicando uma ou outra coisa, neste período de transição, como produtos acabados, ou coisas que ache pertinentes (sem compromisso). Não os apago porque não sei se um dia não quererei voltar (raras vezes digo nunca, embora nunca tenha voltado a lugares onde já fui feliz, em busca da mesma felicidade), mesmo porque há aqui muitos registos que me interessam, mas num futuro próximo (ou definitivo, não sei) manter-se-á, privadinho, só para mim.
Evidentemente, continuarei a responder a comentários quer no blogue quer na página, até que ambos desapareçam (o que tenho marcado para acontecer no dia 25 deste mês - e assim será, salvo qualquer imponderável.
Inté, sim? (Gostei mesmo muito deste bocadinho de vida que passei convoco.)

Laura Mercier | o Iluminador Matte Radiance Baked Powder

C&C terça-feira, maio 12, 2015 8 Comentários
Não poderia deixar de aqui fazer brilhar um produto que me surpreendeu muitíssimo, sobretudo se pensarmos que me foi oferecido num daqueles eventos-maravilha da Space.NK, há já quase um ano. Na verdade, só depois de lhe ter constatado as qualidades comecei a ouvir falar dele esparsamente (nada daqueles histerismos de que toda a gente fala só porque houve um evento em que as brits receberam todas o mesmo, benzásdeus, que nisso são tão isentas como as lusas), sobretudo em blogues e vídeos de norte-americanas.
Para ser muito clara, um produto que se chama Matte Radiance Baked Powder, na variação Highlight #01, pode até vir de uma marca como a Laura Mercier que eu vou sempre torcer o narigão: então mas é Matte ou é Highlight, minha boa gente? Não sei, pareceu-me sempre coisa muito bipolar, pelo que nem sequer rejubilei, quando o recebi. Até que o usei e deixei-me de tretas: estamos perante um dos iluminadores em pó mais bonitos que cá moram em casa (eu prefiro os líquidos ou em creme, já se sabe), não só porque não tem ponta de purpurinas indesejadas e sem sentido num iluminador facial (olá Poudre Signée da Chanel e Soft & Gentle da Mac), mas também porque a sua cor é bem mais maravilhosa do que parece na embalagem: em vez do muito dourado que me pareceu primeiramente, é um champanhe neutro lindíssimo, capaz de agradar a muito grego e muito troiano. Por outro lado, a textura do pó é quase cremosa, o que proporciona um efeito super-natural mesmo em peles secas como a minha, que tende a fugir dos pós justamente por isso: não marca linhas nem fica com ar empoeirado, muito pelo contrário.
O tamanho normal deste menino custa £25 e leva mais de 7g, o que dá para uma vida: este tem 1,8g e nem parece mexido. Se eu não tivesse muito mais bronzers do que aqueles que alguma vez conseguirei usar (mesmo porque é produto que dispenso, na maioria dos dias), olharia com seriedade para as versões mais escuras, que me parecem para lá de deslumbrantes.

Kiehl's | O Ultra Facial Cleanser

C&C segunda-feira, maio 11, 2015 6 Comentários
Um cleanser é algo que raramente me entusiasma: é bom, mau ou assim-assim, consoante faça um trabalho melhor ou pior e pronto, não se fala mais nisso nem há lugar a grandes dissertações. a não ser, claro, que estejamos perante uma fórmula que me encante por algum motivo (e, quando é o caso, falo nisso). Talvez por isso, estou sempre em busca de coisas diferentes e é um dos produtos que mais tenho em stock e creio que não precisarei de adquirir neste ano sem compras - só assim de cabeça e sem levantar o rabo da cadeira para ir verificar, sei que tenho um REN, um Mizon e um Botanics, mas deve haver mais.
Ora qual não é o meu espanto quando me apaixono justamente por um produto de uma marca com que me dou pouco bem e que me tem proporcionado grandes desilusões (o Midnight Recovery Concentrate e o Creamy Eye Treatment With Avocado foram as maiores, dado o muito bem que se dizia deles): a Kiehl's tem mais fama do que proveito (para além de preços altamente inflaccionados) e, ainda assim, não desisto por dá cá aquela palha, o que só é bom porque tenho a oportunidade de não rotular marca (o que acho sempre injusto e generalizador), mas produtos.
Foi justamente por isso que decidi mandar vir, em tempos, da Space.NK, este Ultra Facial Cleanser da Kiehl's, que a marca diz ser para todos os tipos de pele e assegura ser gentil o suficiente para não secar a pele nem lhe sugar todos os óleos naturais (sendo que esse objectivo, na mente de muitas peles mistas e oleosas, devia ser proibido por lei, se querem manter o viço e a elasticidade, que são o que dá à pele um ar jovem). Não o testei logo, evidentemente, porque tendo a usar as coisas por ordem de chegada, embora abra muitas excepções, quando o entusiasmo supera a regra (e não era, de todo, o caso).
Neste momento, o rapaz estará já mais próximo do fim do que do começo, sendo que está a ser usado há cerca de dois meses, de manhã e à noite (é raro ter apenas um produto de limpeza facial a uso, mas está a acontecer) e é coisa para render muitíssimo porque, como se trata de um gel bem grosso, que deve ser usado com a pele húmida, espalha-se muito bem. Eu gosto de molhar a escovinha Shiseido que vêem na imagem, e que tem cerdas macias e pinos de silicone, que ajudam à limpeza e massajam em simultâneo - a experiência é óptima, rápida e eficaz.

E por que é que eu gosto tanto deste piqueno? Olhem, desde logo porque tem uma fórmula que estica que se farta, o que o torna coisa duradoura. Depois porque tem uma composição muito simpática, sem fragrâncias (apesar de me cheirar ligeiramente a piscina, não me perguntem por quê) ou ingredientes daqueles que só servem para mascarar um produto mauzinho e, sendo suave e deixando a pele super confortável, é capaz de remover até maquilhagem (tarefa que não lhe destino, mas de que ele é capaz), o que se deve à presença de ingredientes emolientes como o óleo de abacate (coisa para lá de boa, plena de aminoácidos. potássio e vitaminas A, D e E), óleo de caroço de alperce (riquíssimo em vitamina E e trigligerídeos) e esqualeno (mais um óleo botânico com propriedades calmantes e cicatrizantes - que tive de ir ver o que é, porque jamais tinha ouvido falar), bem como outras coisas boas.
E por que é que a pessoa precisa de coisa tão janota, se esta só está em contacto com a cara uns minutos por dia? Olhem, desde logo porque sim e, por outro lado, porque entre pagar £15/20€ por uma coisa muito boa e o mesmo ou mais por formulações miseráveis que para aí andam, eu prefiro tratar-me bem. Manias!

Urban Decay | O novo corrector Naked Skin

C&C segunda-feira, maio 11, 2015 14 Comentários
Prometi que o faria e aqui está ele: às vezes, demoro a escrever sobre as coisas, porque não tenho a certeza dos seus efeitos ou não consigo fazê-las funcionar desde logo (e há que fazer muito mais experiências), mas o Naked Skin - Weightless Complete Coverage Concealer da Urban Decay é um produto descomplicado, a que não é difícil tirar a pinta.
Francamente, não estava à espera de poder testar este produto tão cedo, dado o meu ano sem compras, mas as minhas fadas-madrinhas tratam sempre do assunto, sendo que assim também posso ser a cobaia de que elas necessitam e dizer de minha justiça, que é algo que as deixa mais descansadas.
Eis-me, portanto, na posse do corrector que tomou de assalto a blogosfera e o You Tube, transformando-se no queridinho de tanta gente que chegamos a pensar que a loucura pelo Radiant Creamy Concealer da Nars e, antes dele, pelo Lasting Perfection Concealer da Collection ou pelo Pro Longwear da Mac nunca chegaram a existir, tamanha é a velocidade com que os antecessores são chutados para canto: cada produto-sensação é sempre tãããão para lá de espectacular e tãããão melhor do que o anterior que temos necessidade de ir ver se todos os elogios feitos no passado ocorreram mesmo. E ocorreram, a malta é que tem o coração diminuto e não consegue elogiar tudo ao mesmo tempo porque, das duas uma, ou não tem espírito crítico e vai com a manada, ou tem de cumprir um contrato com a marca que lhes enviou os "mimos" para casa (ou então acumula, que é ainda mais grave).
De todo o modo, eu sou a maluquinha dos correctores, e faço questão de testar eu mesma uma série deles, sendo que já tive grandes desilusões com alguns dos mais benditos, adoro outros de que nunca ouvi falar e, na verdade, gosto de muitos os que são gabados (desde logo o Nars e o Collection supra citados, que tenho há muito tempo).
Partamos então para as minhas considerações sobre o Naked Skin, antes que a febre passe e venha mais um ocupar o primeiro lugar do pódio.

Em primeiro lugar, temos que a minha cor é a mais clara do ajuntamento de cores (uma meia dúzia, talvez, entre tons mais quentes e mais frios, sendo que as designações são enganadoras: o Light Neutral é estupidamente mais escuro do que o Light Warm que, por sua vez, é muito próximo do meu), a Fair Neutral - que, obviamente, fui eu quem escolheu, que nestas coisas não se brinca aos cowboys. Tenhamos em consideração, por favor, que eu só uso a maioria dos correctores nas olheiras e, se tiver de o estender a outras áreas, uso produtos específicos, como o Secret Camouflage da Laura Mercier ou o Compact Concealer da Becca, que são mais cerosos, ou o Double Wear da Estée Lauder, que é de longa duração - todos são mais propícios, quanto a mim, para tratar da saúde a vermelhidões e outras mazelas, quando elas aparecem, e por isso tenho-os exactamente no meu tom de pele. Serve o esclarecimento para dizer que, normalmente e quando estou a escolher um produto que vou usar eminentemente nas olheiras, escolho uma cor meio tom ou um tom mais clara do que o resto do rosto, porque gosto do efeito semi-iluminado (nada de kardashianices, por amor da santa, que isso é de uma pirosada nunca dantes vista, porque artifical).

Como observarão acima, a cobertura deste rapaz é ligeira a média, muito longe da pujança da do Nars Radiant Creamy Concealer (com que é frequente e disparatadamente comparado) e certamente muito menos cremoso, o que poderá agradar a donos de peles normais a oleosas (e mistas, se não tiverem aquela zona seca). A pele fica efectivamente com apecto de quase-de-pele, como constatarão pela fotografia acima, mas com um ar meio photoshopado: não sendo a cobertura extraordinária, há na verdade um efeito óptico aperfeiçoador, que é, quanto a mim, a melhor das características deste produto. Agora, isto não vai agradar a peles secas, parece-me: apesar da promessa de péptidos e de hialuronato de sódio (um derivado do ácido hialurónico), que contribuiriam para a retenção de água e para um efeito mais preenchido, aquilo que eu noto é que este é um produto que seca na pele, estando distante da cremosidade do Nars (que, quanto a mim, funciona lindamente nas olheiras como no rosto - e o meu a finar-se, caraças!) e com um acabamento mais mate (e seco) que, na minha pele, nem sequer precisa de pó para assentar (mas poucos precisam, diga-se de passagem). Na verdade os prometidos ingredientes-maravilha são mesmo dos últimos da lista, pelo que a proporção da sua presença há-de ser sempre fraquinha. Ou seja: no fundo, no fundo, até acho este rapaz mais indicado para o rosto do que para a zona periocular.
Mais: não se deixem iludir por aquilo que parece o muito pigmento da amostra de cor, lá em cima. a verdade é que, depois de espalhado (e eu costumo usar a Beauty Blender bem húmida e com uma sprayzada de qualquer coisa hidratante, que tenha glicerina, por exemplo, mas também o testei com os pincéis do costume e com os dedos), ele fica muito transparente e será de muito pouco auxílio no caso de olheiras muito pronunciadas ou vermelhidões das mais trágicas. No entanto, para as minhas necessidades, e em alturas de pele quase normal (sem securas, quero dizer), chega perfeitamente, devo dizer - e dar-nos-emos ainda melhor quando o tempo aquecer (e enquanto eu não tiver cor de gente, que espero recuperar mal o tempo aqueça verdadeiramente).

Em resumo?
Bom, creio que o Naked Skin será um corrector que agradará a todo e qualquer possuidor de olheiras pouco pronunciadas, que tenha a pele normal ou preocupações com oleosidade em excesso. A aplicação faz-se por meio de uma espécie de aplicador de gloss mas espalmado e há que ser relativamente rápidido a esbatê-lo, que isto é bicho que seca com alguma facilidade. Custa, creio, vinte e poucos euros (mas não o paguei, não tenho a certeza), a que poderão subtrair 20% em alturas de promoções que incluam as marcas exclusivas, na Sephora.

Agora, não o comparem com o Nars, não porque seja o meu corrector preferido (que não é, apesar de gostar bastante dele) porque não têm o que quer que seja em comum. Na verdade, se houve coisa que aprendi nestes anos de dedicação à blogosfera mais centrada na beleza e maquilhagem foi que a utilização do comparativo melhor é tão relativa que todos deveríamos ser obrigados a dizer quanto e o que experimentámos já, quando afirmamos que o produto "X" é "o melhor de sempre" (já nem falo daquelas que gabam ou aconselham o que nunca usaram, esquecendo-se de revelar esse pequeno pormenor) - de que espectro de correctores estamos a falar quando dizemos que o Y é o melhor dos que já usámos? 
No seguimento disto, tendo a achar que a maioria (não a totalidade!) das pessoas que fazem disto vida têm muito menos experiência do que aquela que gostariam de admitir, sendo que, embrenhados nisto, acabam por, progressivamente (porque vão ganhando poder de compra ou se tornam mais curiosos, sei lá), testar coisas de facto melhores, o que faz dessas coisas novas e melhores, frequente e naturalmente, as-melhores-se-sempre, e aconselhadas a meio mundo.
Não, pazinhos, não. O que é o melhor é, de facto, relativo - na cosmética como no resto da vida. E, nesta como naquela, não podemos ser experts em tudo, o que não tem mal algum; o estranho e o confrangedor (não constrangedor, ok? São coisas diferentes, boa?) é que queiramos passar por tal, esquecendo que a probabilidade de que, entre o público que desconhecemos, haja alguém que percebe um nadinha mais da poda, porque tem mais experiência e poder de análise, é enorme (as pessoas acham muito estranho que nunca me considere uma entendida nestas coisas de que falo e é justamente por isso: não o sou e só afirmo o que posso afirmar, nunca gostei de fazer figura de ursa).
Enfim, o Naked Skin da Urban Decay é o que é (e não é maus, só não é estupendo, para o meu tipo de pele) - já a blogosfera só pode melhorar.

Filmes #115 | The Babadook & Escobar - Paradise Lost

C&C domingo, maio 10, 2015 0 Comentários
Comecemos por Escobar Paradise Lost (2014), um filme em que estava há séculos para pegar mas ainda não me tinha apetecido, vá-se lá saber porquê - mas palpita-me que foi porque sei que me vou incomodar com a constatação do óbvio: o ser humano tende a não ser grande rês ou, pelo menos, é capaz de atrocidades tais que nem me apetece pensar nisso. Mas tinha de ser, não ia deixar passar e lá tratei do assunto. Tudo começa quando, na Colômbia de final dos anos oitenta do século passado, um jovem canadiano, que foi com o irmão para ali para viver uma vida de praia e surf, conhece uma mulher por quem se apaixona perdidamente (o que é filmado de forma bastante ingénua e melosa, diria eu). Problema 1: ela é sobrinha de Pablo Escobar, à época adorado pelo povo em geral, porque lhes dava dinheiro vivo e construía clínicas e bairros para que todos tivessem tecto. Problema 2: todo o dinheiro que permite ao senhor ser este mãos-largas advém do comércio de cocaína, o que é, inclusivamente, do domínio público. E enquanto a coisa é tacitamente aceite pelo Governo, tudo bem; o problema dá-se quando Escobar se torna  formalmente um criminoso e desencadeia uma guerra (não é eufemismo) contra as forças do poder, sendo que tem, na verdade, polícia e povo do seu lado. Nick, o canadiano, vai-se apercebendo de tudo paulatinamente e, quando dá por isso, já está mais enredado na teia de Escobar do que pensava ser possível - e o interessante nisto, para além do conhecimento da história recente, é observar o modo como Benicio Del Toro veste a pele ao lendário barão da droga (é interpretação de Oscar, quanto a mim); na verdade, aquando das cenas sem ele, dei por mim desejosa que aquele escroque voltasse depressa, tamanho é o show de representação - mesmo porque não há aqui diabolizações e não se esconde o lado humano do criminoso. O resto é um filme que eu diria de acção e tensão, que se vê muitíssimo bem, embora (obviamente) se lhe "adivinhe" o fim.

The Babadook (2014) foi coisa que só vi por conta do Nuno Markl, que partilhou o trailer do filme, adjectivando-o como um dos melhores que já vira sobre o que é isso de ser mãe e, simultaneamente, um dos mais arrepiantes filmes de terror dos últimos anos. Ora eu, que me interesso pela humanidade em geral (incluindo mães, obviamente), fiquei ainda mais agarrada à segunda parte do elogio, porque pelo-me por um bom filme de terror, algo que é quase tão difícil de encontrar como uma empregada de perfumaria que perceba de facto do que vende: existem, sim, mas não são fáceis de descortinar - e a maioria são um absoluto insulto à inteligência (falo dos filmes, agora mas poderia não ser). E digo-vos uma coisa: amiguinhos que gostam tanto do género como eu, não percam isto, pelo amor da santa, que é coisa muito boa. Ainda por cima, a realizadora é uma estreante, esta é a sua primeira obra e viu-a, desde logo, aclamada em Sundance e pela crítica em geral - como todo o mérito. A estória conta-se em duas penadas: começa com um pesadelo (literal, dos que se têm a dormir) da protagonista Amelia, que nos remete para uma situação ocorrida há sete anos atrás, aquando da sua ida para o hospital, com o marido, para ter o filho - nesse dia, em que chovia fortemente, houve um acidente, no qual o marido morreu. O filho, portanto, nasceu no dia em que o pai morreu, sendo que a morte aconteceu (ao menos indirectamente) por causa do nascimento - o que é determinante para que se percebam todos os demónios que vivem dentro daquela mulher, que por vezes não sabe como lidar com Samuel, a criança mexida, criativa e hipercinética, que não a deixa dormir com a sua perene luta contra monstros imaginários. É justamente ele que dá a conhecer à mãe um livro que ela não sabe de onde veio, que fala de um homem, Mr. Babadook e da sua nefasta influência, caso lhe seja franqueada a entrada em casa - e a partir daí, o filme acelera e nunca mais pára. Há terror do inteligente, há um thriller psicológico poderosíssimo e há, quanto a mim, a certeza de que precisamos de mais coisas assim.

Too Faced | lápis de olhos perfeitos

C&C domingo, maio 10, 2015 4 Comentários
Permitam-me um exercício laudatório em torno daqueles que eu considero os mais magníficos lápis de olhos de gama média à venda em Portugal - e de que, curiosamente, pouco ou nada oiço falar por aí, o que só confirma, tristemente, a minha teoria de que a mala vai em grupos (literalmente) e não arrisca a descobrir o que quer que seja de que não tenha ouvido antes grandes elogios às amigas ou (o que vai dar no mesmo, para a maioria) às suas bloggers e youtubers de referência (e deusnoslibre de olhar para além disso, que é capaz de ser pecado).
Falo dos Perfect Eyes Waterproof Eyeliner, da Too Faced (que é uma marca por que não morro, de todo, de amores - e não há assim o que quer que seja que me encante em absoluto, com esta excepção), que dão muitos a zero aos vizinhos Urban Decay, nas Sephoras nacionais, em termos de fórmula: a pigmentação, facilidade de aplicação e durabilidade são infiniamente melhores e, quanto a mim, só pecam por não ter mais cores. As que têm todavia, são lindas e só não tenho todas porque não calhou antes do ano sem compras.
O meu primeiro exemplar destes rapazes foi comprado, algures em 2012, na Asos - e a coisa calhou acontecer: queria comprar lá três máscaras da REN (nunca fui de enlouquecer com escolhas: queria as três, que viessem as três) porque havia uma promoção qualquer, e mais uma paleta da Stila e tal, mas havia qualquer coisa que os tipos não estavam a enviar para Portugal, pelo que pedi a uma amiga que lá morava que mas recepcionasse. Para a entrega ser feita a tempo da próxima vinda dela (de outro modo, teria de esperar mais um mês), quis subir a quantia total da encomenda, para que tivéssemos direito a uma next day delivery absolutamente grátis - e foi assim que o Perfect Navy se tornou o meu primogénito. 
Fiquei absolutamente encantada com a maciez (de que, na Urcan Decay, só o Persuasion se aproxima), a fazer lembrar as fórmulas de gel como o SuperShock da Avon, e que agora têm paralelo, por exemplo, nos lápis Pixi ou mesmo no Terrybly da By Terry (aqueles mais em conta, este mais carote - mas todos moradores desta nobre mansão).
Mais tarde, creio que no último trimestre do ano passado, adoptei mais dois rapazes, o Perfect Black Orchid e o Perfect Peackok (sendo que este até apareceu como protagonista de um dos meus pendants menos óbvios) - e, assim, já posso atestar a qualidade do produto em geral e não de uma cor em particular: são excelentes sim senhores e já li coisas boas sobre o preto também (e só não comprei porque a dezena de pretos que cá moram dar-me-ão para uma vida, uso-os pouquíssimo.
Assim, o que temos em termos de cores é:
Perfect Navy | um azul marinho maravilhoso, sem brilhos mas não absolutamente mate;
Perfect Black Orchid | um roxo com reflexos pretos que é, sem surpresas, o meu preferido;
Perfect Peakock | um azul petróleo a umas luzes, tília a outras, coisa absolutamente deliciosa.

Só não consigo atestar a veracidade da pretensão de serem à prova de água porque não tomo banho maquilhada, não suo maquilhada e raramente choro maquilhada (só mesmo se estiver muito distraída) mas recomendo vivamente que, quando passarem numa Sephora, permitam que estes meninos vos deslizem na mão: mal precisam de tocar na pele e a cor que imprimem dura, nos meus olhos, até que eu decida removê-la. Estes rapazes têm um aplicador em esponja bastabne firme e de formato diagonal, na outra extremidade, que permite redesenhar o risco, aperfeiçoá-lo ou estendê-lo (o que raramente faço, porque prefiro pincéis, mas é bom saber que ele está ali, para o caso de ser preciso).
Os Perfect Eyes da Too Faced custam normalmente 19,50€ (o que não é mau) e ficam quase 4€ mais baratos, se apanhados numa das costumeiras promoções de 20%.


[Já agora, atentem nos novos lápis da Kiko, os Intense Colour, de que mostrei umas cores lá no Facebook em destes dias: têm esta mesma consistÊncia de gel, pigmentação soberba e agarram à pele que nem loucos - vi-me aflita para tirar as cores da mão, só com uma toalhita, já fora da loja e sem bifásico à mão. O melhor de tudo é que custam 5,90€ e até têm uma cor muito próxima do Perfect Peackok!)

Unhas #63 | Urban Decay

C&C sábado, maio 09, 2015 2 Comentários
Não tenho muitos vernizes da Urban Decay, mesmo porque não é produto em que a marca aposte grande coisa, sendo que todos os que possuo foram comprados nalgum saldo da Sephora - o tamanho normal no Verão passado e o conjunto de seis miniaturas creio que no Inverno anterior. Dito isto, tenho muita pena que a UD não desenvolva mais cores porque, a aferir pela amostra, teria mercado: os tons são magníficos (sobretudo para quem gosta de metalizados: só há aqui uma cor sólida e, não sei se por acaso, é de qualidade mais fraca) e inclusivamente originais (o que não é, de todo, fácil, dada a profusão de marcas de vernizes no mercado), os acabamentos são deslumbrantes e a pigmentação maravilhosa. Passemos, portanto, ao desfile.

O Blitz é assim uma espécie de cruzamento entre dois vernizes da Chanel (que, obviamente, também cá moram - de outro modo, não poderia estabelecer a comparação, apesar de me deparar bastas vezes com analogias do género, feitas "de ouvido"): o Alchimie e o Péridot - trata-se de um verde seco como o primeiro, mas com mais dourado, o que o torna mais próximo do segundo. Em termos de qualidade e pigmentação, fica absolutamente opaco e rico em duas camadas, embora considere que beneficie muito da aplicação de um top coat bem glossy, o que também não é estranho vindo de um metalizado. Ah, e é daquelas cores que rocka todo o ano.

O Crash + Burn é só o meu verniz preferido, de entre os que tenho da Urban Decay, não necessariamente por causa da cor (que também adoro: trata-se de um cobre escuro com reflexos dourados que é de tirar o fôlego) mas principalmente devido à sua fórmula absolutamente extraordinária: este é dos poucos vernizes que tenho no meu ajuntamento (contam-se pelos dedos de uma mão) que eu era capaz de usar só numa camada - não o faço, claro, que as manias têm destas coisas, mas poderia, tal é a sua pigmentação. Divino e super fácil de aplicar.

O Blusky Blonde prometia: é um azul petróleo muito escuro, quase preto, que fica lindo - mas requer uma paciência de Job, porque só lá para a quarta camada é que fica verdadeiramente opaco, como e quer. Ainda por cima, este tom de azul assenta que nem ginjas na minha cor de subtom neutro, a atirar para o frio , mas de cada vez que o uso relembro-me de todos os inconvenientes que tem - é, sem dúvida, o elo mais fraco da turma.

O Fringe (que já veio sem rótulo, coitadinho) é um verde garrafa metalizado muito árvore-de-Natal, nas eu cá uso-o mesmo quando me apetece.  Aqui, somos regressados à qualidade da Urban Decay (ao menos nos vernizes metalizados e com glitter, porque a única cor sólida que tenho, o azul acima, não peca por excesso dela), ao brilho, à pigmentação e à facilidade de aplicação.


O Delinquent é um roxo lindíssimo, de fundo frio mas com micro-brilhos fúcsia, que só se vêem bem no frasco (ou quando o sol ou outra luz forte incidem sobre a superfície das unhas) e, nas mãos, proporcionam um brilho ímpar. Há, no entanto, um probleminha: a aplicação não é absolutamente uniforme e só com três camadas conseguimos a opacidade total (aquela que é garantida quando posicionamos a mão contra a luz e não há cá zonas mais transparentes nas unhas). De todo o modo, o resultado é tão magnífico que nem me chateio muito.

Aqui está uma cor a que as fotografias não conseguem fazer jus (também porque eu não tenho uma lente que o proporcione - nem vou ter): o Hellbent é um vermelho bem aberto, já muito acoralado, que tem carradas de brilhos muito fininhos dourados (o que o torna alaranjado, sob determinados ângulos) e que é uma bomba em pele morena. Claro que, para já, o que temos é esta minha cor acinzentada, mas dêem-me uns meses e rocká-lo-ei (outras vezes) em mãos mais escuras e douradas, que é onde ele assenta bem. Fica perfeito em duas camadas e é facílimo de aplicar.

Há poucos vernizes cá em casa que me encantem tanto como este Addiction, da Urban Decay. Desde logo, pelo frasco: a tampa tem uma caveirinha em cima, pêlamôrdassanta, vamos lá ver se nos entendemos... Depois, porque se trata de um verde seco tão pleno de brilhos dourados e prateados (finíssimos, super elegantes) que às vezes dou comigo, deleitada, a olhar para as mãos. É assim uma coisa muito especial, que ainda por cima é de fácil aplicação e fica lindo em duas camadas.

Protagonistas e looks da semana #7 | Nars

C&C sábado, maio 09, 2015 2 Comentários
Porque sabia de antemão que esta seria uma semana em que usaria pouca maquilhagem, escolhi fazer protagonista a Nars, que é uma marca que espoleta (e não "despoleta", vale?) em mim sentimentos contraditórios: adoro os batons em lápis (sobretudo os mate), gosto do corrector (e gostei da base de sombras, que entretanto se finou) e até da sombra em creme, mas não percebo a loucura com os blushes e as sombras tradicionais, de todo (acredito que os Dual Intensity, recentemente lançados, sejam outra conversa): têm cores bonitas, sim senhores, mas não são nada de especial em termos de qualidade. Enfim, há marcas que têm uma espécie de aura que ultrapassa essas "minudências" e tudo parece prevalecer sobre o que de facto importa (pelo menos para mim) - e até nisso é giro perceber como o sentido crítico evolui: no início, queria conhecer a marca a fundo e achava tudo o máximo. Agora, depois de tanta coisa conhecida, tendo a ser menos tolerante com estas falhas por parte de marcas de gama alta.
Bom, mas o que importo agora é o que se vai usar esta semana, para o que trouxe a ver a luz do dia as minhas duas paletas da marca e mais umas coisas. Assim:
- The Happening Eye & Cheek Palette | É composta pelo bronzer Laguna, pelo blush Orgasm (dois ex-libris da marca que não me aceleram o coração nem um nadinha: sobretudo o blush, que está pejado de brilho dourado e salienta tudo quanto é poros, mesmo os inexistentes) e por quatro sombras: a Starry Night (que seria um simpático champanhe com brilhos dourados, se tivesse alguma pigmentação para além do brilho), a Gstaad (um dourado escuro metalizado a atirar para o toupeira, bonito e bem mais pigmentado), a Kuala Lumpur (um beringela lindo mas com demasiado brilho dourado) e a Coconut Grove (um castanho escuro mate);
- And God Created The Woman Palette | Esta foi muito desejada por mim e é um nadinha melhor do que a mana acima, mas ainda assim está muito longe de me encher as medidas; no entanto, na altura foi uma oportunidade genial de conhecer mais sombras da Nars, de ter o lápis de olhos #3 (que custa uma fortuna) e um tamanho de viagem do primário de sombras Smudge Proof (muito janota, supostamente genial para pálpebras oleosas). É composta por seis sombras, a saber: Alhambra (champanhe rosado metalizado, com boa pigmentação), Belíssima (toupeira com ínfimos e perfeitamente dispensáveis brilhos dourados, de textura algo seca), Kalahari (um bronze rosado muito metalizado, para mim a melhor e mais bonita sombra da paleta), Galapagos (castanho quente mate, pejado de brilhos dourados, que disparam para todo o lado), Coconut Grove (sim, o mesmo da paleta The Happening, com a agravante de que foram duas paletas de edição limitada lançadas na Primavera de 2013...) e Night Clubbing (um preto mate com purpurinas douradas, bem pigmentado);
- Powder Blush em Deep Throat | Quanto a mim, coisa muito mais bonita do que o mano famoso (o Orgasm), trata-se de uma espécie de versão mais discreta daquele: um rosa acoralado clarinho, com brilhos dourados, mas mais pequenos e em menor quantidade. (O meu é um mini, recebido na compra já não sei de quê, na HQ Hair);
- Radiant Creamy Concealer, na cor Custard | Gosto muito deste corrector da Nars, que comprei mal saiu na minha cor de Verão (não foi propositado, confesso). Assim, e com o Secret Concealer da Laura Mercier (e o Fake Up da Benefit da cor Medium, mas esse já se finou), é um dos meus correctores de Verão, altura em que escureço muitos tons, se conseguir ir à praia tanto quanto gosto (no ano passado foi muito difícil: o tempo esteve uma treta e eu não saí do Porto), mesmo com SPF 50 e 30. Por isso, e por ter sido usado dois Verões a fio, está mesmo, mesmo no fim, algo por que só agora dei conta; ora como no da Laurinha também já se vê o fundo, parece-me que não acabo o Verão sem ter de comprar outra coisa de cor parecida - ou não, porque uso tão pouco maquilhagem em férias que pode ser que dê;
- Eye Paint Coleur Multi-Fonctions Pour Les Yeux, em Iskandar | Oiço pouco falar destas meninas, mas adoro este dourado escuro, a atirar para o bronze, carregadinho de pigmento e de brilho, a que me atiro sobretudo no Verão;
- Batons vários: o Fire Down Bellow é um Demi-Matte e é um vermelho escuro mais aberto do que o Diva da Mac; depois, dos Velvet Matte Lip Pencil tenho o Dragon Girl (um carmim fantástico), o Red Square (um laranja avermelhado), o Bettina (um rosa queimado acastanhado algo metalizado) e o Dolce Vita (um vermelho acastanhado e apagado, que é só o meu cor de boca preferido de sempre); finalmente, tenho dois Satin Lip Pencil: o Isolla Bella (cor de boca alaranjado) e o Lohdi (um coral muito bonito).
- Brow Perfector em Salzbourg | Não foi incluído na fotografia mas é o que tenho usado para preencher as sobrancelhas e palpita-me que não irá muito para além desta. Nunca foi produto que me impressionasse por aí além (gosto muuuuito mais do lápis de sobrancelhas da Essence): apesar de ter uma cor perfeita, é demasiado dutro e chato de trabalhar - e por isso estou a ver se lhe faço a folha de vez,

E é com estes bebés que brincaremos esta semana, mesclados com outras coisas boas, das poucas vezes em que tivermos de nos maquilhar (trabalharemos a partir de casa, o que é uma seca durante muito tempo mas, se só por uma semana , pode saber pela vida).

Domingo | Era Dia da Mãe e a ocasião consistia em ir ali num instante ao Terrella, dar a conhecer à progenitora aquele que é considerado um dos melhores brunches em regime de buffett do Porto - e seria, não foram as criancinhas aos guinchos a corre por todo o lado (não só no dia da mãe como, pelos vistos, sempre), algo de que nem uma marcação feita mais cedo do que permite a religião nos safou. Mas pronto, os comes estavam bons como de costume, ainda que não se justifique a subida de 1,50€ pela ocasião especial, que ao telefone me disseram ser devida ao dia em causa e a uma carta especial que haveria - foi treta, tudo era igual a sempre, o que irritou ligeiramente, mas vá, passemos mas é à maquilhagem. Porque queria usar a paleta The Happening, que inclui sombras, bronzer e blush, não havia muito que pensar: preparei a pele com coisas que me foram fantasticamente dadas (falo do BB Crème da YSL e do corrector da Urban Decay) e verifiquei que o meu Radiant Creamy Concealer está mesmo a dar as últimas (tenho-o na minha cor de Verão e estava querer misturá-lo com o BB para um nadinha mais de cobertura mas mal consegui extrair o que quer que fosse do tubo - isto acontece porque só tinha três correctores na minha cor de Verão, em 2014 acabei com o Benefit, pensei que o Laura Mercier seria o seguinte mas é o Nars que está a finar-se e não chega ao final da semana). Na cara, depois de finalizar tudo com o pó Dim Light da Hourglass, aqueci a tez com o Radiant Light e iluminei-a com o Incandescent Light (magnífica, a paleta da Hourglass); depois, usei o Launa (bronzer) para marcar um nadinha as maçãs do rosto e o Orgasm (blush) para lhe dar cor. Complementei tudo com o Satin Lip Pencil em Lohdi, que tem uma cor muito parecida com a do blush e, nos olhos, depois de uma base feita com a Colour Tattoo em On And On Bronze, usei a Night Star como base (é a mais clara da paleta e já me esquecera de como é fraquinha: quase só glitter, que cai por todo o lado) e, como não fiquei satisfeita, passei à Gstaad, que apliquei por toda a pálpebra móvel, deixando o canto externo para a Kuala Lumpur. Esfumei tudo com o Laguna e usei a Cocunut Grove para fazer um eyeliner desleixado e o pó Radiant Light para iluminar o arco da sobrancelha e canto interno. Na linha de pestanas inferior, repliquei o que se passou em cima: Gstaad e  e Kuala Lumpur. Escureci a linha de água superior com o lápis da NYX, apliquei a Better Than Sex no pestanâme (não funciona comigo, está muito longe de ser uma favorita) e pronto.

Quarta-feira | Neste dia o sol brilhou (depois de muitos outros em que o Inverno parecia querer regressar, o safardana) e, só por causa disso, apeteceram-me cores daquelas que raramente uso fora do Verão: laranjas e dourados. Antes de mais nada, usei o  corrector da Clarins, de que não gosto especialmente na função para que foi produzido, não apenas como corrector mas também como base, para o que lhe misturei só um poucochinho do meu hidratante da Filorga, o Hydra-Filler (para a cobertura ser mais leve). Depois, escolhi, para os lábios, o Velvet Matte em Red Square, um vermelho claramente alaranjado, que fica muito melhor na minha pele morena mas nem quis saber - estes batons em lápis são fantásticos, muito pigmentados e super mate, como esta vossa criada gosta. Nas bochechas, pus um nadinha do Deep Throat, que é coisa muito neutra e que marcha com tudo quanto é maquilhagem (o Orgasm, o meu outro blush da Nars, emparelharia um nadinha melhor com o batom, mas era dia e estava sol, dispenso aquela purpurinada toda muito obrigada, nestas circunstâncias). Nos olhos, coisa  muito rápida e fácil de fazer: defini primeiro o côncavo e o canto externo com o Belíssima, um toupeira que funciona bem como cor de transição e, depois, apliquei a sombra em creme em Iskandar por toda a pálpebra móvel. Depois, por cima dela, usei a Kalahari (a minha sombra preferida da paleta, tanto em termos de qualidade como de cor), um bronze a cair para o rosado, que cortou o amarelo esverdunçado da Eye Paint. Usei o Galapagos para definir o canto externo, puxando-o também para o início da linha inferior de pestanas. No meio da linha inferior de pestanas usei o Kalahari e, no canto interno, para iluminar, o Alhambra. Depois defini a linha de pestanas superior com uma mistura do Coconut Grove (menos) com o Night Clubbing (mais) e carimbei a llinha de pestanas inferior com o Coconut Grove, para dar mais definição. Passei a Better Than Sex nas pestanas (a fórmula está melhor, mas aquela escova... blherc!) e saí toda contente por ter usado todas as sombras da paleta (cada louco com a sua mania).

Sexta-feira | No final de uma semana passada quase inteiramente a trabalhar em casa, eis que se avistava o fim-de-semana, antecipado por um almoço de sushi com alguns dos amigos do costume, pelo que tratei de fazer uma coisa muito simples, só para ir ali comer e dar mais umas voltas e vir já (porque a bem dizer já não saía há demasiado tempo). Escolhi usar aquele que é oficialmente um dos meus cores de boca preferidos, o Velvet Matte Lip Pencil da Nars, em Dolce Vita (que é assim um cruzamento entre o laranja e o castanho claros, discreto mas lindo) e, nas bochechas, outra vez o Deep Throat: tinha a pele bem iluminada, porque misturei as Lustre Drops da Mac com o meu BB da Holika Holika e não queria cá as purpurinas do Orgasm a estragar tudo (adoro uma pele que reflicta a luz, mas odeio glitter, caramba). Os olhos também se fizeram em 5 minutos: usei a paleta And God Created The Woman  escolhi o Alhambra (a cor mais clarinha, o tal champanhe rosado de que gosto tanto) para aplicar na pálpebra toda, usando o Kalahari (a tal que é a minha sombra favorita de todas as Nars que tenho: um bronze com um toque de rose gold) no canto externo. Depois esbati tudo com o Laguna (o bronzer, presente na paleta The Happening), que também usei na cara (em parquíssima dose) e para definir a linha de pestanas inferior, passei máscara (e vejam, apesar das fotografias desfocadas, como a da Maybelline funciona muitíssimo melhor nas minhas pestanas do que a famigerada Better Than Sex, que constitui uma das maiores desilusões de sempre, para mim) e saí a correr, que prioridades são prioridades e quando é para comer a pessoa tem sempre pressa.

Filmes #114 | The Duff & Black or White

C&C sexta-feira, maio 08, 2015 0 Comentários

Já o disse e repito-o: quando alguém tem a minha idade, também tem a adolescência dentro e não é porque pertenço a outra faixa etária que deixei de me interessar por filmes sobre adolescentes - já viram o enjoo que era se só procurasse coisas que me dessem a ver gente igual a mim? Blherc. Vai daí, quando li sobre The Duff (2015), título que remete para um neologismo norte-americano (pelo menos entre os adolescentes do filme, não faço ideia se é usado de facto) que aponta para aquele ou aquela que, num grupo de amigos, é o ou a mais feiosa, ou tido/a como tal (e, por isso, a ponte para se chegar aos mais populares e giros), soube que queria ver aquilo. De resto, a adolescência é um bicho que nunca sai da gente por completo e, volta e meia, regressa, com mais ou menos força, dependendo daquilo que escolhemos tornar-nos e do que a vida fez de nós (ambas as variáveis estão presentes em todos, em maior ou menor grau, uma mais do que a outra, sei lá). Por isso, ver um filme bem interpretado (Mae Whitman é credível até dizer chega), a remeter para os muitos que, nos anos 80, me preencheram a vida, no VHS que entretanto chegou cá a casa, foi uma delícia. Não sei se será um filme para todos, mas é-o certamente para quem, tenha a idade que tiver, não se esquece de quem é e de quem foi (e eu nunca fui uma Duff nem a popularóide, era a estranha com sotaque esquisito que se dava com gente de todo o tipo, porque já nessa altura desdenhava grupinhos, gostava de música que ninguém conhecia e era mais alta do que a maioria dos rapazes; bem lá no fundo, e embora ninguém o dissesse, era também a que não tinha a certeza se podia ser quem era - ou nem seria adolescente como deve ser). Porque, com mais ou menos internet, mais ou menos acesso ao conhecimento, mais ou menos gente a usar o Youtube para alcançar a "fama" (tudo isto é retratado de forma airosa e descomplexada, sem nunca roçar a idiotice costumeira), a essência do ser humano é o que é, agora ou há vinte e tal anos: e nem sempre é coisa boa.

Black or White (2015) não tem recebido as críticas mais simpáticas por esse mundo fora - mas tenhamos em consideração que eu raramente estou de acordo com os críticos -ou melhor, até posso concordar com a tese sobre o filme, mas poucas vezes advogo as razões que a sustentam. E isto porque sou uma leiga, porque não domino os critérios de análise que a crítica invoca e porque, como em relação à maquilhagem ou skincare, sei do que gosto e não gosto e sei quais as razões que me fazem gostar ou não, mas não vou para além disso (nem tenho de ir, não podemos ser todos experts em tudo, a la Prof. Marcelo). Tudo isto para introduzia a minha opinião sobre este filme que junta Kevyn Cosner e Octavia Spencer como protagonistas de um filme que relata a luta pela custódia de uma criança, não entre pais mas entre avós. Ele é Elliot, o avô paterno, advogado endinheirado,a quem acaba de morrer a mulher num acidente de automóvel (a primeira cena, no hospital, sem sangue nem palermices, agarrou-me de imediato) e que fica sozinho com a neta, cuja mãe era menor quando morreu, ao dar à luz, absolutamente desapoiada, pois fugira com o escroque que a engravidou. Ora a mãe desse escroque é justamente Octavia Spencer, a avô WeWe (de Rowena), que considera que a menina (Eloise) deve ter contacto com as suas raízes afro-americanas (por parte de pai) e resolve levar o assunto a tribunal, o que justifica também pelo facto de Elliot andar a beber que nem uma esponja. E claro que a trama, a dada altura, resvala para o preconceito racial (que é bem tratado, ainda assim) e mais uma série de clichés - mas tudo isso se esquece com a prestação dos actores: Octavia Spencer é um portento no papel da matriarca que subiu a pulso, Kevyn Costner está melhor do que nunca, a menina (Jillian Estell) é deliciosa, e os secundários Anthomy Mackie (o irmão de Rowena, advogado de sucesso que soube conquistar o seu lugar ao sol mas verga perante o olhar da irmã), André Holland  (o pai da menina e filho de Rowena, drogado empedernido) e Mpho Kohao (no estupendo explicador de matemática, piano e motorista, que já escreveu mais papers que um catedrático) são brilhantes. Gostei e que se lixe a crítica.