quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

O Quinto Elemento | Amélia

Cá em casa, subvertemos o provérbio e decidimos que cinco é que é a conta certa - falo de gatos, claro, porque humanos têm de ser menos e canídeos há-de voltar a ser humana. Passaram ainda não quinze dias sobre o adeus ao Crispim (decidi que vão ter nome e não ser apenas inciais, a partir de agora) e já cá temos a Amélia (que começou por ser Dinis, em homenagem ao Dinis machado e vai-se a ver é uma gaja), em honra da Amélia dos Olhos Doces, a preencher o lugar do quinto elemento, porque nem sei o que me parecia a casa só com quatro meninos. E temos aqui uma personalidade das janotas; apesar de o Sebastião lhe rosnar de modo que parece um bicho mau (ele gosta mais de gente que de outros felinos) e de os outros três não a largarem, o mais possível, ela está-se absolutamente nas tintas e brinca com o Baltazar como se tivesse o tamanho dele, mesmo porque ele tem a idade mental dela. Curiosamente, não é a primeira vez que se adopta um gato e afinal sai gata - mas como por aqui não há preferência de género, está-se bem.
Agora é ir apreciando a personalidade, vê-la fazer as gracinhas todas e acordar todas as manhãs bem cedo, que esta piolhoce gosta de alvoradas. É que a pessoa pode não ter sido bafejada com instinto maternal, mas no que toca à bicharada apaixono-me com toda a facilidade. (Peço desculpa às gentes que seguem a chafarica por acesso directo, Bloglovin e coisas que tais: no Facebook, a outrora-Dinis-e-agora-Amélia já bomba há quarenta e oito horas, com muito mais importância que qualquer Zellweger, e acabo por esquecer-me de que há outras vias de acesso ao estaminé.)

Dior | Diorblush Cheek Creme #871 Bikini

Quando os blushes em creme da Dior saíram, no Verão de 2013, uns dois meses antes dos Chanel, que foram para as prateleiras das perfumarias mesmo no final de Agosto nalgumas perfumarias e no princípio de Setembro na maioria deles, a verdade é que apaixonei-me imediatamente pelos Chanel e não rejubilei com os Dior; de textura mais esponjosa e menos cremosa, pareceram-me menos atractivos, mesmo porque a colecção não possuís nenhuma cor como a minha amada Fantastic. Não sei porquê, caí no engodo das alternativas mutuamente exclusivas (por que diabo haveria de ter de ser ou Chanel ou Dior, se eu não funciono assim com o que quer que seja?!) no que toca a estes dois produtos - o que é bastante parvo, se pensarmos na quantidade de blushes em creme que tenho (são mais, agora) e nos que, desses, vieram morar comigo no último ano - pelo que não se entende por que não havia o Dior de vir também. Os meus preferidos nem sequer são os de acabamento cream-to-powder, como o são os Chanel e Dior, porque gosto deles mais iluminados, menos mate, mas não é isso que me impede de ter uma série deles do género, porque ainda assim ficam sempre mais naturais do que a maioria dos blushes em pó (porque já os há, e cada vez mais, absolutamente fenomenais).
Foi por isso que, quando algures no início do Verão, apanhei, na Sephora, três cores do Diorblush Cheek Creme, da Dior, rebaixados de 31,50€ para 19,90€, nem hesitei: agarrei aquela de que mais gostei e lá veio este #871 Bikini ( parte da tal edição limitada do Verão passado) morar comigo.

O meu Bikini fez parte de uma edição limitada de quatro blushes em creme e quatro vernizes, que emparelhavam entre si, a colecção Summer Mix, lançada, como referi já, no Verão do ano passado. as cores são claramente estivais, pelo que optei por aquela que posso usar o ano todo, já que se aproxima muito da minha cor quando coro (e eu coro pouco, cada vez coro menos, deve ser o desplante que a idade acarreta, mas reconheço a cor que me assoma à cara quando faço exercício físico). um carmim, coisa rosa-avermelhado que, se adaptar a intensidade à cor de pele, me assenta sempre bem. A embalagem é simples e muito Dior: pote transparente de vidro, com tampa de enroscar no azul escuro típico da marca, com o monograma e o limite da tampa em prateado - de resto, há que fechar muitíssimo bem esta tampa, que não tem qualquer outro resguardo interior: estas texturas entre o creme e a mousse secam com muita facilidade se não se tiverem cuidados redobrados. E eu sei que tenho muita coisa, mas odeio quando um produto seca ou se estraga (até agora, só me aconteceu com sombras em creme da Benefit e da MUFE, sendo que nenhuma tinha mais de ano e meio da minha mão quando as reformei, e eu cuido bem de todos os meus produtos).
O produto é facílimo de trabalhar na pele (nua ou sobre base líquida ou em creme), apesar da sua muita pigmentação: seja com um pincel de cerdas sintéticas (o meu preferido é o Small Stippling Brush da ELF. como estou careca de dizer) ou mesmo com os dedos, é ir aplicando aos poucos e esbatendo muito bem, de forma a ficarmos com aquele rubor saudável que parece mesmo nosso, por oposição à aplicação levei-uma-chinelada-na-cara-e-gostei. Uma vez assente, temos cor para muitas horas (apanágio destes acabamentos cream-to-powder, que funcionam quase como um stain) e, porque se trata de um creme com acabamento de pó e sem ponta de óleos ou gorduras, é ideal para qualquer tipo de pele, mesmo as mais oleosas.

Não sei se é muito simpático vir para aqui gabar um produto que, porque de edição limitada, não estará à disposição de quem o quiser comprar - embora na Amazon e no eBay quase tudo se arranje. Mas fica a dica, para o caso de a Dior voltar à carga e voltar a comercializar estes meninos - nos dias de hoje, em que já se percebeu que os cremes funcionam muito melhor do que os pós, ao menos para quem gosta de acabamentos mais naturais, até fica mal a uma marca de topo não dispor de um blush em creme na sua oferta fixa. por outro lado, olho atento nos saldos. nunca se sabe o que se pode encontrar, sendo que eu tenho feito negócios para lá de geniais, sobretudo na Sephora, no que toca a edições limitadas que parecem ter desaparecido e que depois surgem, miraculosamente, em época de rebaixas.

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Não sei ler pensamentos

Imagem daqui.

As pessoas têm de perder a maldita mania de que é suposto que os outros lhes leiam a alma. Pior: que lhes lêem efectivamente a alma! Muito provavelmente, o defeito é meu e sou o único ser que não adivinha o que vai em cabeça alheia com certezas (salvo raras excepções, que nem por isso constituem regra). Mas, ainda que seja, tenho de ser tida em conta, ora bolas!, enquanto altamente incapacitada.

Ora vejamos: se alguém, em conversa comigo, me diz "Ahhhhh, se soubesses como era louco por ti há X meses/anos/na semana passada/", a minha resposta assumirá inevitavelmente o formato da questão: "E por que raio não disseste?!". O que é ouvido, depois, é sempre um chorrilho de coisas sem sentido, a saber:
a) "Porque sabia que não sentias o mesmo" (Como? Perguntaste, por acaso?);
b) "Porque achava que estavas interessada em A" (Leste-me a mente, tu, queres ver?!);
c) "Porque sabia que B estava interessado em ti." (Olha, meu amigo, não dei por ti nem pelo B, temos pena...)
d) "Porque tu nunca reparaste em mim". (Como assim? Pisei o rapaz e não dei por nada? Passava por ele e não o via? Ai falava e era simpática mas nunca dei troco? Que diabo vem a ser isso de dar troco,não farás o obséquio de partilhar comigo?!)

Pára tudo já aqui.
Ôda-tracinho-se, se me dão licença.
Como posso eu reparar em que outrém é "louco por mim" (whatever that means) se o santinho nunca me disse?
Dava-me atenção? Era amável e carinhoso? Dizia-me que eu era gira? E vai daí? Os meus amigos fazem essas coisas todas (alguns, pelo menos) e não estão interessados em mim, no sentido romântico do termo! Convidou-me para jantar? Pegou-me na mão? Disse-me que gostava de mim? Ai não? Então lamentamos mas não sou bruxa.

O que me chateia solenemente, o que me indigna, é que as pessoas poderiam ser muito mais felizes se chegassem ao pé dos alvos de interesse e disparassem um "Gosto de ti. Acho que posso vir a gostar mais. Quero conhecer-te melhor. Queres jantar/sair/passear o cão/ir ao cinema comigo? E não, não pretendo tão somente ser teu amigo (embora possa ser, se não resultar), gostava de tentar construir qualquer coisa contigo."
Qual é o pior que podem ouvir?! Que o outro não está interessado seja porque motivo for. E vai daí? É um golpe no orgulho, uma humilhaçãozinha privada e está feito, caramba. Parte-se para outra (ou para nenhuma) e não se anda a sofrer em silêncio porque já não há nada por que sofrer. Ou então luta-se pela conquista (isto já depende da persistência, perante uma nega que pode ser rotunda, ou só o outro a pedir que lhe leiam os pensamentos, também...).

As pessoas seriam muito mais felizes se perdessem o medo de fazer por isso.
E escusavam de ouvir-se verdades que, fora de tempo, muito provavelmente (ou certamente) já não têm interesse algum.

Compras #79 | Beauty Bay, Asos e Amazon


(As cores, com e sem sol. Da esquerda para a direita: batom mate em Sangria, blush em creme em New York blushes em pó em Effekt, Universal e Blossom - e não, não tenho o braço sujo, juro que já tomei banho e tudo hoje, mas o raça da luz fez ali um efeito na fotografia da direita que eu própria juraria que há ali sarro e do persistente. As minhas desculpas, sim?)

Os CTT não estão a colaborar com a pessoa (nem com os serviços de apoio ao cliente, que eu maço até à medula quando se dão atrasos) e esta encomenda da Beauty Bay, feita no princípio do mês e enviada a 7 (uns quatro dias depois da compra, o que me mexeu logo com os nervinhos) só ontem, dia 20. me chegou às mãos, embora o serviço de seguimento do Royal Mail permitisse aferir que a coisa aterrara em Portugal no passado dia 14 (há quase uma semana, portanto). E a impaciência era tanto maior quanto foi boa esta negociata: a Beauty Bay estava a saldar algumas referências da Face Stockholm, uma marca que ando há séculos para testar e não foi tarde nem cedo. mandei vir umas coisas que finalmente são minhas.
Percorramo-las num instantinho, mesmo porque ainda há algumas coisas disponíveis e podem interessar a alguém desse lado:
- a base Ageless Foundation With Green & White Tea Extracts da Face Stockholm não estava primeiramente planeada, mas como hesitei, primeiramente (e decorreram uns dias entre o momento em que me interessei pela coisa e a compra efectiva), depois li umas apreciações, a coisa parece que é mesmo boa e lá veio, com 50% de desconto (cerca de 20€ em vez dos 40€ originais por 29ml - o frasco parece minúsculo mas tem apenas menos 1ml do que as bases normalmente têm). Comprei-a na cor Barnsten, que a marca considera apropriada para uma pele Light Warm 1 (ou seja, uma pele clara de subtom ligeiramente amarelado, sendo que depois há a LW2, para peles claras nitidamente de fundo quente) e que eu achei que seria indicada para mim: tenho uma pele neutra, que se dá bem com subtons amarelos ou rosados, desde que não muito pronunciados. Optei pela Light e não pela Fair (caramba, é uma marca nórdica, achei que a Fair seria para gente mesmo alva) mas, vai-se a ver e a Light é o meu tom de Primavera - no pico do inverno (ou seja, uns cinco meses por ano), nada a fazer, seria mesmo uma Fair. Mas dar-nos-emos bem, para já (e, se for preciso, no Inverno, misturo-lhe umas bases bem clarinhas que cá moram) - e quando tiver opinião fundamentada, cá a trarei.
- o batom Matte Lipstick veio na cor Sangria, um tom de vermelho mesclado de coral, muito aberto e feliz (semelhante ao 110 da colecção mate da Kate Moss para a Rimmel London). A Patuxxa costuma gabar os batons da marca e não poderia deixar escapar este, a 12,70€, em vez de 25,40€.
- os blushes em creme Creme Blush da Face Stockholm (infelizmente já esgotados) foram s grandes responsáveis por tudo isto: não que a promoção fosse gigantesca (o único que comprei custou cerca de 16€, quando o preço original era /se a memória não me falha) uns 26€ por 4g (mas posso estar completamente enganada - e se estiver é porque era mais caro. quando finalmente me decidi já não podia decidir-me em absoluto, porque a oferta de cores era já limitada. acabei por optar pela New York, um rosa vivaço com subtom vermelho, que a marca descreve como um cor-de-morango e que fica muito transparente e natural numa primeira camada e que se pode construir, em termos de intensidade.
- finalmente, perdi a cabeça com os blushes em pó: era para ter sido só um mas caramba, algumas cores estavam a 12€ (e eram 24€) - e eu bem sei que são só 2,8g (o tamanho de uma sombra das bem aviadas) mas não pude resistir, depois de ler apreciações de autêntico louvor. Assim, vieram três Blush-On da Face Stockholm: o Effekt, a minha primeira escolha, que é aquilo que a marca chama de "candy apple red" e eu chamaria um berry avermelhado (é lindo, lindo) e depois os mais discretos Universal um rosinha queimado alilasado, tom por que me apaixonei desde que a Sara me ofereceu o #55 da Inglot (este é mais rosado, mas ainda assim lindo) e, finalmente, o Blossom, um pesseguinho queimado daqueles muito naturais e quase universais.

E pronto, foi muito isto - ah, e houve também direito à escolha de uma amostra deluxe e optei por um produto de cabelo, mesmo assim à maluca, sem ler nada sobre ele: veio o Moisture Lock Curl Styling Gel Cream for Wavy Loose Curls, da Ouidad, uma marca que se diz especialista em cabelos encaracolados (testá-la-emos e diremos de nossa justiça). De regresso aos produtos da Face Stockholm, devo dizer que a única razão por não aplicar isto tudo hoje, na minha cara, a correr muito (ok, talvez não os blushes todos de uma vez), é o facto de me terem chamado da Douglas para ir fazer uma maquilhagem com a YSL, pelo que hoje vou, extraordinariamente, deixar que me maquilhem. Mas que não se perca pela demora: amanhã, se sair de casa (é dia de labuta caseira) ou na quinta-feira, o mais tardar, tratarei de travar conhecimento sério com cada um destes piquenos.

Depois, uma compra não menos entusiasmante, devo dizer: para quem venera os sapatos acima de todas as outras coisas (ou a par com os trapinhos, vá) gosta de sapatos e sabe que há vida para além da Louboutin e da Casadei (conheço uma que deu de caras com a marca recentemente, ou pelo menos assim diz, porque viu alguns modelos desfilar aqui no estaminé amiúde, e agora fala dela como se tivesse descoberto a pólvora, a santinha), o nome Jean-Michel Cazabat há-de fazer soar uma campaínha qualquer. O senhor ultimamente não tem lançado nada no seu site (a última colecção que lá consta é a de Outono/Inverno do ano passado) mas a Farfetch continua a comercializar a marca, a preços que não estão propriamente ao alcance do comum dos mortais como eu, e o perfil de facebook está activíssimo.. O modelo Emma, que sempre namorei e que agora comprei, terá sido lançado em 2010 ou 2011, se não estou em erro, e foi sendo actualizado ao longo dos anos, com novos padrões e cores. No Verão passado, andando eu na minha cruzada de comprar os scarpins animal print ideais (que não encontrei, acabando por comprar os Office que, não sendo exactamente o que eu idealizara, fazem o seu papel), dei de caras com este modelo, todinho em pele, a um preço simpatiquérrimo, na Amazon: em vez das normais (na Amazon e por ser de uma colecção antiga, que o preço original há-de ter sido outro) £220/280€, estavam a £78/99€. E eu não vou dizer que não me senti tentada, porque senti, mas sempre eram 100€, c'os diabos - e andei com eles no carrinho, para trás e para a frente, até acabar por desistir, mas não sem antes os juntar à "wish list" porque isto nunca se sabe e os meninos eram mesmo uma elegância. Uns dois meses depois, recebi um e-mail a dizer que, porque só uns poucos de pares, tinham sido rebaixados para £58/73€ - e voltei a abanar mas não quebrei. O golpe final deu-se na semana passada quando, na busca sazonal de novos livros saídos na minha área profissional, entro no Amazon e a primeira coisa que me surge são estes rapazes. Mais: porque só havia um par disponível, estavam agora em £28/35€ - e agora adivinhe-se qual o tamanho do último par... muito bem, acertaram em cheio: 38, o meu. Nem hesitei e, apesar de ter enfeirado literatura técnica noutro local (a Casa del Libro, que me tem levado couro e cabelo), vieram estes Emma Leopard Print Special Ocasion Heels, de Monsieur Cazabat, que são uma elegância e me assentam que nem uma luva, benditos. São super confortáveis para uns sapatos com cerca de 10cms de salto fino (claro que falta a prova final de meio dia em cima deles, mas já tenho algum calo nisto e posso prever que nos daremos bem) e estou absolutamente enamorada e feliz por lhes ter resistido tanto tempo: só assim a coisa pôde acabar neste final digno de um filme lamechas.

Na Asos, no dia em que eles lançaram a mais recente época de saldos (que aquilo é coisa para dar-se praticamente todo o ano), enamorei-me destas Enough Said Leather Ankle Boots (rebaixadas de £55/70€ para £30/38€) e lá vieram elas: adoro o salto de 10cms, tão confortável que pareço andar de rasos, adoro o picotado na pele, adoro os atacadores (gosto taaaaanto de atacadores!) bem como a sua versatilidade - pelo que aparecerão amiúde, antevejo, lá no álbum de trapos do dia no Facebook. São de pele por fora e têxtil por dentro, o que me incomoda muito menos do que o maldito poliuretano, porque não me assa os pés. Como as usarei sempre com meia, serão sempre muito confortáveis.

Finalmente, uma compra menos interessante, mais geek e, ainda assim, capaz de interessar aos portadores de iPhone, o telefone-maravilha que não chega a aguentar 24h de carga, se lhe dermos o uso que eu dou: um carregador portátil para qualquer telefone com cabo usb, que (uma vez atestado de carga, o que se faz ligando-o à corrente) carrega um iPhone entre 5 a 6 vezes e um Samsung Galaxy de 2 a 3 vezes. Quando vi este EasyAcc Ultra Slim Dual USB Portable Power Bank Extrenal Battery Charger para iPhone, iPad, Samsung Galaxy, HTC1 (e por aí fora) por £20,99/27€, nem hesitei. Sim, tenho um mais pequeno, comprado por cá (pouco mais barato, sendo que só dá para uma carga) mas eu sou mulher que gosta de se dizer prevenida, pelo que pronto. Optei pela cor mais chatinha (preto e prateado) só porque nenhuma das coloridas me arrebatou. Ah, vale dizer que a Amazon agora é uma chata e cobra portes: paguei £6.86/cerca de 9€ pela entrega de sapatos e carregador - o que ainda assim valeu a pena.

E foi muito isto: uma grandessíssima mescla, sim senhores, mas carregadinha de coisas boas (ao menos para mim, vá.).

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

O inferno não são os outros...

...somos nós mesmos e Sartre estava absolutamente errado, temos pena.


Vamos lá ver se consigo acalmar o turbilhão de ideias que me levou a esta conclusão e se me permito ser clara e pouco infernal (piada fraquinha, eu sei, mas nunca disse que dava para mais).
Hoje, a propósito da definição das diferenças (teóricas, já se sabe) entre persuasão e manipulação e o critério ético que as aparta, lembrei-me de perguntar às pessoas com quem estava se alguma vez e de que modo se tinham auto-manipulado. E as respostas, inevitavelmente, levaram-nos para o campo das relações inter-pessoais: porque X me mentiu, manipulou-me; porque Y me iludiu, fui manipulada, porque Z me contou a estória da carochinha, fez-me o mesmo. O outro, sempre o outro.
Alto e pára já o bailarico que há aqui qualquer coisa de muito errado: muito bem, se fui mentida e não tinha como distinguir a verdade para lá da patranha, posso não ter tido culpa alguma na matéria mas, as mais das vezes, não somos iludidos, deixamo-nos iludir. Ou melhor: enredamo-nos numa teia de ilusões que pode ter sido desencadeada pelo outro mas foi (e só assim se tece) alimentada por nós, que agora nos dizemos vítimas (o que é sempre muito mais bem visto do que ser "o/a sacana").
Nunca mais me esqueço do caso de uma amiga que, há muitos anos, recebeu da afilhada uma caixa de Mon Chérie. A A. odiava aqueles bombons tanto quanto eu, mas "para não magoar" a miúda, fez uma festa e disse ter adorado. Desenvolvimento lógico? De cada vez que a afilhada a vinha visitar, lá levava ela com mais uma caixa de chocolates que lhe davam vómitos. Suponho que ainda hoje os receba. E se queixe disso, a grande palerma, quando a garota (hoje mulher feita) é que vive na ilusão de estar a agradar a uma madrinha que, no caso concreto, só desaponta.
O que é que aconteceu aqui?
Justamente o mesmo que acontece a um casal quando ele faz uma coisa de que ela não gosta (exemplo comezinho e tipicamente de gaja: não lhe mandou uma mensagem nem lhe telefonou nem lhe prantou um "like" num post do Livro das Caras durante todo o dia) e ela, "para não o magoar", ou enfrentar ou para que ele ache que ela é uma cool e não é nada melga, não lho diz. Ao fim do dia, ELA manda-lhe uma mensagem casual, a perguntar qualquer coisa de formas displicente (porque enough is enough e o silêncio já lhe está a dar cabo dos nervos) e ele responde no mesmo tom. Ela fica pior do que peste (arre porra, não falamos há quase 24h e é tudo quanto tens para me dizer???) mas continua calada, a congeminar mil e uma razões para ele estar a agir de forma atípica (ou característica e ela é que não o quer ver, sabe-se lá), mas não o confrontando; isso é que nunca porque vai dar discussão e as discussões afastam-nos. [E antes que me acusem de machismo sem saberem o que dizem, permitam-me que adiante que falo do que posso falar, a partir dos erros que cometi e continuo a cometer - ou que poderia ter cometido, mesmo que tenha tido a sorte - que não o mérito - de nunca o fazer.]

Coméquié???
Desculpem-me lá os cools deste mundo (mesmo porque não conheço nenhum, o que conheço é gente que se está a marimbar e isso é outra conversa), mas isto é treta da mais pura. Quem é que manipulou quem, aqui? O idiota do fulano que nem se lembrou de que a gaja existia e que, por isso, foi fiel a quem era (uma besta) e não a contactou (porque quem é fiel a si mesmo, mesmo sendo uma besta, não faz fretes) ou a menina que, para não o perder ou não arranjar confusões ou o diabo, faz de conta que é uma pessoa que não é?!
E quem é que fica na mais pura merda das situações mal-cheirosas? Ela. Só ela. E bem feito, porque não tinha nada de ser o inferno de si mesma. Quem não é capaz de viver com o outro como ele é, não tem o direito de o iludir, dizendo-lhe que sim. Porque, convenhamos, uma relação que é ameaçada por algo tão elementar como necessidades diferentes de comunicação, não tem pernas nem qualquer outra parte do corpo para andar.

Ajuntamento #37 | Paleta de Sombras X - As Tarte

E eis que somos chegados à décima publicação sobre o meu ajuntamento de paletas de sombras (já o trigésimo sétimo sobre as várias categorias presentes na minha "colecção" de maquilhagem), sendo que aquela que deveria ser a última entrada sobre esta saga vai acabar por ser a penúltima: a verdade é que depois das meninas de hoje, que comprei no início do Verão deste ano e sobre as quais consigo já ter opinião formada, vieram morar cá para casa mais umas cachopas, de que falarei num próximo (e, definitivamente, último) post sobre paletas de sombras (mesmo porque quero encerrar este percurso pelo ajuntamento, passando aos pincéis de viagem e, por fim, aos vernizes - sendo que, na verdade, poderia começar tudo de novo, já que não há uma única categoria que não tenha sofrido alterações, mas agora não vai dar, esperemos mais um anito ou dois que, se ainda por cá andarmos, nessa altura valerá a pena mostrar aquilo que será certamente novidade).
Até agora, tivemos, em todo o seu esplendor:
I - Dior, Estée Lauder, YSL e Lancôme
II - Guerlain, Chantecaille, Tom Ford, Charlotte Tilbury, Bobbi Brown
III - Nars, Sephora, Bare Minerals e Soap& Glory
IV - Sleek, Gosh, Wet'n'Wild, Beauty UK, ELF e Coastal Scents
V - Urban Decay
VI - It Cosmetics, Stila, Lorac e Kiko
VII - The Balm
VIII - Too Faced
IX - As XL Estée Lauder, Clinique e Laura Mercier

Hoje temos duas paletas da Tarte Cosmetics, uma marca norte-americana pródiga em lançamentos de sucesso, que começou por ser imensamente falada aqui pelas Europas graças aos blushes Amazonian Clay (de que tenho dois exemplares que adoro) e, posteriormente, por tudo o que as bloggers norte-americanas compravam (ou recebiam, que lá a coisa é a sério e as marcas enviam mas exigem apreciações fundamentadas e conhecedoras, nada como a fantochada da blogosfera portuguesa patrocinada, que redunda numa lambe-botice pegada e confrangedora) e que causava uma imensa inveja, não só pela beleza e qualidade dos produtos de maquilhagem, mas também pelos preços, que por lá são quase risíveis, mesmo com as taxas que normalmente não estão incluídos nos valores avançados pelas lojas online. Deste lado do Atlântico, a QVC britânica vende uma selecção bastante limitada de produtos da marca, que vai variando de acordo com as imensas edições limitadas que a marca produz - sendo que nunca comprei por lá porque acho os preços demasiado inflacionados e os portes algo abusivos. De todo o modo, e depois dos blushes e do corrector, o que eu tinha em mira eram algumas das magníficas paletas que a Tarte lança com muita frequência, sempre de edição limitada: fui coscuvilhar para o eBay, escolhi as duas que me apeteceram e aproveitei a oferta de uma simpática leitora, moradora em território norte-americano para me recepcionar as paletas e mas enviar depois - tive-as nas mãos em pouco mais de uma semana sem chatices alfandegárias (que, nos dias que correm, são uma certeza, mesmo em encomendas que não ultrapassem os US$50).
De lá para cá, brinquei bastante com ambas (ou tanto quanto é possível, quando se tem tanta coisa a que dar democrática atenção), tomei as minhas notas (porque de outro modo agora não conseguiria lembrar-me da prestação de cada cor) e estou já em condições de dizer de minha justiça. Relembro que se trata de edições limitadas, o que em nada invalida o interesse desta publicação (ao menos para quem tem em mente os produtos de olhos desta marca) na medida em que importa mais a consistência e a qualidade do que propriamente as cores - essas sim, variarão de paleta para paleta, ainda que a Tarte seja poderosa no que toca aos neutros, como vos será dado a ver. Aqui vai.

A Amazon Escape Amazonian Clay Eye & Cheek Palette foi uma edição limitada talvez de há uns dois anos mas que, na última Primavera, ainda se encontrava nas lojas físicas. Trata-se de uma paleta com seis sombras e dois blushes (sendo que por acaso tinha já um deles, o Exposed, mas por acaso é daqueles que não faz mal algum ter em duplicado, já que é quase o blush perfeito), com uma embalagem absolutamente deliciosa, em forma de clutch, num material a imitar pele de cobra, da cor roxa típica da marca, com uma aplicação de renda que eu jamais usaria numa carteira de mão, mas a que acho piada numa paleta. Todo o metal é dourado, incluindo o botão que se pressiona para a abrir, temos um espelho de dimensões consideráveis na tampa e nota-se a absoluta ausência de pincelinhos irritantes ou aplicadores de esponja inúteis (o que poderá desencantar alguns mas me agrada a mim); o que a paleta trazia era um daqueles cartonetes com "inspirações" para looks de maquilhagem, que acabo sempre por descartar também (a não ser que seja coisa tão bem feita que não tenha coragem de o fazer, como aconteceu com o livrinho que saiu com a Smoked da Urban Decay) e vinha dentro de uma caixa absolutamente banal, de cartão fraco e acetato. Os nomes das sombras e blushes também surgem numa folha de acetato, que é coisa que me enerva profundamente, pelo que os inscrevi nas fotografias, de modo a serem mais fáceis de referenciar.
A característica mais apelativa dos blushes e sombras da linha Amazonian Clay será a de conterem, na sua formulação, esta argila que como que equilibra os níveis de óleo na pele, pelo que se adequa a todos os tipos e é muito querida por peles (e nomeadamente pálpebras) oleosas: eu tenho a pele seca e as minhas pálpebras não podiam ser mais normais, para além de que uso sempre primer ou sombra em creme por baixo de qualquer sombra em pó - e ainda assim consigo notar que estas meninas de facto duram nos olhos (como quase todas as que tenho e ao contrário de muitas que já despachei) - não doze horas, como prometem, pelo menos sem um primário, mas aguentam-se um dia bom (8h, vá), com ele. Já os blushes, são dos mais duradouros que tenho, em pó, a par com os Instain da The Balm (de resto, há muitas semelhanças entre as marcas, ao menos no que toca a sombras e blushes, embora as texturas das sombras The Balm sejam mais amanteigadas e fáceis de esbater).
Mas vamos às cores, uma por uma, que é para isso que aqui estamos:
Free | Um blush coral escuro com glitter muito fininho dourado (perfeitamente usável, mesmo por quem foge de purpurinas na cara, como eu);
Exposed | Este rosa queimado algo acastanhado de acabamento mate-acetinado é o blush perfeito para qualquer ocasião e maquilhagem, porque acaba por ser uma cor neutra e muito natural, que também funcionará lindamente como sombra se, por exemplo, quisermos tornar qualquer coisa mais rosada, ou matificar alguma das cores da paleta (como a Canopy: juntas, dão uma óptima cor para o côncavo); também emparelha lindamente com a cor Tribal - ou seja, é coisa para lá de perfeita;
Tame | Bege claro, quase marfim, de fundo frio, com um brilho acetinado, excelente para iluminações;
Rope | Cor de pele rosado e mate, excelente cor de base para qualquer maquilhagem de olhos;
Canopy | Castanho-toupeira médio e de acabamento acetinado, com uns micro-brilhos prateados;
Rare | Bege alaranjado (cor de pêssego clarinho) de acabamento acetinado;
Camo | Bronze com qualquer coisa de verde-seco e micro-brilhos dourados;
Tribal | Beringela arroxeado, de acabamento mate-acetinado.

E passemos à minha preferida, em termos de conteúdo (e porque estamos a falar de sombras, porque evidentemente que a Amazon Escape é mais completa): foi a minha primeira escolha e seria a definitiva, não se dera o caso de eu ter uma queda por embalagens originais (e daí a encomenda da menina de cima). Esta Amazonian Clay Limited Edition Bow and Go Eyeshadow Palette tem este nome porque vem dentro de uma caixa de cartão muito bonita, com os mesmos motivos da paleta, que traz incluso um laço de tecido, caso queiramos oferecer a bichinha. Não foi o meu caso, pelo que guardei o laço e a caixa, que poderão dar-me jeito para qualquer embrulho que queria fazer, e tratei de apreciar o conteúdo, que consiste numa caixa de cartão bem fininha, que fecha magneticamente e não tem qualquer botão ou abertura especial (a lembrar as The Balm, uma vez mais). Lá dentro, dezasseis sombras apenas (nem espelhos nem aplicadores, outra vez), que entendo latamente como neutras (porque até os roxos e o verde são do mais neutro e usável que pode haver) .
Parte dos lançamentos de Natal de 2013 e à época vendida com mais umas coisas, esta menina teve já uma segunda versão, saída recentemente, porque a primeira (a minha) foi um sucesso: por cerca de $40 (menos de 30€), temos dezasseis sombras de 2g cada (as UD e as Mac têm 1,3 e 1,5g, respectivamente) e cores daquelas que ficam bem a toda a gente, capazes de construir uma miríade de looks. Não, não tem um preto - mas que diabo, é preciso haver um preto em todas as paletas? Para mim, decididamente, não: se usar sombra preta uma vez por mês, é muito. Mais uma vez, temos a fórmula Amazonian Clay, que contém a tal argila do amazonas (que nutre a pele, ao mesmo tempo que controla a oleosidade e embeleza a textura), vitamina E (que actua como um emoliente anti-inflamatório e anti-oxidante, protegendo a pele dos danos provocados pelos radicais livres) e pigmentos minerais, que a Tarte diz tornarem a pele mais macia. Enfim, mais uma vez, não estou à espera de grande performance de qualquer tipo de maquilhagem em termos de cuidados de pele, mas é bom saber que a formulam com bons ingredientes.
Passemos então às cores acima (nove mate e nove com algum tipo de brilho) que o paleio já vai longo, para não variar. Não posso contudo deixar de salientar que, neste caso como no da mana Amazon Escape, fiz as amostras de cor no braço sem o auxílio de qualquer primário, o que revela como as sombras são pigmentadas e, na maioria dos casos, extremamente macias e fáceis de esbater. Uma pintarola de paleta, é o que esta cachopinha é. Vamos às cores:
Tickled Pink | Um rosinha de subtom frio, acetinado e muito macio (daqueles que não adoro mas que tem excelente qualidade);
Playful Plum | Um magnífico ameixa arroxeado de fundo rosado e acabamento mate;
Radiant Rosewood | Um beje rosado de fundo frio, quase malva e acabamento mate;
Sage Advice | Um verde seco não muito escuro com micro-brilhos dourados, que fica magnífico em olhos castanhos;
Beaming Bronze | Dourado escuro, quase bronze, com brilho dourado; 
Grateful Grey | Cinzento com subtom esverdeado e um acabamento que, não sendo mate, também não chega a acetinado; 
Alluring Almond | Bege acinzentado de acabamento mate;
Hot Cocoa | Castanho médio de subtom avermelhado e acabamento acetinado; 
Ideal Ivory | Branco marfim de acabamento mate (das melhores texturas que já vi em cor do género)
Roasted Chestnut | castanho-chocolate de acabamento acetinado;
Buttercream Frosting | bege clarinho, achampanhado, com brilho muito fininho, dourado;
Pumped Up Purple | Roxo de subtom cinzento e acabamento mate, sem surpresas uma das minhas cores preferidas da paleta; 
Marvelous Mocha | Castanho médio, de subtom quente e acabamento entre o mate e o acetinado; 
Truly Taupe | Toupeira claro alilasado, com  brilho fininho prateado (cor linda!);
Peachy Keen | laranjinha claro (cor de pêssego) mate, óptimo para fazer transições entre cores escuras e a pele;
Blissful Brown | Um belíssimo castanho escuro de acabamento mate (que, para mim, substitui qualquer preto).

E pronto, temos qualidade da muito boa e é por tudo isto que quando viajo pela Sephora norte-americana e me deparo com as edições especiais deste Natal, como sendo a Bon Voyage Collector's Set and Travel Bag (cá estão os neutros, como vos dizia), a $59 mais taxas (o que não chegará aos 50€) ou a mais recente paleta de blushes, a Pin Up Girl Amazonian Clay 12 Hour Blush Palette a $42 (uns 35€, já com taxas), só me apetece é emigrar - ou, sendo mais sensata, planear finalmente a viagem de que falo há séculos e que nunca mais executo (o que não será fácil a breve trecho, mas acontecerá certamente a médio prazo).


Cenas do próximo e (finalmente!) último capítulo? Ei-las:
(E em breve, muito em breve, acabaremos com a saga. Olarila se acabaremos!)

domingo, 19 de Outubro de 2014

"A desculpa é a defesa dos brutos" (Avó M.)

Love Story (1970)

Dizia a Avó M., alentejana de gema, de quem me habituei a ouvir dizer coisas como mais ninguém (afinal, era a única alentejana com quem privava na minha meninice, passada no Porto, onde ela também vivia, para além de sua mãe, a Bisavó S., que era demasiado auto-centrada para dizer coisas que interessassem a um espírito curioso como o meu) que a desculpa é a defesa dos brutos. Claro que, à época, eu era demasiado miúda para perceber o alcance do dito (um cancro na mama levou a Avó M. ainda antes dos 60 anos), mas hoje cito-a muitas vezes e encontrei expressões sinónimas, ao longo da vida - como o "amar é nunca ter de pedir desculpa" do celebérrimo Love Story, ou o mais prosaico "as desculpas não se pedem, evitam-se".
Evidentemente, nenhuma destas expressões condena o pedido de desculpas, mas sim o facto de nos termos permitido cometer actos que nos levem a pedir desculpa (nós, os brutos, os que não soubemos evitar o ter de pedir de perdão), que são condenáveis mas absolutamente compreensíveis, num ser tão pouco perfeito como é o humano. Por isso, admitamos por instantes a necessidade de pedir desculpas (bem como a ultrapassagem da idade em que isso custa tanto como arrancar um dente) e a circunstância de não se tratar de um acto recorrente. A minha posição face a essa situação é a de que o pedido de desculpas não pode ser um ponto de chegada (do tipo já-pedi-desculpas-está-o-assunto-arrumado) mas, pelo contrário, tão só um ponto de partida (do género pedi-desculpas-e-agora-o-que-fazer-para-reparar-a-asneira-?).
Se todos o percebêssemos, teríamos, obviamente, ministros mais competentes - mas eu tenho a mania das grandezas e importa-me bem mais a humanidade em geral do que um ou outro energúmeno em particular (mesmo que com o poder de tramar a vida a gente demais). E no dia em que a humanidade deixar de ser a "bruta", como dizia a avó M., que pede desculpas como ponto de chegada, sem perceber que tem de ir mais longe, não rectificando o que maculou como agindo no sentido de não repetir a idiotice, talvez haja uma luz de esperança, no final deste túnel escuro em que parecemos ter escolhido viver.

Cabelos | Os anti-frizz do momento

Não me posso queixar do meu cabelo, juro que não: apesar de saber ser um chato com mais personalidade do que eu (no sentido em que se decide que a franja há-de não assentar, ela não assenta mesmo, e se resolve que hoje acorda quase liso, liso ficará - e coisas dentro do género), é saudável e perco tempo praticamente nenhum com ele - sobretudo desde que o uso acima dos ombros (o que, parecendo que não, é uma grande diferença para quem estava habituada a ter a trunfa pelo meio das costas), é lavar e nutrir, borrifar um produto que ajude a moldar as ondas ou caracóis (depende dos dias e da tal personalidade) esticar a franja e ser feliz.
E esta convivência  sucede durante todos os dias do ano em que não chove: respeitamo-nos mutuamente e sabemos viver em harmonia.
Mas depois vem o Outono e o estupor da humidade e começa a haver uma tensão nervosa insuportável entre nós. Quer dizer, eu respeito muito a melena e aturo-lhe os azeites e laivos de atitudezinha armada ao pitoresco, mas há limites para tudo, até para a minha paciência, que nunca primou por excessos. E é justamente nestas alturas que eu tenho de jogar sujo, e de esquecer em absoluto aquela coisa do conviveremos-na-calmaria-e-na-loucura-até-que-a-tesoura-nos-separe: e não me condenem. é impossível suportar um cabelo que decide duplicar de tamanho - não no bom sentido.
E porque nunca fui fã do estilo Tina-Turner-dos-anos-oitenta (ou a Monica, do Friends, remember?), urge que me muna de ferramentas que me ajudem na manutenção da dignidade capilar - são justamente as que estou a usar de momento (e há já uns bons meses, mas felizmente interrompida pelo Verão) que trago hoje ao vosso conhecimento, não vá dar-se o caso de haver por aí cabeleiras tão nariz-empinado como as minhas. E não temam: moldá-las não é castrá-las; é só mostrar-lhes quem manda, c'os diabos - de outro modo, qualquer dia, vivemos sob o seu jugo. Temos:
- o Control Freak Serum - Frizz Control And Straightener, da linha Bed Head, da Tigi;
- o Brilliant Glossing Cream With Encapsulated Shine Release Complex, da linha Advanced, da Fekkai;
- o Advanced Techniques Frizz Control Lotus Shield Anti-Frizz Treatment, da Avon (que me foi oferecido pela querida Sara).

Mas ó CC, por que diabo é que tens a mania das grandezas e tens três produtos para um mesmo fim em uso, a um mesmo tempo?! É que ainda se fossem produtos baratos e comprados no Continente, ainda podias... mas a exibição gratuita de coisas caras, de que nem sequer desfrutas porque tens demais é coisa que ofende por causa da crise e tal. Eu percebo, atentas e curiosas criaturas, a razão do vosso assombro - não se trata de crítica mesquinha nem de julgamento precipitado nem sequer (por céus, nunca!) de nariz metido onde não é chamado, mas antes da mais pura curiosidade, característica que me agrada sobremaneira e que incentivo de todos os modos. E poderia responder-vos com a verdade e limitar-me a dizer que é, basicamente, porque posso e me apetece, mas acho que merecem mais do que isso e vou tentar ser mais rebuscada, fazendo assentar esta diversidade em ligeiras diferenças em termos de performance, que são meninas para satisfazer espíritos mais chatos inquietos com o que mora nas casa de banho alheias estas coisas. Vamos então a isto, sim? Embora.

Control Freak Serum - Frizz Control And Straightener, da linha Bed Head, da Tigi foi comprado numa qualquer promoção das lojas inglesas do costume: Feelunique (no tempo em que a alfândega não parava tudo o que vem de território fora da UE) e, sobretudo, Lookfantastic e HQHair são, há muito, as minhas lojas, quando se trata de (re)abastecimento de produtos capilares, porque os têm bem mais barato e em permanentes promoções - normalmente 20 ou 25%, a que não é raro acrescentar-se qualquer outra, de 10 ou 15%, o que torna os preços capazes de envergonhar os comerciantes portugueses. É que já não me lembro mesmo de comprar por cá, seja Kérastase, Redken, Tigi ou L'Oreal Profissional (as marcas para que me inclino normalmente).
A marca apresenta este menino como sendo um sérum de alta performance (que eu diria mais um gel, porque é essa a sua consistência, embora fique mais líquido, se aquecido entre as palmas das mãos), que controla o frisado, com o objectivo de tornar macios os caracóis ou de alisar com facilidade melenas rebeldes: porque contém glicerina na sua formulação, actua também no sentido de amaciar os fios de cabelo e resulta igualmente como protector de calor (já não me lembro de alisar o cabelo, mas a ver se me recordo disto, se algum dia me apetecer).
Eu confirmo as promessas, mormente no que toca ao controlo do frisado e posso assegurar que, dos três, este é o de acção mais potente, embora não deixe o cabelo rijo ou colado (se usado com parcimónia, como eu faço). Normalmente, reservo-o para usar quando, tendo o cabelo seco, apanhei um dia húmido com rabanadas de vento que me torna semelhante a uma vítima de electrocussão: uma ervilhinha na mão, produto bem aquecido  entre as palmas e passado, com as mãos abertas, do alto da cabeça às pontas, muito ao de leve (de todo o modo, não é produto para pesar o meu cabelo): os cabelos voadores acalmam e consegue manter-se a dignidade até sermos sujeitos a nova revoada das graves. Contra ele, o facto de não tornar o cabelo brilhante (como o adversário que aí vem) e de poder tornar o cabelo crunchy, se se abusar da dose. A favor, a embalagem prática (a tampa roda e a pipeta dispensa produto) e gira, bem como um cheirinho muito agradável, para além de um preço convidativo: este menino custa cerca de 16€ por 250ml (nas lojas de que falo) e pode durar toda  uma vida, se se derem bem com ele.
Ingredientes | Water, Polyacrylamidomethylpropane Sulfonic Acid, Polyquaternium-11, Glycerin, Propylene Glycol, Triethanolamine, Oleth-20, Dimethicone Copolyol, Dimethicone Copolyol Meadowfoamate, Hydroxyethylcellulose, DMDM Hydantoin, Parfum (Fragrance), Linalool, Hexyl Cinnamal, Limonene, Carbomer, Methylparaben, Disodium EDTA, Benzophenone-4, Actinidia Chinensis (Kiwi) Fruit Extract, Jasminum Officinale (Jasmine) Extract, CI 77019 (Mica), CI 77891 (Titanium Dioxide), CI 19140 (Yellow 5), CI 42090 (Blue 1), CI 17200 (Red 33).

Brilliant Glossing Cream With Encapsulated Shine Release Complex, da linha Advanced, da Fekkai é coisa que já só se encontra na Amazon, no eBay ou em lojas que ainda o tenham em stock (apanhei o meu ainda na Space.NK e não pude deixá-lo escapar, conhecendo como conheço a excelência de uma marca que se vendeu na Sephora até há pouco tempo atrás e que a loja fez o favor de descontinuar, como outras, incompreensivelmente - ou se calhar tenho mesmo de aceitar a explicação de que os consumidores portugueses não sabem reconhecer a excelência, o que já nos levou marcas como a by Terry, Cargo, Fred Farrugia e fiquemos por aqui, que isto até me causa urticária).
A Fekkai descontinuou este creme (usado, ao que parece, por Michelle Obama) com uma fórmula que, usando a tecnologia da micro-encapsulação, fazia com que as mais finas moléculas de azeite penetrassem nos fios capilares, distribuindo por toda a trunfa uma sensação de maciez e um brilho incomparável. Simultaneamente, acalma o frisado (não tão potentemente como o Tigi e por isso reservo este para os dias em que a humidade é mais moderada), e é por isso que foi para aqui chamado. Tem a consistência de um creme perolado, que aplico usando exactamente a mesma técnica que o anterior (um nadinha de produto aquecido entre as palmas das mãos, sempre o menos possível para não empastar o cabelo), embora com este faça penetrar os dedos por entre a cabeleira, de modo a espalhar melhor o produto, para que todo ele desfrute do brilho e maciez (porque, ao contrário do Tigi, este hidrata o cabelo, fazendo-o perder aquele aspecto seco que a humidade faz o favor de lhe conferir). Ou seja, uso-o sobretudo sob o cabelo seco, uma vez mais, pese embora a marca indique o seu uso óptimo em cabelo húmido. Usei-o certa vez em que quis dar movimento a um cabelo de segundo dia, que tinha perdido os caracóis mais vistosos: com o uso do ferro de caracóis, o seu efeito é ainda mais notório e deslumbrante. Tem um cheirinho bom e só aconselho prudência a quem, ao contrário de mim, não lava o cabelo dia sim dia não, ou mesmo diariamente. como o seu segundo ingrediente é o silicone, é coisa para acumular em excesso, se for usado muita vez (por exemplo, em cabelos muito secos ou crespos). A embalagem é em forma de bisnaga, facílima de usar, e custava £20/26€ por 113g e é outro que me durará para todo o sempre.
Ingredientes | Water, Dimethicone, Dimethiconol, Cyclopentasiloxane, Butylene Glycol, Phenyl Trimethicone, Olea Europaea (Olive) Fruit Oil, Polyacrylamide, Olive Glycerides, Synthetic Wax, Hydroxyethyl Behenamidopropyl Dimonium Chloride, Polyquaternium-67, C13-14 Isoparaffin, Bismuth Oxychloride, Panthenol, Cinnamidopropyltrimonium Chloride, Vitis Vinifera (Grape) Fruit Extract, Hydrolyzed Conchiolin Protein, Laureth-7, Fragrance (Parfum), Mica, Titanium Dioxide, Dmdm Hydantoin, Iodopropynyl Butylcarbamate, Yellow 10 (Ci 47005).

Finalmente, o Advanced Techniques Frizz Control Lotus Shield Anti-Frizz Treatment, da Avon, que a Sara gabava imenso como sendo coisa boa e barata e que vez o favor de me oferecer, no inverno passado, pelo que já não me resta muito, infelizmente, a boa notícia é que, pelo menos em terras inglesas, continua à venda, pelo que recomprá-lo-ei certamente, quando se me finde. Galardoado por revistas britânicas e sites de beleza, justamente pela sua relação qualidade/preço incomparável, este sérum muito líquido (em nada comparável aos anteriores) promete repelir a água tal como o faz a flor-de-lótus, mantendo o cabelo macio e desafiando qualquer atmosfera que contenha até 97% de humidade (eh, valente!). A ideia é aplicá-lo com o cabelo ainda molhado ou húmido, quando se sai do banho (e eu gosto de aplicar com o cabelo bem molhado, para impedir que empaste de algum modo, porque gosto de o distribuir por toda a cabeleira, praticamente desde a raiz)  e a verdade é que este tem sido o meu truque naquelas últimas semanas (antes da vaga de calor hoje começada, benzádeus, que a pessoa em geral e a pele reactiva em particular já estavam que não podiam com tanta humidade!) em que bastava pôr o nariz fora da porta para o cabelo começar a subir feito louco, sem que eu lhe tivesse dado licença. Mais uma vez, tento não aplicar muito produto, embora com este acabe sempre por ir mais longe do que com os anteriores, porque se trata de prevenção e porque a própria consistência em sérum é diferente e propicia outro género de uso (acabo por repetir o modo como fazia com o John Frieda):o resultado é um cabelo sedoso e com ondas/caracóis bem formados, sem necessidade de recorrer aos manos de cima (pelo menos durante um dia, vá, também não estamos à espera de milagres, embora os desejemos). Adoro o cheirinho floral e o preço, que ainda não conheço mas estará certamente abaixo dos outros (e dentro do género do John Frieda, que foi o meu sérum anti-frizz de eleição durante muit tempo, sendo que lhe voltei recentemente,
Ingredientes | CYCLOPENTASILOXANE, WATER/EAU, SD ALCOHOL 40-B, DIMETHICONE, TRIMETHYLSILOXYPHENYL DIMETHICONE, VINYL DIMETHICONE/METHICONE SILSESQUIOXANE CROSSPOLYMER, ALUMINA, PEG-10 DIMETHICONE, METHYL TRIMETHICONE, ETHYLHEXYL METHOXYCINNAMATE, ACRYLATES/DIMETHICONE COPOLYMER, POLYQUATERNIUM-37, PROPYLENE GLYCOL DICAPRYLATE/DICAPRATE, PEG-150/DECYL ALCOHOL/SMDI COPOLYMER, DIMETHICONOL, PARFUM/FRAGRANCE, PPG-1 TRIDECETH-6, CAPRYLYLSILSESQUIOXANE, IMIDAZOLIDINYL UREA, PHENOXYETHANOL


Note-se, pela composição de cada um destes meninos, que todos têm silicones em maior ou menor grau, pelo que aconselho prudência na sua utilização a quem, ao contrário de mim, não lava o cabelo dia sim dia não, ou mesmo diariamente (com o ginásio, acontece algumas vezes): se forem usados muita vez, em dias sucessivos, por exemplo, em cabelos muito secos ou crespos (que não precisam de ser lavados com frequência), é natural que comecem a acumular, o que redunda num resultado pouco belo, vá.

sábado, 18 de Outubro de 2014

Filmes #58 | Frank & Maps To The Stars

Frank (2014), estreado muito recentemente nos cinemas nacionais tinha, para mim e à partida, dois atractivos de peso (um mais do que outro: as magníficas críticas que tem obtido e, acima de todas as coisas, Michael Fassbender, pois claro, que ele  há gente que me leva ao cinema e onde mais for preciso. Agora, Frank não é um filme para toda a gente e por certo há quem, não tendo essa o consciência, o vá ver ainda assim, acabado depois por denegrir infundadamente o que, sendo genial, tem uma linguagem que não chega a quem gosta exclusivamente daquilo que eu costumo chamar (sem menosprezar, apesar de não ser exactamente e minha praia) de cinema-entretenimento, ou mesmo a quem, apreciando outro tipo de filmes, considere esta tragicomédia indie demasiado louca para os seus parâmetros. Porque é - um bocado louca, quero dizer. A estória é mais ou menos simples: temos Jon, um jovem adulto (giro e ruivo, acrescente-se) que tem uma vida enfadonha e adoraria ser músico (e lá vai compondo canções medíocres no órgão que tem no quarto da casa onde ainda vive com os pais), oportunidade que lhe surge quando, por mero acaso, assiste à tentativa de suicídio do teclista de uma banda sui generis, com um vocalista (Fassbender) que usa, sem tirar, uma horrenda cabeça de papelão. E a normalidade cessa justamente aqui: tudo o mais, sejam as relações entre os membros da banda, as conversas, as atitudes (o modo como lidam com os turistas a quem fora arrendada a casa para onde vão compor o álbum é alucinante), a música que criam, as expectativas - tudo cabe numa espécie de mundo alternativo  onde é possível que alguém use uma cabeça de papelão que não tira nem para tomar banho, sendo que vai explicando as suas expressões faciais para que a coisa seja menos estrambólica (e, possivelmente, tornando-a ainda mais).
Entretanto, e voltando à estória, enquanto estão meses fechados na tal casa isolada, gravando um álbum que não sabem se vão vender, a expensas de uma herança de Jon, que rapidamente se esgota, este vai twitando a experiência e colocando vídeos no You Tube, o que conduz ao contacto para um concerto. Esta circunstância cria expectativas diferentes nos membros da banda (entre os quais está a personagem de uma sempre fantástica Maggie Gillenhaal) e conduzirá ao pico do filme, onde o desmembramento parece uma inevitabilidade - porque se trata de gente, mais do que de gente diferente. De resto, este é um filme sobre estados mentais, saúde mental e a linha ténue que distingue quem se crê são de quem aceita a loucura que lhe foi diagnosticada, tirando dela partido. O final é das coisas mais pungentes que me foram dadas a ver - sem lamechices, como eu gosto.

Já Maps To The Stars (2014) é um filme de Cronenberg (ele há gente a quem basta o apelido), homem que já fez coisas bestiais (quem é do tempo de The Fly? Também gostei de A History of Violence ou mesmo de A Dangerous Method, apesar de uma Knightley especialmente enervante, e de Spider - talvez aquele de que mais gostei) e outras que não me convenceram minimamente (sim, estou a falar de Cosmopolis mas também do aclamadíssimo Crash), com gente tão boa como Julianne Moore (belíssima e vencedora de um prémio de interpretação em Cannes por esta sua actriz decadente, filha de uma outra actriz que, porque morreu nova demais, nunca deixou de ser uma estrela) ou John Cusack, ao lado de gente que ainda não me arrebatou como Robert Pattinson ou Mia Wasikowska (ela tem potencial; quanto a ele, nem sequer percebo o frisson).
É naturalíssimo que ainda não tenham ouvido falar dele, porque estreia em Portugal apenas em meados de Dezembro, mas eu fui adiantando serviço, porque quando me cheira a filmes pejadinhos de personagens descompensadas (e, portanto, as mais tangíveis), estou lá - sendo que Cronenberg é sempre capaz de satisfazer esse meu lado de voyeuse sobre o que de mais lunar há em cada um de nós. Ora se há coisa que subjaz a todo este filme é a mais pura e dura loucura, da patológica, diagnosticada ou não. A coisa mete drogas, sexo, fogo, fantasmas, incesto (pensavam que eram só Os Maias, não?) duplo (ah pois, que as coisas ou se fazem como deve ser ou não se fazem). Mas também é um filme sobre o mundo hollywoodesco, e sobre as relações entre pais e filhos (lá e cá) e sobre o modo como, às vezes, perdemos o domínio do que deveria ser a nossa vida,
Um poema atravessa todo o filme: Liberté, de Paul Élouard (evidentemente que tive de ir investigar, não conhecia o poema nem o autor) é como que o fio condutor que, a par com a loucura (também aqui), une tudo e todos neste curiosíssimo (para quem, como eu, gosta do género) filme de Cronenberg, que depois do secão que foi Cosmopolis (e apesar de insistir no Pattinson, que isto cada um tem as suas pancadas), parece ter voltado às boas - o que inclui, obviamente, um olhar nefasto sobre tudo o que Los Angeles em geral e Hollywood em particular são e representam.

Charlotte Tilbury | Beach Tint 'Formentera'


Foi no Verão que Ms. Tilbury lançou mais uma das suas tentações, a que já nem faço por resistir: na verdade, esta mulher que passou a vida inteira a maquilhar celebridades e a ser responsável por caras gabadas pela imprensa, mundo fora, conquistou o meu respeito ao delinear uma estratégia de marketing que a tornou, ela mesma, numa celebridade tão célebre como as que maquilha. Cada um dos seus produtos é pensado ao pormenor, como foi muitíssimo bem pensado o plano que a levou do mais puro anonimato ao estrelato absoluto e a recordes de vendas; toda a gente quer o que a mulher cria e eu, ultrapassada uma resistência inicial, já me rendi: Tilbury tem produtos ao nível do mais puro luxo (ou não tivesse criado a linha de maquilhagem de Tom Ford, ela mesma, que o homem há-de perceber muito de estética em geral, mas de maquilhagem não creio), mas a preços a que ainda consigo chegar, como as outras marcas da minha preferência (Kevyn Aucoin, Hourglass, Laura Mercier, By Terry, Nars e por aí vai) - não que não tenha já chegado ao Tomzinho (salvo seja), mas com mais custo e menos frequência.
Por isso, quando em pleno Verão ela se sai com um produto a que chamou Beach Sticks, eu não resisti à cor Formentera, um rosa-bronzeado-queimado, se é que isto faz algum sentido. O seu objectivo foi o de meter aquele ar saudável de Verão dentro de um tubo e sob a forma de um stick, transformando-o num blush cremoso que usei muito no Verão e a que ainda recorro volta e meia, uma vez que ainda não perdi toda a cor (sobretudo no peito, porque na cara já foi).

Na sua loja online, onde é sempre exaustiva em pormenores (e auto-elogios, o que me parece característica sensata: se estamos à espera que os outros digam bem de nós, podemos esperar sentados e normalmente dá raia, porque acaba por nos obrigar a atentar, também quando dizem mal - o que acabará sempre por acontecer, que nem os Beatles agradaram a todos), Charlotte descreve este seu produto (mais uma vez, atente-se na forma brilhante como é capaz de argumentar em favor do que cria) como sendo uma forma de ter Verão para sempre, já que os Beach Sticks são tidos como sendo capazes de proporcionar à pele a radiância e a saúde que só um belo bronzeado são capazes de nos dar. Promete uma aplicação fácil e um acabamento luminoso (péssimo para quem gosta de peles "sequinhas", antevejo) - e cumpre, sim senhores. Na verdade, este é daqueles produtos que até se pode trazer na carteira. é só passar o bastão nas bochechas, esbater com os dedos e tcharaaaam: pele imediatamente airosa e iluminada, graças aos polímeros reflectores de luz, que fazem um bom trabalho.
Estes Beach Sticks compõem, juntamente com as paletas Film Star On The Go (falarei da minha muito em breve) e com os lápis Rock'n'Kohl Liquid Eye Pencils (só tenho um, o Eye Cheat, e falei dele aqui), a colecção do Verão deste ano, que Tilbury designou de Summer 2014 Ibiza Sirens, que ratifica a ligação da criadora à região espanhola onde este ano passou o Verão, como fez questão de mostrar, diariamente, no Instagram. Dos Beach Sticks, foram lançadas cinco cores: a M. do OMG falou das suas aqui - e é bestial lerem também a opinião dela, que é quase inteiramente oposta à minha, ao que não serão alheias, certamente, as diferenças patentes no que toca aos nossos tipos de pele, mas sobretudo as preferências pessoais no que aos acabamentos (e à própria Ms. Tilbury, claro) diz respeito - sendo que não posso deixar de dizer que concordo inteiramente com ela, quanto aos brilhos da cor Ibiza, perfeitamente dispensáveis. Das cinco cores, a única que me apeteceu foi mesmo a Formentera, a que CT chama um "bonzed berry", o que me parece simpático: adoro o subtom acastanhado desta cor rosada, que acompanha lindamente a cor da minha pele, bronzeada ou não.
Pese embora se trate, como quase todos os produtos do género, de algo pensado para aplicar tanto nas bochechas como nos lábios, confesso que nunca arrisco Em termos de cor, temos que, numa primeira passagem e depois de esbatida, a coisa fica natural, transparente, quem quiser mais cor e opacidade, poderá construí-la, mas eu prefiro um ar menos pesado. acresce ainda que, se todas as cores possuem uma dose de shimmer, esta Formentera foi abençoada com a menor das doses, pelo que consigo aferir pelas amostras de cor que vejo por essa internet fora. Em termos de durabilidade, não sei se pelo produto, se pela minha pele, que tende a aguentar 8quase) tudo estoicamente, mesmo em pleno Verão, não posso queixar-me: como qualquer blush em creme com acabamento cremoso (ou seja, não como os Bourjois, os Chanel ou os YSL, porque esses, sendo cream-to-powder, duram mais) e sem efeito stain, dura-me umas quatro ou cinco horas e depois começa a desvanecer.

O preço é sempre o pior, nestas coisas das marcas geniais. São £30 por 6,5g de blush cremoso (fora os portes, caso não tenham a sorte de apanhar as promoções da Net-à-Porter) - e ok, não vou dizer que 38€ é coisa pouca, mas em termos relativos não deixa de ser, senão vejamos: os Chanel têm apenas 2,5g, os Kevyn Aucoin 3,65g e mesmo os YSL, reis da quantidade, têm só 5.5g, pelo que Ms. CT não está a roubar ninguém.