Como terão certamente reparado as poucas pessoas que visitam a chafarica também pelas publicações sobre filmes (que estão todas aqui e existiam muito antes de eu as começar a numerar), o meu ritmo baixou estupidamente; depois dos Óscares e de dois meses (Janeiro e Fevereiro) de festim cinematográfico, voltei à média normal de dois ou três filmes por semana, que poderão aumentar nas alturas menos congestionadas, em termos de trabalho, sendo que Março não foi, de todo, uma dessas. Previsivelmente, Maio será muitíssimo pior, pelo que o meu plano é fazer por ver mais umas coisas em Abril (mesmo porque a quantidade de vídeos de You Tube decresceu muitíssimo, cada vez tenho menos pachorra para a mesmice), para não começar a acumular, mais uma vez, tudo o que quero ver.
Tentarei também ser mais sucinta na apresentação de cada filme, mesmo porque quem se interessa por cinema estará bem mais interessado no teor do filme do que na minha opinião sobre ele - mas não posso prometer nada, que isto de me esticar nos considerandos corre-me nas veias.
De todo o modo, ultimamente andei dedicada ao cinema brasileiro (não em absoluto, mas já lá vamos) com belíssimas surpresas - que nem sequer o deviam ser, porque já vi obras magníficas , provindas do outro lado do Atlântico, em português sambado (isto é um elogio, aviso já).

Comecemos por Boa Sorte (2014) que, por acaso, até foi o último filme que vi, destes dois (mas não era esse o plano inicial e daí a ordem dos posters, lá em cima) - e felizmente, porque foi o meu preferido e eu gosto sempre de deixar o melhor para o fim. Neste caso, toda a equipa é brasileira, dos actores à realizadora, dos cenários ao livro onde se baseia o argumento. Trata-se da estória de um jovem de 17 anos, João, internado numa clínica pelos pais, que não conseguem lidar com  os distúrbios comportamentais que parecem derivar da sua dependência de ansiolíticos (roubados à mãe) e de Fanta laranja, combinação que ele acha que o torna invisível (pelo menos, ninguém parece dar por ele, onde quer que seja, ou sequer olhá-lo: "quando os olhos se tocam há já um compromisso", aventa, a dada altura, por palavras que não estas). Na clínica, conhece Judite, uma seropositiva que abusou tanto de álcool e drogas que o seu corpo não aguenta os cocktails químicos que poderiam mantê-la viva - Deborah Secco mostra que não é só uma cara bonita e um par de mamas (demasiado obviamente) esculpido: emagreceu 11kg para o filme e tem uma prestação fabulosa, sem maquilhagens e com um cabelo de esfregona. Inevitavelmente, apaixonam-se. Evidentemente, o fantasma da morte paira sobre eles o tempo todo. Logicamente, um adolescente de 17 anos não sabe lidar com nada disso e é daqui que nasce um filme agridoce, que interessa a cada segundo. Os actores são bestiais, a estória está bem esgalhada e a obra é assim a modos como um a-culpa-é-das-estrelas, mas em bom, com um argumento consistente e representações à altura. Gostei. Muito.


Trash (2014) não é, em rigor, um filme brasileiro: o realizador é britânico (Stephen Daldry também realizou Billy Elliot), o guionista é neo-zelandês (e tem no currículo êxitos como Love Actually e Notting Hill) e há actores norte-americanos como Rooney Mara a e Martin Sheen. E se me perguntarem como diabo é que esta malta se lembrou de construir um filme sobre três miúdos que vivem numa favela e trabalham na lixeira e que, por um acaso, se vêm envolvidos numa estória de corrupção daquelas que metem tudo o que é polícia e políticos e o diabo a quatro, ajudados apenas pelas indicações de um preso político há muito condenado ao pior, por um padre estrangeiro cujos óculos se mantêm colados com pastilha elástica) e por uma voluntária de uma organização não governamental qualquer, que lhes ensina inglês, juro que não consigo sequer imaginar. Quer dizer, em 2014 o Rio de Janeiro esteva na moda, por causa do Mundial de Futebol - é a única explicação lógica que encontro. De todo o modo, o que se nota nesta obra, para além de magníficas interpretações de Wagner Moura (só no início) e de Selton Mello (que tem queda para papéis de sacana, nada a fazer), bem como da miudagem, que se safa lindamente, é mesmo o argumento. Há questões e realidades em que a filantropia e o desejo de que tudo acabe bem não basta (aquele final, aquele final...), embora eu entenda o desejo de que a ética vença a corrupção e o bem se sobreponha ao mal - o problema é que o que se vive no Brasil (uma realidade tão incrível que parece ficcionada) não é perceptível desde um bairro da moda londrino, essa é que é essa. De todo o modo, gostei de ver, só para que conste: é bom levarmos uns chutos no estômago, para que (os mais distraídos) percebamos que o rio não é só o calçadão nem as novelas da Globo.
Começo por deixar claro que, de todas as paletas que comprei nos saldos da Space.NK, em Dezembro último, a Into The Wild Look Book Collection da Laura Mercier, que colige três paletas de olhos e rosto, era a que mais me enchia as medidas, aprioristicamente, mesmo porque a edição de Natal do ano passado ainda agora me encanta, a todos os níveis. Ainda assim, e porque tenho sombras que deusmalibre e não consigo dar atenção devida a todas, achei um disparate pagar por ela o preço original (£78 ou cerca de 105€, ao câmbio actual), embora a menina me estivesse na retina. Por isso, foi com sofreguidão contida que a agarrei por metade do preço, nos pré-saldos que a loja faz para as clientes VIP (ou seja, as loucas que lá gastam mais de mil libras por ano) - estava absolutamente convencida de que tínhamos aqui um valor seguro, nem sequer pus em causa que seria a minha preferida, mesmo porque as cores eram lindas e diversificadas (que não originais, cá em casa, mas isso já seria mais difícil).
Quando ela chegou, foi amor à primeira vista: como não amar esta caixinha de cartão com uma maravilhosa borla a manter as três paletas presas? Como não suspirar com a combinação de vermelho, castanho e estampados animais diversos? Mais: pôr as manápulas nos pós (depois de feitas as fotografias, que a pessoa é mais ou menos regrada) é maravilhoso, porque as cores ficam vibrantes, na ponta dos dedos, a suplicar para serem usadas e abusadas, cheias de pigmento e brilho, numa textura macia e deslumbrante.
Até que foram mesmo (usadas, quero dizer) e o entusiasmo esmoreceu: paleta após paleta, parecia haver aqui qualquer coisa de errado - de tal modo que pus a coisa de lado e só voltei a pegar-lhe muito recentemente, quando instituí que ela haveria de ser uma das protagonistas de duas semanas de maquilhagens, por forma a que concluísse, em definitivo, qualquer coisa e escrevesse, finalmente, sobre ela. Ora a grande chatice é que o que tenho para dizer, não sendo tão mau como o que escrevi sobre uma sombra unitária da mesma marca, comprada na mesma altura, não é particularmente bom - e vem confirmar uma desconfiança que me assolava: não, a Laura Mercier não faz tudo bem, a qualidade dos produtos não é homogénea e comprar de olhos fechados pode dar barraca. É que, por favor, não estamos a falar de coisas da Kiko, da Catrice ou sequer da Sleek: esta é uma marca de topo, que se vende cara - e, quanto a mim, neste caso (como no da sombra unitária) não vale sequer metade do que inicialmente custava. Mas passemos aos argumentos.

Comecemos pela paleta Safari Chic, com padrão de zebra, a mais neutra das três paletas, que vem com um mini-Longwear Creamy Eye Pencil na cor Expresso (que já conhecia, da paleta do ano passado, e que é um excelente lápis de olhos, macio, pigmentado e duradoiro) e cores que parecem ser tudo de bom para um look neutro e discreto que, contudo, se poderá apimentar, ao desejo dos fregueses. Temos, para além do lápis, cinco cores de olhos e uma cor de rosto (que também se pode usar como sombra evidentemente), que descrevo como se segue:
Buttercream | Cor de marfim mate, bestial como base e/ou para o osso da sobrancelha; muito macio e pigmentado, pode ser um nadinha poeirento, mas é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores cores que esta paleta oferece.
Goldspun | A porca começa a torcer o rabo já aqui: como é possível que uma cor irisada seja menos do que espectacular? Mas é; este dourado clarinho tem pouco pigmento e se já é difícil mostrá-lo com uma amostra de cor no dedo e braço, com um pincel é trabalho dos demónios.
Bronze Glow | A tragédia continua: apesar de o pigmento parecer ligeiramente melhor do que do Goldspun, também este bronze alaranjado com brilhos dourados fica (muitíssimo) aquém do que eu esperava de uma paleta Laura Mercier (com o pincel seco, é impossível agarrá-lo).
Coral Shimmer | Ok, esta é uma cor boa: trata-se de um coral acastanhado, com muito cor de laranja e pouco brilho, que fica surpreendentemente bem nas bochechas (estimo que no Verão fique ainda melhor) e que usei como cor de transição, no côncavo (e adorei). Palminhas até para o padrão do pó compactado, que mimetiza as listas da zebra, tal como o desenho do exterior da paleta.
Cognac | A olho nu, é a minha cor preferida da paleta: trata-se de um castanho avermelhado com uns micro-brilhos subtis, entre o bronze e o vermelho, absolutamente deslumbrantes. O problema? A pigmentação: é seca como tudo e é dificílimo sequer atingir aquela cor.
Bamboo | Mais uma cor deslumbrante, não é? Pois era, se se conseguisse transferi-la para as pálpebras: este toupeira com brilhinhos prateados sofre da mesma maleita de que padecem a maioria das sombras desta paleta - e como isso me irrita, caramba...

Passemos à paleta Jungle Chic, a ver se eu me enervo menos um bocadinho: os verdes e esverdunçados, sobretudo se discretos e requintados, como estes, são das minhas cores preferidas para os meus olhos e tendo a usá-los quando calha (não há o que quer que seja que guarde para as ocasiões A ou B - não se trata de cor mas de intensidade, sempre). Deixem-me, desde já adiantar que esta é a paleta mais consistente (só em termos relativos, porque também tem falhas) das três que moram neste conjunto e a que mais alegrias me dá. Para além das cinco sombras, temos um Kohl Eye Pencil em Black Gold, um castanho com reflexos dourados-esverdeados deslumbrante, que só peca por não ser tão duradouro como o acima mencionado. Temos também um pincel de cerdas sintéticas, achatado e de topo recto, igual ao que acompanhava também a paleta de 2013 e que a marca criou especificamente para a aplicação dos Cake Liners - mas já lá vamos. Passemos a apresentar as cinco sombras e o cake liner, shall we?
Vanilla | Cor de baunilha (que surpresa!) mate, pigmentado, macio e fantástica (como é bom poder dizer bem, sem reticências).
Granite | Toupeira mate, bestial em tudo, como o mano de cima: excelente cor de transição, se a aplicarmos com mão leve, sobretudo para um olho mais tcharam, como esta paleta faz tão incrivelmente.
Asphalt | Cinzento muito escuro, quase preto, com ligeiros brilhos prateados. Não é de todo a minha cor preferida (raramente uso pretos ou cinzentos, para além de os usar como delineadores) mas é de boa qualidade, a todos os níveis.
Brocade | Aquela que tinha tudo para ser a minha cor preferida desta paleta é outra farsa: este verde seco (que já li designado por "ouro velho", mas há muito de verde ali, deixemo-nos de tangas) com brilhos dourados é um horror para agarrar com qualquer pincel (e eu experimentei de tudo, creia-se: natural, sintético, achatado, fofo... eu sei lá!) e, como é mais escuro, é um pesadelo em termos de queda de pigmento para o rosto. Só usando o pincel molhado consegue fazer-se alguma coisa desta cor (o que acontece com as demais com o mesmo acabamento) e, mesmo assim, é ver as bochechas a cintilar de purpurinas douradas.
Black Ebony | O famoso cake liner da Laura Mercier aparece aqui na cor preta; a ideia é usar o pincel achatado de cerdas sintéticas molhado (com água ou, como eu prefiro, com um fixador de maquilhagem de que não goste especialmente para o rosto, por ter um aspersor dos maus), o que lhe dá imensa pigmentação, e usar as cores para delinear a linha de sobrancelhas ou (e é a minha opção maus recorrente, nas raríssimas vezes em que me lembro de o usar) a linha de água superior. Não é produto que me encante, francamente, mesmo porque fica sempre uma cor algo desmaiada.
Black Envy | Voltamos à qualidade que, nesta paleta em específico, não só é vilipendiada pelo Brocade mas també,m por este verde garrafa escuro, com brilhos finíssimos prateados: a cor é linda de morrer, mas mal se tenta esbater, desaparece sem deixar rasto - o que é frustrante, para dizer o mínimo. Acabo por conseguir fazê-la funcionar junto à linha de pestanas, sendo que esta cor mereceria muitíssimo mais do que isto.

E somos chegados à terceira e última paleta, a Tribal Chic, aparentemente mais animada e quase surpreendente, numa marca que privilegia os neutros) e a que permitiria fazer looks mais arrojados e divertidos - e o uso do condicional não é inadvertido: quando estamos mais preocupadas a blasfemar com a qualidade das sombras, que nos impedem de nos deixarmos levar pelas vontades, a coisa não fica fácil. Temos seis sombras, aqui, algumas das quais (e surpreendentemente, já explico porquê) de qualidade duvidosa, e duas cores de blush absolutamente divinais (ao menos isso).
Gold Leaf | Ouro velho (agora sim) de pigmentação média e mais glitter do que cor (já nem sei o que diga, caramba...).
African Violet | A cor mais surpreendente de todas: este lilás com brilhos dourados é uma cor única, que a marca insiste e repetir, paleta após paleta - e ok, tudo bem, o problema nem é esse: tenho-a na paleta de 2013 e é linda de morrer, aplica super-bem. Aqui? Uma coisa que só dá cor se aplicada com o dedo ou com muito Duraline e que me sujou a cara toda numa noite em que precisava mesmo de fazer uma maquilhagem gira e caprichada.
Ambré | Evidentemente cor de âmbar, este laranjinha acetinado é sobejamente melhor do que o dos seus amigos menos bons desta colecção: mais pigmentado, mais metalizado, mais macio e sem queda de brilhos.
Royal Pink | Este coral pejado de brilhos dourados é uma cor que me diz muito pouco e que só usei para experimentar (conjugada com a Ambré), mas saltam mais brilhos para a cara do que aqueles que efectivamente ficam na pálpebra.
Sugarplum | Esta beringela escuro e quase mate, onde pontuam uns brilhos prateados tão fininhos que mal se vêem, mas que lhe dão uma dimensionalidade interessante, era assim a estrela da companhia nesta paleta. Mais uma vez: é coisa tão seca que é um horror de transferir para o pincel e, dele, para a pálpebra (usei-o com o African Violet, para escurecer o canto externo e, quando dei por mim, já tinha o rosto todo sujo outra vez; molhei o pincel e a coisa ficou tipo aguarela e estragou o que já estava feito - tudo no mesmo dia da maquilhagem caprichada.
Sparkly Night | Azul de fundo negro e brilhinhos de cores várias, lindo de morrer e, infelizmente, quase tão seco como o Sugarplum (*longo suspiro de raiva contida*) ma non troppo - sendo que estas cores escuras não se aplicam com o dedo, pêlamôrdassanta,
Second Skin Cheek Colour - Orange Blossom | Ok, aqui temos a qualidade do costume, num blush coral muito clarinho, de acabamento acetinado, daqueles que acompanham bem qualquer maquilhagem e a que se recorre quando não se sabe o que mais usar.
Second Skin Cheek Colour - Pink Lotus | A mesma qualidade para este rosa médio, também com brilhinhos e de acabamento muito natural, embora numa cor bem mais tcharam, sobretudo no meu tom de pele.

Conclusão? Nem gosto de falar nisto e só o faço porque tenho as tensões sempre baixas e não há o risco de ter aqui uma crise aguda (de nervos, pá, de nervos): a Laura Mercier tem sido, comigo, uma no cravo e outra na ferradura - e isso não se admite de uma marca como esta, em que tudo deveria ser de qualidade superior. Na verdade, creio que metade da paleta (se tanto) agrada-me - a outra metade tem uma qualidade que não admito nem na Essence (é por isso que eu não tenho sombras Essence), o que faz com que aparentemente faça sentido ter pagado (e não pago, já sabem) apenas metade do preço. Só que estamos a falar da Laura Mercier, caramba, aqui nada deveria falhar (e muitas vezes não falha mesmo, veja-se aqui e aqui a minha opinião sobre as outras paletas que tenho da marca) e muito menos de modo tão crasso: creio que deveria haver lugar a uma espécie de indemnização, por defraudação de expectativas. No mínimo.

É recorrente: sempre que se fala de alguém cuja conduta não se aprecia, ou que se considera ser fraquinho, por mais que se apontem fundamentos, o contra-"argumento" (se não ficasse feio, punha uns dez pares de aspas) é sempre o mesmo: tu-tens-é-inveja.
Aconteceu-me quando disse a uma que plagiara um artigo de uma revista sobre produtos de tratamento de rosto (o que lhe rendeu três entradas no blogue paupérrimo), sucedeu quando indiquei a outra o perigo da apologia das réplicas, é uma realidade sempre que gozo larguete com a brigada-do-croquete-e-das-borlas que constitui a nossa blogosfera, na sua imensa maioria e foi invocado, até, quando expliquei, por A mais B, por que não acredito nas apreciações feitas por essa gente, que têm tanto de desconhecedor como de publicidade encapotada.
O que nunca alguém me soube explicar era do que teria eu inveja: de escrever mal e porcamente? da contradição a cada passo? da falta de carácter? das borlas que eu posso comprar (e compro mesmo) quando me apetece? ou talvez da ignorância descarada, característica tão cobiçada...?
É que, as mais das vezes, e se estamos a falar de gente normal, fala-se porque se discorda, porque se acha fraco, porque se acha parvo e comezinho, porque se fica indignado com as agressões linguísticas, porque se acha injusto ou inadmissível - só isso. Não é inveja, é mesmo só isto, 'tsá?
(Do mesmo modo, jamais acho que quem não me grama tem inveja de mim - que tontice sequer escrevê-lo. Não me grama e pronto - e, francamente, é para o lado que durmo melhor e mais embaladinha: há-de haver gente que veio ao mundo para agradar mas eu não pertenço à estirpe. Ainda assim, não me considero um portento tal que possa achar que o mundo vive invejando-me - que coisa mais sobranceira, santa pachorra.)

O argumento da inveja é o que se usa quando não se tem argumento algum - o que é uma pena, porque é um bom argumento. E eu tenho inveja de muita coisa: das crónicas do António Lobo Antunes e do Pedro Mexia e da Clara Ferreira Alves (que adoraria ter escrito), do dinheiro da Paris Hilton (garanto que o gastava melhor, como é evidente: todos achamos que gastaremos melhor o dinheiro, sobretudo o dos outros), de quem já viajou mais do que eu (o que não é difícil), de quem pensa estupidamente bem, do corpaço da Giselle Bünchen, do jeito para a cozinha da J., da calma da minha mãe, de quem tem meia dúzia de cães, de quem mora na primeira linha de praia, eu sei lá. O argumento da inveja é um excelente argumento - mas só se for bem usado. Não se o desperdice com tonterias rasteirinhas, de quem não sabe para mais.
Ok só mais uma tag, vale? Esta vi no canal de uma youtuber nacional (embora não pareça, dada a fluência dela na língua de Sua Majestade) de que gosto muito, a merMADE, e diz respeito à história maquilhística (pessoal) de quem lhe quiser responder. Achei piada, por isso aqui vai disto, sim?
[Ponto prévio: aconselho vivamente todos os vídeos da merMADE em geral, porque ela é absolutamente bestial, não alinha na mesmice da maquilhagenzinha neutra e dos produtos que toda a gente usa, é super-criativa e não vai nas m*rdas do costume, e este em particular, porque ela não é só uma excelente profissional, é também a epítome do bom senso e da genuinidade, goste-se ou não das maquilhagens que cria (porque eu aprecio é a técnica, sempre - e a loucura, muito, muito.]


[imagem daqui]

1. When did you first start getting into make up? | Quando começaste a interessar-te por maquilhagem?
Olhem, isto tem graça (só porque é estranho, como eu): primeiramente, lá para os quatro ou cinco anos. Eu era muito pirosa e queria as sombras azuis da minha mãe e os scarpins que ela usava sempre. Mas depois passou-me e apeteceu-me ser mais arrapazada. Lá para os 13, a febre voltou, mas as minhas amigas não eram dadas à coisa e acabei por abandonar o gostinho: lá roubava base e batom à minha mãe e pronto. Dos vinte aos trinta, usava apenas lápis de olhos (castanho) a delinear as pestanas superiores e máscara. Lá para os 32, 33, comecei a usar o básico, mas não compulsivamente - e só muito recentemente, nos últimos cinco anos, talvez, o bichinho começou a crescer em mim.

2. What was the first make up you bought? | Qual o primeiro produto de maquilhagem que compraste?
Hmmm... creio que um bálsamo com cor, lá para os 13 anos. Mas, o que quer que tenha sido, não me marcou.

3. What is the newest/oldest items in your collection? | Qual o produto mais antigo e mais recente da tua colecção?
Não tenho produtos antigos na minha colecção (eu não guardo nada que não use, na verdade), vou-me desfazendo das coisas se perceber que não as uso e que podem estragar-se, dando-as a quem as use; ou então, reformo-as, como fiz há uns tempos com a última das minhas sombras em creme da Bobbi Brown. O mais antigo que tenho será um pincel Bobbi Brown (justamente para sombras em creme) e a sombra Contrast, da Mac (um azul marinho duochrome lindo), que estarão a chegar à marca dos dez anos (e fortes como o aço).
O mais novo serão três sombras Colour-Up da Kiko que me foram oferecidas, acho (expliquei aqui).

4. Who is your celebrity make up idol? | Qual a celebridade que seja o teu ídolo em termos de maquilhagem?
Eia, detesto esta pergunta. Mas gosto sempre dos looks da Julianne Moore, da Cate Blanchet, da Emma Stone, da Lily Collins... por aí.

5. Who is your favourite YouTube guru? | Qual o teu/tua youtuber de beleza (desculpem-me, mas "guru" é coisa muito tonta) favorito/a?
A preferida de sempre, de que nunca me enjoei é a Júlia Petit: devo-lhe quase tudo o que sei, em termos de desenrascanços maquilhísticos. Também gosto muito das manas Pixiwoo, pela técnica e saber, para além de que não têm medo de arrojar (sobretudo a Sam). Aprendo também imenso com a Jacklin Hill, a Julia Graff e a Nikie Tutorials, gosto da easyNéon e da Social Makeup para maquilhagens de olhos, adoro a Sharon Farrel e a Karima McKimmie porque são genuínas e criativas e giras, adoro as reviews da Vintage  or Tacky, da MakeupByTifannyD e da Beauty Broadcast, porque são completas e fundamentadas, não há melhor para ver produtos novos do que a Tarababyz (que também os aprecia de forma honesta e sabedora). Gosto da Lisa Eldridge e da Monica Blunder, mas não tanto - falta-lhes humor e personalidade, para além de que variam, pouco (sobretudo a primeira; já a Monica Blunder faz vídeos longos demais e está sempre a pedir likes e auto-designa-se "makeup artist", quando se apresenta - não tenho pachorra). Portuguesas, a merMade, de que falei acima, porque há muito poucas youtubers regulares e verdadeiramente conhecedoras, Para tudo o que seja skincare, prefiro blogues a vídeos.

6. What is a look/trend that you wish you could pull off? | Que look ou tendência achas que não te assenta bem?
Eyeliner tipo anos 50 (não fico eu, pronto), sobrancelhas muito marcadas e desenhadas, batons demasiado claros e rosinhas-barbie, olhos com cores muito loucas (verde-alface, como no vídeo da merMade) - mas tenho muita inveja de algumas destas coisas.

7. Any make up disasters? | Algum desastre de maquilhagem?
Ui, sim: muitos. O primeiro deles era, lá para os treze anos, para recriar o ar boca-de-morta que se usava na altura, passar base nos lábios e um bálsamo labial em stick (provavelmente um Labello) por cima. Ficava lindo, passadas uma hora ou duas: tudo acumulado nas linhas. Ah, e na mesma idade, as minhas primeiras tentativas de reproduzir um olhão: não havia youtube ou sequer internet e eu não conhecia o conceito de "esbater". Depois, já na maioridade, a mania da pele mate, mate - proporcionada pela base em pó. Um horror, minha nossa. E o risco de eyeliner na adolescência (só havia os líquidos), que parecia uma estrada com lombas. O batom forte mal desenhado - tantas vezes acontece, ainda hoje, que já vou no carro quando me apercebo de que a coisa não está como devia...

8. What's your favourite make up brand? | Qual a tua marca favorita de maquilhagem?
Não sei responder a isto, não vale a pena. Não tenho marcas preferidas, tenho produtos favoritos e algumas marcas para que tendo mais, como sejam a Hourglass, a Kevyn Aucoin, a Laura Mercier, a By Terry, a Charlotte Tilbury, a Becca, a Dior, a Urban Decay, a Tarte - e tantas outras!

9. What is your favourite make up tip/trick that you wish you knew sooner? | Qual o teu truque de maquilhagem favorito, que desejavas ter aprendido mais cedo?
O preenchimento da linha de água superior com lápis preto (é que muda tudo!); que os dedos não substituem jamais os pincéis e outras ferramentas; que uma pele oleosa não tem de usar maquilhagem mate, que há mesmo um batom vermelho para toda a gente. (Falaria do curvex, mas uso-o há tantos anos que nem sequer posso desejar tê-lo conhecido mais cedo; ah, e nunca o aqueço gosto muito das minhas pestanas, obrigada).

10. Which 5 products could you not live without? | Que cinco produtos são absolutamente necessários, para ti?
Francamente? Nenhum. Não há qualquer produto de maquilhagem sem o qual não consiga viver, no que toca à maquilhagem: todos são substituíveis, na verdade, mesmo porque a tecnologia está sempre a avançar e o mercado é inundado de coisas novas a cada dia que passa. Definitivamente, nenhum.

E é muito isto. sintam-se tagados, sim ? - mas só se vos apetecer.
Post muito rápido, que neste caso as imagens (embora fraquinhas, que eu não estou aqui para defraudar quem quer que seja, e já vos habituei à qualidade bera) falam por si e espelham bem o que mandei vir da Topsy Daisy, uma loja online nacional, sediada no Porto e recentemente inaugurada, que vende assim um pouco de tudo, tipo eBay (mas ainda em pequenino, porque estão a começar). Evidentemente que não pude deixar de fazer o gostinho ao dedo e lá tratei de ir ver o que havia em termos de sistemas de arrumação - ando sempre em busca de novas e melhores soluções, tanto para a maquilhagem como para a bijutaria e coisas afins . E encontrei duas coisas giras, que me chegaram às mãos poucos dias depois, por transportadora privada, belissimamente acondicionadas e correspondendo exactamente ao que eu esperava - o que nunca é de somenos, pelo que achei que seria interessante partilhar a novidade.
Passemos às duas mariquices que comprei (e atire a primeira pedra quem não se perde por uma boa mariquice, 'tsá?).

O organizador de bijutaria, em forma de vestido (7,82€, está em promoção)
Já tinha dois organizadores deste tipo, comprados na Primark, mas este atraiu-me a atenção desde logo por ser preto (os outros não são), por ter formato de ampulheta (desculpem-me, ligo a minudências) e, sobretudo porque, se de um lado tem as bolsinhas de plástico que os da Primark já disponibilizavam (também de tamanhos diversos), do outro tem uma forma de organização de colares que me encantou: em vez de pendurados, eles são presos com velcro, o que me permitiu pôr ali os que são mais grossos ou difíceis de organizar de outro modo. Ficou o máximo, atrás da porta.

O organizador de maquilhagem Glam Organiser (20,93€, também em promoção)
Se há coisa por que me perco de amores é por um bom acrílico. Normalmente, fico-me pelos organizadores de batons (comprados em tempos no eBay, pelos de gavetas e afins (d'A Loja do Gato Preto, tipo Muji) ou pelos que o Ikea oferece, porque não há, aqui pelo Porto, muito por onde escolher. Por isso, quando vi este menino, redondo e cheio de compartimentos e gavetas e tampas e tal, com base rotativa, nem hesitei: queria algo de semelhante para a minha mesa de cabeceira, que é bastante larga, onde pudesse pôr as coisas de todos os dias (sim, canetas incluídas, nunca estou a muitos passos de uma molhada de canetas) e este está bestial para isso. Confesso que me deu um baque no coração quando verifiquei que vinha desmontado (só porque sou burra: como poderia vir de outra forma?), mas se até eu fui capaz de o montar (eu não monto o que quer que seja do Ikea), acreditem que a coisa quase se faz sozinha. E agora tenho as coisas a que recorro mais (sejam as de todos os dias, sejam os produtos maquilhísticos a que resolvi dar protagonismo num determinado período de tempo. Ah, e porque estão arrumadas, os gatos não as deitam ao chão (score!).

E pronto, foi isto. Ainda não explorei a loja com rigor, mas vale a pena assinar a newsletter, não só porque eles estão sempre a receber produtos novos, de que nos dão notícia por essa via, mas também porque se recebe um vale de 10%, (sobre o valor dos produtos, apenas, sem os portes) que se pode descontar logo na primeira encomenda). Ah, e vai-se acumulando pontos de fidelidade, que se traduzem em valores descontáveis na próxima encomenda (juro que ainda não consegui tirar os olhos deste espelho, carais!). Os portes dependem da transportadora que se escolher: eu paguei 5,41€ e a encomenda chegou-me 48h (úteis) depois - uma limpeza, a fazer inveja a lojas conceituadas e com um serviço de apoio ao cliente absolutamente miserável.
Gente boa,
Terão certamente reparado que temos aqui o estaminé em reconstrução, o que faz com que, actualmente, esteja muita coisa desconfigurada. Aguentem um bocadinho que isto vai ao sítio, prometo que sim, boa? Então até já!
Se há coisa que fazia falta em Portugal era uma loja online da H&M (ok, bom senso, competência e seriedade também seriam bem-vindas mas a verdade é que uma loja online é coisa bem mais fácil de granjear) e eis que a coisa finalmente abriu, depois de ter sido noticiada em tempos (conforme dei conta lá na página aqui da chafarica lá no Facebook, à época). Em jeito de comemoração (mesmo porque a maioria das peças interessantes acabam por nunca chegar às lojas e, quando chegam, é em tamanho enormes, que não me servem), aqui fica uma selecção muito rapidinha de uma série de coisas que me apeteceriam agora para quando o tempo melhorar (dá para perceber que adoro vestidos e macacões, mais o belo do scarpin clássico? - e de pele, com certeza!. Juntei o pincel porque tenho-o na versão antiga e acho-o absolutamente genial para o que custa).

[Ah, e não, ainda não comprei, mas tenho o carrinho cheio. Vai ficar em repouso até amanhã - tem sido a minha técnica para concluir sobre a certeza do que quero mesmo comprar e, as mais das vezes, é nada - a ver o que subsiste como "absolutamente imprescindível", que há-de ser nada.]





Nota: os portes estão a ser oferecidos até ao próximo dia 19 de Abril.

Outra nota, após a primeira compra: se subscreverem a newsletter, recebem na caixa de correio electrónico um vale de desconto, a usar em qualquer encomenda, no valor de 25% - o sistema da H&M está preparado para proceder ao desconto no item mais caro. Vejam o meu caso, aqui, para que percebam ao que me refiro.

Caramba, qualquer dia estamos no Verão e eu nunca mais acabo de mostrar as paletas (e outras coisas boas) que comprei nos saldos da Space.NK, mesmo no final do ano. Hoje temos um miminho daqueles muito bons e estupidamente caros, dos que só se agarram em saldos, que o preço normal até ofende de tão disparatado (como é apanágio da Chantecaille, abençoada, que é coisa tão boa). Não foi a primeira vez que aproveitei as rebaixas para comprar uma paleta da marca: tenho também a Wild Horses, que mostrei aqui, e que comprei nos saldos do Inverno 2013/14. Este ano, o que foi parar aos saldos foi a The Elephant Palette, lançada no Outono de 2012 e cobiçada, por mim, desde sempre - como é meu uso, embora só prevarique se e quando colocam as meninas por metade do preço (sou pelintra, sim senhores - há problema?) e olhem que mesmo assim foram £37/52€ (o euro está a descer vertiginosamente, ai de nós) por quatro sombras, embora cada uma tenha 3g de produto, o que é muitíssimo (só assim em jeito de comparação, uma Mac ou uma Urban Decay individuais têm 1,5g).

A Chantecaille preocupa-se permanentemente com a afirmação de mensagens que considera de suprema importância e é uso estar associada a causas de reconhecido mérito - e este caso não é excepção: a ideia é a de remeter para a situação dos elefantes africanos. Na cartonagem desta paleta assinala-se a colaboração com a Fundação The Savid Sheldrick Wildlife Trust, que tem como missão a protecção da espécie, ameaçada sobretudo pela voracidade do tráfico de marfim - de resto, prevê-se que, se a chacina continuar, os elefantes desaparecerão do continente africano dentro de dez anos, o que é perfeitamente assustador (e somos todos cúmplices, se e no momento em que comprarmos qualquer objecto de que o marfim seja matéria-prima). Daí, portanto, o tema desta paleta, sujas tonalidades invocam as cores das planícies africanas, bem como a doação de 5% do valor angariado pelas vendas destas paletas para a supra referida Fundação.

Em termos de embalagem, temos a costumeira sobriedade e robustez, numa paleta quadrada, com espelho da mesma dimensão (daqueles bestiais para levar em viagem), com as quatro cores que são amovíveis, o que se torna especialmente interessante se tivermos mais do que uma paleta da marca, porque podemos cruzar as cores e levar, por exemplo, num fim de semana, as que nos aprouver. O plástico exterior é verde escuro e, sobre ele, repousa um elefante em fundo prateado; no verso, a informação costumeira. Um único defeito a apontar a esta paleta, como às restantes da marca: o nome das cores, em vez de gravado junto a cada uma delas ou, em alternativa, grafado no verso, vem numa folhinha de papel vegetal - opção que me enerva solenemente, nesta ou em qualquer outra marca. Há igualmente um pormenor que merece realce: ao contrário da maioria das paletas da Chantecaille, em que há pelo menos uma cor que pode ser usada tanto como sombra quanto como blush, na The Elephant Palette temos apenas cores para os olhos - o que a mim não causa qualquer tipo de transtorno, mas admito que seja uma condicionante para quem gosta de pensar nestas paletas como algo mais completo e/ou, adicionalmente, como uma a transportar consigo em deslocações.
De todo o modo, a qualidade das sombras é aquela a que a marca me/nos habituou: são macias mas nada poeirentas, super pigmentadas e fáceis de esbater, para além de que a sua apresentação é, como sempre, uma absoluta obra de arte, em que quase apetece não mexer, para não estragar (ou pelo menos assim será para quem tiver alma de coleccionadora, o que não é o meu caso: eu gosto é de usar e daí ter um ajuntamento e não uma colecção de maquilhagem): cada cor tem um elefante em alto relevo, sobre o qual não foi depositada a fina película de brilho, que desaparece com as primeiras utilizações nas cores mais mate, como é uso na maioria das paletas (e que eu dispenso sempre).

Falta-nos, portanto, espreitar as cores, verdade? Vamos a elas, embora a imagem vale por si (por uma vez, está bastante fiel):
Ivory | É mesmo, não aleatoriamente, um cor de marfim (ou branco perolado), mate e bem pigmentado, quase cremoso, que serve de cor de base e também para fazer iluminação (no osso da sobrancelha, certamente), mas também no canto interno (nem tudo tem de ser irisado, que diabo!)
Grasslands | Este é o verde perfeito para quem tem medo de usar verdes: trata-se de uma cor de musco ligeiramente acetinada, que passa facilmente por neutro e realça olhos castanhos que é uma maravilha (abençoado). Tem uns ligeiros brilhos prateados, é pigmentado e fácil de trabalhar
Iron Ore | Esta é a cor que a paleta indica para delinear mas eu uso-a como sombra e não se fala mais nisso: como desperdiçar este toupeira escuro e mate com os esparsos brilhos dourados só para escurecer a base das sobrancelhas? 
Red Earth | Creio que esta será a cor que fará as delícias da maioria: trata-se de um cobre quase metalizado, a lembrar a terra quente e laranja africana (que nunca vi mas imagino assim). E eu, que tendo muito mais para os tons neutros e frios, apaixonei-me por ele - de resto, tenho usado cada vez mais tons quentes, o que adoro (eu demoro a habituar-me às coisas, mas não deixo de as experimentar até resultarem), embora o coração continue a pender mais para o lado frio da coisa.

Eis, senhores, The Elephant Palette, da Chantecaille. E agora é estar de olhinho aberto para os próximos saldos (quero muito apanhar a das abelhas, que saiu no Verão passado, talvez a saldem no próximo Inverno - porque se for no Verão estou tramada e não a posso comprar). Uma coisa é certa com a Chantecaille: tudo é caro, caríssimo (maquilhagem e produtos de tratamento) - e, no entanto, depois de experimentados, percebemos porquê.
Pois bem, minha gente: depois do verniz, de que falei há quase quinze dias, é tempo de vos trazer os restantes três produtos da Flormar que a Face Colours (a mais antiga parceira aqui do estaminé) fez o favor de me enviar, há coisa de três semanas, para que eu os usasse e dissesse de minha justiça. Hoje exceptuo-me a tecer quaisquer considerações no sentido de contextualizar a coisa, mas sublinho que estes são produtos que fazem parte daquilo a que a marca italiana designou por "Favoritos da Inês Franco", sendo Inês Franco a tal "maquilhadora" de que falei na entrada sobre o verniz e de que tenho pior impressão ainda hoje, graças à sensatez e olho aberto simpatia das minhas leitoras que me enviaram carradas de provas de que as minhas impressões sobre a senhora eram até muito meiguinhas e ingénuas. Mas adiante, boa? (Não batamos mais no ceguinho, só desta vez.)
O que nos resta avaliar é a qualidade e performance de um batom de longa duração, de um quinteto de sombras de olhos e de uma máscara de pestanas dita "de volume", pelo que passaremos às minhas considerações e fotografias, sem mais delongas (se me pego à conversa, não saímos daqui).

Comecemos pela paleta, que foi coisa que me apaixonou desde logo: trata-se da Colour Palette Eyeshadow na variação #06 Pink Desserts e gostei dela, em primeiro lugar, porque estes tons entre o rosado e o beringela atraem-me sempre, depois porque havia ali um toque inesperado de um coral acobreado e, finalmente, porque achei a embalagem muito interessante. Não que o material seja especial de corrida, mesmo porque se trata de uma marca bastante barata (é apenas plástico preto e acrílico transparente), mas porque achei graça ao modo como a tampa deixa ver as cores das sombras, mesmo fechada, o que lhe dá um aspecto cuidado e diferenciador. Mas foi quando pus a mão na massa, ou os dedos nas sombras, que soube que estávamos perante um caso sério em termos de qualidade: as sombras revelaram-se pigmentadas e macias, ainda que não homogéneas, como dou a conhecer de seguida. Da esquerda para a direita temos: 
- cor #1 | branco acetinado quase metalizado e muito pigmentado, com que devemos ter algum cuidado porque é muito macia e pode esfarelar; é demasiado clara e brilhante para o osso da sobrancelha, mas gosto muito dela para iluminar ao de leve o canto interno ou para carimbar um ponto de luz a meio ds pálpebra móvel - mais uma vez, sempre com jeitinho e pouco produto;
- cor #2 | este rosinha médio frio tem uma qualidade fenomenal, parece manteiga (como mais duas das suas manas) e, no entanto, é uma cor que não gosto de usar nos olhos; improvisei e usei-a por cima de blush mate e gostei tanto que, numa noite qualquer, usei-a como blush também. Nos olhos, usei-a misturada quer com a cor #1 quer com a #3;
- cor #3 | aqui começamos a entrar na minha parte favorita da paleta e este rosa velho acastanhado, irisado e com ligeiros brilhos dourados é coisa para lá de espectacular. Usei-o de formas diversas, como vos será dado a ver na secção seguinte.
- cor #4 | a cor que mais me chamou a atenção foi este coral acobreado quase mate: a cor é linda de morrer e, no entanto, em termos de qualidade, é a sombra mais pobre do quinteto, porque é a mais seca também. Mas enfim, gosto tanto dela que a usei quase sempre, sobretudo no côncavo: só tem de se ter alguma paciência no processo de construção da cor e, de todo o modo, esta é daquelas cores que se agarra melhor com o pincel do que com o dedo, vá-se lá perceber porquê - mas não é nada estranho;
- cor #5 | um beringela quente é sempre coisa de se bater muitas palminhas, para mim, que adoro ver estes tons em olhos castanhos médios como os meus (que têm sempre qualquer coisa de verde que é destacado por este tipo de cores); se à cor maravilhosa e acetinada juntarmos uma pigmentação estupenda e uma textura quase cremosa, temos mais uma das minhas eleitas.

Atentemos, num instantinho, no tipo de looks que se consegue fazer com esta paleta:
Look #1 | Coisa muito simples, só com uma mistura das cores #1 e #2 na pálpebra móvel, complementadas com a #4 no côncavo e a #3 rente às pálpebras inferiores e um nadinha no canto externo, só para haver ali uma continuidade. Máscara de pestanas e pronto, coisa feita.
Look #2 | Aqui, apliquei a cor #3 na pálpebra móvel, esbatendo com a #3 misturada com a #4 no côncavo e V externo; no canto interno e a meio da pálpebra móvel, apliquei a #1 (só um poucochinho, vejam o poder da menina), mesmo com o dedo. (O eyeliner estava ainda pior do que o costume porque já só me lembrei de fotografar isto no regresso a casa e o nadinha junto às pestanas já voara - é um Sephora bem fraquinho, também).
Look #3 | Enaquanto que nos casos #1 e #2 usei o primer da Urban Decay (que estou a ver se acabo), nesta usei como base a Colour Tattoo da Maybelline na cor #70 Metallic Pomegranate (ou Pomegranate Punk, na nomenclatura norte-americana, de que gosto mais), que é exactamente da cor da sombra #5. Utilizei justamente esta para acentuar o tom e alongar o olho, rasgando-o ligeiramente, esbati com a #3 no côncavo e, na linha de pestanas inferiores, apliquei a Colour Tattoo, que esbati primeiro com a cor #5 e depois com a #3. Usei o lápis preto com que preenchi a linha de água superior (e o sacana transferiu ligeiramente para a linha de baixo, o que só não me incomodou porque usei a maquilhagem mesmo à noite) para marcar e alongar um nadinha a linha de pestanas superiores, esbatendo-o.

Esta paleta, de que gosto bastante (e gostaria ainda mais se a cor #4 fosse mais macia) e que considero assaz versátil (bem como as demais da mesma linha, porque há outras cores, sendo que só esta e a #08, em tons de lilás e toupeira, foram eleitos favoritos da Inês Franco) custa 13€ na Face Colours - ou melhor, custa 10,40€, porque tanto eu como quem me lê temos desconto de 20% na loja da Carla (e portes gratuitos em encomendas acima dos 15€), bastando para isso indicar o código ACC2013 (tanto na loja como se encomendarem via Facebook) - que não, não me dá direito a comissões (perdoem repetir-me, mas há sempre alguém novo a chegar que merece a clareza por que faço questão que este blogue se paute).

Passemos ao batom, que me causou uma paixão assim para o imediato e que veio ao encontro de uma paixão muito recentemente descoberta: os batons de acabamento metalizado, Claro que não serão todos, claro que nem todas as cores se prestam a tal e há uma linha que não atravesso (batons claros e metalizados já não me parecem nada bem) mas depois de ter descoberto que adorava o batom Colour Statement da Milani em #22 Chilled Brandy, fiquei cheia de vontade de experimentar mais, pelo que rejubilei quando me chegou este Long Wearing Lipstick da Flormar, na cor Passionate Ruby, um vermelho-carmim com o tal acabamento ligeiramente metalizado que tenho estado a adorar.
No que toca à embalagem, não sendo nada de extraordinário, tem uma abordagem interessante: é como se se tratasse de plástico negro revestido a acrílico, o que a torna robusta e à prova de mãos de manteiga (em minha defesa, ainda não deixei cair este batom uma única vez) e, para além disso, adoptou o pormenor (característico de marcas mais caras e cada vez mais transversal) de gravar na barra de batom o nome/logótipo da marca, o que lhe dá um ar inesperadamente requintado (para o que contribui, não nos enganemos, a magnífica cor).

Bastou uma primeira passagem na mão (a que não resisti, mal tirei as fotografias necessárias para o batom aparecer aqui no blogue antes de eu lhe tratar da saúde, para perceber que se tratava de uma coisa extremamente pigmentada, sim senhores, mas também muito cremosa, o que fez disparar imediatamente o alarme do meu cepticismo: normalmente, o que é de longa duração tem uma consistência mais sequinha. De todo o modo, na primeira oportunidade, tratei de o submeter a provas e... minhanossassinhôra, fiquei banzada - e nem sequer devia, porque a Marlene da Pretty Exquisite já há muito que me anda a chamar a atenção para esta marca em geral e para os produtos de lábios em particular.
Nos lábios, aquilo que parece um vermelho ultra-metalizado transforma-se num vermelho rosado com o tal toque metalizado que lhe dá graça e que não só tem uma duração mais do que boa, como deixa um stain  que só sai com desmaquilhante bifásico ou um bálsamo dos muito bons. Usei-o com e sem lápis delineador (tenho um exactamente deste tom da B Basics, marca alemã à venda na Clarel) e notei o mesmo: uma durabilidade muito boa para um batom tão cremoso e confortável e a capacidade de não sair do sítio durante horas - que para mim, que falo horas a fio e bebo água para conseguir continuar a falar, são três a quatro e não peço mais do que isso. O desvanecimento é elegante e desagua no tal stain bonito e natural. a única coisa que notei foram uns grumos, imperceptíveis para os demais, quando estava na altura de retocar (ver imagem acima, no canto inferior direito); apostei no retoque sem remoção e a coisa correu bem mas, passadas duas horas, havia mais grumos, pelo que aconselho (como sempre) que se retire o excesso onde os lábios se toquem (deixando o contorno, que continua desenhado), reaplicando produto novo nessa zona.

O preço deste batom na Face Colours é de 9,80€ (ou seja, 7,84€, para nós) e, francamente, apetecem-me as cores todas (ou quase, vá).

Finalmente, temos a Revolution Volume Mascara ainda da Formar, na cor Black, que se revelou, adianto já, o produto menos entusiasmante do quarteto que me foi enviado. Na verdade, não é a primeira vez que a Carla me envia uma máscara de pestanas desta marca - e eu não me lembrei imediatamente mas depois fui em busca e achei. Curiosamente, a minha impressão sobre uma e outra são muito similares e pouco abonatórias, ao menos do ponto de vista de quem gosta de um pestanão bem definido, volumoso e bem preto (se há coisa em que sou dramática é nas pestanas, carais - entre outras, vá, mas isso agora não releva para o caso).
Tudo corre bem a uma primeira vista; a embalagem preta e branca é comum e não aquece nem arrefece (nem tem de o fazer), a escova é larga e parece perfeita, porque não carrega demasiado produto e, contudo, uma vez aplicada, ainda que em camadas sucessivas, não consegue mais do que dar às pestanas um aspecto natural e não mais do que isso. Nas minhas nota-se bastante, como qualquer máscara, porque eu curvo-as previamente e porque, sendo loiras na ponta, basta que as pinte de preto para que pareçam outras. Mas a verdade é que a Revolution Volume Mascara é pouco eficaz até a aguentar o caracol e não faz grande coisa pelo volume das pestanas. Evidentemente, se preencher a linha de água superior, a coisa ganha logo outro efeito (basta comparar a fotografia acima, no canto superior direito, com as à sua esquerda), mas tal não se deve de todo à máscara.
Ou seja: mais uma vez, estou a usá-la conjugada com outras, que aportam volume e alongamento, para lhes dar uma separadela final, ou como base da bordeaux que tenho em uso actualmente (que é da Kiko). Gastá-la-ei, com certeza, mas sem grande entusiasmo. Será, no entanto, coisa a espreitar, para quem gosta do ar natural retratado acima e rejeita o aspecto dramático e pestanudo que tanto prezo (porque há tampas para todos os tachos, minha gente!).

A Recolution Volume Mascara da Flormar custa 15,80€ - e mesmo ficando em 12,64€ com os 20% já mencionados, não sinto que valha esse dinheiro, francamente. De resto, e pelas duas experiências que tive, creio que a Flormar deve investir no desenvolvimento de boas máscaras de pestanas, porque as que comercializa não estão, de todo, à altura do resto que me foi já dado a testar.


E é muito isto, gente boa. Se experimentarem estas coisas (sobretudo se noutras cores), contem-me tudo, não me escondam nada, vale?

Volta e meia, gosto de, quando estou no meio de gente, conhecida ou desconhecida, pensar no que diria a cada pessoa com quem me cruzo ou dou, se não tivesse os filtros a que me obrigo, porque desejo continuar a viver em sociedade. E, pese embora o resultado seja amiúde tão assustador que fico ali num limbo entre o divertimento e o medo de mim, a verdade é que é coisa que distrai muitíssimo, quando se está numa reunião chata, na fila para um qualquer guichet da Loja do Cidadão ou mesmo num café, a bebericar qualquer coisa. Sobretudo se pensarmos que, à nossa frente, poderá estar uma mente tão doente maquiavélica como a nossa, a fazer-nos exactamente o mesmo.