sábado, 25 de Outubro de 2014

Kiko | A (minha) paleta Clics System

Vou confessar: sou daquelas a quem a Kiko pouco aquecia ou arrefecia. Nunca vibrei com os lançamentos, a linha fixa dizia-me pouco (para além da máscara de tratamento nocturno de pestanas que uso diariamente e do removedor de verniz em boião) e nunca achei a qualidade dos produtos espantosa, ao menos por comparação com outras marcas da mesma gama de preços. Mas, nos últimos meses, as coisas têm mudado de figura: já não são apenas produtos absolutamente aleatórios e sempre de edição limitada que me falam ao coração. Adoro as sombras em stick, algumas das sombras em creme de boião (que foram edição limitada já por duas vezes mas ainda se encontram), o creminho hidratante iluminador (idem), as sombras wet&dry, alguns lápis de olhos e de lábios e até os vernizes, que recusei usar durante anos, por falta de qualidade, me reconquistaram novamente. De todo o modo, e porque tive péssimas experiências com as sombras individuais que tive da marca, aqui há uns anos, não me aqueceu nem me arrefeceu o lançamento das paletas Clics System: mesmo sem ter posto a ponta de um dedo nas sombras individuais que se escolhem para compor cada paleta, decidi que não seriam grande coisa e que só podia estar tudo doido, quando ouvia falar de uma textura amanteigada, de pigmento até dizer basta e de facilidade ao esbater. E o preconceito às vezes dá um jeitaço, porque proporciona-nos uma poupança janota - até ao dia em que se encontra uma Kiko bem iluminada e vazia (a do Arrábida) com duas vendedoras que percebem imediatamente que lucrarão mais se me deixarem sozinha, sem sugestões ou perguntas. Bastou assentar o indicador na primeira sombra para parar tudo - e só sair dali depois de, a muito custo, escolher nove sombras para encher uma paleta que, nesse caso, seria oferecida, em vez de custar 9,90€. o sistema é o mesmo da Inglot, sendo que aqui as sombras são mais baratas: 4,90€ em vez de 6€ - mas não há descontos e a quantidade é inferior, já que cada sombra da Kiko tem 2g, enquanto que as da Inglot têm 2,7g. Ou seja, a coisa fica mais ou menos ela por ela e a qualidade parece-me muito semelhante, sendo que a diversidade de cores é maior na Inglot, mas encontrei tons na Kiko absolutamente únicos.

Ainda em termos comparativos, e já que estou com a mão na massa, estas sombras, denominadas Infinity Eyeshadow, vêm mais bem embaladas: as da Inglot requerem o uso de uma tesoura para abrir a embalagem de plástico, enquanto estas vêm dentro de caixas pretas e brancas (ao estilo da linha fixa da Kiko) e, uma vez retiradas de dentro delas, têm uma tampa de plástico que as protege do ar - e que se revelará de suprema importância para quem prefira ter as sombras guardadas fora da paleta, já que, por si só, constituem uma embalagem autónoma. O sistema de encaixe também é mais prático, já que o da Inglot, funcionando com íman, é um pesadelo se quisermos retirar as sombras para lhe aferirmos o número (que, como o destas, está no verso): dificilmente se o faz muitas vezes sem corremos o risco de dar cabo de uma. Já as da Kiko funcionam com um sistema de encaixe (mais ou menos como as Urban Decay Build Your Own Palette (ou as alusivas ao filme Oz, já que na prática funcionam do mesmo modo) mas estas são mais fáceis de desencaixar e voltar a pôr no sítio, o que é sempre um bónus - de tal modo que nem senti necessidade de escrever as referências no verso da paleta, como fiz com a Inglot: quando quiser ver o número, a coisa é nada difícil, o que me agrada.
De resto, a caixa, de plástico rígido preto mate (sim, as impressões digitais ficam lá todas) e com o "Kiko Make Up Milano" inscrito a prateado (mimetizando as embalagens da linha permenente) não é assombrosa, mas é prática, leve (se calhar em demasia) e fecha magneticamente. Ah, e não possui espelho (como as Inglot também não possuem, mas esta tinha espaço para ele), o que para mim não é importante, porque nunca uso os espelhos das paletas para o que quer que seja, mas admito que seja factor a ter em conta para a maioria dos compradores.

Passemos às cores que escolhi, o que não torna as que deixei menos interessantes: funciono bem sob pressão, não tenho pachorra (nem tempo) para hesitações e em dez minutos estava despachada, mas confesso que construiria mais duas paletas do mesmo tamanho (a atirar por baixo) de que gostaria tanto como desta. Acabei por apostar em cores que sei que vou usar mas havia lá tons (sobretudo os com glitter) que minhanossasinhôra - eram de nos comovermos perante beleza tamanha. Palpita-me que um destes dias construo outro conjunto, com tons mais tcharam, ai palpita sim senhores.
(Adenda a posteriori, graças à leitora Marisa, que fez o favor de notar que eu não tinha referido algo que a mim não interessou mas que dará jeito a quem gostar de identificar cada sombra quando a usa: no verso de cada sombra há dois autocolantes, um que permanecerá sempre preso a ela e um outro, indicado pela setinha que vêem em cada uma, do lado esquerdo, que podem retirar e colar no verso da paleta, ou na tampa, no sítio onde deveria estar o espelho que não existe; desse modo, e ao contrário do que acontece com a Inglot, têm sempre visível a referência de cada cor. Eu confesso que, porque elas são muito fáceis de remover da paleta e não tenho de me referir às cores senão em ocasiões esporádicas, não liguei ao pormenor, porque gosto de ver a tampa assim, sem nada - mas admito que este seja um pormenor importantíssimo para quem faz, por exemplo, tutoriais de maquilhagem, na blogosfera ou no YouTube, e tenha de estar sempre a fazer referência às cores que usa.)

Para já, eis o que temos, coisas-mai'-lindas-da-sua-proprietária:
200 - Pure White | Um branco-marfim mate-acetinado, ideal para quem, como eu, não suporta ossos da sobrancelha iluminados com brilho. Funciona lindamente como sombra de base e mesmo para quem gosta de "abrir o olhar" mantendo a sobriedade (um nadinha no canto interno faz milagres).
222 - Mat Rose Petal | Ao contrário do que o nome possa indiciar, trata-se de uma cor-de-pele-rosada, que trouxe essencialmente para servir como sombra de base (entre o primer e as outras sombras aplico sempre uma sombra de base, para que as restantes sejam mais fáceis de esbater); também gosto deste género de tom para esbater os contornos de sombras mais escuras.
240 - Mat Dark Taupe | Nem era coisa feita por mim se não tivesse um toupeira acastanhado mate, que uso essencialmente como sombra de transição.
235 - Mat Chocolate | Normalmente, fujo dos tons mais quentes, mas este castanho médio mate de subtom terra é lindo demais.
270 - Pearly Fern Green | Tenho alguns verdes cá por casa, mas nenhum tão verde-tropa-médio, com um acabamento perolado que é uma delícia: adoro este tipo de tons em olhos castanhos (como os meus) e tenho-me obrigado a usá-los cada vez mais (se adoro, por que acabo por mal lhes pegar?! - é que acabo por ir sempre para os beringelas, roxos e vinhos, quando não estou a usar neutros, pareço parva).
241 - Pearly Taupe | Obviamente, não bastava um toupeira: este é acetinado (a Kiko chama perolado ao que eu chamo acetinado e acetinado ao que eu chamo quase-mate, mas pronto) e tem um brilho (sem purpurinas, só reflexo) absolutamente divinal.
246 - Pearly Dark Wisteria | Embora na fotografia esta cor pareça um violeta, é, na verdade, um toupeira de fundo lilás e acabamento acetinado (ou perolado, vá, segundo a Kiko) absolutamente divino - é cor de glicínea, certamente, mas com algo mais de acastanhado (tipo Satin Taupe, da Mac, mas quanto a mim com muito mais pigmentação e, por isso, qualidade global), que o torna muito usável.
243 - Satin Dark Burgundy | Obviamente, tinha de haver um tom de beringela - porque há sempre, se eu puder escolher: este atira-se para a família dos cor-de-vinho e tem um acabamento entre o mate e o acetinado, com um sheen muito discreto, o que lhe confere um ar requintadíssimo.
293 - Starry Black | Esta foi, surpreendentemente, a primeira cor que escolhi: não sou muito de brilhos (adoro ver, mas em mim dispenso purpurinas, salvo em situações especiais - que são aquelas em que me apetece usá-las, basicamente) mas este preto com brilhos fininhos azul-royal tornou-se meu assim que lhe deitei o olho. É absolutamente divino, clama por festa e por um olho mais tcharam e acabou por ser o ponto de partida e o complemento perfeito para este conjunto de nove.

Contas feitas, esta paleta ficou-me  por 44,10€ - o que não é, de todo, barato, mas é uma forma interessante de construir um conjunto de cores personalizado (e há lá cores que, caramba, merecem ser adoptadas), com uma qualidade que não julguei ser possível em sombras da Kiko - e eu garanto que o meu preconceito é absolutamente fundamentado, o que só prova que a marca soube evoluir e investir mais na qualidade do que vende relativamente barato. Palminhas, portanto.

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Rota das Tapas no Porto | O nosso percurso

A segunda edição da Rota das Tapas do Porto (Lisboa alinhou há mais tempo nesta tradição encetada, naturalmente, em Espanha) conta com a participação de vinte estaminés (na edição de Primavera eram dezassete), sitos entre a Baixa e a Ribeira (a vantagem na Invicta é que a coisa se percorre a pé e até ajuda a desmoer), e decorre entre 16 de Outubro a 2 de Novembro, sendo que nós fomos ontem, quinta-feira, experimentar a coisa pela primeira vez. A ideia é simples, para este evento, patrocinado pela marca de cervejas espanhola Estrella Damn (bem agradável, por sinal), os chefs/cozinheiros (porque nem todos os cozinheiros são chefes, tenham lá paciência, e sem demérito para qualquer das profissões) foram convidados a criar uma tapa original para o evento, que deveria conter pelo menos um elemento que remetesse claramente para o Outono - e era basta, a lista, entre castanhas, caça, batata doce, abóbora, frutos secos, enchidos, azeitonas, mel e queijos. A essa tapa, e por 3€ no total, cada restaurante/bar juntava uma garrafa de Estrella de 25cl, sendo que nos caberia escolher, de entre os vinte, os que nos cairiam mais no goto. Em qualquer dos estaminés podemos levantar um "passaporte" com o mapa de um lado e a descrição das tapas do outro; a ideia é carimbá-lo a cada paragem, de modo a concorrer a uma viagem qualquer - nós carimbámo-lo para o fotografar, vá.
O nosso plano era claríssimo: a R., que é a mais gourmet de todas, apontou os estaminés com tapas mais apetecíveis; de entre esses, na viagem, identificámos o primeiro, escolhido por uma estratégica questão de localização - aí, enquanto deglutíamos o primeiro manjar, acordámos no percurso que nos pareceu mais delicioso e, em cerca de quatro horas, percorremos as cada vez mais magníficas ruas do centro do Porto (cada vez mais pejadas de gente, mesmo à semana - e não eram, de todo, apenas estrangeiros), numa noite de Verão tardio, super simpática para uma empreitada como esta.

[Começámos a coisa pela rua das Flores, que está a tornar-se a artéria mais in da cidade e não tenho dúvidas de que, não tarda nada, será ali que a movida morará: para além de lojas e restaurantes com muito bom ar, os trabalhos de restauro dos magníficos edifícios só indiciam coisas boas - sobretudo, um sítio onde apetece estar, iluminado mesmo de noite. Recentemente, as caixas de electricidade foram pintadas com desenhos coloridos ou com ditames muito típicos desta cidade - é ler com sotaque cá de cima, faixabôre, porque de outro modo nem sequer se percebe a piada.]

Primeira paragem: À Parte, na Rua das Flores, onde a Tapa à Parte consiste em pão, pato confitado, salpicão de porco preto, queijo da ilha e amêndoas, sobre que se cruzava, dois talos de cebolinho. Ficámos na esplanada, o que foi simpático; a música ambiente é agradável e o espaço também.
A notar: a tapa era saborosa e original, pese embora a R. tenha encontrado pequenos ossos, daqueles fura-estômagos, o que, segundo o desinformado empregado, "é bom sinal, quer dizer que é caseiro" (eu sei, eu sei, a lógica não mora ali - e assim se afastam com jeitinho eventuais futuras clientes).

Segunda paragem, Tasquinha dos Sabores, na Rua da Picaria, onde nos serviram um Pé de Cogumelo: cogumelos salteados com bacon e orégãos, pimento Padron e mozzarela em massa filo - e esta foi, sem dúvida, uma das minhas tapas preferidas, mas o serviço acabou por macular tudo.
A notar: as tapas só podem comer-se ao balcão, em pé (e até aí tudo bem, se toda a gente percebesse que a ideia não é ficar no mesmo sítio a enfardar não sei quantas tapas repetidas - e a coisa estava cheia de um grupinho que não chegou lá, de todo), onde temos de dar de caras com uma patroa arejada, que ficou toda contente por ter percebido que não iríamos alapar ali para sempre, e com uma empregada tão mal encarada e sem educação como é raro ver-se: quando lhe pedi para nos carimbar os passaportes, para nos pormos a mexer, levantou os olhos com tédio do que estava a fazer e atirou-me com um "espera!" de tal modo desadequado que a R. (que é normalmente mais calma do que eu, a não ser quando a mostarda lhe chega ao nariz) lhe atirou um olhar tal que eu estava a ver que a senhora se desintegrava, tipo filme. Mais uma vez, um mau serviço (no anterior foi só despreparado, aqui a coisa foi mais grave) afasta-me, definitivamente, de qualquer sítio, por melhor que seja a comida.

Terceira paragem (era para ter sido o Lusitano mas só abria às nove e meia): Portus Bar, na Rua Sá de Noronha (acima da Padaria Ribeiro), onde nos serviram uma Bola à Portus, com frango, enchidos, queijo, pimento, cebola e tomate, prensada, que foi das melhores surpresas da noite. A bola está incluída na carta de petiscos habituais da casa (que inclui tábuas de queijos e enchidos, moelas e pimentos Padron) e o serviço foi tão amistoso (aleluia!) que é sítio onde me apetece voltar e que recomendo vivamente - para além de que a bola é uma obra prima e enche que se farta.
Nada de negativo a assinalar, portanto: o espaço é giro e airoso (com distâncias de segurança saudáveis entre as mesas), as mesas e os bancos são dos altos e os empregados são simpáticos e cool.

Quarta paragem: Trinkas, na Praça Gomes Teixeira (mesmo em frente aos Leões e à Reitoria da Universidade do Porto), cujos Pãezinhos da Casa, recheados com queijo, ervas e enchidos gratinados, se revelaram a primeira e única verdadeira decepção da noite: demasiada massa de pão - tanta que a pasta de enchidos mal se saboreia. Não se sente o sabor do queijo ou de quaisquer ervas e o melhor momento foi mesmo a rodela de chouriço e azeitona que serviam de decoração. Não aconselho, de todo, e acabei por deixar um pedaço de pão-enfarta-brutos.

Quinta paragem: de regresso à Rua da Picaria (sim, o nossos percurso foi meio errante), o Serrote presenteou-nos com um Ceviche de Salmão e Mel, que consistia em salmão marinado em citrinos, com tostinhas (caseiras, nada daquelas coisas de pacote) e mel - e estava divino, sem mácula.
A notar: este foi o primeiro espaço que encontrámos completamente invadido por gente a fazer a Rota das Tapas, o que nos agradou muitíssimo - este tipo de iniciativas só terá continuidade se as pessoas lhe aderirem e pareceu-nos que a coisa estava a acontecer, apesar de ser notório que a faixa etária entusiasmada com a coisa não é, de todo a minha. E é pena, porque tapas não são coisas de miudagem: comem-se excelentes criações e acredito que a qualidade dos serviços e da oferta melhorará quando a procura mostrar aos restaurantes que vale a pena investir na coisa.

Sexta paragem: o Lusitano, na Rua José Falcão, onde desde cedo decidíramos que íamos provar a fatia de broa de milho com puré de grão de bico, bacalhau desfiado com azeite, alho, coentros e pimento grelhado - tanto assim que voltámos, depois de termos dado com o nariz na porta. Ora a verdade é que, apesar de o espaço ser genial e de a música ser muito boa, não nos soou nada bem sermos recebidas à entrada com um "vêm para as tapas? Então vão ter de esperar porque não estão prontas." - e coisa nem sequer foi antipática, foi mais sem noção. Decidimos esperar, porque sempre íamos bebericando a Estrella - mas nem sequer valeu a pena: primeiro porque a tapa não vinha montada como deveria ser, preparada para comer sem se desconjuntar; depois porque a bola não era fresca (nem de perto nem de longe) o que maculou o resto, que não estava mau.
A notar: que um estaminé que se dispõe a servir tapas numa iniciativa deste calibre não as tenha preparadas para servir à hora de abertura parece-me, para além de confrangedor, bastante incompetente - mesmo porque, caramba, aquilo não era mais do que uma punheta de bacalhau em cima de uma broa fraquinha. Diria que a questão da tapa se resolve com mais facilidade do que a falta de jeito para a coisa, tanto na cozinha como por quem nos atendeu.

Finalmente, a nossa sétima e (quase) última paragem, o Canelas de Coelho, foi reservada para o fim por dois motivos: desde logo, porque sabíamos que deste modo garantiríamos um encerramento em beleza e, depois, porque o nosso terceiro elemento queria ir embora e dispensava este Pedaços de Outono - rosbife aromatizado com puré de castanha e doce de abóbora, servido sobre uma fatia de pão caseiro absolutamente delicioso, o que prova que há querer e há saber e aqui quem está na cozinha sabe o que é uma tapa e qual a filosofia da coisa.
A notar: o Canelas de Coelho, para além de muitos pratos belissimamente confeccionados, tem no seu menu uma imensa galeria de tapas, sendo que, diariamente, entre as 16h00 e as 19h00, num período que designa de Happy Hour, serve-as, acompanhadas de um copo de vinho ou de cerveja por (pasme-se) 1,50€ cada. Ou seja, aqui há rota das tapas todo o ano e é sítio a ter em mira para um lanche entre amigos.

Por último, já fora da rota das tapas, mas absolutamente prevista no nosso percurso, estava uma ida à Spirito, que abriu na Rua Mouzinho da Silveira há uns meses, depois de um imenso sucesso em Braga (e agora também Guimarães, para além do Porto). Ali, mais do que os gelados (sempre criativos e apetitosos, note-se), encantam-me os cupcakes (e eu nem sou perdida pelo género, mas estes superam tudo) e os brownies, sendo que comi um daquelas por lá e trouxe um brownie para a mãezinha. A R. optou pela tarte de maracujá, que estava mais doce do que ela gosta (estaria, assim, perfeita para mim) e assim encerrámos uma noite belissimamente passada e diferente do que temos por hábito - e cheias que nem as coisas cheias, diga-se de passagem, ainda que a digestão tenha sido fácil, o que atribuímos às pausas entre tapas e às deslocações pedestres.

Quanto à cerveja, o segredo é não beber uma inteira em cada canto onde se vai - a coisa é capaz de não correr bem, sobretudo se se estiver de carro, como eu estava, e sobretudo quando no dia seguinte é dia de trabalho: meia garrafa por restaurante e a coisa fica mais ou menos controlada, prometo.
Vai daí fiquei fã da coisa e não enjeito voltar - certamente não desta vez, mas em edições futuras: gosto do conceito, quero incentivá-lo mas, sobretudo, quero continuar a provar coisas boas, sempre (como sempre ouvi lá em casa, é o que se leva desta vida).

Unhas das semanas #48 | Kiko

Não estou certa do ano em que a Kiko abriu a sua primeira loja aqui no burgo, mas lembro-me que foi a de Santa Catarina e eu fui das últimas pessoas a entrar na loucura. Corrijo: nunca cheguei a fazer parte dela porque, por mais que reconheça a qualidade de alguns produtos, a maioria não me encanta e não é loja onde perca a cabeça. No que toca aos vernizes, a Kiko trouxe uma mais-enorme, na medida em que tinha um naipe de cores variado (as grandes marcas, ainda hoje as minhas favoritas, ainda não estavam na fase de arrriscar muito, para além do clássico - com raras e honrosas excepções) e preços simpáticos, que baixavam consideravelmente aquando das promoções frequentes, se não estou em erro de 3,90€ para 2,50€. O problema é que, sendo eu (já então) possuidora de um conjunto bastante janota de cores para as unhas, não havia assim tantos tons que me encantassem pela originalidade, para além de que sempre achei a fórmula dos vernizes bastante fraca - e, a dada altura, depois de testar alguns, acabei por dar todos. Creio que terá sido na Primavera de 2011 que voltei a comprar duas cores (as que vêem acima, à esquerda) e mantive-me apenas com elas (bastanea agradada até com a fórmula, que juraria ter sido alterada) até bem recentemente quando, no Verão, numa  visita só para espreitar as novidades, me deparei com um escaparate vernizes a 1,50€, com cores absolutamente deliciosas, pelo que trouxe nove (sim, eu sei, mas acreditem que tive de me controlar para não trazer outras tantas), entre o sólido, o metalizado e o glitteroso. Nas duas semanas passadas e nas que hão-de vir, juntei os mais velhinhos aos mais recentes e foi  (e será) um festim de cores e acabamentos, como se segue.

Este é já o quarto Inverno que o #346 Olive Drab, um verde seco com laivos de tília, passa comigo e devo dizer que o adoro como na primeira hora. Como se sabe, os verdes e os azuis, são a minha perdição, bem tudo o que tem um fundo dusty, como que acinzentado - e este menino reúne as duas qualidades. Durante muito tempo, este e o roxinho que também protagoniza esta entrada foram os únicos vernizes da marca que possuí, não só porque não a fórmula nunca me falou ao coração mas sobretudo porque as cores existentes eram demasiado banais para o meu gosto. Como se vê, essa circunstância foi alterada muito recentemente, mas este #346 tem sido uma paixão constante da estação fria.

Tenho a usar este #332 Dark Violet, um roxinho azulado, mais na Primavera - não sei porquê, lembra-me sol e tempo quente. Talvez por isso, escolhi usá-lo numa altura em que o céu parece estar prestes a descambar-nos em cima dos toutiços, em dilúvios sucessivos que deixam a minha pele à beira da loucura (pó e humidade são os seus inimigos primeiros. São Pedro pode não colaborar ms o meu verniz há-de dar-me o que eu decidir. Este menino, contemporâneo do verdinho de cima, tem o mesmo pincel larguinho (viva a Kiko, porque os primeiros aplicadores eram miseráveis) e fica bestial em duas camadas, igualmente. Em termos de durabilidade, diria que são meninos para durarem dois a três dias sem problemas, sendo que depois se nota algum desgaste nas extremidades (e nem isso eu aguento) - mais ou menos o costume, portanto.

O #510 Mauve Gray é uma aquisição recente e fez parte do enorme enfeiranço que trouxe cá para casa os protagonistas destas e das próximas semanas (sim, resolvi usá-los todos a eito, porque me apetece estrear cores novas). Trata-se de um malva claro, quase nude (dentro dos meus parâmetros, obviamente), de fundo frio, que fica lindo em peles claras e, aposto, contrastará lindamente nas escuras). É bestial para aqueles dias em que não queremos que o verniz se destaque mas nem sequer pomos a hipótese de usar as unhas nuas (que é o meu estado normal).

O #495 Pearly Vanda Burgundy é uma cor que clama pelo Outono, sendo que o apliquei no mesmo dia em que o Verão, que andou por aí perdido durante meses, parece ter percebido que cá tinha de vir dar um ar da sua graça, a ver se nos compensava pelos meses de ausência injustificada. Mas eu quero mais é que as temperaturas altas se lixem (apesar de as adorar): é Outono e ninguém vai ver-me de chinelos de enfiar o dedo e calções, nem de verniz laranja ou coral. Esta foi uma daquelas cores que comprei no enfeiranço de Verão, quase inteiramente de tons para a estação fria: trata-se de um bordeaux médio de acabamento perolado absolutamente divino, que fica perfeito com duas camadas e que dá um ar polido a qualquer indumentária.

O #525 Metallic Pastel Blue é um azulinho daqueles que tanto me apaixonam, com a particularidade de ter um acabamento que eu não diria metalizado, mas perolado. Já não é a primeira vez que aparece aqui, porque não resisti a usá-lo pouco depois de o ter comprado (é a cor menos sazonal de todas as adquiridas no Verão passado). Mantém a boa performance de todos os manos, o que nem sempre é fácil de encontrar, quando falamos de pastéis, e fica perfeito em duas camadas. Uso top coat, porque não pode deixar de ser, mas as cores da Kiko são genericamente bem brilhantes e com bom ar.


Para quem está a achar estranha a alusão aos nomes das cores, para além dos números, que é a única referência que temos nos frascos, recomendo uma visita ao site, onde encontramos uma designação para quase tudo quanto é cor (e como eu odeio números, em vez de nomes...).
Entretanto, vamos fazer uma pausazinha na Kiko, mas voltamos em breve com a meia dúzia de cores que falta estrear.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Eu e os cheiros | Le Petit Fou Zazou, o perfume em stick

Só assim para deixar as gentes contextualizadas, a verdade é que sou uma esquisitóide com perfumes: para quem adora cheiros e não sai de casa sem se borrifar com o aroma em uso, é no mínimo estranho que tenha apenas um perfume de cada vez (a não ser que me ofereçam outros, o que é raríssimo, porque os perfumes são coisas pessoais e, a menos que haja vontade expressa de se ter este ou aquele cheirinho, as pessoas de bom senso não arriscam) e não sinta jamais a necessidade de intercalar com outros, seja em coordenação com o estado de espírito ou situação em causa, seja para desanuviar um bocadinho. A verdade é que uso o mesmo perfume até me fartar dele (o que leva, em média, dois anos e meio a três anos), o que me conduz ao processo de escolher outro (extremamente moroso, porque um perfume tem mesmo de me arrebatar, já que vamos ter uma relação de longa duração), que substituirá ao anterior. Acresce que jamais volto a perfumes antigos, porque cada aroma remete-me para fases da vida e eu adoro que assim seja. (Mas já devo ter dito isto quatrocentas e cinquenta vezes neste estaminé, a atirar por baixo - sempre que falo em perfumes, certamente.)
Actualmente, e de há um ano a esta parte, estou enamorada do J'Adore L'Absolu da Dior, na versão Eau de Parfum - e terei de continuar: estou quase no fim do primeiro frasco de 75ml e tenho mais dois em espera, do mesmo tamanho que, graças às confusões da Feelunique, acabaram por me ficar por uma bagatela. Entretanto, passei a Primavera/Verão com o La Vie Est Belle, da Lancôme, porque me ofereceram um coffret, no Natal, e aproveitei o resto do Verão para testar uma catrefada de amostras que tinha cá por casa (de que vou dando conta nas publicações mensais de produtos finados), de entre as quais vou ter de salientar um produto por que não estava, de todo, à espera de me apaixonar. Mas previ mal e o amor acabou por ocorrer: pamparrachei no Le Soft Perfume Le Petit Fou, na versão Zazou, por meio de um produto em tamanho normal (5ml) que me foi enviado num goodie bag da Cult Beauty em Abril último (altura em que comprei um produto que só agora comecei a usar, de resto) e que usei nos últimos dias de férias, sendo que ainda tenho ali um nadinha, que uso nos fins de semana mais caseiros.

A novidade (para mim) deste produto é justamente o seu formato, em stick. E creio que foi esta forma que me inibiu de usá-lo durante tanto tempo: parti do princípio (ahh, o maldito pré-conceito...!) que uma coisa assim só poderia ser meio assabonetada, em nada condicente com a minha preferência por perfumes daqueles com personalidade, dos poderosos e marcantes, entre o floral e o musky (e é o mais que consigo dizer, porque não conseguiria descrever aromas e, sobretudo, notas aromáticas nem para salvar a minha própria vida).
Mas comecemos pelo início: A Le Soft Perfume é uma ideia original de Mme. Isabelle Masson Mandonnaud, uma das fundadoras da Sephora - que devia estar maçada lá por casa e entreteve-se a criar um produto que é, simultaneamente divertido e requintado, mesmo porque, na sua formulação, tem componentes hidratantes, confortáveis para a pele, mesmo a mais sensível. A oferta é muito mais vasta do que a minha mente desatenta julgaria e, na verdade, acho as £20 que cada stick de 5ml custa um nadinha excessivas: porque a fórmula tem uma base de manteiga de karité, extremamente nutritiva e cremosa, a coisa vai-se num instantinho, embora tenha de se fizer que deixa no corpo um aroma extremamente duradouro.
O meu Zazou é (e obviamente que tive de ir investigar) uma mescla de notas, entre as quais o limão, neroli, cipestre e toranja, que a marca identifica com um estilo "t-shirt branca e calções de ganga" e que eu "leio" como um perfume carregadinho de energia da boa, daquelas que as manhãs requerem, sobretudo para quem gosta tanto delas como eu. É coisa ideal para levar em viagem: para além de a embalagem ser de cartão e não correr, por isso, o risco de se partir, não se trata de um líquido com que vão implicar no check in e, para além do mais, é ideal para trazer sempre connosco, quando nos apetecer refrescarmo-nos em bom.