terça-feira, 22 de Julho de 2014

Era isto, faixabôre #20

  Saia | Acne Studios                             Saia | Vivienne Westwood Anglomania

Botas |  Jimmy Choo                                 Óculos de sol | Thierry Lasry

Blusa | Saint Laurent                            Clutch | Stella McCartney

Calças |  3.1. Phillip Lim                              Blusão |  Alexander McQueen

Too Faced | Sobrancelhas à prova de bala

Comprei o novo produto para sobrancelhas da Too Faced ainda ele estava quentinho e acabado de aterrar nas prateleiras da Sephora, no início de Maio: deste Bulletproof Brows, que já tinha visto à venda na Beauty Bay e me preparava para mandar vir de lá (ainda bem que o não fiz, já que a Too Faced é das poucas marcas que é mais cara em Inglaterra do que em Portugal), sabia apenas o que a marca dizia oferecer, que era basicamente um produto em pasta com base de argila, em duas cores universais (Universal Brunette e Universal Taupe), à prova de água e de borradelas. Pois iríamos ver se sim.

Entre as duas cores, nem precise de fazer o teste: viria o Universal Taupe, um castanho claro de fundo frio, que se ajustaria com toda a certeza ao meu tom de pele e cabelo. A embalagem, que é acompanhada por um pincel de sobrancelhas duplo (biselado de um lado, para aplicar o produto e uma escovinha no outro, para garantir que não há excessos) apresenta-se dentro de uma cartonagem bem ao jeito da Too Faced, com algumas directrizes técnicas, que servirão tanto para quem está a iniciar-se nesta coisa da maquilhagem de sobrancelhas, seja para quem quer redesenhar as suas e não conhece as linhas mestras para o fazer - nomeadamente os limites e a zona onde deve acentuar o arco. Ora como eu sou burra velha e, não amando o meu desenho de sobrancelhas (são muito rectas, não me importava de que arqueassem um nadinha mais), também não gosto de as modificar, pelo que tratei de passar imediatamente para o interior.

A embalagem é pouco maior do que a de uma sombra individual da Mac ou da UD (para referência) e abre exactamente da mesma forma; possui um espelho na tampa exterior e uma outra tampa protege o produto do ar, que o secaria com muita facilidade - a consistência do Bulletproof Brows da Too Faced é similar à dos Fluid Lines da Mac ou dos Long Wear Gel Eyeliners, da Bobbi Brown: uma pasta, que a Too Faced diz reunir as melhores propriedades de um pó, um gel, um lápis e uma cera, tudo junto (haja confiança!).
Mas a verdade é que gostei deste produto à primeira aplicação, em que utilizei o pincelinho conjunto; na verdade, e embora não seja uma maníaca das sobrancelhas (saio bem de casa sem lhes tocar, em dias em que me maquilho - porque nos outros não lhes toco mesmo!), gosto de as ver preenchidas e tenho alguns produtos para o efeito (não muitos, mas alguns, como mostrei aqui), sendo que sempre afirmei que o Aqua Brow da Make Up For Ever é a melhor coisinha do mercado que experimentei, até agora - mas deixem-me que vos diga que este menino está a passar-lhe as palhetas a toda a facilidade, o que se deve à facilidade de aplicação: o Aqua Brow tem aquela coisa chata de vir numa bisnaga e ter de ser depositado nas costas da mão para que o possamos trabalhar com o pincel, para além de que eu tenho o problema adicional de ter de misturar duas cores para encontrar o tom perfeito. Aqui, é só abrir a embalagem, embeber as cerdas do pincel com a pasta (só um bocadinho, sob pena de as sobrancelhas ficarem todas melequentas), aplicar com o lado do pincel angular, escovar, voltar a aplicar se tiver falhado alguma coisa et voilá... sobrancelhas absolutamente naturais, como se tivéssemos acordado assim. De resto, esta é uma salvaguarda que faço: este não é produto para quem gosta de sobrancelhas absolutamente desenhadas e perfeitamente definidas. Porque se trata de uma fórmula semi-opaca e leve, o Bulletproof Brows da Too Faced nunca proporcionará aquela sobrancelha assumidamente trabalhada, antes passa por uma coisa que nem sequer foi mexida (e é assim que gosto das minhas).

Em termos de cor, o Universal Taupe é perfeito para o meu tom de pele e cabelo: trata-se de um café com leite neutro a frio que acima se vê concentrado mas que, esbatido, funde-se com as minhas sobrancelhas (que são claritas, sobretudo depois de uns dias de praia) na perfeição. A outra cor, Universal Brunette, é claramente mais escura mas não muito e servirá sobrancelhas/cabelos castanhos médios - quem os tem a atirar para o escuro/preto é capaz de achar o tom demasiado claro.
O melhor do Bulletproof Brows? Não sei se é à prova de bala, mas é certamente à prova dos suores dos dias quentes e de dias excessivamente longos: uma vez seco (o que demorará menos de um minuto, sobretudo se for aplicado com moderação, como eu faço), não sai mesmo do sítio e deve ser removido com desmaquilhante bifásico (embora a Bioderma se safe muito bem a retirá-lo e qualquer bálsamo ou óleo desmaquilhantes façam igualmente o servicinho bem feito). Evidentemente não fiz o teste do suor a valer (porque me recuso a ir para o ginásio maquilhada, mesmo que os fins científicos o justificassem) mas fiz o da água: duchezinho janota, obviamente sem esfregar as sobrancelhas com o creme de limpeza para a cara, e o produto manteve-se, intocável.
Well done, Too Faced, parece que aos pouquinhos lá vamos construindo a nossa amizade.

[O Bulletproof Brows da Too Faced vende-se nas Sephoras e custa cerca de 27€, sendo que vale a pena esperar pelas promoções dos 20%, 23% ou 25% para o comprar - o meu veio por pouco mais de 20€, o que me parece um preço bem mais compostinho.]

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Filmes #35 | The Normal Heart

Não me lembro bem quando deixou de sê-lo, mas recordo-me perfeitamente da altura em que SIDA significava duas coisas: sentença de morte e doença exclusiva de homossexuais. Foi ontem, caramba, lembro-me tão bem. A generalidade do mundo, na ignorância, preferia manter-se nela e decidir que era isso mesmo: uma doença gay, coisa de americanos, que tinham a mania das modernices - nós, no velho continente, estávamos a salvo. Só que não: depois de '81, ano em que o vírus foi identificado, o vírus do VIH espalhou-se no espaço, sem escolher géneros, classes sociais, profissões e, sobretudo, orientações sexuais. Uma praga, como as antigas, que infecta 6 mil pessoas por dia, que matou 36 milhões de pessoas, de lá para cá.
Não senti o tempo a passar devagar porque tive a sorte (só sorte, nada mais do que isso) de não ver sucumbir alguém que me fosse próximo - mas íamos ouvindo os nomes dos que a nova doença, que não se sabia bem o que fosse, ia ceifando: António Variações, Freddy Mercury, Rock Hudson, Gia, Cazuza, Lauro Corona, - e tantos, tantos anónimos que foram vítimas de um agente infeccioso que a ciência não fez desaparecer mas que parece saber contornar. Hoje a espada a enterrar-se na cabeça está mais longe e descobriu-se toda uma série de substâncias que combatemu, estupor de um vírus que retira toda a imunidade ao corpo, permitindo que doenças da treta para quem a tem sejam uma condenação; e há os que sobrevivem e dão a cara para acabar com o estigma: Magic Jordan, Greg Louganis são dois dos que me vêm à cabeça, muito de repente, num presente em que a SIDA já não é o bicho-papão que foi, no tempo histórico em que se passa este filme (mas houve escandaleira, sobre ambos, quando se soube: mais do que pela doença, pela orientação sexual de cada um, o que só demonstra a nossa pequenez).
The Normal Heart (2014), onde Mark Rufallo ou Julia Roberts brilham, é um filme raivoso, pejado de uma fúria bestial contra a inércia dos primeiros tempos: só 4 anos e milhares de mortes depois, Ronald Reagan falou pela primeira vez da necessidade de lutar contra o flagelo, admitindo que ele existia. Talvez precisemos de o ver, todos, muito. Talvez a humanidade necessite de ouvir, através dele, o desespero e a raiva de quem não foi ouvido, de quem foi condenado à morte porque era homossexual e tinha uma doença que não importava que existisse, desde que circunscrita a essa comunidade. Temos muita dificuldade em aprender com os erros que cometemos e a prova disso é que erramos sempre da mesma forma: por preconceito, porque não é connosco e quem vier atrás que feche a porta. The Normal Heart é um filme que nos enche simultaneamente de vergonha e de pena e de revolta - e que venham todas estas emoções e que jamais nos esqueçamos delas. Pode ser que um dia aprendamos.

Filorga | Qual Sleep Recover qual carapuça

Na última encomenda que fiz na Cocooncenter dediquei-me a continuar a explorar a Filorga, marca cosmética de venda em farmácia de que só oiço maravilhas (sendo que estava já muito agradada com o Time Filler Eyes e com a Meso Mask, menos um bocadinho com o Time Filler, mas ainda assim) e que em Portugal é vendida a preços equivalentes aos de perfumaria, pelo que há muito me deixei de avarias: manda-se vir tudo das farmácias espanholas ou da francesa e acabou-se a roubalheira. Mas dizia eu que mandara vir da Cocooncenter mais uns produtos da Filorga, depois de alguma investigação sobre ingredientes (os que consigo identificar, já se sabe), entre eles dois cremes de noite: o Sleep & Peel, que aqui trarei um dia destes e o protagonista de hoje, o Sleep Recover - Anti-Fatigue Night Balm. Pázinhos, não havia como resistir, se as palavras chave eram "recuperação durante o sono", "bálsamo" e "anti-fadiga": a coisa só podia ter sido feita para esta pele que se tornou mais seca do que as coisas secas (e com tendência a desidratar, hoje como sempre, apesar da muita água que bebo por dia), depois de quase 40 anos a ser mista e mista a oleosa no Verão.
A Filorga vende o produto como um cuidado compensador que aproveita as horas de sono para recuperar a pele dos maus-tratos que sofre durante o dia (stress, cansaço, poluição, pó, ar condicionado, ambientes congestionados, falta de sono e coisas que tais), apagando os sinais de fadiga que, de outro modo, se instalariam - nomeadamente propõe-se atenuar as rugas nasogenianas, as olheiras, os papos e aquela ruga enervante entre as sobrancelhas (que as pessoas com maus fígados como eu tendem a ter pronunciada - o feitio não é dos melhores mas felizmente a genética compensa, porque para aquilo que eu franzo o sobrolho já deveria ter aqui verdadeiros fossos, não rugas). Estas pretensões ambiciosas são justificadas com a formulação do produto, a saber: extracto de castanha da Índia, para uma acção descongestionante e anti-papos; extracto de árvore da seda para combater a flacidez, as olheiras e o cinzentismo (aquela falta de viço que a pele cansada porta); cronosferas de NCTF (fui investigar e trata-se de um complexo de 55 activos: 14 vitaminas, 24 aminoácidos, 6 co-enzimas, 5 bases nucleicas, 4 minerais e e anti-oxidantes - um cocktail de coisas boas, portanto) a que está associado o belo do ácido hialurónico de que a malta gosta sempre, com o objectivo de combater o envelhecimento global da pele; finalmente, um activo reestruturante dérmico, que ajuda na correcção das rugas de fadiga e de tensão.
É preciso dizer mais ou já estão a ver por que é que considerei isto coisa a ter muito (mas mesmo muito) depressa?

Lá veio o bom do Sleep Recover e, porque estava mesmo a terminar o meu cuidado de noite, pude introduzi-lo (bem como ao Sleep & Peel, que uso no máximo duas vezes por semana, normalmente apenas uma) na minha rotina de cuidados nocturnos - e, muito francamente, esperava reconhecer resultados depois da primeira utilização, como acontece como os verdadeiros "milagres" (entre muitas aspas, que em ciência não há milagres, há sim muito trabalhinho de investigação) cosméticos. Mas nada: na primeira manhã depois de usar, a minha pele acordou seca, como costuma ser se não usar algo verdadeiramente potente, como um bom bálsamo nocturno ou uma máscara daquelas que se aplicam e deixam ficar durante a noite.
De todo o modo, não deixei de me impressionar com a embalagem (em vidro, opaca - o que não permite ver quanto produto resta, coisa que detesto -, com um pump que se "ejecta" da embalagem rodando a área superior - e que deixou de funcionar convenientemente ao fim de semana e meia, mas vá), embora tenha estranhado a consistência, demasiado fluida e leve para um produto que se apresenta como um bálsamo. Mas ok, devia ser eu que tinha perdido a leitura de algum artigo que comunicava que já era possível que um produto tão aparentemente comum operasse maravilhas, independentemente de parecer apenas um creminho tipo loção - caramba, bastava relembrar a formulação e perceber que isto era coisa para acabar por funcionar, provavelmente apenas após uns dias valentes ou mesmo semanas de uso.
Só que não: usar o Sleep Recover ou um creme de dia moderadamente hidratante seria exactamente a mesma coisa, para além de que começou a preocupar-me o facto de que, mal acordava, tinha necessidade de limpar e hidratar a pele antes mesmo de descer para dar de comer ao zoológico (o que nunca me acontecera) - mas ainda assim atribuí a circunstância a uma pele que sinto cada vez mais seca. Felizmente, um destes dias, e a propósito já não sei de quê, falámos deste produto no seio do meu gangue de bloggers favoritas (nem preciso de as nomear, que elas sabem quem são e o resto adivinhá-las-á) e descobrimos que eu e a Szofi do Bola de Sabão partilhávamos deste des-gosto por um produto relativamente ao qual tínhamos tantas expectativas: porque temos ambas a pele seca e obtivemos ambas o mesmo resultado (paupérrimo), lá se concluiu que este será provavelmente um bom produto para peles mistas a oleosas - e talvez com ele possa cumprir tudo aquilo a que se propõe.

E é por isso que tratei de arranjar a este menino uma nova casa, onde possa ser apreciado pelo que é, sem que esteja condicionado pelas características de uma pele demasiado exigente. Ainda assim, creio que a Filorga deveria ter cuidado redobrado na conceptualização, para não induzir os consumidores em erro: desde logo, a palavra "bálsamo" será uma presunção, mais do que uma realidade e, por outro lado, se não resulta em pele seca e desidratada (não só não resulta como acentua estes problemas!), isso deveria ser explícito algures na cartonagem ou na bula - é que eu gosto de testar produtos e tenho amigas com peles diferentes da minha a quem posso dar o que não resulta comigo, mas se não gostasse e tivesse dado os 60€ que  produto custa em Portugal (eu paguei 38€ por ele, na Cocooncenter), estaria certamente para lá de furiosa.
Just sayin'.

domingo, 20 de Julho de 2014

Zara | De olho na colecção de Outono'2014

Bem sei, bem sei, eu deveria era estar a rejubilar com os saldos de Verão, só que nem por isso. Na verdade, estou é já com o olhómetro apuradíssimo para a rentrée, porque até lá a indumentária vai ser muito entre roupa de andar por casa (sim, as minhas férias servirão para retomar a tese de doutoramento, coisa que não desejaria nem ao meu pior inimigo, se o tivesse, embora tenha de pensar duas vezes relativamente aos anónimos ressabiados que por aqui passam), roupa de praia (se o São Pedro começar a colaborar e tiver pena de quem não poderá deslocar-se a Sul, este ano) e trajes de ginásio (se não me der a preguiça), o que também não pede grandes maquilhagens. Ou seja, o que me apetece é espreitar os lançamentos de Outono de maquilhagem e beleza, bem como as peças mais giras, que se agarram é agora, quando está tudo distraído com as promoções. Dei um saltinho virtual à Zara e seleccionei o que se segue - um dia destes entrarei numa loja para espreitar materiais e logo verei o que daqui se mantém.

 

E da Zara, para já, era muito isto.

sábado, 19 de Julho de 2014

Filmes #34 | YSL & The Railway Man


Confesso que não tinha grandes expectativas relativamente a Yves Saint Laurent (2014): o facto de se tratar de uma biografia (tão fiel quanto um filme pode ser, já se sabe) e de ter lido muita linha sobre ele meses antes de estrear, sobretudo porque se diz muito melhor de uma outra obra, também recente, mas essa "não autorizada" por Berger, a segunda personagem principal (diz que é coisa para meter mais sexo e drogas), levou-me a ficar de pé atrás - e, no entanto, sabia que teria de o ver, como tive de ver Coco Avant Chanel e filmes que tais. A verdade é que me interesso sempre mais pelo trabalho destas gentes do que propriamente por quem são, exactamente, pelo que foi uma novidade saber que YSL era maníaco-depressivo e que Berger foi um amor de uma vida inteira.Tudo o mais não me surpreendeu - mas também não creio que fosse suposto. Em termos de interpretações, a Pierre Niney, no papel de YSL, com quem se parece bastante, ou com quem se faz parecer, graças a um trabalho muitíssimo bem feito, é assinalável. O resto resume-se a uns desfilezitos (e eu esperava mais interesse por parte deste filme no que toca ao processo criativo que levou Saint Laurent a marcar o mundo da moda para todo o sempre) e muita desaustinação, que não (me) aquecem nem arrefecem, francamente.

Convenhamos: Colin Firth tem um jeito especial para dar corpo a personagens atormentadas, consumidas - mesmo o seu Marc Darcy de Bridget Jones' Diary é retraído e macambúzio, o que consistirá numa das razões que faz muita mulher (eu incluída) ter vontade de o trazer para casa e tomar conta dele e tal. Em Railway Man (2013), essa característica não só está presente como é a personagem principal do filme: Firth é Eric Lomax, um ex-tenente britânico, feito prisioneiro, na II Grande Guerra, pelo exército japonês. Esta personagem, real, trabalhou com os camaradas de armas na construção das linhas férreas, em Singapura; foi brutalmente torturado e a memória do que passou nunca o abandonou, ou aos amigos, com quem se reúne amiúde, quase quarenta anos depois, numa espécie de reuniões terapêuticas que os ajudam a lidar com o stress pós-traumático que lhes é comum. Mas a grande marca deste filme, baseado em factos documentados, acontece quando Lomax regressa ao Japão na década de oitenta (em que a trama do filme se tece) para confrontar um dos homens responsáveis pelas recordações horrendas que o perseguem e que somos convidados a visitar, em flashbacks constantes (atenção a Jeremy Irvine, o actor que faz a personagem Lomax em 1942: não é só giro que se farta, tem uma voz divina e é capaz de uma interpretação de estalo). Se é um filme de guerra? Não, é um filme sobre seres humanos, que são capazes do melhor e do pior, e sobre perdão - as cenas finais, entre Firth e Hiroyuka Sanada, são sublimes (e pensar que são baseadas em gente de carne e osso é ainda mais arrepiante). Ah sim, também há a Nicole Kidman, é verdade, têm toda a razão do mundo, que cabeça a minha. A chatice é que, com excepção das primeiras cenas em que aparece (personalidade interessante, a da personagem, à primeira vista), quase não se dá por isso e quase me ofende que o nome da senhora apareça em segundo lugar no cartaz, antes do de Irvine.

Unhas da semana #39 | Peggy Sage, GL Nails e Wynie


Esta semana, partimos de um azul-super-homem de acabamento ligeiramente metalizado que me foi enviado pela Face Colours e, a partir daí, construiu-se o leque de cores a usar durante a semana - porque a selecção é feita à partida, para os dias que se seguem.

E o #290 Blue Pop da Peggy Sage é daqueles azuis absolutamente irresistíveis, que chamam pelo Verão e são um óptimo complemento no Inverno. Só muito recentemente experimentei os vernizes desta marca, depois de ter comprado duas miniaturas na Expocosmética e fiquei francamente agradada com a qualidade deles. Este menino ficou opaco numa camada (mas eu passei duas porque sou obsessiva) e durou os quatro dias a que eu, estóica e extraordinariamente, o sujeitei, conforme dei conta em post próprio, que publiquei ontem (onde figuraram mais dois produtos da Peggy Sage: um de lábios e um outro, multi-funções).

O segundo da semana foi um dos dois únicos amarelos que constam do meu ajuntamento de vernizes: creio que não há cor que não use, mas fujo dos amarelos em geral e dos laranjas de fundo amarelado como o diabo da cruz, porque são cores que ficam pessimamente no meu tom de pele (mesmo se amorenado), dando-lhe um ar enfermo. Contudo, este #21 da GL Nails (marca que só vejo à venda na Expocosmética mas que sei ter loja online) é um amarelinho-pastel que consigo aguentar, mesmo se apenas quando tenho o tempo e a pachorra para aplicar um verniz que requer quatro camadas (bem fininhas, já se sabe) para ficar absolutamente opaco. O resultado chega a ser elegante - como o são todos os pastéis, nas unhas (usei-o apenas dois dias, creio que pela primeira vez, pelo que não posso dizer muito sobre a durabilidade, salvo que estava impecável, quando o removi).

A seguir, outra cor da GL Nails, a #21, que (ao contrário dos amarelos) há no meu ajuntamento em todas as gradações: não há azuis claros repetidos, mas há muitos azuis claros, desde os quase-turquesa (com que implico, já o disse) a estas azuis com um subtom cinza, que são os meus preferidos e de que uso e abuso na Primavera e Verão. Apesar de se aguentar bem com duas camadas médias, preferi atacar com três bem fininhas para a opacidade completa - e esta é daquelas cores que me faz deter nas minhas próprias unhas, como se não fossem minhas, e pensar "que cor mai'linda, caramba". Se tivesse de escolher uma cor de Verão seria algo entre esta cor e um roxinho bem claro (lilás), creio - ou talvez um verde-lima. E um coral avermelhado, vá.

Finalmente, um dos vernizes mais divertidos e únicos que tenho no ajuntamento: o Wynie #497 (que vejo à venda em lojas-poupança ou dos chineses) é uma espécie de verde-néon (ou, pelo menos, é o mais néon que eu consigo suportar) que não consigo encontrar em qualquer outra marca e que só uso no Verão - mas adoro quando o faço e nunca deixo de o emparelhar com uma pulseira da Bimba & Lola que a R. me ofereceu no aniversário do ano passado. Em termos de qualidade, estes vernizes, de que já tive carradas de cores, quando eram dos poucos que as faziam diversificadas são de qualidade média - tipo Essie ou Kiko, talvez. Aguentam-se dois ou três dias e depois é melhor partir para outra - o que está perfeito para mim.

Nos pés, usámos, toda a semana, o azul-super-homem da Peggy Sage, na primeira pedicura assumidamente de Verão.

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Ajuntamento #25 | Paletas de Sombras II - Guerlain, Chantecaille, TomFord, Charlotte Tilbury e Bobbi Brown

Ora vamos lá dar continuidade a isto, que enquanto não vir acabados estes posts referentes às paletas de sombras não descanso (a pessoa é assim, impaciente): a coisa começou aqui, com a primeira publicação, e tem hoje continuidade, com mais um punhado de quartetos, quintetos e sextetos, que moram cá em casa, sendo que alguns deles mereceram já o destaque de uma entrada só para eles, para que remeterei, quando for caso disso. Vamos lá embora então, para uma coisa rapidinha (ou quase)? 'Bora.

Comecemos pela Guerlain, só porque é a única marca que, neste post, tem mais do que um produto a brilhar - o que faz da marca, de certo modo, coisa importante, certo? E é. Na verdade, namorei estas paletas durante muito tempo, saldos incluídos, mas a Guerlain pratica preços tão proibitivos (injustificadamente, quanto a mim, porque em termos de qualidade equiparo-a a outras marcas de perfumaria cujos produtos são, ainda que carotes, mais acessíveis e nem por isso menos bons) que nunca me atrevi - ao menos até aos saldos do Inverno passado em que ainda estou para perceber que raio de fenómeno foi aquele, que levou a Perfumes & Companhia a colocar uma série de produtos da linha permanente da marca com 60% de desconto. 60%, caramba - e agora é vê-los outra vez nos escaparates, com os valores do costume (a não ser que, com os saldos de Verão, recentemente iniciados, tenha voltado a loucura - e será das poucas coisas que me fará gastar dinheiro nas perfumarias nacionais). Vai daí, foi com desfaçatez que trouxe duas paletas, uma das quais esta Écrin 6 Couleurs na cor #2 Plâce Vendôme - na verdade, esta e uma outra eram as únicas que estavam com os 60% (baixou de cerca de 75€ para 30€) e eu aproveitei para me desafiar e trazer algo que não seria a minha primeira escolha, e não poderia ter feito melhor. Temos aqui uma conjugação de toupeiras, cinzas e azuis que tem um resultado absolutamente divinal: há um branco-marfim acetinado, um toupeira claro com o mesmo acabamento, um toupeira mais para o dourado de acabamento mais metalizado, um cinza rato mate, um azul royal também mate e, à direita, um azul marinho mate. Não são as sombras mais amanteigadas do mundo, sobretudo as mate, mas funcionam muito bem no olho, esbatem-se bem e são um luxozinho que só apetece ficar a olhar para elas. (Para mais pormenores, espreitem aqui, faixabôres - e percam um momento com esta embalagem, que merece inclusivamente uns segundos de silêncio respeitoso.)

Já a segunda paleta veio, no mesmo dia, porque estava com 60% de desconto, com certeza, mas sobretudo porque tem umas das conjugações de cores mais bonitas que moram nesta casa - e esta era daquelas que eu agarraria, mesmo nos originais 52,50€ (ok, talvez com os 20% costumeiros), sendo que custou 21€ (adoro isto!). A Écrin 4 Couleurs na cor #06 Les Fumes é um quarteto absolutamente perfeito, que contém tudo quanto deve para um look irrepreensivelmente elegante, com a intensidade que lhe queiramos dar. À esquerda, temos um toupeira acastanhado quase mate (tem uns brilhinhos praticamente imperceptíveis); em cima um malva cruzado de cinzento (que cor linda, caramba!) que foi a cor que me apaixonou de imediato e a textura corresponde ao encantamento, porque é mate mas muito macia; em baixo, há um toupeira azincentado, um bocadinho mais escuro que a primeira cor que, porque tem uma textura mais seca, é óptimo para usar como eyeliner ou mesmo para escurecer uma maquilhagem mais tcharam; finalmente, à direita, aquela que é, em definitivo, a cor mais deslumbrante do quarteto: um toupeira metalizado que só visto, porque assim no braço (e com a qualidade fotográfica que me é reconhecida) nem dá para perceber o requinte. A-do-ro esta paleta assim de paixão e não teria dúvidas em colocá-la no meu top 3 de paletas mais pequenas. (Para mais pormenores, o post é o mesmo indicado acima: este). Ah, em termos de aplicadores absolutamente inúteis e desnecessários, o quarteto traz o malfadado clássico de esponjinha, enquanto que o sexteto traz um mais armado aos cágados, tipo pincel, mas igualmente mau. (No dia em que as marcas de luxo se deixarem destas pirosadas ou, em alternativa, colocarem algo que mereça não ir directamente para o caixote do lixo, nas paletas de sombras, a pessoa só não lançará foguetes porque odeia pirotecnia.)

Mais um negóciozaço dos meus, a The Wild Horses Palette da Chantecaille (e a Guerlain é uma menina ao pé da Chantecaille, em termos de preços) veio morar comigo por metade do valor, nos saldos da Space NK do Inverno passado (para quem anda a dormir não sabe, a Space NK faz sempre uns saldos de ir às lágrimas, e eu lá me espraio, como de costume): em vez das £74 (89€) iniciais, veio por £37 (45€) - o que é caro, é sim senhores, mas eu nunca disse que tinha especial predilecção por coisas baratas, disse? (E, no entanto, adoro poder comprar uma coisa cara por metade do preço.) Esta paleta já apareceu no post do ajuntamento em que falei dos meus blushes em pó, porque a cor no canto superior esquerdo é para ser utilizada como tal, embora eu, para além desse uso, goste de usar só um nadinha no côncavo, para dar vida ao castanho, por exemplo. Temos então um rosa algo coral (daqueles universais que, como blush, fica bem a quem quer que seja), um champanhe, um dourado e um preto - nada de especial e, no entanto, tudo de bom, com a qualidade do costume: todas as estações (Primavera e Outono) a Chantecaille lança uma paleta destas e só tenho pena que a das abelhas (a mais recente) não tenha ido parar aos saldos da minha loja preferida. As sombras estão presas à paleta magneticamente e podem ser recarregadas.

Ahhhh, as paletas de sombras do Tom Ford, minhanossassinhora, que se eu pudesse não me escapava uma - mas infelizmente são meninas para se atirar para as £63 (75€) e jamais entram em qualquer rebaixa, as malditas, que só existem para me tentar (pobretanas, mas sempre o centro do mundo, eu) - e tentariam bem mais se se vendessem por cá. Suspirei por esta Eye Colour Quad na cor #04 Crushed Amethyst meses a fio, testei-a no Selfridges e no Harrod's, voltei a suspirar, não sabia se havia de ou nem por isso - e uma amiga acabou por ma dar, provavelmente cansada de me ouvir. Na verdade, o meu desejo pelas paletas da senhora que se segue nascem directamente daqui; Charlotte Tilbury desenvolveu a linha de maquilhagem do Tom Ford e só por isso eu sabia que teríamos coisa muito boa, mesmo sem lhes pôr a mão em cima. Optei por esta combinação de tons, que são os que mais gosto de ver nos meus olhos e de que abuso, sobretudo na estação mais fria (ou seja, uns 8 meses por ano, a atirar por baixo) - e devo dizer que estas sombras são tudo o que se diz delas; pigmentadas, com óptima combinação de acabamentos e fantásticas de trabalhar. Cada cor tem 2,5g (o que é bem generoso) e, neste caso, temos um branco-marfim mais frosted (como é que isto se traduz, para falar de sombras?) do que acetinado, um malva quase metalizado, um beringela arroxeado acetinado e um beringela escuro mate. A embalagem é a habitual da marca: quase minimalista, menos requintada do que eu esperaria e com os pindéricos dos aplicadores, a que só o TF consegue dar alguma beleza (e, ainda assim, absolutamente excedentários). De todo o modo, esta paleta é um dos meus xodózinhos, talvez porque é uma das que desejei mais tempo, antes de a ter. (Para os interessados, temos acesso à maquilhagem Tom Ford, para além dos batons e vernizes que se vendem no ECI de Lisboa, no Selfridges, que envia para cá, com portes de £10).

Depois, uma paleta comprada muito recentemente e já muito adorada: a Luxury Palette Colour-Coded Eyeshadows da Chalotte Tilbury, na cor The Sophisticate, foi a que me saltou imediatamente à vista, mal a maquilhadora-das-estrelas lançou a sua linha em nome próprio (depois de anos a trabalhar para outras marcas, como a Tom Ford), precisamente porque é mesmo a mais sofisticada (o nome não engana): constituída exclusivamente por tons mate (e é a única), as cores desta paleta emparelham lindamente com qualquer tom de batom ou de blush que queiramos usar - e quando se trata de escolher um só produto de determinada marca, opto sempre por algo que sei que vou usar muito. Porque estamos na época do ano em que eu uso maquilhagem em média umas duas vezes por semana, no máximo (para a semana, usarei todos os dias, mas é uma excepção que contrabalança outras em que nem na máscara de pestanas pego), ainda só a usei duas vezes, mas não há engano aqui: as sombras são amanteigadas e pigmentadas, conjugam-se bestialmente entre si e é o quarteto de neutros ideal para levar para qualquer lado (uma espécie de Naked Basics em versão elegante). A embalagem é similar à dos restantes produtos da marca e o dourado dá-lhe o requinte que Ms. Tilbury sabe que agradará à sua clientela-alvo; as sombras têm 1,3g cada uma (o mesmo que as Urban Decay, por exemplo) e aqui reinou o bom senso e dispensaram-se os aplicadores manhosos, tornando a própria embalagem mais pequena e mimosa. Em termos de cores, temos um bege frio (a cor de base), um castanho médio a cair para o quente, um castanho mais escuro algo avermelhado (mas poucochinho) e um cinza escuro com qualquer coisa de castanho. Um luxo de combinação, de textura (há poucas sombras mate tão amanteigadas e fáceis de esbater), de acabamento, de tudo. Estas meninas custam £38 e compram-se na loja online da Charlotte Tilbury, no Selfridges ou na Net-à-Porter (com portes altíssimos, mas enfim, que seja tudo por amor à estética).


Finalmente, uma paleta de edição limitada, que me foi oferecida em tempos (quando eu ainda não lhe ligava grande coisa e a usava unicamente nas festas - mas foi uma das que me começou a despertar para este mundo das coisas bonitas): uma edição limitada da Bobbi Brown em colaboração com a Tibi (responsável pela embalagem magnífica), a Peony & Python Palette, um conjunto de seis sombras com 1,15g cada (muito bom, uma vez mais). Confesso que a primeira coisa que me encantou nesta paleta foi mesmo a embalagem: um estojinho que abre com um fecho robusto, com uma medalha que tem as duas marcas inscritas, uma de cada lado. Mas lá dentro também há magia: a Peony & Python foi lançada na Primavera de 2011 e os seus tons frios foram-me conquistando gradualmente (engraçado como, hoje em dia, apaixono-me muito mais depressa por tons frios, ainda que me afaste um bocadinho dos cinzas prateados - eu cresci nos anos 80, não esquecer). Aqui, temos uma mescla de prateados e lilases: na primeira fila, Opal, a primeira sombra à esquerda, é um bege acinzentado metalizado; Lavender, a segunda da fila de cima, é um lilás prateado metalizado e Cool Ivory é um cinza com muito beje mate; na segunda fila, temos um cinzento médio azulado, chamado Cobra; depois, um roxo escuro mate lindo de viver, o Plum Orchid, que é um nadinha seco mas muito pigmentado; finalmente, o preto mate da ordem, Eclipse, também ele para o sequinho. Esqueço-me muito desta paleta (no final desta série sobre as sombras que habita, no ajuntamento, perceberão exactamente porquê) mas quando a uso é sempre um deleite - a ver se o faço mais (adoro-a sobretudo na Primavera - a Bobbi sabe fazer coisas!).

E por hoje é isto, temos a segunda parte do ajuntamento de paletas de sombras encerrada, Cenas dos próximos capítulos? Está bem: teremos a Nars, a Sephora, a Bare Minerals e a Soap & Glory - muito em breve, no seu blogue do costume (este!). Então até lá, sim?