segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Eve Lom | Os bálsamos de que gosto nadinha

Sabem aquelas coisas que nunca comprámos mas que testámos tanto que é como se o tivéssemos feito? Ora pronto: não sei porquê, mas tanto a Space.NK como a Cult Beauty insistem em oferecer amostras de luxo, nos seus costumeiros goody bags, e sachets quando por lá encomendo isto ou aquilo, pelo que já, ao longo dos tempos, já despachei uns 30ml do Morning Time Cleanser e 60ml do Cleanser da Eve Lom, sendo que deste tenho para ali mais dois potes de 30ml cada, o que significa que os "testes" continuam (agora já em versão conheço-te-tão-bem-que-até-já-escrevo-a-teu-respeito). E avanço já que estamos perante uma marca em que, pese embora a sua reconhecida qualidade, dificilmente gastarei um cêntimo - não só porque acho que as lojas de que sou cliente assídua me fornecerão de graça para todo o sempre, mas sobretudo porque há algo neles que me desagrada profundamente: o cheiro. É evidente que não seria pelo cheiro que me afastaria de um produto que faz de facto a diferença - mas é também pelo cheiro que me afasto dele se há tantos outros a fazerem o mesmo trabalho, com formulações que me agradam sobejamente mais e, concomitantemente, com um aroma muito mais simpático (ou, no extremo, sem aroma, que é coisa de que gosto mais ainda).

Comecemos pelo Morning Time Cleanser, de cuja existência me apercebi unicamente quando se tratou de receber as primeiras amostras e que é apresentado como uma versão mais leve do seu camarada original (o que não é difícil, já que o outro parece manteiga no frigorífico, no Inverno), igualmente formulado sem parabenos ou sulfatos, enriquecido com enzimas de fruta e indicado para usar exactamente como o outro: massajado sobre pele seca, posteriormente emulsionado com água e finalmente retirado com um paninho de musselina ou uma toalha turca. Confesso que, dos dois, este é o que me agrada mais, não só porque é mais leve mas sobretudo porque tem a consistência de um creme gordo (um bálsamo, portanto) e consegue trabalhar-se com facilidade. De todo o modo, nem eu, que tenho a pele seca, preciso de algo tão pesado para usar logo de manhã: se trato de remover tudo quanto é porcaria da pele à noite, quando me levanto não preciso de um peso tão pesado assim; e quem tem pele mista ou oleosa, daquelas que mesmo durante a noite produzem óleos à bruta, não vai com certeza querer brindar o rosto com algo carregadinho de óleos e certamente preferirá um gel ou, quando muito, um leite de limpeza (que os há específicos para cada necessidade).Ah, o cheiro a orégãos é quase tão intenso como o do irmão mais velho - e é bera, muito bera para um produto de rosto.

Estão a ver aquelas pessoas que são nada incomodadas com cheiros? Pronto, eu sou uma delas, apesar de ter faro (e ouvido) canino. Quero com isto dizer que sinto todo e qualquer cheiro, bom e mau, mas isso não me causa reacções repentinas: espero que passe, se a coisa for suportável ou se o fim justificar o meio; afasto-me se de facto não auferir qualquer benefício. Ora na verdade o Cleanser da Eve Lom tem um cheiro muito mau para um produto de pele, uma espécie de mescla de orégãos (de novo) com um toque de eucalipto rançoso - e ninguém tem de suportar semelhante a menos que tívéssemos aqui coisa de resultados incomparáveis, Ora a verdade é que não temos, apesar de a marca o dizer qualquer coisa de espectacular, que limpa e tonifica e esfolia (e só não tira finos porque não tem polegares), graças a uma "mistura de camomila egípcia, lúpulo, dente de alho [estão a ver o que quero dizer?] e óleo de eucalipto, juntamente com manteiga de cacau". Parece maravilhoso, certo? Segundo a Beautypedia, nem por isso - e eu reitero-lhe a opinião: já usei bálsamos que não precisam de óleo mineral (num produto desta gama de preços?? A sério, Eve Lom?) nem de pedaços de caroço de alperce (demasiado abrasivos para a minha pele sensível) para limparem o meu rosto de toda a maquilhagem e removerem células mortas (nem de óleos essenciais que são potencialmente irritantes, apesar de não me causarem qualquer reacção). Mais: quem é que precisa desta coisa inexplicavelmente rija (como uma cera, tal e qual) que, quando trabalhada entre as nãos se transforma numa manteiga (ou uma vaselina, é mais isso), quando tem óleos de limpeza de formulação óptima (veja-se os coreanos, que nem sequer são caros, ou o meu amado Nude, que vale cada penny) que não dão as maçadas que este dá ( e podem ser usados nos olhos, algo a que jamais me atreveria com este, por causa das partículas esfoliantes) e, quanto a mim, têm uma acção bem mais eficaz e rápida (porque mais do que remober a maquilhagem, dá trabalho remover o removedor...)? Mais, há aqui uma catrefada de óleos e coisas tais que uma pele com tendência à obstrução de poros rapidamente terá a cara cheia de borbulhas e afins: uma pele muito seca apreciará tanta gordura, com certeza - mas até nisto das gorduras as há boas e más - e por que havemos de escolher o bera, ainda por cima caro? (Faz-me lembrar os meus avós, que sempre acharam que o sabão azul e branco é o melhor que há para lavar a pele: aquilo de facto lava, com certeza que sim, mas dificilmente se verá alguém da minha idade advogar a sua supremacia sobre um gel de banho nutritivo ou coisa que o valha.)

É por isto, querida Eve Lom, que não me convertes, mandem as lojas as amostras que quiserem mandar - e que eu uso (e até dou a amigas, como já fiz), com certeza, mesmo porque numa viagem dão sempre jeito, pelo tamanho diminuto das amostras. Mas não comprarei, jamais.
O Morning Time Cleanser custa £40/51€ por 120ml  e o Cleanser custa £40/51€ (por 50ml), £55/70€ (por 100ml) ou £85/110€ (por 200ml) - e juro-vos que mais depressa comprava uma garrafa de azeite do bom para usar na minha pele do que esta mescla, que tem fama absolutamente imerecida.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Filmes #66 | Clouds of Sils Maria / Turks & Caicos

Clouds Of Sils Maria (2014), que não faço ideia se já passou por Portugal ou se nem por isso mas que, definitivamente, estreou em Cannes, este ano, é um filme que se passa, todo ele, em torno de uma peça de teatro: Maria (Juliette Binoche), uma actriz francesa de renome que já conquistou o seu papel em Hollywood (como a mulher que a encarna, de resto) que se prepara para ir receber um prémio em nome do dramaturgo que lhe deu fama, aos dezoito anos, é convidada para desempenhar um papel na mesma peça, que Klaus pretende encenar - em vez da jovem Sigrid, será agora, aos quarenta e picos, Helena, a co-protagonista que se apaixona pela assistente mais nova, que a manipula a seu bel-prazer e a leva à ruína sentimental e profissional (ou seja, passará de dominante a presa, aos olhos do público). Mas. na verdade, e embora seja a seu propósito que tudo se passa, este é um filme de relações, sobretudo entre mulheres. Desde a primeira cena, verifica-se Val (Kristen Stewart, tão credível que não só não parece ela como nunca me irritou - apesar daquele cabelo omnipresente que não lembrava ao diabo, porque creio que a mocinha o terá cortado) é, mais do que uma assistente particular, uma espécie de faz-tudo: conhece-lhe a vida, discute com o advogado os trâmites do divórcio de Maria, é terapeuta, mãezinha e até ensaia com ela as falas para a peça, convencendo-a de que ser Helena não será assim tão mau. De resto, a dada altura, a tensão na voz das personagens que interpretam é a sua própria tensão e a relação doente na peça parece extravasar o guião e retratar o que se passa ali, entre aquelas duas mulheres, isoladas num chalet suíço. De resto, e sem querer alongar-me muito sobre o conteúdo do filme, sob pena de estragar o barato a quem o vai ver, devo admitir que nem por um segundo sequer Kristen Stewart perde na batalha que poderia ser o facto de ter de estar lado a lado com um monstro como Binoche - e essa circunstância, a par com o gostinho de ver um filme de excelência, onde a mente humana é actriz principal, foi a maior estalada que este filme me deu.

Turcs & Caicos (2014) foi um filme que vi há já duas semanas e, vá-se lá saber porquê, deixei para aqui, em banho-Maria, à espera que me apetecesse escrever umas linhas sobre ele. Rectifico: eu sei porquê, a verdade é que o interrompi carradas de vezes porque estava sempre a lembrar-me de mil e uma coisas que tinha para fazer entretanto (ver filmes no nosso principal instrumento de trabalho, que é o computador, é quase pernicioso), o que também dirá qualquer coisa sobre o interesse que o filme me despertou - ou falta dele. Trata-se de um telefilme britânico, que passou na em Março deste ano, que deu continuidade a um outro, de 2011, Page Eight,e que terá continuidade com uma outra obra, Salting The Battlefield (entretanto já estreado). Confesso que o que me atraiu para ele foram os actores principais, nomeadamente Bill Nighy (e estamos em época de de relembrar uma das melhores canções de Natal de todos os tempos, interpretada pela personagem a que deu corpo, em Love Actually) e o (quase) sempre genial Christopher Walken, ao que se juntou uma curiosidadezinha quase mórbida em rever Winona Rider, actriz de que que sempre gostei e que tem estado afastada por motivos certamente alheios às suas qualidades enquanto intérprete. Helena Bonham-Carter é sempre competente, pelo que é um prazer tê-la em qualquer elenco. O que aqui temos é um filme de espionagem (genre que não é propriamente a minha praia, mas ainda assim): numa ilha tropical caribenha, temos agentes secretos britânicos e norte-americanos, que não percebemos exactamente se continuam operacionais, camuflados de outra coisa qualquer, O mais delicioso do filme são os diálogos, as negociações, os trocadilhos e, sobretudo, aquela sensação de não se saber quem diabo fala verdade ou está do lado do bem (que é coisa que nos desconforta, adoramos distinguir os bons dos maus, como se isso fosse sequer possível), Vê-se muito bem, embora não seja um filme-de-vida, para mim.

Cabelos | A minha paixão pela Macadamia

Começo já por adiantar que o facto de esta marca em geral e estes dois produtos em particular serem protagonistas, hoje, aqui na chafarica, nada tem que ver com o surto de amor que a Macadamia suscitou, recentemente, na blogosfera lusa. Eu explico a diferença: eu pago pelo que compro e compro porque investiguei antes e as características disto ou daquilo levaram-me a chegar à conclusão de que os produtos a, b ou c provavelmente tornarão a minha vida mais completa, sendo que só concluo sobre a sua eficácia depois de os usar - e jamais quatro dias depois de os receber (a não ser que seja coisa que o proporcione, como uma sombra poeirenta ou uma máscara de pestanas que faz milagres - e, mesmo assim, continuo os testes antes de escrever com propriedade sobre eles). Receber uma catrefada de produtos em casa e escrever sobre eles a dizer maravilhas, sejam as coisas adequadas ou não às minhas necessidades, olvidando o "piqueno pormenor" de não se ter pagado um chavo por eles é enganador para os tontos e motivo de vergonha alheia para quem não nasceu ontem.
Serve o intróito unicamente para me distanciar desse manacial de publicações que invadiram os blogues de beleza nos últimos meses e para relembrar que paguei cada mililitro dos meninos de que hoje vos falo - como, de resto, dei conta quando os comprei, na Expocosmética deste ano.

(Antes que me chacinem, nada tenho contra quem tem como política o patrocínio das marcas, é uma opção de vida como outra qualquer e, na minha profissão, eu não trabalho [muito] de borla. A diferença é que ninguém com quem trabalho acha que o faço pro bono ou que pago para trabalhar, pelo que só aconselharia aquela transparência janota que fica bem a qualquer ser humano que saiba abrir um dicionário na página onde consta a entrada "ética", mesmo para bem da credibilidade de quem escreve. Se isto ainda não convence, imagine-se que um dia chega a Portugal uma agência a sério, que gosta é de quem diz o que pensa de forma fundamenteda... era capaz de dar jeito a honestidade, digo eu. E deixem lá o argumento do tu-tens-é-inveja: eu fui a tal que, antes de aceitar a única parceria que tenho, com a Face Colours, perguntei à responsável pela loja com que outros blogues trabalhava, sendo que só aceitei porque ela me garantiu que com nenhum - e seria a primeira a saltar fora se a parceria se estendesse às meninas que adooooooram tudo o que recebem, justificando a adoração com o fortíssimo argumento de que o que recebem é adoráááável - petição de princípio ou argumentação circular, babies, é o que se chama a esse tipo de raciocínio. E não, não têm de agradecer, esta foi mesmo pro bono - lá está.]

Os dois produtos que me têm encantado de Maio para cá são a Deep Repair Masque (à esquerda) e o Healing Oil Treatment (à direita), da Macadamia, marca que comecei por conhecer nos blogues internacionais e depois soube ter cá chegado. Porque tudo o que ouvia e lia era abonatório, mesmo vindo de amigas que já haviam tido a oportunidade de testar a marca, não hesitei quando a vi à disposição no stand da SKPro, na Expocosmética: os tipos são os representantes da marca em Portugal (e, segundo parece, os actuais benfeitores das melenas de meia blogosfera) e apresentavam ali preços bem mais simpáticos do que os que praticam normalmente (ainda por cima, só os conseguem ver se se registarem na página, o que é tão bacoco que nem tenho palavras), pelo que não havia dúvidas na compra (nem mesmo quando, abafada num calor infernal, estive mais de meia hora na fila porque aquela malta não está, nitidamente, habituada a trabalhar sob pressão).
Depois de muitos meses a usar quer um, quer outro (o óleo entrou imediatamente ao serviço, a máscara pouco tempo depois - e estão ambos já bem mais no fim do que quando tirei estas fotografias), embora os vá intervalando com outras coisas, porque sofro desta enorme intolerância à monotonia, é-me possível afirmar que, até encontrar coisa melhor, e a par com outras coisas de que gosto também, dificilmente deixarei de usar esta linha reparadora, sobretudo quando voltar a ter o cabelo comprido (como tinha quando comecei a usá-la).
Antes de mais, eu não vou em cantigas: tenho cabelo vai para 40 anos (sim, já tenho 41 e quase meio, mas fui careca muito tempo e depois tão loira que parecia careca na mesma) e não há quem me convença com promessas de transformar cabelos estripados numa trunfa saudável e bonita: o cabelo está morto, gente, e ainda há-de vir quem me prove a possibilidade da ressurreição (também) capilar. Assim, não se trata de selar pontas duplas ou de fazer milagres: as pontas continuarão espigadas e só desaparecerão com uma tesourada (sem medos, juro que a coisa cresce de novo e não, a personalidade não reside no cabelo) e milagres só os que o ser humano logra alcançar. Mas é possível devolver a elasticidade a um cabelo fragilizado, que parte com uma passagem de escova ou nutrir e hidratar fios que parecem palha de aço (e já nem esticam nem encaracolam senão com muito produto de styling - e é o mesmo que usar maquilhagem em pele tenebrosa: disfarça mas, uma vez removida, a desgraça está lá, a olhar-nos no espelho) - e se o fizermos, teremos brilho na cabeleira, que também ficará macia e sedosa.
Eu, francamente, não acredito em produtos de supermercado nestas situações extremas. Não que não os haja bons, atenção, mas para cabelos normais (como o meu, por exemplo: lavo-o de dois em dois mas ele aguenta três dias sem lavar e depois começa a ficar peganhento na raiz). Cabelos muito carentes de coisas que os tornem mais saudáveis precisam de bons produtos e esses pagam-se, sendo que costumo apontar a Kérastase (que uso há quase 30 anos) como a minha marca de eleição em caso de crise, mas outras há, com produtos bons - sendo que a Macadamia é uma delas, capaz de me surpreender muitíssimo, pela positiva.
A máscara é de uma eficácia bestial e basta dois minutos num cabelo normal para que se notem os seus efeitos (de todo o modo, quando tinha o cabelo comprido, volta e meia deixava-a a ficar meia horita, para um cuidado mais profundo), que duram até à lavagem seguinte: brilho, maciez, elasticidade e tudo a que uma trunfa tem direito. Já o óleo, que vem com um doseador que nunca funcionou (o que o torna muito chato de usar), é o meu produto para pontas de eleição, e desde que uso óleos nunca mais tive sequer ameaças de pontas duplas (também porque sempre as cortei regularmente e não uso secadores, pranchas de alisamento ou ferros de encaracolar): é coisa forte e deve ser usada com moderação, sendo que nem sequer o aconselho a cabelos finos, com tendência a oleosos e/ou "moles", sem textura. Para cabelos normais a secos e cabelos encaracolados ou com tendência para o belo do frisado, é do melhorio - tal qual como a máscara, de resto.

Gostei tanto do que usei que  aproveitei uma promoção que houve na passada sexta-feira, na Lookfantastic (uma das lojas online que vende a marca): havia 20% de desconto, a que se acrescentavam mais 12% com um código divulgado na altura e, em cima disto, ainda estavam como uma promoção de 3 for 2, pelo que comprei nova máscara de 250ml, o óleo na versão light e em spray, para ser usado como um leave-in (vou precisar, justamente porque estou a deixar o cabelo crescer outra vez) e um creme activador de caracóis, tudo por cerca de 43€ (muito bom, asseguro).
Mas não se atrapalhem, as lojas do Hut Group estão permanentemente com promoções similares, nomeadamente em produtos de cabelos, pelo que o melhor que têm a fazer é registarem-se e aguardarem serenamente as mensagens com as promoções na vossa caixa do correio electrónico.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Unhas #52 | Dior

Em mais duas semanas temáticas (organizo-me melhor por marcas, que hei-de fazer?), durante as quais tive oportunidade de mostrar todos os vernizes de gama alta e média que moram comigo (prometo que o de gama baixa há-de sair, mais semana, menos semana), estas foram as cores da Dior (marca obviamente incluída no dito post) que me embelezaram as pontas dos dedos nos últimos quinze dias. Já aqui disse bastas vezes o quanto adoro os vernizes da marca e o pincel e o frasco e tudo e tudo, pelo que nem sequer me vou repetir: é um belíssimo investimento para quem pretende iniciar-se nesta coisa das cores de unhas mais carotas, isso é certo.

Comecei pelo #671 Violet Graphique, um framboesa escuro muitíssimo elegante e quase tão clássico como um vermelho, que tendo a ver como uma cor de Inverno e que, confesso, raramente é uma primeira opção (eu e os rosas não somos chegados). Mas acho-lhe muita graça, a posteriori.

Este é daqueles vernizes que marcam a pessoa, caramba: quando os Diorific saíram, a propósito do Natal de  há dois anos, este #901 Diva, um preto com brilhos dourados, bronze e fúcsia muitíssimo discretos (apesar de tudo, a fotografia não lhes faz justiça) ficou-me imediatamente na retina e não descansei enquanto não diz dele meu. É mais um que tendo a usar só (ou quase exclusivamente) no Inverno, mas gosto muito, muito dele.

E depois tivemos "o" vermelho: o #999 Rouge é daquelas cores que assenta bem a gregos e a troianos, porque é uma cor neutra, um true red, sem subtons mais frios ou quentes. É aquela cor em que é seguro pegar quando não sabemos o que escolher (e tem batom igual, coisa mai'linda).

O que eu adoro este #602 Lime não tem mesura: a cor é tão inesperada como bonita e usável em qualquer época do ano (e só distingo as épocas pelo melhor ou pior que as cores me assentam, já que a minha pele fica alguns tons mais escura, não é por qualquer discriminação sazonal, sim?).


O #908 Tuxedo é outra das cores do meu coração, sendo que já me acompanha há uns anos (creio que fez parte da Colecção de Outono de 2010 ou 2011): é um azul marinho sofisticado com um acabamento ligeiramente metalizado, que fica especialmente bem em mãos bem branquinhas e que, às vezes, gosto de apor um glitter da Essence em tons de azul e verde - o que o faz perder a classe mas dá-lhe uma certa graça.

Finalmente, o #382 Destin, mais uma cor de edição limitada que saiu com o look de Outono do Inverno passado e que só me convenceu depois de o passar nas unhas, já que no frasco dava pouco por ele - vai-se a ver e trata-se de uma cor muito especial, uma espécie de um toupeira rosado  entre o perolado e o metalizado que, porque é super pigmentado, assenta que é uma maravilha e faz um brilharete na minha cor acinzentada.

Volto daqui a quinze dias (já num novo ano, c'um escafandro) com mais um punhado de meninos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Filmes #65 | Still Alice / Before I Go To Sleep


Still Alice (2014) estreará em Portugal em Janeiro próximo e é filme que pretendia ver desde que li as primeiras coisas sobre ele - apesar de ser co-protagonizado pela enjoada da Stewart, a quem, desculpem-me os admiradores, não reconheço o que quer que seja: nem pinta nem capacidades representativas; de resto, tirando uma ou outra excepção (nomeadamente o seu desempenho em The Runaways, mas isso é só porque a Joan Jett era tão cool que nem a boa da Kristen conseguia falhar esta) ela faz sempre dela mesma. Mas enfim, já estou a dar demasiado tempo de antena à cachopa (só porque há fenómenos que nunca chego a perceber), quando a actriz principal é outra e bem do meu agrado: de resto, e contrariamente à mocinha que faz de sua filha, Julianne Moore tem tudo. E tem tanto tudo que, na pele de Alice, professora universitária acabada de fazer 50 anos, no auge da sua carreira e com uma família coesa, a quem é diagnosticado Alzheimer precoce, mexeu estupidamente comigo. Não sei se alguma vez disse isso por aqui mas, apesar de o cancro ser uma espada que balança em cima da minha cabeça (há-o dos dois lados da família), aquilo que mais temo na vida é perder as capacidades cognitivas - ora ao acompanhar a degeneração de uma mulher que vive, também ela, do que o cérebro produz, é inevitável reconhecer sintomas que não têm de indicar Alzheimer mas são os mesmos. Muita gente passa por isso em momentos de extremo cansaço intelectual: ser incapaz de acabar uma frase (sobretudo em tempos de ócio, como se o cérebro decidisse tirar umas férias também), perder vocabulário, esquecer-me do que ia dizer. É normal, dizem-me. E eu concordo. Mas pode não ser - este filme é sobre isso mesmo e não me lembro de ver uma coisa tão trágica, que me tocasse tanto (se calhar, não me lembro justamente porque estou a chegar ao fim de mais uma etapa em que me sinto toda queimada, é recorrente). Não consigo imaginar aquela sensação de perda galopante, "das memórias, sobretudo" (como Alice diz, numa palestra que dá), a incapacidade de reconhecer espaços, rostos, caminhos. E, sobretudo, a perda de si mesma. De mim mesma, sei lá, não consegui evitar colocar-me ali. Um filme trágico, todo ele - e absolutamente imperdível.

Before I Go To Sleep (2014) tem estreia prevista em Portugal para meados de Fevereiro de 2015 e está categorizado como um thriller, como o próprio poster anuncia, desde logo. E eu adoro um bom filme de suspense, pelo que, quando vi que era co-protagonizado pelo my beloved Colin Firth, nem hesitei (a Nicole Kidman enerva-me ligeiramente, mas é só deixar-me embalar, porque a tipa nem sequer é má actriz só me mexe com o sistema). A estória também prometia: Kidman é Christine, uma mulher de quarenta anos que sofre de amnésia traumática (e não consigo deixar de remeter para o Memento, de Nolan, de que ainda outro dia falei, a propósito de Interstellar) e que todos os dias acorda ao lado de um homem que não conhece, não se reconhecendo também, uma vez que as suas memórias pararam nos vinte e tal anos, quando sofreu um "acidente" - como lhe conta o marido (Firth), repetidamente, dia após dia. Na casa de banho, também há uma série de fotografias que lhe lembram quem é o marido e como foi o seu casamento e tal. Depois, quando Ben, o marido, sai para dar aulas, o telefone toca, invariavelmente: é sempre um homem, psiquiatra e investigador londrino que está a ajudar Chris na recuperação das memórias, para o que lhe oferece uma pequena câmara onde ela vai fazendo um registo diário de memórias para que, a cada dia, seja menos penoso retomá-las (de resto, ele liga-lhe para lhe dizer onde está a máquina). O problema é que o prometido suspense é algo pobrezinho e qualquer olho batido nisto do cinema detecta ali uma falta de sustentabilidade que se arrasta por todo o filme (a que não aludirei, sob pena de estragar ainda mais o barato a quem pretende avaliar a coisa por si mesmo) e que acaba por arruinar qualquer surpresa, na medida em que é quase estranhamente fácil adivinhar o que aí vem. Se aconselho? Sempre, porque aquilo de que não gosto pode agradar a outrem (olhem o Interstellar) e o filme valeu pelo menos o suficiente para me despertar o interesse em vê-lo. E entreteve-me numa noite de insónia, bendito seja - mas não mais do que isso, tenho de confessar.

Filorga | Protecção Solar Diária

Eis que passamos a um post que foi pedido para uma leitora mas que (não lhe menti nem um bocadinho quando lhe respondi) já está previsto há tanto tempo, na lista de entradas em rascunho, que o cenário é estival e as fotografias foram ainda tiradas com o meu anterior telefone (como concluirão facilmente a partir da sua ainda pior qualidade); ora se tivermos em consideração que já tenho este telefone desde meados de Julho (há cinco meses, portanto) percebemos que eu estava definitivamente a precisar de uma motivaçãozinha para me referir ao protector solar que uso quase diariamente, em cidade: o UV Defense Anti-Aging and Anti-Brown Spot Sun Care SPF50+ UVA/UVB, da Filorga.
Comecemos por um esclarecimento: falar de protectores solares é, para mim, tão entusiasmante como escrever sobre pastas de dentes ou tampões, no sentido em que é evidente que tenho de os usar e que quanto melhores forem, mais satisfeita fico, mas se existisse um mundo ideal em que não fosse preciso usar pasta de dentes ou tampões, sem perder qualquer das faculdades a que o seu uso está inexoravelmente ligado, tanto melhor seria.
Do mesmo modo, o protector: adoro sol, sinto-me feliz ao sol, nunca tenho demasiado calor, a minha pele fica muito melhor (da reactividade) quando apanho sol e, pior ainda, adoraria ser todo o ano da cor com que fico no Verão, pelo que para mim é algo contra-natura proteger-me de algo que me faz tão bem - e tão mal, bem sei, pelo que nem me passa pela cabeça expor-me ao sol sem protecção (e da alta, nunca menos do que 30 - e esta só do meio para o final do Verão, quando já estou morena). Na verdade, sou um fotótipo estranhíssimo (vejam aqui): a minha pele comporta-se como um IV mas no Inverno pareço um II: fico mesmo branca-acinzentada no Inverno (o meu subtom é neutro, não sou rosada) e, no Verão, se for à praia umas vezes, escureço um punhado de tons e fico com um ar dourado, e isto com protecção alta, o que só prova que não adianta deixar de usar SPF para ficar mais morena ou morena mais depressa - isso são argumentos tontos, de quem não sabe do que fala.
Tudo isto para dizer que usar protector solar não é algo que faça com agrado, como acontece com a maquilhagem e, mais ainda, com os cuidados de rosto, sobretudo porque não vejo quaisquer dos seus efeitos - sendo que o objectivo é exactamente esse: que a pele se mantenha igual, sem os malefícios que adviriam, a médio e longo prazo, da sua não utilização. De resto, atribuo também a esse cuidado o bom ar (perdoem-me a imodéstia) da minha pele aos 41, apesar das dermatites e outras maçadas, pelo que para mim e imprescindível ter um protector solar que, não sendo propriamente uma delícia de aplicar, também não seja um pesadelo, isto é: que faça o que tem a fazer sem que eu lhe note a presença - é só o que lhe peço.

Na verdade, nunca fui particularmente esquisita com protectores, mesmo quando tinha a pele mista: nunca senti que me deixassem a cara branca ou oleosa, também não sou menina de selfies ou de ter papparazi atrás, pelo que o efeito dos flashes não me atinge, e não gosto de pele matificada - assim, a minha única reivindicação é que os protectores não esfarelem (e, caramba, essa é sempre a minha maior dificuldade), se forem para ser usados no dia a dia e por baixo de maquilhagem, porque na praia estou-me nas tintas. E isto vai parecer de uma insensibilidade e ingratidão imensas, dadas as apreciações elogiosas que o protector solar da Filorga tem recebido, quase universalmente, mas o que me prendeu a este menino (já vou na segunda embalagem) foi, antes de mais nada, o facto de não esfarelar e de se aplicar como qualquer (bom) creme de resto (sem silicones) - e, evidentemente, de constatar que, apesar da minha vetusta idade, as manchas (a partir de certa idade, não se fala de sardas, boa?) não estão a piorar, o que não atribuo exclusivamente ao UV Defense, evidentemente (há toda uma rotina de pele que também ajuda), mas em que o menino tem o seu papel.
Como é óbvio, esse não foi o meu único critério: como em quase tudo o que compro, pesquisei por essa internet fora (com ar enfadado porque, repito, não é com gáudio que investigo sobre essa matéria) e o que se diz sobre o produto agradou-me. Desde logo, a marca apresenta o UV Defense (e poderão atentar em mais pormenores aqui, que a cópia não é o meu forte) como contendo filtros solatres inovadores, pejadinhos de anti-oxidantes (o que impede, basicamente, que a nossa pele fique como a fruta que esteve, sem pele, muito tempo ao ar - eu sei, nojento) e de um tal extracto de lúpulo (o lúpulo é uma planta medicinal que tanto se usa para fazer cerveja como para tratar os distúrbios do sono ou funcionar como anti-espasmódico no caso de cólicas menstruais, imagine-se a versatilidade do magano), que é o responsável pelo tal efeito de prevenção das manchas. Por outro lado, temos presente também o ácido hialurónico, grande responsável pela retenção da hidratação da pele, associado ao complexo patenteado que é comum a todos os produtos da marca que usei (o que não faz deles necessariamente geniais, pelo menos para a minha pele, já que não tenho apreciado tudo o que uso da Filorga), o NCTF, que a marca denomina de "complexo poli-revitalizante" (o que corresponde a dizer tudo sem dizer nada, na minha opinião de leiga) e que afirma ter a capacidade de estimular a actividade celular indispensável à regeneração da pele.
Sabem o que vos digo? Se fizer metade de tudo isto, maravilha - mas não é por isso que o compro (para essas tarefas, tenho outras coisas, em que confio mais): para mim, é um protector leve e eficaz, que não esfarela - e (cada macaco no seu galho) isso é tudo o que pretendo de um protector solar. Atenção a quem gosta do efeito "pele sequinha": este não é o melhor produto para bosselências, ok?

Comprei os meus UV Defense na Cocooncenter, por cerca de 17€, porque os preços praticados em Portugal, pelos revendedores Filorga, são praticamente os de uma marca de luxo (que a Filorga não é, tenham lá paciência) - e nem me passa pela cabeça pagá-los. A embalagem tem 40ml, o que dará para uns três meses (aplico uma camada fininha, no Inverno, e este produto é dos que esticam, não se trata daqueles protectores solares grossos, que parecem argamassa), pelo que o considero um investimento económico e muito sensato.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Batons | Os Vermelhos da L'Oreal

A primeira vez que tomei contacto com estas maravilhas estive na presença da colecção inteira, que é imensa - nada da possidonice das apenas cinco cores que chegaram a Portugal - foi em Madrid, numa loja L'Oréal que tinha toda a maquilhagem e cosmética da marca e onde pude mexer no que me apeteceu sem que ninguém me maçasse - o que resultou numa mão toda pintalgada com as cores que mais me falaram ao coração (consta ali uma com acabamento molhado que não pertence a este grupo) e a certeza de que não precisava daquelas que me apetecia de imediato: a Laetitia (de Laetitia Casta, muito similar ao Diva da Mac), a Blake (da Blake Lively, qualquer coisa entre o Ruby Woo e o Russian Red) e o Julianne (da Diva Julianne Moore, que achei que seria muito parecido com o 110 da colecção de mates que a Kate Moss desenvolveu para a Rimmel London). E tirei daí o sentido, porque fui para Madrid determinada a não fazer qualquer compra fútil e consegui-o - quem me conhece sabe que sou muito mais teimosa do que consumista (e eu sou muito consumista, não sei se já deram por isso).
Mas depois, num périplo pelo centro comercial ao Continente Arrábida, entrei numa Pluticosmética e dei com cinco dos tais meninos que havia espreitado por lá; como já me tinha passado a teimosia, procedi ao enfeiranço, de que dei conta aqui: e, não havendo um dos meus eleitos, não tive dificuldade em escolher o terceiro, optando por uma cor que não seria uma escolha imediata para mim, mas funcionou por exclusão de partes, já que as outras duas não me interessavam - a Doutzen (da Doutzen Kroes) porque é demasiado laranja e menos pigmentado do que os demais; a JLo (de Jennifer Lopez) porque é demasiado parecida com a Blake.
Optei, por isso pelas cores Blake (um vermelho fechado, de subtom azul, frio, absolutamente divino e o meu preferido com a cor de pele que porto, agora), Julianne (um vermelho aberto, para a ruiva que há em mim, que vou adorar no Verão) e Freida (de Freida Pinto, um carmim já muito rosado, de que gosto muitíssimo mais do que estava à espera) e tenho andado a testar-lhes a raça desde então, pelo que já posso dizer coisas.

Creio que a pigmentação destes meninos (pelo menos destes três) não é coisa que ofereça dúvidas a quem quer que seja: numa só passagem, a opacidade é total (veja-se a amostra no antebraço, lá em cima), o que me agrada muitíssimo. Depois, são mate - mesmo mate, como deve ser, embora nas amostras nos lábios, acima, a Blake pareça mais mate do que as outras, mas tal deve-se ao facto de a fotografia ter sido tirada uma meia hora depois da aplicação (no carro, num semáforo, que blogger amadora e especialista em sprints tem de ser versátil - e daí a luz diferente), enquanto que as outras duas cores foram fotografadas imediatamente depois de serem aplicadas, aqui em casa, noutro dia, com outra luz. Finalmente, não só têm uma durabilidade assombrosa (Mac, cuida-te, francamente) como há um claro efeito stain, mesmo depois de removidos - usei-os a todos naquelas tardes em que passo horas a pregar aos peixes (permitam-me a metáfora, que se o Padre António Vieira não ofende, eu também não ofenderei) em que bebo imensa água para compensar a garganta e como sempre qualquer coisa no intervalo - e o botar-faladura juntamente com a comida e a bebida são sempre os meus testes limite. Pois asseguro-vos que, ao fim da tarde, só notei um ligeiro desvanecimento na zona onde os lábios se tocam, facilmente retocável porque, ainda por cima, isto são mates de nova geração, dos que não esfarelam.
E é por isso que, pese embora tenha achado os 17,50€ que são pedidos por estes meninos aqui (em Espanha são cerca de 13€ e eu comprei os meus numa promoção em que ficou cada um por 10€), a verdade é que a posteriori reconheço que eles valem isso sim senhora - embora tenha sido bom de ver a Sephora a vendê-los a 8,50€ uns dias depois (de resto, só não comprei mais porque os tipos só têm as tais cinco cores que foram enviadas para Portugal - super mal escolhidas, ainda por cima, porque há duas cores quase iguais, como referi já). Ah, e há-os na Primor, com um espectro de cores mais alargado do que aquele que se apanha em Portugal e não raras vezes em promoção (do tipo 3-por-2 e tal, como a loja tão bem sabe fazer). Pena é que, de há um mesito para cá, a Primor tenha mantido as ofertas fantásticas mas descurado os tempos de entrega: as encomendas estão a demorar mais de uma semana a serem enviadas, o que me enerva solenemente; de resto, ter-me-ia ficado-me pela camada de nervos, porque tenho feito tão boas compras que aguentaria a espera e pronto, mas numa das últimas encomendas trocaram-me uma sombra da Clarins por um blush e não deram resposta às inúmeras mensagens que lhes enviei com o intuito de resolver a situação - infelizmente, os senhores só perceberam quando denunciei o caso à Paypal, que reteve o pagamento, e aí foi vê-los num afã, a tratar do assunto.
Mas adiante, que isso agora interessa pouco ou nada: os últimos tempos têm sido de reciclagem de batons cá em casa. Porque não tenho espaço para mais, tive de me desfazer de alguns que não usava (como os Colous Boost da Bourjois ou os Apolcalips Lip Lacquer - destes fiquei com duas cores - e mais umas minudências), para fazer entrar alguns que me enchem as medidas (e não têm sido poucos, nos últimos tempos). É giro ver que a pessoa, que não usava mais do que cores de boca, até há três anos atrás, tinha dez batons e achava que chegava e sobejava, agora pela-se por uma bela de uma cor mais tcharam e gosta tanto de batons como de sombras de olhos (e de tudo o resto, o meu problema é mesmo esse: um coração imeeeenso!).
Lembrei-me de mostrar que, sendo a qualidade destes batons assinalável, em termos de cores não temos absolutas novidades, como se segue:

Para o Freida, o que tenho de mais próximo é o All Fired Up da Mac (um retro-matte) e o Perpetual Flame (um Prolongwear, da mesma marca) mas, ainda assim, o Freida é mais rosado, menos vermelho do que qualquer um dos dois.

Para o Julianne, encontro paralelo no tal 110 da Rimmel by Kate, sendo este menos vermelho, mais laranjo-rosado. Outro bastante próximo é o Sangria da Face Stockholm, mas mais uma vez o Julianne é mais vermelho do que ele.

Finalmente, o Blake, de que encontro poucos em comum com o Russian Red da Mac (um matte) e com o Perfect Red da NYX - sendo que, contudo, estes são mais parecidos entre si do que com o Blake, que parece ter mais qualquer coisa de berry, embora continue a ser vermelho.

E é isto, minhas gentes: se puderem, agarrem-nos, que são coisa genial. Se os apanharem a preço baixo, melhor ainda, mas garanto-vos que estamos na presença de uma fórmula absolutamente excepcional (sim, melhor do que os Matte da NYX e da MAC, sobretudo pela fixação elegante).

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Filmes #64 | Elsa & Fred / The Hundred-Foot Journey


Elsa & Fred (2014), ainda sem data prevista de estreia em Portugal e nas salas norte-americanas desde Novembro último, não sendo um filme original (trata-se de um remake de um filme argentino de 2005 a que também tive aceso mas ainda não vi), tem a vantagem de ter como protagonistas dois actores com provas dadas que aprecio muitíssimo: a sempre genial e bela Shirley MacLaine (irmã de Warren Beatty, para quem não sabe) e o fleumático Christopher Plummer. É ainda um bom exemplo de algo que venho apreciando muitíssimo no cinema ocidental, de há vinte anos a esta parte, mas que é notório sobretudo na última década: já não há limites de idade para os protagonistas de comédias românticas (género que adoro, devo confessar, se não se limitar a uma lamechice previsível), o que torna tudo muito mais entusiasmante - porque, francamente, e com raríssimas excepções, aos vinte somos muito menos interessantes do que aos trinta e por aí fora e era um desperdício de vivências e de maturidade que se pensasse que só os jovens tenrinhos poderiam viver estórias de amor. Aqui temos um velho senhor recentemente viúvo, daqueles que acham que a vida e a saúde se acabam com a reforma e cuja rotina consiste basicamente em ter pena de si, tomar comprimidos e lamentar-se, enquanto se é fortemente chulado por um genro daqueles muito criativos mas sem pé no chão e uma filha que sofre de excesso de zelo. Porque a casa de família se tornou grande demais, a filha arranja-se um pequeno apartamento, onde se torna vizinho de uma senhora pouco mais nova, excêntrica e com sede de vida (pese embora a falta de saúde). O resto não é absolutamente surpreendente ou original ou sequer uma obra prima - mas é hora e meia de filme que nos relembra que a vida só acaba no minuto em que acabar (e querer antecipar-lhe o fim, vivendo, é um desperdício de recursos). Gostei das interpretações, de algumas situações e, sobretudo, daquela ideia que lhe subjaz, mesmo porque serei uma velha gaiteira até ao fim.

The Hundred-Foot Journey (2014) é coisa de outro nível (basta que tenha Steven Spileberg e Oprah Winfrey como produtores para que percebamos o que digo), mas tem em comum com o filme supra o facto de o co-protagonismo ser assumido por outra velha senhora (de quem serei sósia um dia, diz um amigo - e eu acho que é pelo tamanho dos nossos narizes) que acho assombrosa: Helen Mirren (narizes à parte). E permitam-me que vos conte muito rapidamente a trama, para que percebam as razões que me levam a gostar muito deste filme, sem que ele seja, necessariamente, um filme deslumbrante. A coisa começa na fronteira inglesa, onde a família Karam explica aos funcionários dos serviços de estrangeiros e fronteiras lá do burgo, a história que os levou até ali: foram vítimas de um ataque na sua Bombaim natal, em que a mãe sucumbiu ao fogo que lhes consumiu o restaurante que era o negócio de família e, porque o Reino Unido não lhes deu o que procuravam, metem-se à estrada e vão em busca de um novo lar. Já em França, os travões da velha carrinha acabam por dar de si numa localidade que começa por apaixonar o pai, que insiste em ficar, abrindo novo restaurante, para o que conta com a mestria na cozinha de um dos filhos maiores, que aprendeu "de ouvido" com a mãe e tem um talento inato. Ora sucede que o local onde escolhem abrir o estaminé fica mesmo em frente ao famosíssimo (e portador de uma estrela Michelin) restaurante da vila, onde se deslocam ministros e outros estômagos gulosos, justamente propriedade de Mme. Mallory (Ms. Mirrem). E isto podia ser só uma estorieta sobre vizinhos que se sabotam mutuamente, e por um cozinheiro dotado que vai estudar para ser chefe no restaurante da inimiga do pai, apaixonando-se inevitavelmente pela ajudante de chefe que tão bem o acolhera e tal. Mas há a cozinha e os sabores e as cores e os cheiros que se imaginam. E há Mirren, irrepreensível no seu papel de insuportável conservadora que amolece perante o charme do vizinho da frente. são elas, a comida e Mirren, as grandes estrelas deste filme - para além das Michelin.

Kiko em tons outonais | Sombras

Posso dizer (outra vez)? A Kiko, marca que não me encantava de todo e até me desiludiu muitíssimo, relativamente a alguns produtos que comprei há mais de dois anos, tem sabido conquistar-me paulatinamente e, nos últimos meses (diria que meio ano), a coisa tem sido mais do que evidente, já que tenho falado, maravilhada, da maioria das coisas que trago de lá. Obviamente que não se trata de sorte e que eu, praticamente vidente, previ que determinado lançamento é que ia ser, atacando-o mal saiu - muito pelo contrário. O que acontece é que tenho um grupo de amigas que também gostam destas coisas da beleza, que são bem menos preconceituosas do que eu e que me vão dando notícias de uma loja onde eu praticamente já não entrava, a não ser em saldos (porque aí sempre fiz grandes negócios, nomeadamente no que toca às colecções de edição limitada, que têm sido invariavelmente melhores do que o que a marca oferece na colecção permanente).
Vai daí, em Setembro último, graças a uma mescla de influências (as minhas amigas, as leitoras do blogue e um vídeo da Lisa Eldridge, como explico no post em que falo da compra dos produtos que hoje aqui trago), dei um saltinho rápido à Kiko para comprar o que já levava debaixo de olho - e nem sequer me desviei do meu fito, o que é caso raro, no sentido em que acabo sempre por trazer mais qualquer coisa, para além do inicialmente previsto. E a verdade é que, quase três meses volvidos, continuo absolutamente encantada com a qualidade dos quatro produtos que trouxe dessa vez, que em nada ficam a dever a marcas quatro ou cinco vezes mais caras seja em termos de beleza, seja no que toca à performance.

Comecemos pelas sombras Water Eyeshadows, cuja designação se deve ao facto de poderem ser usadas tanto a seco como molhadas (e não deixa de ser redundante porque, na verdade, podemos usar os dois métodos com qualquer sombra que tenhamos, sendo que a utilização com o pincel molhado potencia o pigmento e torna tudo bem mais intenso): que maravilha de criaturas, benzásdeus. Com acabamentos vários, que vão do acetinado ao metálico, deixei-me encantar por duas que não poderiam faltar, ou o meu nome (blogosférico) não fosse C&C e por uma outra, a que uma das minhas amigas (a Inês do Madame Turbante) teceu os maiores elogios - todos reiterados por mim, adianto já.
Vamos seguir a ordem da fotografia para as apresentar, pode ser? À esquerda, temos a 200- Champagne, que me encantou porque não é um dourado amarelado (sim, não sou fã de dourados) mas uma coisa de subtom frio que é a coisa mais linda do mundo para iluminar o canto interno do olho (dá um ar quase molhado, de tão incrível) ou para fazer um ponto de luz no centro da pálpebra, seja com que maquilhagem for. Estou  tão enamorada desta menina que me estou a ver a comprar mais uma para fazer stock, ainda que tenha a consciência que jamais a vá gastar (são 3g de sombra, por favor - o dobro das Uuban Decay e das Mac). É super pigmentada e tem carradas de brilho - e, surpreendentemente, não se desfaz em purpurinas, é metalizada e super amanteigada, um primor (tal qual como a Inês me havia dado conta). Depois, temos, inevitavemente cores mais à minha moda: desde logo o 203-Burgundy, um vinho a cair para o beringela, de acabamento acetinado e para lá de maravilhoso, seja em termos de textura e acabemento, seja no que toca à pigmentação. Claro que é uma cor muito pouco original para mim, mas que diabo, se são as cores que mais uso, hão-de ser as que mais tenho - nada salienta um olho castanho com um nadinha de verde como estas cores com um toque avermelhado. Finalmente, aquilo a que chamo a cor de base deste trio: o 227-Light Taupe, uma mistura feliz entre o cinza e o bege (mas claramente de fundo frio), com um acabamento ainda acetinado, mas diria que mais próximo do mate do que a Burgundy - e eu sem um taupe sou nada.
Estou absolutamente apaixonada por estas sombras, não descuro trazer mais algumas para morar comigo, se as encontrar rebaixadas (como foi o caso destas - custam normalmente 8,90€ e trouxe-as por 5,90€) - não que por um momento ache que não valem o que custam: de resto, têm sido elas que me têm segurado para não correr para as Mac que imitam tão claramente, ou mesmo para as novas Nars. A particularidade que menos aprecio nestas raparigas é mesmo a embalagem (preta, com inscrições a prateado e unicamente o número, que não o nome, inscrito atrás) que, para além de feiosa e pouco delicada, pode ser chata de abrir, mas enfim, aguento-a.

Finalmente, uma sombra em creme, sob a forma de lápis jumbo retráctil, de cuja existência soube num vídeo da Lisa Eldridge e que é, de facto, coisa para lá de boa: pertence à colecção de edição limitada Daring Game (que ainda encontram nas lojas e que, com certeza, saldará em Janeiro) e é a Colour-Up Long Lasting Eyeshadow, que faz jus ao nome - isto é coisa que duuuura loucamente e faria inveja a produtos muitíssimo mais caros. Comprei-a na cor 33-Likable Blackberry, um beringela com mais roxo e mais escuro que é assim uma coisa para lá de maravilhosa (mas ainda há dias passei na loja para ver as novidades e fiquei de olho numa espécie de alfazema, um lilás claro com fundo cinza absolutamente extraordinário): é facílima de aplicar e esbater mas, uma vez assente, não sai do sítio, mesmo sem primer (nas minhas pálpebras normalíssimas) e resulta numa cor muito usável, se bem esfumada (eu uso-a mesmo escura, mas eu aprecio o meu dramatismo, já se sabe). Estas meninas custam 7,90€ e valem cada tostão, vou já avisando: experimentem passar numa loja, passar umas cores nas costas da mão e esqueçam-se delas, vão dar uma volta; quando se lembrarem, tentem removê-las com os dedos - nessa altura perceberão do que falo.

Eu não digo que a Kiko está a mandar chover como gente grande?