quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

MeMeMe | Flawless Concealer | Face Colours

Quando me enviou a linha de corpo da Peggy Sage sobre que já falei, há relativamente pouco tempo, a Carla, da Face Colours, mandou-me também o Flawless Concealer da MeMeMe que, como quase tudo o que me vem fazendo o favor de dar a conhecer, eu nem sabia que existia.
Já agora, e para quem chegou recentemente, falo da única parceria que mantenho há já quase um ano (as outras que chegou a haver foram à vida, por razões que expliquei à época) que se tem operacionalizado por meio do envio mensal de um ou mais produtos, para que eu os teste e diga de minha justiça, bem como num desconto de 20% sobre todos os produtos disponíveis na loja (e os que não estão, normalmente a Carla consegue, se estivermos a falar das marcas que comercializa), não só para mim como para todos os leitores aqui do estaminé - basta espreitar a barra lateral e encontram o código que vos dá acesso à benesse.
Ou seja, mais ou menos uma vez por mês, encontram por aqui a apreciação de algo que me é enviado, sempre devidamente sinalizado como tendo sido uma oferta e não uma compra (porque isso faz ou pode fazer toda a diferença: há coisas de que falo que provavelmente nem sequer compraria, se não me fossem oferecidas, e o facto de algo me chamar a atenção é per se já bem ilustrativo), para que ninguém confunda aqui a chafarica com esses antros de lambe-botice, onde as ofertas passam por "descobertas" das autoras (que, a bem da verdade, percebem tanto do que falam como eu de engenharia do papel), o que ofende quem lê - ou pelo menos quem lê, tem dois dedos de testa e não gosta de ser enganado (as pessoas normais, portanto). Ainda há pouco falei nisto, mas ele há coisas que me mexem com os nervos de tal modo que me hão-de ler repeti-las bastas vezes.
Mas passemos ao produto hoje em apreço: trata-se, como disse, do Flawless Concealer da MeMeMe, uma marca britânica que tem a sua produção no Reino Unido, facto de que nem todas as marcas europeias se podem orgulhar: a Sleek, por exemplo, tem a maioria, se não todos os seus produtos made in China - mas não é a única. Francamente, não sou grande conhecedora ou tenho sequer experiência com a marca: tirando uma experiência com uma sombra em creme, também "patrocinada" pela Face Colours, e uma ou outra alusão em blogues que vou lendo ou canais de YouTube que sigo, nem sequer estou a par dos seus lançamentos, embora me lembre de me cruzar com os escaparates da MeMeMe nas farmácias britânicas. Ou seja, temos aqui praticamente uma estreia.

 
A marca apresenta o produto como sendo um corrector hidratante e cremoso, capaz de proporcionar uma pele imaculada e sem imperfeições, com um aspecto natural. Acrescenta ainda que o Flawless Concealer oferecerá uma boa cobertura com a aplicação de um mínimo de produto e que se trata de um corrector 3-em-1, porque "camufla, ilumina e destaca", mesmo porque conterá haloxyl - só coisas boas, portanto, que as marcas não são destituídas de bom senso e sabem vender-se, mas infelizmente isto em nada ajuda o consumidor, se for falso. Na verdade, que deste corrector se diga ter uma cobertura capaz de disfarçar qualquer imperfeição não corresponde, de todo, à realidade, o que se prende com uma outra pretensão que não passa disso mesmo: a tal cobertura capaz de conferir à pele um aspecto irrepreensível e livre de quaisquer despigmentações, hiperpigmentações ou outras mazelas pura e simplesmente não existe. Ou existe, mas é de pouca monta, para ser honesta, pelo que considero o modo como a marca anuncia o produto bastante enganosa - nestes casos, mais vale não dizer nada e deixar que o consumidor decida por si do que prometer o que se não pode cumprir (eu, enquanto compradora compulsiva de correctores e de tudo o mais, detesto a desilusão imediata).
Após essa primeira impressão, contudo, o meu intuito é sempre o de tentar fazer funcionar o que tenho em mãos e com este menino não foi excepção: tínhamos uma consistência que, por ser nada espessa, se esbatia muito bem (e é hidratante quanto baste, sem ser coisa escorregadia) e uma cor que era ideal para esta altura do ano (há apenas três cores: da mais clara para a mais escura, Porcelain, Beije e Honey, sendo que eu tenho a primeira), mesmo porque funciona como iluminador, não porque reflicta a luz de forma especial mas porque, sendo clarinha e de subtom neutro-ligeiramente-rosado, acaba por dar um ar iluminado às zonas onde o aplico (região periocular, laterais do nariz e, às vezes, em redor da boca), sem que fique empastado, pelo que a solução encontrada foi a de o acrescentar a outros produtos em uso - e a coisa assim funcionou muitíssimo bem. Agora... não me parece, de todo, que estejamos perante um produto capaz de cobrir, sozinho, olheiras mais escuras (que eu não tenho) ou imperfeições de monta: o máximo que ele faz é atenuar vermelhidões das fáceis, isso concedo, e talvez iluminar um olhar mais cansado.

O Flawless Concealer apresenta-se numa embalagem que se nos afigura imediatamente como familiar, que me palpita que é o que dá origem a muitos disparates que li pela blogosfera britânica afora, que o comparavam com o Radiant Creamy Concealer da Nars, pelo que não resisti a trazer aqui não só esses dois, como um outro que entra no mesmo fandango (o Fit Me da Maybelline - mesmo porque os disparates a seu respeito são mais frequentes e disseminados) - e vamos lá a ver se nos entendemos de uma vez por todas, que esta coisa dos dupes forçados irrita-me sobremaneira: um produto não é um dupe de outro só porque tem uma embalagem igual e aplicador semelhante. Na verdade, essa é a única característica que estes três correctores têm em comum: uma embalagem transparente em forma de tubo quadrado e uma tampa preta a que está ligada uma varinha com um aplicador de esponja, tipo gloss. Tirando isso, santa paciência, deixemo-nos de disparates, sim? (Assinale-se que a maioria das afirmações vem de quem nem sequer tem os dois produtos para os comparar ou de que, tendo-os, tem uma necessidade incontrolável de dizer coisas, não importa de que teor ou com que fundamentação.) De todo o modo, há que dizer que, a haver alguma proximidade, o Maybelline é menos diferente do Nars do que o MeMeMe: este, para ser curta e grossa, é muito diferente dos outros dois, que têm uma performance infinitamente melhor (mais o Nars), só porque cobrem e corrigem mais (e é essa a função de um corrector, algo de que a MeMeMe parece ter-se esquecido). Ainda assim, o Nars é um produto que não precisa de pó para durar o dia todo na minha pele, enquanto que tanto o Maybelline como o MeMeMe se enfiam em tudo quanto é linha se não forem assentes - e só isso seria diferença bastante para que não possam ser chamados de dupes, ó santinhos.

Agora, perguntam-me vocês, isto é coisa para eu poder afirmar peremptoriamente que não gosto deste produto? A verdade é que não, ele tem-me sido extremamente útil para misturar com outros correctores, como o Maybelline e o Nars acima retratados, porque um e outro estão, respectivamente, bastante e muito escuros para a minha pele de Outono e, assim, não tenho de deixar de os usar, só tenho de os temperar com uma dose do Flawless Concealer da MeMeMe - aproveito e ainda os torno menos espessos (porque eu não gosto de correctores tão pouco presentes como o aqui avaliado, mas também nem sempre estou virada para aqueles que têm a pujança de um Nars. (De resto, a minha epopeia para acabar mais um corrector, neste caso o Fit Me, só tem prosseguido graças ao menino que hoje aqui trago, o que só por isso me faz gostar dele.)
Ou seja, pela sua consistência e cor, o corrector da MeMeMe acabou por preencher uma lacuna que eu tinha cá em casa, porque há por cá produtos da mesma cor ou até mais claros, mas não da mesma espessura quase líquida e fácil de trabalhar.
O Flawless Concealer da MeMeMe custa 11,80€ na Face Colours - ou, na verdade, 9,44€ para quem indicar o código aqui do estaminé (ACC2013), seja na loja física, em Coimbra, seja em compras feitas online, que são enviadas em correio verde, sem portes, e nos chegam num instantinho.

terça-feira, 25 de Novembro de 2014

Milani | As sombras unitárias Bella Eyes Gel to Powder

Estas meninas vieram morar comigo em duas etapas distintas - não porque não me apetecesse albergar todas de uma vez mas porque só após uma primeira adopção tive a certeza de que queria aumentar a família, como acabei por fazer - e agora encerrámos o tasco, que isto não é só querer ter famílias grandes, é preciso condições para lhes dar uma vida condigna e não enfiá-las numa caixa escura, sem terem oportunidade de brilhar condignamente. Na verdade, as Bella Eyes Gel To Powder Eyeshadows  chamaram-me a atenção a partir do momento em que as poucas youtubers norte-americanas que sigo (e mais veementemente a hapagurl8, mulher de gosto requintado, normalmente dada a produtos de preço muitíssimo mais alto) começaram a falar destas meninas como se se tratassem da última bolacha do pacote, qundo elas foram lançadas nos Estados Unidos, no Verão deste ano. O único problema era o do costume: fazer chegar a este lado do Atlântico as coisas que só se vendem nos EUA, sem pagar taxas alfandegárias ou portes muito elevados, o que parecia tarefa impossível, pelo que arrumei a ideia lá bem no fim da lista. Ora eis se não quando a M. do OMG! me deu conta de que havia uma loja Milani europeia, com preços bastante decentes e uns portes suportáveis, se se mandasse vir o suficiente para os cobrir - e lá vieram meia dúzia de sombras, dois blushes e um par de batons.
Infelizmente, quando gosto de alguma coisa, não me contento com o que tenho: quero mais, pelo que a lista de coisas a adquirir oportunamente foi-se fazendo, mas ainda assim não me comovi quando as lojas espanholas (Maquillalia e Primor) começaram a vender a marca - é que aqui pouparia nos portes mas o preço por unidade era manifestamente mais elevado (um pouco mais de 1€ por sombra, cerca de 50 cêntimos por batom), o que me retraiu. Mas depois a Primor fez aquilo que faz tão bem, de quando em vez, e pôs, durante um fim-de-semana, todos os produtos da marca à disposição de uma promoção pague-dois-leve-três, o que reduziu substancialmente o preço de tudo - e lá veio mais meia dúzia de sombras e um trio de batons alegrar a malta. Ou seja: não, não tenho todas, tenho doze das trinta cores lançadas - mas podia ter, sim senhores, que o meu coração é grande (a casa, infelizmente, é que não tem paredes tão elásticas, coitada).

Em termos de formulação, e apesar da designação e do que a marca afirma em termos de formulação, apontando-as como sombras que "são um gel que se transforma em pó", o que eu sinto é uma textura cremosa, sim senhores, mas claramente um pó, que se esbate lindamente - mas nada de gel, lamento. A única hipótese lógica que vislumbro nesta pretensão é a de a marca estar a referir-se ao processo de fabrico da sombra - e talvez seja isso. Mas também pode ser uma remissão para o modo como o produto desliza nas pálpebras: com toda a facilidade, tal e qual como um gel, sei lá bem.
Mas voltando ao início, o meu cepticismo inicial relativamente a estas sombras prendia-se com a forte semelhança que, visualmente, aparentam ter com sombras cozidas, de que não sou especial fã (como não sou de blushes, e os da Milani bem me calaram o pré-conceito - mas falarei nisso em post próprio), porque normalmente padecem de falta de pigmentação, que se consegue usando o pincel molhado, e eu não estou para essas maçadas, quero coisas rápidas e eficazes. Mas o que temos aqui são sombras que apresentam pigmentação q.b. (algumas, muito acima de bastante, de resto) e que, se molhadas (basta borrifar o pincel de sombra com água termal, por exemplo, e usar um cantinho do produto para retirar pigmento), ficam ainda mais tcharam (como todas, de resto). Conquistaram-me, a verdade é essa, e porque paguei em média 4€ por cada uma (mais ou menos o preço de uma Catrice, menos do que uma Kiko, muito menos do que a maioria das que uso diariamente) por 1,4g de produto, gosto das embalagens (bem sei que muitos as acham foleiras, mas eu gosto do douradinho e acho o material bastante resistente) e, sobretudo, adoro as cores que tenho. Também gosto da identificação do acabamento de cada sombra na própria embalagem, junto à cor: temos sombras iluminadoras/com brilho (highlighter/shimmer), com brilho (shimmer) sombras metálicas (metallic) e sombras entre o acetinado e o mate (satin/mate), sendo que tenho um bocadinho de tudo, com preponderância para as últimas, o que também não constituirá grande surpresa, creio.
Vamos a elas, portanto, sendo que, porque as minhas fotografias nunca têm aquela qualidade, deixo-vos um link onde podem ver amostras de cor (e até maquilhagens, a maioria de gosto duvidoso) de cada uma das trinta que a marca lançou. Dividi-as por áreas cromáticas, de acordo com os meus próprios critérios e designações e deixo uns bitaites sobre cada uma: ainda que tenham uma qualidade muito homogénea, as mais vibrantes têm claramente mais pigmento. 

Comecemos por aquelas que a marca designa como iluminadoras, com brilho, as Highlighter/Shimmer (mas sem grandes partículas de glitter, o que permite usá-las, inclusivamente, no rosto - tenho, de resto, iluminadores bem mais purpurinados do que estas sombras):
Bella Diamond |um branco-marfim com brilho, daqueles que iluminam o canto interno com um toquezinho de pincel ou mindinho;
Bella Chiffon | um douradinho muito claro, quase champanhe, creio que a minha cor preferida deste trio (e eu nem ligo a dourados);
Bella Rose | um rosa frio e quase metálico, que funciona lindamente naqueles dias em que precisamos urgentemente queremos uma pálpebra móvel muito iluminada, por forma a fazer de conta que as quatro horas dormidas chegaram e sobraram para nos manter frescas e viçosas.

Passemos às que escolhi designar por neutras, que oscilam entre os castanhos, os cobres e os toupeiras - as mais aborrecidas mas absolutamente necessárias, seja para contrabalançar as outras na criação de uma maquilhagem de olhos mais tcharam, seja para criar um olho mais soft, para emparelhar com uns lábios vermelhões ou roxos ou cor de baga, que isto no dia-a-dia, embora me apeteça muitas vezes, nem sempre posso fazer os looks que me apetece:
Bella Cappuccino | castanho claro com um fundo ligeiramente rosado, quase mate, que adoro como sombra de transição;
Bella Caffé | um castanhinho claro de subtom quase dourado (mas mais neutro do que aparenta na fotografia), excelente como transição, também, de acabamento mais para o acetinado do que para o mate;
Bella Expresso | um castanho chocolate mais frio do que a fotografia indicia - um neutro perfeito, de acabamento acetinado;
Bella Bronze | um bronze bem opaco, entre o acetinado e o metálico, mais quente do que é meu costume usar e simplesmente deslumbrante;
Bella Taupe | um castanho de fundo cinza, frio, e acabamento quase mate (é mesmo a mais mate de todas as cores que comprei).

E passemos, finalmente, às cores mais entusiasmantes (e pigmentadas) deste ajuntamento, coisas lindas de morrer:
Bella Navy | um azul marinho médio que tem sido uma das minhas paixões (use-se o Bella Cappuccino para um côncavo difuso e o Bella Expresso para o afundar e atenuar o tcharam do azul e temos maquilhagem das viciantes, bestial em olhos castanhos), de acabamento acetinado;
Bella Emerald | um verde-clorofila, como gosto de chamar a estes verdes que me lembram florestas frondosas, de acabamento cintilante, mas não tanto que o diferencie loucamente de um satin/mate (o azul à esquerda) ou de um metallic (o rosa à direita); adoro esta cor em olhos castanhos; 
Bella Rouge | Rosa avermelhado, quase carmim, cor que incrivelmente tenho adorado nos olhos; esta tem acabamento metálico;
Bella Purple | um roxo médio, com um fundo mais acinzentado do que a fotografia mostra, de acabamento acetinado

Um dos poucos defeitos que encontro nestas sombras é o facto de a embalagem dificilmente permitir que se retire o produto para uma Z Palette, por exemplo (eu eu bem precisava de o fazer) mesmo porque o formato da embalagem (com curvas e contra-curvas uma versão em ponto pequeno das embalagens dos Baked Blushes) torna-as um nadinha difíceis de arrumar: eu tenho-as ao alto, num compartimento de um acrílico cuja largura as alberga perfeitamente, todas em falinha indiana e pela ordem que apresentei aqui, que para mim é a mais intuitiva, para serem mais fáceis de encontrar.
Evidentemente, não uso estas meninas, como quaisquer outras, sem aplicar um primário de sombras ou sombra em creme como base, mas devo dizer que duram o dia todo (nessas condições), são facílimas de esbater, sozinhas ou umas com as outras e tem-nos divertido imenso juntas. De resto, esta foi provavelmente das compras mais divertidas que fiz nos últimos tempos - e isso não tem preço (ou tem: cada sombra custa 4,76€ na loja europeia da Milani, a que acrescem cerca de7€ de portes, e 5,89€ na Primor e na Maquillalia, sendo que nestas lojas os portes são grátis a partir de 20€, para além de que às vezes há promoções como a que eu apanhei).

[Volto em breve com entradas sobre os blushes e os batons, mas permitam-me que seja estraga-baratos e que adiante já que estou profundamente deslumbradas com todos os produtos que comprei ultimamente da marca e é nestas alturas, mas só nestas, que me apetecia morar nos States.]

segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Sunday Riley | Juno, o óleo facial que vale o que custa

Ora aqui está um produto sobre que estou há séculos para falar. Tenho adiado a coisa porque eu quase que juro que adorava conseguir pôr-lhe um defeito que seja, apontar-lhe uma falha talvez - mas não há forma e percebi que tinha perdido a parada quando, esta semana, encomendei novo frasco do Juno Hydroactive Cellular Face Oil, da Sunday Riley, produto em que fiquei de olho assim que saiu para o mercado e que comprei já em Abril, mas que só agora, no Outono (há cerca de dois meses, já) resolvi pôr em campo (afinal, tratava-se daquele que eu considerava ser o peso-pesado do meu stock, em termos de cuidados de pele e, por isso, ideal para as loucuras a que está sujeita na mudança de estação).
E, na verdade, não poderia ter escolhido melhor altura: uso óleos faciais todo o ano, sempre à noite mas às vezes também durante o dia e, tendo começado pelo Clarins (e apesar de ter ainda um desses dignos pioneiros em stock), já usei coisas sobejamente melhores, depois dele; a questão, agora é que, depois de três meses completamente impecável, a minha pele do rosto (agora, só na testa, maxilar e pescoço e de modo muito mais controlado) resolveu manifestar-se novamente como sendo absoluta e visceralmente anti-humidade (e anti-pó, também, mas desse eu ainda vou fugindo)  e vá de me pregar partidas que me obrigam a hidratá-la à bruta e como se não houvesse amanhã. E é aqui que este menino entra - mas já lá vamos, mesmo porque uma das minhas dificuldades maiores foi mesmo escolher entre os três óleos faciais que a Sunday Riley juntou à sua já conceituadíssima linha de cuidados de rosto, cerca de um ano (talvez menos um bocadinho). Pesquisei muitíssimo (e encontrei boas publicações, como esta, que só li recentemente mas que os apresenta também em termos comparativos) e, depois de avaliar as vantagens que todos pareciam apresentar, decidi-me pelo Juno, preterindo o Isis e o Artemis.
Mas perpassemos as características de cada um, de acordo com a marca, só para que se perceba por que cheguei a este:
Artemis | Apresentado como sendo o mais indicado para a obtenção de uma pele limpa e radiante, trata-se de um óleo com cheiro cítrico que promove o equilíbrio e a tonificação da pele, por meio de um complexo de óleos essenciais extraídos de plantas medicinais australianas, como sendo a lemon ironbark (uma espécie de eucalipto com aroma de limão) ou kemon myrtle (uma planta óptima para fazer chá), que têm propriedades anti-inflamatórias, purificadoras e mesmo "limpadoras" da pele. óleos de toranja rosa, cominho preto e cardo combatem vermelhidões e o envelhecimento prematuro causado por toxinas e inflamações. Composto por ácido linoleico conjugado (vulgo CLA), extraído da romã, e omega 6, da semente do linho, potencia uma pele clarificada e radiante. Parece-me o mais indicado para peles com problemas de acne, mas também as mistas e oleosas e/ou muito sensíveis.
Isis | É definido como o mais hidratante do trio e promete combater rugas e promover uma pele rejuvenescida. Para isso, temos rosas russas, búlgaras e turcas, que proporcionam protecção e acção anti-rugas, enquanto óleo essencial de gerânio e palmarosa fomentam a desintoxicação linfática e a produção natural de óleos do rosto. O óleo de rosa mosqueta, fonte natural de ácido transretinóico, auxilia no processo de regeneração da pele, enquanto que uma mescla de óleos botânicos ajudam a atenuar a aparência de linhas e rugas. Altamente hidratante, esta nutritiva mistura de fitonutrientes devolve à pela do rosto a radiância, textura e hidratação da pele jovem, a um nível celular. (Muitíssimo interessantes, certo? Pois eu também achei.)
Juno | A marca define-o com um sérum lipídico transformador, o que por si só é tão sugestivo como arriscado. Acrescenta que este menino confere à pele uma iluminação digna de obsessão (as palavras não são minhas, juro). Trata-se de uma mistura (em vias de patenteação) de óleos de rápida absorção e extremamente ricos em retinóis naturais, bem como de Omegas 3, 6 e 9, aminoácidos essenciais, vitamina C, filtros UV e agentes naturais anti-inflamatórios, que conferem à pele o mais luminoso dos ares. Tem propriedades anti-idade (odeio esta expressão, porque o tempo não pára e a idade também não, mas é a que a marca usa) e anti-oxidantes e é indicado para todos os tipos de pele, mesmo as propensas a eczemas e outras mazelas.

Et voilá, se toda a descrição não me tivesse já convencido, esta última frasezinha direccionar-me-ia irremediavelmente para o Juno. A minha pele, que era mista a oleosa, com episódios de desidratação (não se tratava de pele seca, mas desidratada, apesar de eu beber água desde que me levanto até que me adormeço), transformou-se no espaço de meses, como saberá quem por aqui passa há mais tempo, numa coisa seca e extraordinariamente sensível, com episódios de reactividade a coisas várias (humidade, fumo, pó, ar demasiado seco, como o do ar condicionado). Ora uma pele seca é muito mais baça e sem vida do que uma pele normal ou mesmo oleosa, pelo que há que atacar com produtos bem ricos, capazes de lhe devolverem o viço perdido (sobretudo na estação fria, que odeio também por isso) - e é aí que o Juno entra (e não sairá tão depressa, benzódeus).

Permitam-me que apresente a embalagem, simples e sem rococós, mas com um apontamento interessante: a gradação de cor de rosa no frasco robusto, encimado por uma tampa de rosca com uma pipeta agregada, que é a forma de extracção do produto - o que evita desperdícios e faltas de higiene. O aspecto do óleo assemelha-se ao de um azeite refinado, sendo que as analogias culinárias não acabam por aqui: há qualquer coisa no cheiro que me lembra oregãos, sem tirar nem pôr (bem sei que o que a fórmula tem é cominhos, mas cheira-me a oregãos) - o que não me incomoda nadinha, porque desaparece na pele quase imediatamente. Em termos de sensação na pele, este não é o óleo mais "sequinho" que já usei, o que, para mim, é um elogio: eu sou das loucas que gosta de sentir a pele colante, peganhenta, quase oleosa - entenda, que, para uma pele seca, esta é a melhor das sensações, porque é-nos devolvida a elasticidade e os óleos que a pele, naturalmente, não produz. Também não é extremamente oleoso, mas duvido que a maioria das pessoas gostasse de o aplicar depois do sérum e antes do hidratante matinal - mas eu uso-o, às vezes, quando a pele me saiu de um episódio reactivo e está fininha e quase que pica, de tão seca, e a maquilhagem aguenta-se lindamente ainda assim.
Em termos de sensação na pele, é-me difícil descrever-vos o que sinto que este menino faz à minha pele, mas creio que poderia resumi-lo dizendo que, mesmo que durma 4 horas (o que acontece não raras vezes) e acorde com a cabeça a pesar mais do que o corpo, o aspecto do meu rosto nunca me trai: sempre absolutamente impecável e, literalmente, radiante, coisa que nunca pude atribuir a um óleo (a uma máscara sim, a um tónico esfoliante também - já a um óleo, jamais). Mais, quando estive em Madrid e não o levei, tendo-o substituído por um camarada igualmente bom, da Zelens, senti-lhe a falta - e é nestas circunstâncias que sei que um produto passou a fazer parte da minha vida. Aplico mais ou menos a quantidade que vêm na minha mão, acima: aqueço o produto entre as palmas das mãos e pressiono-o contra todo o rosto e pescoço, procedendo a uma ligeira massagem de seguida:; se sentir que foi imediatamente absorvido, o que acontece metade das vezes e tem que ver com o estado da minha pele, posso aplicar uma segunda dose na fase da massagem - e não. isto não me bloqueia poros nem coisa alguma, só me deixa a pele renovada, coisa mai'linda da sua dona.

Em termos de ingredientes, antes de mais é maravilhoso apreciar uma lista que se consegue, de facto ler (do ponto de vista de uma leiga curiosa, que é o meu, evidentemente) e perceber que há aqui uma mescla de óleos sem fragrância que não potenciam reacções alérgicas ou afins e que tem créditos firmados no que toca à nutrição e hidratação da boa. Mais, todos os ingredientes que compõem o Juno têm de facto uma acção antioxidante, o que a minha pele quarentinha agradece, deliciada, e há estudos que provam que o óleo de cominho preto tem uma acção importante na prevenção e tratamento dos sinais de eczema ou, o que é o mesmo, dermatites ou inflamações na pele, mal de que sofro com demasiada frequência ( não, não inventei nada e toda a informação do último período gramatical foi retirada daqui).
Estamos, portanto, perante uma poderosa mistura de óleos botânicos prensados a frio (que não óleos essenciais - para os que lhes são alérgicos, o que nem sequer é o meu caso), rica em antioxidantesque nos protegem dos radivais livres, vitaminas para dar viço à pele e incrementar a produção de colagéneo, aminoácidos essenciais, omegas 3, 6 e 9, filtros solares e agentes anti-inflamatórios. perpassemos, finalmente, os ingredientes chave, que identificarão na listagem acima, para que se veja exactamente a magia que cada um porta.
Óleo de semente de amora | Fonte altamente estável de vitamina C, ajuda a uniformizar o tom da pele e na produção de colagéneo;
Óleo de semente de mirtilo | Fonte de vitamina E, um poderoso antioxidante, e de omega 3, funciona como defesa contra o envelhecimento prematuro;
Óleo de semente de arando | Perfeito equilíbrio de Omegas 3, 6 e 9, contém vitaminas A, C, E e K, ajudando na absorção pela pele de ácidos gordos essenciais para uma regeneração efectiva. É ainda uma óptima adição a qualquer protector solar, porque pode aumentar a protecção UV;
Óleo de semente de framboesa vermelha | Possui uma acção inflamatória que constitui grande auxílio nos efeitos de dermatites e envelhecimento prematuro. É ainda um agente anti raios UV de largo espectro, complementando (que nunca substituindo) a acção dos protectores solares;
Semente de cominho preto | Ingrediente terapêutico poderoso, contêm componentes anti-inflamatórios que combatem o envelhecimento precoce e as irritações na pele;
Óleo de semente de cenoura selvagem | O alto nível de carotol promove a elasticidade e melhora a aparência da tez;
Óleo de semente de bróculo | Rico em vitamina A (de que detivam os retinóis) e ácido erúcico (um óleo omega 9), contém activos que complementam e alicerçam a protecção contra os raios UV conferida pelo uso de protecção solar.

Se eu, ainda assim, não acho que £98/125€ por 30ml de óleo é demasiado para dar por um óleo facial? Olhem pazinhos, em termos relativos, dir-vos-ia que sim. Mas estes 125€ não são para um par de sapatos que uso uma dezena de vezes por estação nem para duas ou três de jantaradas janotas (que são essenciais, também, embora mais discutíveis, admito): são justamente para me proporcionar um envelhecimento cutâneo digno, sem recurso a injecções ou intervenções de ordem mais complexa (isso sim, sai caríssimo!) e perfeitamente em paz com o rsoto e a idade que tenho. Vai daí, e vistas as coisas nestes termos relativos, 125€ parecem-me uma pechincha tão grande que, por sinal, e apesar de este frasco ir ainda a meio (nunca um óleo me rendeu tanto, mesmo sendo eu generosíssima na aplicação), já tenho outro a caminho. E mais terei, no futuro, se entretanto não descobrir nada que me deixe ainda mais feliz - afinal, não é assim com todas as relações?


domingo, 23 de Novembro de 2014

Mais uma parceria nada-morta, coitadinha.


Eu enterro-as as todas mesmo antes de nascerem, e juro que é sem planeamento ou sequer intenção, a coisa está-me no sangue e tendo para o assassinato dessa maravilha que sustenta 90% da blogosfera nacional (internacional também, sejamos honestos, mas como os blogues têm mais qualidade e podem ser levados mais a sério, a coisa não choca tanto): a bela da parceria.
Chega a pessoa de viagem há duas semanas e eis que a aguardam duas mensagens de relevo na caixa do correio: uma, de um restaurante vegetariano a que não achei graça (e que não nomearei, que eu cá sou uma elegante - mas, repito, é vegetariano), a ameaçar-me veladamente caso eu não revisse o conteúdo de um post em que eu digo que os tipos são fraquinhos, porque se sentem lesados pela ausência de clientes, que me atribuem (e eu adoro que me tenham em tão grande conta, juro que sim, mas lamento que aquela malta prefira atribuir o insucesso a um blogue de vão de escada do que à sua própria incompetência - evidentemente, levou resposta condigna e fofinha); a outra, de uma parafarmácia online espanhola que já em tempos me contactara para me oferecer um cupão de desconto de 5€ em qualquer compra Sesderma, que eu não usei porque acabara de mandar vir uma série de coisas da Dermofarma e eles davam-me o prazo de uma semana para usar o vale. Voltaram à carga agora, dizendo que adorariam trabalhar comigo e se eu fazia o favor de escolher produtos Lierac que me apetecesse experimentar (assim mesmo, sem limite de preço ou de número de produtos). E eu respondi que sim senhora, e que agradecia muitíssimo o contacto, já que há uma série de produtos da marca que me interessava experimentar, nomeadamente o x, o y e o z (e lá apontei três, bastante controladinha) mas que antes gostaria de que eles estivessem cientes de que aqui na chafarica não só se diz de onde veio o produto e com que fim, como se diz o que se acha, mesmo que o produto tenha sido oferecido pela Rainha de Inglaterra. Terminava pedindo-lhes o assentimento quanto a este forma de trabalho e dando-lhes toda a liberdade para escolherem, de entre os três produtos indicados, o ou os que lhes interessava enviarem-me.
E foi assim, com um parágrafo simples, que acabei com uma parceria que nem chegou a começar e que estou, até hoje, à espera de resposta de suas excelências, que lá devem ter achado que tinham encontrado mais uma banana para lhes fazer publicidade gratuita, deslumbrada com as ofertas.

Não, amizades, o tempo da colonização não acabou: há séculos, usavam-se colares de contas e outras tonterias, mas sempre eram novidade para os colonizados; hoje, vendemo-nos por muito menos, paz à nossa consciência e ao brio no trabalho, mesmo que amador.

Wei Beauty | um creme de olhos chinês

Foi num dos meus enfeiranços nos saldos de Verão da Space.NK: de que outro modo me disporia eu a comprar um creme de olhos de uma marca praticamente desconhecida, por £60/76€ (o caraças da libra valorizou, do Verão para cá), a não ser que se me propusessem vendê-lo por um quarto do preço? E foi mesmo por 15€ que arrematei este White Lotus Moisture Rich Eye Blend, da Wei Beauty, marca chinesa de luxo (sim, sim, amizades, da China não vem só pechisbeque, como de Paris não vem só requinte, boa?), como se verificará pelo cuidado na embalagem do produto (que não é determinante, mas impressiona sempre), que se propõe a integrar os conhecimentos da ancestral medicina tradicional chinesa nos cuidados de rosto. A oferta de produtos divide-se por quatro linhas, devida mas sucintamente apresentadas no site da marca com características muito próprias e objectivos definidos, a saber: 
- a Purify Chi, que é composta por produtos de limpeza e purificação da pele, propondo-se a libertá-la de toxinas e maleitas afins, de modo a receber condignamente os produtos de tratamento que se seguem à remoção da sujidade acumulada depois de um dia de labuta;
- a Energize-Yang, a que pertence um sérum reenergizante, que promete revitalizar a pele cansada, devolvendo-lhe o viço;
- a Replenish-Yin, a que pertence o creme de olhos que hoje vos trago, bem como um punhado de outros produtos que têm como função a nutrição da pele, por forma a que ela se apresente mais iluminada e com uma textura mais macia e uniforme (claramente direccionadas para peles mais maduras e/ou muito secas - como eu, infelizmente, acumulo, não havia engano possível);
- e, finalmente, a Correct-Zen, pensada para corrigir e equilibrar problemas específicos diversos que as peles podem apresentar.

A ideia de Wei Young Brian, a fundadora da marca, a que dá o nome, é a de aproveitar os conhecimentos sobre tratamentos e cuidados de beleza, transmitidos de geração em geração, numa civilização tão antiga e sapiente como é a chinesa (sim senhores, ainda nós vivíamos em cavernas e já os tipos sabiam o que é o papel-moeda - que agora a maioria da população viva em condições precárias é uma das consequências de uma ditadura que acaba por castrar tudo), durante mais de 5000 anos, actualizá-los e incorporá-los nesta marca, que chega à Europa por meio da Space.NK, bem como da Beauty Bay e afins, ainda que eu tenda a enfeirar na minha loja do costume, que continua a comercializar grande parte dos produtos da marca, só porque por casa £100 gastas, fico com um saldo de £10 para gastar, o que é sempre simpático e convida ao regresso.

Dentro de veludos e caixas de cartão, jaz um creme apresentado num pote de vidro robusto (mas ainda assim um pote - e pouco higiénico por isso), cuja fórmula contém, para além dos sempiternos e bem vindos manteiga de karité e ácido hialurónico, extracto de flor de lótus branca, que ajuda na hidratação, por ser conhecida a sua capacidade de absorção e retenção de água, mesmo depois de colhida dos lagos onde habita), bem como o peptíduo argireline, cada vez mais usado como parte de tratamentos antirrugas, cuja fama terá decorrido de estudos feitos justamente de Oriente - conforme nos dá a saber um dos blogues mais conhecedores destas coisas ligadas à beleza vindo do outro lado do mundo que conheço, o Cosme Ásia, da responsabilidade de um brasileiro que sabe que se farta da poda. 
Ora posta esta apresentação, cumpre-me dar conta desta experiência de quase dois meses usando este creme de olhos de consistência espessa, quase amanteigada (sendo que um nadinha dá mesmo para muito - e olhem que eu sou conhecida pelas generosas camadonas que aplico de tudo, que não hei-de ficar uma uva-passa tão cedo), primeiramente só à noite, como dei conta aquando da entrada sobre os meus cuidados de beleza outonais de fim de dia, mas de há umas semanas para cá fazendo o pleno, de modo a que eu pudesse aferir-lhe o efeito. Curiosamente, passou-se em relação a este creme de olhos da Wei (agora já bem perto do fim, embora ainda seja capaz de me acompanhar o resto do Outono, creio) o mesmo processo por que passei com um dos meus cremes de olhos preferidos de sempre, o Advanced Eye Renewal Complex da Nude: primeiramente, achava ambos) bastante tensores, proporcionando-me uma pele lisinha e como que repulpada (e ok, este até tem para ali uns silicones, mas o outro nem por isso) mas não tão peganhenta como eu gosto que os meus produtos de rosto sejam, para que eu sinta que estão mesmo a nutrir, para além de hidratar. Mas a verdade é que, de manhã, mesmo depois da cara lavada, a área periocular continua lisa e rejuvenescida, o que noto sobretudo depois de um mesito de uso (é preciso ter paciência, nestas coisas dos cremes) - e isso agrada-me muitíssimo.

Deixo os ingredientes para quem se interessa pela coisa (e bem, para poder decidir de moto próprio sobre o que deve comprar para as necessidades da sua pele) mesmo que, como eu, ainda não saiba tudo de cor e tenha sempre de ir pesquisar pelo menos metade, de cada vez que espreita a lista de componentes de um produto novo (o que não é mau, sempre vou aprendendo qualquer coisa por repetição) - cada vez me convenço mais de que há opiniões muito bem fundamentadas sobre skincare, mas não há livros sagrados a seu respeito, porque cada pele continua a ser única e aquilo que os tais sites de renome dizem que é absolutamente genial pode não se dar com a minha pele e, pelo contrários, o que as mesmas bíblias apresentam como potencialmente alergénico e fraquinho, pode dar-se lindamente com a minha esquisitice -e um pouco de autonomia nunca fez mal a ninguém.

Se eu voltava a comprar este creme? Muito provavelmente, pelo menos de forma hipotética: a verdade é que tenho uma catrefada deles para pôr em campo e, francamente, quando eles acabarem, já terão saído para o mercado tantos que me apelam que nunca mais me lembrarei do Wei. Mas é um óptimo creme - neste como noutros casos, o que vem de Oriente não desilude, apesar de estas marcas de luxo acabarem por ser tão puxadotas em termos de preço como as nossas, ao menos quando vendidas a Ocidente. De resto, se o apanhar nos saldos ao mesmo preço, nem hesito: saiam da frente que ele é meu e virá acompanhar os outros, pertencentes a um stock que me garante que, no caso de uma qualquer tragédia que me impeça de ter acesso a produtos de beleza durante dois anos, continuarei hidratada, nutrida e vaporosa.

sábado, 22 de Novembro de 2014

Compras #87 | Uma criminosa volta sempre ao local do crime

Bem sei que este título poderia apontar para qualquer uma das lojas onde me perco bastas vezes (para a semana, se tudo correr bem, haverá aquilo que poderia ser um post com este título, parte II, quando chegarem as coisas do enfeiranço de Natal na Space.NK), mas falo da Fragance Direct. [Sim, fechem lá a boca e voltem a inspirar e expirar devagarinho que eu espero, sem problemas, o post não vai a lado algum.] A verdade é que o enfeiranço de há umas semanas na mesma loja, que espantou meio mundo porque eu comprei quase 40 vernizes de uma vez e, ainda por cima venho para aqui dizê-lo; olha o desplante de comprar o que me apetece, com o dinheiro que eu ganho, e sem pedir licença à humanidade - de facto, há pessoas sem limites e eu, confesso, sou uma delas, mandem-me prender. Ou então deixem-se ficar aí e assistam à segunda parte do enfeiranço, só porque me tinham ficado algumas cores de baixo de olho (todas predominantemente outonais e invernosas) e eu cá não sou de ficar a remoer, não senhores, pelo que tratei de proceder no sentido de as adoptar também, com certeza. Mas comecemos pelos produtos menos entusiasmantes, que isto aqui no estaminé não é só conhaque.

Se há coisa que nunca faço (mas NUNCA mesmo, isto para mim é como dormir sem retirar a maquilhagem: não faço e acabou, esteja cheia de sono ou de pressa) é aplicar verniz sem uma base e um top coat. Ok, este é mais por motivos estéticos (odeio unhas mate, adoro unhas brilhantes, tipo espelho de água), mas aquela é essencial para que as minhas unhas não amarelem, tanto por via dos pigmentos escuros dos vernizes que uso, como graças ao facto de raramente respirarem, porque raramente estou sem verniz (tento fazer uma pausa ao domingo, mas só se não tiver de sair de casa). Por outro lado, o verniz fica muito mais fácil de remover, também - ou seja, só vantagens, tanto mais se comprarmos uma base que vá ao encontro das necessidades das nossas unhas. Ora a pessoa descobriu recentemente, graças a uma querida leitura que aventou a hipótese e estava certíssima, que as minhas unhas lascavam não por estarem fracas (e eu a dar-lhe com as bases fortificantes...) mas por serem desidratadas, pelo que comecei a investir em bases hidratantes (ainda tenho ali umas fortificantes, que intervalarei com estas, certamente, porque não as vou deitar fora) e a verdade é que as unhas ficaram impecáveis: fortes na mesma (sempre tive as unhas duras e sem problemas), mas sem lascas inexplicáveis (julgava eu, na minha ignorância). Ora neste caso resolvi comprar não uma base, mas um primer hidratante, justamente para usar antes das bases fortificantes que ainda cá moram, a ver se equilibro a coisa: o Hydrating Primer With Biotin, da Nail HQ (não, nunca ouvira falar da marca, mas o conceito e os componentes agradaram-me), é suposto ser usado antes da base propriamente dita: aplica-se uma camada e deixa-se evaporar, repete-se o processo e prossegue-se com a manicura do costume, depois da unha limpa e hidratada. Custou £4.99 em vez de £6.99, por 10ml.
Mandei vir também um dos poucos top coats de secagem rápida existentes no mercado que ainda não testei: o Diamond Flash Fast Dry Top Coat da Sally Hansen promete deixar as unhas secas num minuto e, por £3.50 (em vez de £9.95) por 13,3ml não me pareceu mau negócio.

Passemos aos vernizes propriamente ditos e comecemos pela Essie, que tem sempre cores maravilhosas e, comigo, este fórmula nem se porta nada mal em termos de durabilidade (já se sabe que exijo, no máximo, três dias  - mas muito recentemente o Too Too Hot mostrou que se aguentava cinco, sem espinhas e apenas uma lasca menor). Se o preço por frasco for de £2.49, em vez de £5.50 (por cá rondam os 10 ou 11€), melhor ainda, pelo que tratei de mandar vir mais quatro cores, depois de pesquisas demoradas sobre cada cor, nas unhas. Temos, assim, da esquerda para a direita: Mind Your Mittens (um tília muito escuro de fundo cinza), Sable Collar (um vermelho acastanhado  com brilho vermelho), Vested Interest (um azul seco, com um toque de verde e um fundo cinza) e Dive Bar (um azul escuro quase preto, com reflexos cor de tília e qualquer coisa de roxo, também). Tudo de colecções passadas, evidentemente, que a Fragrance Direct é genial mas não opera milagres.

Mais um verniz da linha Salon Pro, da Rimmel London, este da colecção que a boa da Kate Moss desenvolveu com a marca: o #361 Acid House é um verde escuro metalizado, com partículas de brilho também verdes (e eu e os verdes...). Custou £1.25 (em vez de £4.49) por 12ml.
Uma linha que nunca testei foi esta Resist & Shine Titanium da L'Oréal, pelo que não havia como experimentar, mesmo porque estavam a £1.25, em vez de £7.99 (por 9ml). O frasco é uma coisa estranha, meio curvada mas anatómica (cabe na palma da mão que é uma maravilha) e escolhi as cores 710 (um cinza chumbo metalizado) e 732 (um roxo quase preto). A ver como nos damos.

Da Ciaté, marca de que, actualmente, não tenho um único frasco para amostra, no ajuntamento de vernizes, e aproveitando o preço simpático das cores disponíveis nos Paint Pot Nail Polishes (£1.99, em vez de £9, por 13.3ml), mandei vir duas das cores que achei que me agradariam. São elas: a Pecan Pie (uma espécie de tijolo acastanhado com brilhos finíssimos dourados) e a Starlet (uma cor espectacular, de base roxa escura e brilhos muito mínimos azuis, verdes e roxos). Resta saber se gosto tanto da fórmula como me lembro de gostar - porque os frascos, esses, são um miminho.

Finalmente, os Sally Hansen, que eu até sei que se vendem por cá, em hipermercados e que, ainda assim, nunca experimentei. Da linha Hard As Nails Xtreme Wear, vieram as cores Mocha Mix (um castanho rosado médio, com um quê de malva) e Virtual Violet (um lilás cheio de cintilâncias, que me parece ter reflexos rosa, azuis ou lilases, consoante a luz ou o ângulo de visão) - e foram £0.99 em vez de £4.99 por 11.8ml. Já da linha Hard As Nails (£0.99 em vez de £9.99 por 13,3ml) vieram as cores Tough Taupe (sim, mais um toupeira este ligeiramente mais castanho do que o Particulière da Chanel, que é o meu toupeira de referência - porque foi o primeiro e porque continuo a adorá-lo, de Inverno como de Verão) e e Sturdy Sapphire (uma espécie de azul cobalto metalizado).

E agora perguntam-me vocês, com essa curiosidadezita aguçada: ó C&C, mas para que é que tu queres tantos vernizes, melher? Ora essa, quero os vernizes para pintar as unhas, que eu posso ter uma grande pancada mas ainda sei aplicar os produtos onde eles devem ser aplicados, 'tsá?
(Eu sei que não tinha de me justificar mas a minha ambição é brincar às bloggers e elas dão sempre contas da sua vida e pedem muita desculpa por terem o que têm e fazem sempre um "disclaimer" para afirmarem com ar condoído que não estão a exibir-se e tal - esta foi a minha versão da coisa.)

Unhas das semanas #50 | Kiko

E eis que, depois do protagonismo de há umas semanas atrás, regressámos à Kiko: o que não falta cá por casa são vernizes por estrear (é só espreitar aqui e aqui), mas estes meninos, comprados no Verão a pensar no Inverno, estavam em fila de espera há mais tempo. Como disse já, reconciliei-me com os vernizes da Kiko muito recentemente, depois de uns anos de total afastamento: as fórmulas eram assaz heterogéneas (e nunca sabíamos o que nos ia sair na rifa), a pigmentação era muitas vezes medíocre e a durabilidade uma vergonhaça (até para mim, que não sou nada exigente e bastam-me 48h de tranquilidade, sem uma única lasca - é o mínimo!), já para não falar do pincel fininho e mal jeitoso e das cores básicas.
Mas ultimamente, a Kiko reinventou-se: ele são metalizados, ele são cores sólidas com brilho fininho, ele é glitter tão bonito que parece uma bola de espelhos. E a pessoa não só deu a mão à palmatória (coisa que adora fazer, quando de direito) como está convertida. Vamos a eles.

O #535 Metallic British Green é assim um verde-árvore-de-Natal (sim, não ligo puto ao Natal, mas reconheço as cores, 'tsá?) tão magnífico que reflecte como um espelho. É super fácil de aplicar e com duas camadas fica absolutamente opaco e uniforme. Só não lhe posso atestar a durabilidade porque quis usá-lo numa noite específica e depois apercebi-me de que colidia um nadinha com o modo como queria vestir-me e maquilhar-me no dia seguinte, pelo que tratei de o trocar. Mas é uma cor linda (sou louca por verdes) e de excelente qualidade, sem sombra de dúvida.

O #524 Blue Multicolour é, como o nome indica, um verniz de base azul escuro acinzentado, pejadinho de glitter muito fininho (daquele que não se sente, áspero, ao passar a mão sobre a unha pintada) de cores várias, onde se salientam o rosa, o tília e o prata. Em termos de pigmentação, são precisas três camadas (das fininhas, já se sabe, se não bastam duas) para que se garanta a opacidade total (a única que tolero) e manteve-se impecável durante as 60h que durou nas minhas unhas, com ginásio pelo meio (pode ser mania minha, mas o ginásio, sobretudo quando mete pesos e unhas fincadas na palma da mão, é campeão em fazer o verniz durar menos tempo). Mais uma cor de estalo.

O #536 Metallic Quartz Green é uma cor que é beeeeem a minha cara: é verde, tem um fundo cinza, acabamento metalizado e uns micro-brilhos que só se vêem debaixo de algumas luzes, prateados, que lhe dão uma dimensão maravilhosa. Comprei-o fervorosamente porque me faz lembrar do saudoso Black Pearl, da Chanel, uma edição limitada da Primavera de há uns anos que foi um sucesso tamanho que nunca mais voltou a apanhar-se, em saldos e coisas que tais. Eu usei muito, muito, o meu e apetecia-me ficar com ele para sempre (ainda tive esperança de que passasse a integrar a linha permanente, como o Particulère, que foi um filme para agarrar e agora está por todo o lado, mas não). Ora este rapaz da Kiko, sendo mais linear em termos de micro-brilhos (os do Black Pearl tinham mais cor, apesar de quase imperceptível), tem-me matado a saudade e porta-se tão satisfatoriamente como o outro, isto é, precisa de três camadas para ficar perfeito e absolutamente opaco - mas fica e adoro-lhe o tom.
O #494 Pearly Amaranth é uma cor muito eu-no-tempo-frio: sempre que não estou a usar os quase-pretos, os azuis e os verdes ou os metalizados, tendo a inclinar-me muito para estes rosa-cor-de-baga com fundo arroxeado, sendo que este apresenta o bónus de ter uns micro-brilhos rosa-vivo. O menino fica absolutamente opaco com duas camadas e, dependendo da luz, vai mudando de cor: se de dia é a cor que vêem acima, à noite torna-se uma cor mais escura, quase acastanhada, de que gosto muito - e, assim, a Kiko vai somando e crescendo na minha consideração.

O #514 Pearly Golden Coffee não foi, a priori, um dos meus preferidos - mas é-o agora, depois de aplicado. Acho este castanho escuro, com glitter muito fininho bronze-dourado, uma coisa para lá de espectacular, sobretudo quando as mãos começam a ficar mesmo branquelas (é o caso, infelizmente): o contraste entre o castanho de subtom frio, na base, e o quente do dourado que o pintalga um absoluto requinte, daqueles que seriam um clássico, se o castanho alguma vez o fosse. Mas é um neutro lindo, cheio de personalidade mas sóbrio, simultaneamente. Em termos de qualidade, vale aqui tudo quando foi já referido para os outros meninos com o mesmo acabamento (ou seja: duas camadas e temos perfeição e muito brilho), sendo que vale a pena salientar que a durabilidade é superior à da das cores sólidas.

O #530 Pearly Blue Peacock é um azul esverdunçado (às vezes, mais verde do que azul, sobretudo quando escurece, mas é algo que não consigo captar com a fidelíssima câmara do meu telefone) lindo que faz jus ao nome que lhe deram: o efeito duocromático, pintalgado de glitter minúsculo dourado faz, sem dúvida, lembrar as penas de um pavão daqueles estupidamente vaidosos. De todas as cores "pearly" que experimentei, esta é a mais pigmentada de todas, ficando bastante bem com apenas uma camada - claro que eu passei duas, porque sim. Não é um tom original, no meu ajuntamento, tenho algo da OPI muito parecido, mas também creio que já ficou claro para muita gente que isso não é coisa que me transtorne ou tire o sono, correcto? Ora pronto.

E estamos conversados quanto às entrada quinzenal sobre cores de unhas. Inté.