sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Compras #103 | O último enfeiranço coreano (para já)

A verdade é que se estão a acabar as encomendas colocadas antes da grande decisão (a de passar um ano sem compras de beleza, de acordo com as regras auto-estabelecidas): porque já pedi um reembolso do que paguei por uma encomenda colocada na Beauty Bay e ainda não chegada, podemos considerar estas coisas chegadas da Coreia (encomendadas no final de Novembro) como a última amostra de consumismo assumidamente desenfreado no que toca a produtos de maquilhagem e beleza; doravante, só poderei comprar o que se me acabar (exemplo, mandei vir a base de unhas hidratanteda Essie do eBay, porque fora isso que comprara na Beauty Bay- mas da OPI - e que nunca me chegou) e pronto.
Claro que esta encomenda, chegada ontem, não é isenta das minhas novelas do costume. A coisa começou logo mal: recebi o pedido de documentação, por parte dos CTT Internacional (que trabalham em parceira com a Autoridade Tributária nestas coisas das importações), em 29 de Dezembro e, no mesmo dia, fiz seguir, por e-mail, cópia das facturas (são duas encomendas e não uma) e da minha identificação, após o que recebi notícia automática da recepção da mensagem, como é hábito. Passados umas boas três semanas, achei estranha a ausência e contactei novamente, solicitando notícias sobre a evolução do processo, em cima da minha mensagem anterior - e os senhores têm a lata de me dizerem que não receberam nada em anexo e blábláblá. Volto a enviar, reputando-os de incompetentes e pedindo explicações; em resposta, uma mensagem a lamentar a informação de que não haviam recepcionado nada - fora um lapso. (Mandei mais uma mensagem ferocíssima, consciente de que nada adiantaria, que ele há monstros que não se combatem sozinha e a incompetência feita de meia dose de burrice e outra de negligência é um deles.)
Ontem, finalmente, chegou-me a caixa de especial, como vêem acima. Tudo coisas relativamente baratas e, como disse, divididas em duas encomendas, uma no valor de cerca de US$35/30€, a outra de $US43/36€ - assim, assegurava-me de que não era taxada, aproveitando o facto de os portes serem gratuitos. Como de costume, e apesar das facturas separadas, o vendedor do eBay escolheu enviar tudo na mesma caixa (mas, renovo, a Alfândega teve acesso à facturação separada) - ora não é que, acredito que devido a isso mesmo, os grandes sacanas fizeram-me pagar quase 30€ de taxas?!  Pazinhos, nestas alturas o meu feitiozinho vem todo ele ao de cima e caraças, saiam-me da frente que eu não sou boa de assoar. Já montei o circo e pedi esclarecimentos por escrito (falar com os senhores ao telefone é missão impossível): ou a Alfândega não tem razão e tem de me ressarcir da despesa ou, se por algum artigo manhoso que desconheço, o facto de as coisas terem sido embaladas conjuntamente levou à cobrança de taxas, o vendedor vai reembolsar-me e com uma limpeza do caraças - vantagens de estar protegida pelo eBay e Paypal, simultaneamente. 
Depois dou conta do grande final mas, entretanto, fiquem-se com o saldo deste último saque a Oriente (os outros, todos essencialmente da marca Mizon e comprados ao mesmo vendedor estão, para quem se interessar por estas coisas, aqui e aqui), mais ou menos pela ordem da imagem - desta feita, aquilo em que me apeteceu investir foi mesmo em tónicos: acho a oferta ocidental fraquinha em termos gerais (e a boa é assustadoramente cara). Ainda assim, e apesar de ter esse foco, não me fiquei por aí, que a pessoa jamais consegue conter-se gosta de manter os horizontes alargados.

- Collagen Power Lifting Solution - Intensive Firming Solution, da Mizon (cerca de 16€ por 120ml) | este é um tónico com uma consistência gelatinosa, que promete ajudar na hidratação e nutrição da pele, ao mesmo tempo que, por ser uma solução rica em colagénio marinho, contribui para a renovação ou manutenção da elasticidade da pele - ou seja, perfeito para peles secas e/ou maduras, sendo que eu acumulo. Não tem corantes nem fragrâncias artificiais nem parabenos e, apesar de nunca esperar milagres, este foi um dos produtos que mais me chamou a atenção.

- Mela Defense White Capsule Essence - Facial Tone Up Performance, da Mizon (cerca de 18€ por 50ml) | eis um sérum com cuidados branqueadores ou, pelo menos, que pretende revitalizar a pele acinzentada (eu, eu!) combater a hiperpigmentaçã, a partir das propriedades da flor de cerejeira (que os coreanos denominam de "sakura") e de flores brancas, bem como proteger a pele dos radicais livres (este rapaz possui ainda ingredientes anti-oxidantes, o que nunca é de somenos). A ver vamos como nos damos.

- Hyaluronic Acid Ultra Subbon Cream  - Moisture Wrinkle Improvement (6€ por 45ml) | este cativou-me, evidentemente, por me parecer praticamente ácido hialurónico "puro" (à semelhança do meu amigo Hydraluron, mas muito mais barato), o que é maravilhoso para a minha pele com tendência a desidratar (e uma pele desidratada envelhece com a velocidade estúpida). Para além disso, a fórmula (com ceramidas e óleos de plantas) é pensada igualmente para proteger a pele das agressões externas e lálálá.

- Hyaluronic Acid Hydra Powder Essence, da Cosrx (16€ por 100ml)  | ok, decidi inovar e optar por algo que não da Mizon, porque estes tónicos (este e o que apresento a seguir) pareceram-me coisa boa. Este, particularmente, é uma espécie de injecção de ácido hialurónico (mais uma vez: mantenham a pele estupidamente hidratada e vão perceber o que é envelhecer sem ter a pele a despencar) que vai ajudar a reter a água no rosto.

- Centella Water Alcohol-Free Toner, da Cosrx (13€ por 150ml) | este é um tónico com ingredientes botânicos, de propriedades calmantes (entre os quais se destaca centelha asiática, que tem tido a sua dose de protagonismo mítico), que me será muito útil quando tiver a pele em polvorosa, porque se propõe a mitigar irritações e males afins - o que nunca é mau, mesmo para quem não tem a pele tão reactiva como a minha.

[O que vêem na fotografia, à esquerda, é as amostras em quantidade industrial que se recebe sempre que se compra na/da Coreia.]

E foi isto, gente boa. Quando se me acabar a rotina de rosto de Inverno (que aqui tratei nas próximas semanas, como é costume, mais ou menos trimestralmente), passarei certamente ao espólio provindo da Coreia, que me ocupa uma gaveta, per se. E depois, como de costume, contarei como se porta cada um dos produtos individualmente, bem como reunirei (se disponível) mais informações sobre a composição de cada um e a sua performance.
Estamos combinados.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Filmes #83 | Wild

Caramba que eu estava morta por ver este Wild (2014): era o único que me faltava para completar a apreciação das prestações das candidatas ao Óscar de melhor actriz e é engraçado perceber que três das cinco nomeações vão para senhoras que protagonizam filmes que não são candidatos a qualquer outro prémio - falo de Still Alice, Deux Jours, Une Nuit e Gone Girl. Curiosamente, este Wild tem duas nomeações, mas nem por isso é muito diferente dos citados: para além da protagonista Reese Witherspoon, temos Laura Dern como (uma fantástica) secundária.
A estória, baseada num bestseller auto-biográfico escrito por Cheryl Strayed, a mulher agora encarnada por Witherspoon, conta-se em duas penadas: desnorteada com a morte da mãe, um casamento por cujo fim é responsável e uma vida errante que envolve sexo com estranhos e heroína à mistura, uma mulher decide mudar de vida, começando por pôr pernas ao caminho e percorrer, sozinha e de mochila às costas, os cerca quase 1800 quilómetros (1100 milhas) da Pacific Crest Trail, trilho que passa pela Califórnia, provindo do México, e sobe até ao Canadá. E olhem que, na minha opinião, tal premissa nada garante: isto poderia dar um filme da treta como, se a coisa fosse bem feita, poderia fazer história - e eu acho que faz, o que se deve em muito à montagem, com carradas de flashbacks pouco óbvios e desafiantes, que vão construindo paulatinamente uma imagem, como as peças de um puzzle daqueles difíceis de acabar.
Pelo que tenho lido, este é um dos poucos casos em que o filme supera o livro (que a crítica diz ser carregadinho de auto-comiseração e chavões) - de resto, o canadiano Jean-Marc Vallé já não é um menino nestas andanças e foi (também) graças à sua realização que Matthew McConaughey e Jared Leto levaram, no ano passado, as estatuetas de interpretação para casa, com Dallas Buyers Club. Aqui, entre montes e vales e animais selvagens e neve e unhas que caem e calor que se farta e mais lesões e comida desidratada e muita sujidade, não há cá peninhas nem lamechices (o que se deverá não apenas à realização mas também ao argumentista Nick Hornby, responsável por outras coisas boas, que adaptou o livro ao cinema): há uma mulher que porta o mundo às costas (metafórica e literalmente falando, que aquela mochila mete respeito) em busca de si mesma e do que quer fazer da existência que tem pela frente (como quem diz: se é para sofrer, há-de ser como eu quero e porque eu escolhi) - assim, tão à bruta como a vida sabe ser, sem lições de moral nem crises existenciais xanaxianas. Porque às vezes é mesmo assim: é preciso suspender a vida que levamos, em ordem a tentarmos encontrar o caminho no meio dos labirintos onde nos metemos, com ou sem ajuda. E arrancar unhas, nascer de novo, as vezes que forem precisas (tantas, às vezes é preciso tantas), até sermos quem querermos ser, por fim. Sozinhos: em solidão, se preciso for (e é, as mais das vezes), para que nunca mais nos sintamos sós, mesmo que o caminho a percorrer seja mesmo esse, o que se faz sem amparo nem apoio nem colo nem palmadinhas nas costas - porque só sabendo sobreviver sem tudo isso aprenderemos, um dia, a recebê-los, sem vivermos à sua custa ou dependemos deles.

Francamente, não me admirava nadinha se Reese Witherspoon repetisse o feito de 2005, com Walk The Line e levasse o Óscar para casa (pese embora a minha preferência continue a ir para Julianne Moore, em Still Alice - acho, já não tenho a certeza: a Cheryl de Witherspoon marcou-me irremediavelmente): esta menina já (me) provou há muito que é imensamente maior do que a sua aparência de loirinha com sotaque do Sul. que começou a carreira nas comédias românticas, pode fazer crer aos mais desprevenidos. É que este filme não é dela. Wild é ela, do início ao fim, e vale muitíssimo a pena, por cada momento em que, nela, nos lemos (tanto) a nós.

{E que esta canção seja parte importante na estória também não é de somenos: faz igualmente parte da minha e adoro-a, desde que me lembro.]

Amostras testadas #5 | O hidratante com cor da Eve Lom

Já não me lembro bem de onde veio este rapaz, mas ainda bem que veio que era coisa que eu queria experimentar desde que saiu: a Eve Lom, conhecida sobretudo pela sua linha de cuidados de pele em geral e pelo seu bálsamo desmaquilhante/limpador de rosto (que eu não amo de paixão), estendeu a sua oferta a alguns produtos de preparação de pele, entre os quais se encontra este Radiance Perfected Tinted Moisturiser SPF15 - que felizmente me veio parar às mãos exactamente na minha cor, que é a #2-Ivory (há uma dúzia delas, mas quase todas para peles claras e médias, não percebo a política desta malta), pelo que o pude usar com propriedade três vezes (eram 4ml), o que não me permite tirar grandes conclusões, mas possibilitou-me a oportunidade de testar um produto que, decididamente, não é para mim (ou para peles como a minha, com zonas mais secas e/ou linhas finas onde a coisa se agarre).
A marca apresenta o Radiance Perfect Tinted Moisturiser como um produto capaz de proporcionar "a radiância saudável no dia-a-dia, com uma fórmula rica e sedosa capaz de oferecer hidratação profunda e cobertura com cor." E acrescenta: "proporcionando um leve acabamento 'no makeup', esbate-se com facilidade e os activos iluminadores ajudam na redução da aparência de hiper-pigmentações". Finalmente, a marca elenca os benefícios do produto, a saber: cobertura hidratante e com cor, para uma radiância de pele sem maquilhagem; manchas (daquelas chatas, da idade e do sol) clareadas e reduzidas; pele intensamente hidratada, nutrida e reparada, proporcionando o recuperar da elasticidade da juventude; fórmula luxuosa, sedosa, que se esbate fácil e uniformemente; protecção UVA, UVB e anti-oxidante; benefícios para todos os tipos de pele, porque contém ácido hialurónico, ingredientes extraídos de frutos com propriedade iluminadoras, vitaminas C e E e factor de protecção solar.

E é nas suas pretensões que a Eve Lom se estica (e espalha ao comprido). Sim, confirmo o facto de se espalhar com toda a facilidade (nunca uso os dedos, mas com pincel fica impecável em dois minutos, se tanto) e de dar uma cobertura muito natural e leve, mas desminto categoricamente a "fórmula rica" e "hidratante" - como produto que é eminentemente hidratante, este rapazinho deixa muitíssimo a desejar (jamais o usaria sem o meu hidratante por baixo e, ainda assim, a coisa não correu bem) e, para além disso, é péssimo para quem tenha qualquer tipo de zonas secas na pele, porque salienta-as enormemente. De todo o modo, a cobertura, sendo leve mas eficaz (e eu gosto assim), não é de todo hidratante e tem, inclusivamente, o tal acabamento "sequinho" que eu abomino, pelo que das duas últimas vezes em que o usei misturei-o com iluminador e usei-o sobre um primer iluminador - e nem assim me convenceu, nem de perto nem de longe.
Ou seja, acho que uma pele mista a oleosa, sem zonas secas, se dará bem com este bebé, a que reconheço a formulação cuidada: há aqui cuidados elementares de tratamento, que não serão suficientes, mas são sempre bem vindos - mas condeno pela alegação (sempre falaciosa, necessariamente) de ser bestial para todos os tipos de pele, mesmo porque não conheço nada que o seja.
Finalmente, uma outra coisa não me convence de todo: a forte componente de silicones (que aparecem como segundo ingrediente), que possivelmente agradarão a muita gente. Na minha pele, em particular, não funcionam grande coisa e sinto que me causam desconforto e comichões.

AQUA, DIMETHICONE, TITANIUM DIOXIDE, C12-15 ALKYL BENZOATE, ETHYLHEXYL METHOXYCINNAMATE, PROPYLENE GLYCOL DICAPRYLATE/DICAPRATE, GLYCERIN, ISODODECANE, BUTYLENE GLYCOL, SILICA, TALC, CETYL PEG/PPG-10/1 DIMETHICONE, SYNTHETIC BEESWAX, POLYGLYCERYL-3 DIISOSTEARATE, SODIUM CHLORIDE, PHENOXYETHANOL, ZINC STEARATE, CAPRYLIC/CAPRIC TRIGLYCERIDE, DISODIUM EDTA, DISTEARDIMONIUM HECTORITE, TRIETHOXYCAPRYLYLSILANE, SODIUM DEHYDROACETATE, CHLORPHENESIN, TOCOPHERYL ACETATE, ALCOHOL, ASCORBYL PALMITATE, ALUMINUM HYDROXIDE, SODIUM HYALURONATE, PANCRATIUM MARITIMUM EXTRACT, RUBUS IDAEUS LEAF CELL CULTURE, (+/-): IRON OXIDES (CI 77491, CI 77492, CI 77499), TITANIUM DIOXIDE (CI 77891).

O Radiance Perfected Tinted Moisturiser da Eve Lom existe em doze cores, a embalagem elegante traz 50ml e custa £48/61€.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Filmes #82 | Love Is Strange

Muito bem, estamos numa pausa assumida relativamente aos filmes dos Óscares: falta-me ver o Selma (nomeado para melhor filme), o Wild (por que a Reese Witherspoon recebeu a nomeação para melhor actriz) e o Inherent Vice (porque é do Paul Thomas Anderson e porque está nomeado para melhor argumento original), o que acontecerá certamente antes de dia 22 - mas entretanto ainda faço sair uma publicação com os 16 já vistos e com links para as apreciações de cada um, bem como com as minhas escolhas naquelas que considero as categorias principais (para mim), para já, para ser mais fácil a quem procure aqui na chafarica a minha opinião sobre cada filme (e gabo-lhes a pachorra, desde já, ao mesmo tempo que fico encarecidamente agradecida pela honra).
Para desenjoar e ir ao encontro das preferências de quem se está nas tintas para o que pensa a Academia (e eu também estou, mas só porque a estúpida raramente concorda comigo, o que não me impede de assistir à discordância, ano após ano, noite adentro), trago hoje um filme aclamado pela crítica e seleccionado para festivais de cinema vários, que conta a estória de dois nova-iorquinos por adopção que, depois de 39 anos juntos, resolvem casar, usufruindo da possibilidade que o direito do estado em que vivem lhes oferece: a de oficializar a sua ligação - refiro-me a Love Is Strange (2014). E isto não seria problema algum (estamos a falar de Nova Iorque, não de um país à beira mar plantado, com gente muito arejada desde que tudo aconteça longe de si e as gentes não se atrevam a ser livres diante dos seus olhos, porque há coisas que devem ficar dentro de quatro paredes e mainãoseiquê) não fora dar-se o caso de um deles dar aulas de música numa escola católica, que aceita a homossexualidade do seu docente mas não o seu casamento, porque viola o regulamento da escola, que claramente determina que nenhum dos seus funcionários deve tomar posições que atentem contra as defendidas pela Igreja Católica.
E não me lerão sequer a comentar esta circunstância: cada instituição tem as suas regras, baseada em crenças de ordem vária e, quando assinamos um contrato de trabalho, sabemos (ou devemos saber) o que está em causa. A questão aqui, como no filme, não é essa - essa é apenas uma coisa que calha acontecer, um revés como tantos outros, de tantas vidas, que leva o casal a separar-se temporariamente, na medida em que têm de vender o apartamento em Manhattan para prover à sua subsistência (e veja-se bem o que é pagar impostos, nós por cá ainda somos uns meninos, felizmente) e viver em casa de familiares, sendo que nenhum tem espaço suficiente para albergar os dois.
Este é, definitivamente, um filme sobre o amor, as prioridades, as escolhas, o envelhecer, as relações humanas (lembrei-me tantas vezes daquela minha teoria dos limites do conhecimento social, porque às vezes só é possível gostarmos das pessoas se não privarmos com elas para além do mínimo). E há aqui cenas perfeitamente paradigmáticas, em cada personagem, mas nas principalmente nas principais: Alfred Molina e John Lithgow convencer-me-iam que eram um casal há quarenta anos na maior, tão natural é a sua interpretação. É esta a massa de que são feitos os grandes actores e os grandes filmes, aqueles que abordam coisas tão banais que nunca chegam aos Óscares. E bem hajam, por isso.

Eu e a Aurelia Probiotic Skincare | The Famous Five

Está, de facto, na hora: quando percebi que era tempo de dar conta das minhas rotinas de cuidados faciais de Inverno, de manhã e de noite, tomei consciência de que ainda não tinha dedicado uma publicação condigna aos produtos da Aurelia Probiotic Skincare, que estou a usar e que andei a desejar não sei quanto tempo (não foi muito, estou a exagerar; normalmente não demoro muito tempo a comprar aquilo que desejo, porque tenho a sorte de não desejar carros de luxo nem sapatos ou carteiras de designer), tendo acabado por comprar os cinco itens que mais me entusiasmaram e me pareceram coadunar-se com as necessidades da minha pele (só não comprei a máscara, porque achei que seria disparate, tendo em conta as muitas que tenho abertas, mas um dia talvez me vá a ela, quando tiver feito a folha às que cá moram), conforme mostrei aqui e aqui.
Estamos na presença de uma marca britânica, sediada em terras de Sua Majestade e com toda a sua produção realizada por lá (o que justifica, em certa medida, o preço do produto final) que pretende conjugar a a tecnologia probiótica com ingredientes e fórmulas botânicas, totalmente orgânicas (e eu não ligo nenhuma a estas coisas, não tenho o que quer que seja contra o que é criado em laboratório, mas apraz-me tudo o que é bom, venha de onde vier), com o objectivo primeiro de reduzir as inflamações na pele, consideradas a primeira causa dos sinais de envelhecimento precoce - o que faz dando primazia às belas das citocinas, moléculas responsáveis pela imunidade natural da pele. Ou seja, a Aurelia promete ajudar a evitar os sinais de envelhecimento precoce, a regenerar o metabolismo celular, a promover a produção natural de colagéneo e ácido hialurónico e a proporcionar uma pele radiante e iluminada - como não querer tudo e muito depressa, caramba? Acresce que todos os produtos da marca são, de uma forma geral, belissimamente formulados, com tudo o que é bom e nada do que é mau ou desnecessário ou reles, sendo que eu, particularmente, já não aguento a presença de silicones em tudo quanto é produtos para combater as rugas e afins.


Guardei tudo, como uma menina bem comportada, para o Inverno, altura em que a minha pele fica muitíssimo mais sensibilizada (a minha reactividade é espoletada sobretudo pela humidade e ares condicionados) e seca, pelo que precisa de mais nutrientes. E comecei a usá-los, mais ou menos ao mesmo tempo, a partir de 1 de Janeiro (não, não foi uma decisão de ano novo, só calhou de ter os outros produtos a acabar-se na altura), com excepção do bálsamo de limpeza, que inaugurei em meados de Dezembro, como mostrei aqui. Seria talvez cedo demais para escrever o que quer que fosse sobre estes cinco produtos - afinal, o que são quatro semanas de utilização? - não se dera o facto de, pese embora tenha de reconhecer a excelsa qualidade dos meninos, cedo me ter apercebido de que não escolhi o timing certo para eles (e ainda assim, possso comprovar as maravilhas que farão por uma pele reactiva mas um tudo-nada menos seca do que a minha, idealmente), e daí poder avançar desde já com a crónica. Vamos a ela.

Miracle Cleanser | 120ml | £34/44€
Percebi-o no primeiro dia em que o usei e a impressão manteve-se até hoje (mesmo porque tenho um Eve Lom também a uso, que intercalo de quando em vez, a ver se o gasto - já que, como já escrevi, não morro de amores por ele e os tipos parece que nascem no meu stock, mesmo que nunca tenha comprado um único): este bálsamo da Aurelia, não se sentindo como minimamente oleoso, remove a maquilhagem como gente grande. A marca salienta como ingredientes-estrela, na cartonagem, os óleos essenciais de camomila (anti-inflamatória), eucalipto (descongestionante), alecrim (revigorante) e bergamota (regeneradora), mas há ali também um complexo de peptídeos, omegas (baobab), anti-oxidantes (extracto de flor de hibisco), vitamina E e ácidos gordos (óleo de mongongo), kigelia africana (que terá propriedades reafirmantes) e um monte de coisas boas, que hidratam e acalmam ao mesmo tempo que limpam. De resto, foi com alguma surpresa que observei que a acção deste creminho aparentemente inócuo é mais rápida do que a do Eve Lom ou mesmo do meu mui amado óleo Nude, o que se nota sobretudo na eficácia com que remove a mais resistente da máscara de pestanas.No início, estranhei que a minha pele não ficasse ligeiramente oleosa depois de o usar (porque eu gosto de óleo, nada a fazer), o que me leva a crer que qualquer pele, mesmo a mais oleosa, dar-se-á bem com este bebé: o resultado é uma pele limpa e sequinha. Ele aplica-se sobre a pele seca, massajando bem para diluir toda a maquilhagem, depois junta-se um nadinha de água e massaja-se mais, após o que se deve remover tudo com o paninho de bambú antibacteriano que é fornecido com o bálsamo humedecido em água morna (o que eu às vezes faço e outras, quando ele está para lavar, uso um outro pano ou toalha qualquer, mas devo dizer que, dos panos que vêm com os bálsamos, este é mesmo o melhor que mora cá em casa e espero que tenha longa vida).
Ingredientes | WATER, DICAPRYLY CARBONATE, CETEARYL ALCOHOL, GLYCERIN, COCOGLYCERIDES, BUTYROSPERMUM PARKII (SHEA) BUTTER, GLYCERYL STEARATE, CETEARYL GLUCOSIDE, RHUS VERNICIFLUA PEEL WAX, THEOBROMA CACOA (COCOA) SEED BUTTER, KIGELIA AFRICANA FRUIT EXTRACT, HIBISCUS SABDARIFFA FLOWER EXTRACT, ADANSONIA DIGITATA (BAOBAB) FRUIT EXTRACT, LACTOSE, LACTIS PROTEINUM/MILK PROTEIN, BIFIDA FERMENT LYSATE, SCHINZIOPHYTON RAUTANENII KERNEL OIL, PANTHENOL, SODIUM ASCORBYL PHOSPHATE, ROSMARINUS OFFICINALIS (ROSEMARY) LEAF OIL, CITRUS AURANTIUM BERGAMIA, ANTHEMIS NOBILIS FLOWER OIL, EUCALYPTUS GLOBULUS LEAF OIL, XANTHAN GUM, SODIUM STEAROYL GLUTAMATE, TOCOPHERYL ACETATE, BENZYL ALCOHOL, DEHYDROACETIC ACID, CITRIC ACID, LIMONENE*, LINALOOL* (*NATURALLY OCCURRING IN ESSENTIAL OIL)


Revitalise & Glow Serum | 30ml | £47/60€
A verdade é que depositava altíssimas expectativas neste sérum: o tipo não é barato e tinha curiosidade em ver como se comportava, por comparação às carradas de outros que já usei, alguns dos quais muito queridos. A marca apresenta-o como um fluido de rápida absorção (e uma aparência de gel leitoso, acrescento eu), com uma potente acção de prevenção anti-idade e um aroma natural fruto de uma mescla de óleos de jasmim, plumeria, tuberosa e tangerina (muito agradável, por sinal), os ingredientes destacados na cartonagem Os outros ingredientes destacados são os mesmos que referi acima, pelo que se assinalam as propriedades anti-oxidantes, reafirmantes e revitalizadoras, naquilo que pretende ser um sérum a usar tanto de dia como à noite - e que eu guardo para a noite porque gosto de o usar antes do óleo da mesma marca, para os ver funcionar em toda a sua pujança. A ideia é mesmo a de hidratar e suavizar a pele baça e desidratada, no sentido de promover a luminosidade e radiância, enquanto se trabalha contra os sinais da idade. O aplicador é de pipeta, como é, de resto, o do óleo de que falo em seguida.
Ingredientes | WATER, ALOE BARBADENSIS LEAF EXTRACT, BIFIDA FERMENT LYSATE, COCOGLYCERIDES, GLYCERIN, LACTOSE, LACTIS PROTEINUM/MILK PROTEIN, COCO-CAPRYLATE, CETEARYL GLUCOSIDE, CETEARYL ALCOHOL, KIGELIA AFRICANA FRUIT EXTRACT, HIBISCUS SABDARIFFA FLOWER EXTRACT, ADANSONIA DIGITATA (BAOBAB) FRUIT EXTRACT, TOCOPHEROL, CITRUS NOBILIS (MANDARIN ORANGE) PEEL OIL, HELIANTHUS ANNUUS (SUNFLOWER) SEED OIL, JASMINUM OFFICINALE (JASMINE) FLOWER EXTRACT, PLUMERIA ACUTIFOLIA FLOWER EXTRACT, POLIANTHES TUBEROSA EXTRACT, XANTHAN GUM, SODIUM STEAROYL GLUTAMATE, SODIUM MAGNESIUM FLUOROSILICATE (NANO), SODIUM PHYTATE, GLYCERYL CAPRYLATE, BENZYL ALCOHOL, DEHYDROACTEIC ACID, CITRIC ACID, LIMONENE*, LINALOOL*, BENZYL BENZOATE*

Cell Repair Night Oil | 50ml | £45/ 57€
Este menino era, de todos os produtos da Aurelia que renho em uso, aquele que se encontrava numa posição mais delicada: afinal, sucedia ao meu muito amado Juno, da Sunday Riley (de que já tenho um fraco em stock e que recomprarei mal se acabem todos os óleos faciais cá em casa - para além dele, só há um Clarins, que guardarei para o Verão, para não sentir tanto a diferença) e não é fácil ocupar o lugar de uma estrela. Ora a verdade é que este rapaz, não sendo tão rico como o Sunday Riley (e eu gosto de óleos mesmo oleosos, não quero cá coisas leves e tal), tem cumprido muitíssimo bem a sua função e será capaz de agradar a uma panóplia de gente mais alargada do que o (meu) Juno, desde logo porque o preço é bem mais simpático, mas também porque tem uma formulação belíssima, mais leve e de rápida absorção, amiga das peles sensíveis. A ideia vendida é a de que este menino contribui para a miraculosa regeneração nocturna da pele, mito cuja falta de fundamento a minha amiga Sara já tratou de clarificar uma porção de vezes: na verdade, caríssimos, não há milagres, pelo menos nesta coisa da cosmética. Mas há umas horas em que, em princípio, não faremos mais nada se não descansar e se pudermos proporcionar à pele um descanso mais cómodo e nutritivo, ela agradece. encarecida (e nós, de manhã, também). Neste óleo, que tem um aroma natural e leve a lavanda, rosa, tangerila e neroli, temos presentes óleo de kalahari (que fornece ácidos gordos essenciais), óleo de mongongo, que ajuda a restruturar e regenerar, kigelia (que reafirma e tonifica), o omnipresente baobab (que contém os valiosíssimos omegas 3, 6 e 9) e o bom do hibisco (pelas propriedades anti-oxidantes). A ideia é, mais uma vez, reduzir os níveis de stress na/da pele, restabelecendo o seu sistema de defesas natural.
Ingredientes | PRUNUS AMYGDALUS DULCIS (SWEET ALMOND) OIL, CANNABIS SATIVA SEED OIL, TRITICUM VULGARE (WHEAT) GERM OIL, OLEA EUROPAEA (OLIVE) FRUIT OIL, SCHINZIOPHYTON RAUTANENII KERNEL OIL, CITRULLUS LANATUS (WATERMELON) SEED OIL, PUNICA GRANATUM SEED OIL, ADANSONIA DIGITATA (BAOBAB) SEED OIL, KIGELIA AFRICANA FRUIT EXTRACT, HELIANTHUS ANNUS (SUNFLOWER) SEED OIL, HIBISCUS SABDARIFFA FLOWER EXTRACT, CITRUS AURANTIUM DULCIS (ORANGE) FLOWER OIL, CITRUS NOBILIS (MANDARIN ORANGE) PEEL OIL, LAVANDULA ANGUSTIFOLIA (LAVENDER) OIL, ROSA DAMASCENA FLOWER OIL, TOCOPHEROL, TOCOPHERYL ACETATE, LIMONENE*, LINALOOL*, CITRONELLOL*, GERANIOL*, HYDROXYCITRONELLAL*, CITRAL* (*NATURALLY OCCURRING IN ESSENTIAL OIL)


Cell Revitalise Day Moisturiser | 60ml | £42/54€ e Cell Revitalise Day Moisturiser | 60ml | £42/54€
Permitam-me que junte estes dois pequenos num só ponto por um motivo: se eu não pudesse ler, na embalagem, qual o de dia e qual o de noite, não conseguiria distinguir estes tratamentos hidratantes, que se assemelham na consistência (de bálsamo), na aparência e na sensação que deixam na pele. De resto, se olharmos para os ingredientes, facilmente observaremos que há inúmeros que são comuns a ambos - o que não é de todo um caso raro - mas há uma característica que os diferencia: o cheiro, sendo que o de noite é bem mais intenso do que o de dia.
Mas vamos por partes: temos então uma consistência como a de um bálsamo (o dedo não afunda, se o pousarmos à superfície) em ambos e, se atentarmos mesmo muito, notamos que o de noite será um nadinha (mas mesmo um nadinha) mais grosso. De resto, à primeira vista, o creme de dia poderá parecer demasiado rico - mas não é, de todo, e é absorvido com a maior das facilidades. Porque é rico em anti-oxidantes e aos complexos peptídeo e pró-biótico, assegura uma óptima protecção contra tudo o que é mau, mas não tem protector solar (o que é intencional, por parte da marca), como não têm a maioria dos cremes de que gosto - e eu prefiro usar protector solar à parte, sempre. O aroma a jasmim, plumeria, tuberosa e tangerina é muito leve e quase imperceptível. (o que é simpático, para o dia-a-dia).
O creme de noite tem um aroma mais forte e, contudo, muitíssimo agradável, daqueles que estranhamente relaxam (digo estranhamente porque comigo poucas coisas funcionam assim), à semelhança do meu querido Deep Sleep Pillow Spray da This Works. Trata-se de uma mescla de neroli, lavanda (cá está!), rosa e tangerina que dá lugar a um conforto muito simpático em termos olfactivos. A isso junta-se a tal consistência rica, carregada de todos os ingredientes bons que já foram elencados acima e que fazem deste produto um poderoso anti-inflamatório e anti-oxidante, com propriedades anti-bacterianas. Tudo de bom, aparentemente e, no entanto há uma só característica nestes cremes de dia e de noite que fazem com que eles não sejam de todo os meus preferidos, ao menos para usar no Inverno: sendo de rápida absorção e tal, o que agradará muitíssimo peles normais, mistas e (arrisco dizê-lo) até oleosas (daquelas que já perceberam que lidar com uma pele oleosa não é equivalente a erradicar óleos - muito pelo contrário), mas deixa algo a desejar numa pele muito seca como é a minha no Inverno. E, quando digo seca, não imaginem zonas de secura e a esfarelar: é só uma pele que, para além de muita água, precisa de óleo, o que me leva a, por vezes, passar uma camada fininha de Ictyane entre o óleo e o creme de noite.
Agora, uma coisa é certa: se o Sunday Riley tinha um papel importantíssimo na saúde da minha pele (no que toca às crises atópicas), esta linha da Aurelia excede-se (provavelmente porque são mais produtos a trabalhar num mesmo sentido): desde que a uso, só tive um ataque forte de reactividade, que coincidiu com a morte do meu avô (ou seja, nem o deus das peles perfeitas conseguiria evitar ou contrariar isso) e foi rapidamente sanado; de resto, a pele tem-se mantido sã e equilibrada, pelo que só posso adorar este investimento.
Ingredientes Dia | AQUA/WATER, ALOE BARBADENSIS LEAF EXTRACT, GLYCERIN, BIFIDA FERMENT LYSATE, BUTYROSPERMUM PARKII (SHEA) BUTTER, COCO-CAPRYLATE, GLYCERYL STEARATE SE, CETEARYL ALCOHOL, COCOGLYCERIDES, RHUS VERNICIFLUA PEEL WAX, BORAGO OFFICINALIS SEED OIL, ROSA DAMASCENA EXTRACT, LACTIS PROTEINUM/MILK PROTEIN, CITRUS NOBILIS (MANDARIN ORANGE) PEEL OIL, HELIANTHUS ANNUUS (SUNFLOWER) SEED OIL, JASMINUM OFFICINALE (JASMINE) FLOWER EXTRACT, PLUMERIA ACUTIFOLIA FLOWER EXTRACT, POLIANTHES TUBEROSA FLOWER EXTRACT, ARGANIA SPINOSA KERNEL OIL, PRUNUS ARMENIACA (APRICOT) KERNEL OIL, KIGELIA AFRICANA FRUIT EXTRACT, HIBISCUS SABDARIFFA FLOWER EXTRACT, ADANSONIA DIGITATA (BAOBAB) FRUIT EXTRACT, SCHINZIOPHYTON RAUTANENII KERNEL OIL, SODIUM ASCORBYL PHOSPHATE, LACTOSE, PANTHENOL, XANTHAN GUM, TOCOPHERYL ACETATE, SODIUM STEAROYL GLUTAMATE, GLYCERYL CAPRYLATE, LAUROYL LYSINE, BENZYL ALCOHOL, DEHYDROACETIC ACID, SODIUM PHYTATE, CITRIC ACID, LIMONENE*, LINALOOL*, BENZYL BENZOATE* (*NATURALLY OCCURRING IN ESSENTIAL OIL)
Ingredientes Noite | AQUA/WATER, ALOE BARBADENSIS LEAF EXTRACT, GLYCERIN, BIFIDA FERMENT LYSATE, BUTYROSPERMUM PARKII (SHEA) BUTTER, GLYCERYL STEARATE SE, COCO-CAPRYLATE, CETEARYL ALCOHOL, MYRISTYL MYRISTATE, COCOGLYCERIDES, RHUS VERNICIFLUA PEEL WAX, BORAGO OFFICINALIS SEED OIL, ROSA DAMASCENA EXTRACT, LACTIS PROTEINUM/MILK PROTEIN, KIGELIA AFRICANA FRUIT EXTRACT, HIBISCUS SABDARIFFA FLOWER EXTRACT, ADANSONIA DIGITATA (BAOBAB) FRUIT EXTRACT, PERSEA GRATISSIMA (AVOCADO) OIL, PRUNUS ARMENIACA (APRICOT) KERNEL OIL, SCHINZIOPHYTON RAUTANENII KERNEL OIL, PANTHENOL, XANTHAN GUM, TOCOPHERYL ACETATE, SODIUM STEAROYL GLUTAMATE, GLYCERYL CAPRYLATE, LAUROYL LYSINE, CITRUS AURANTIUM DULCIS (ORANGE) FLOWER OIL, CITRUS NOBILIS (MANDARIN ORANGE) PEEL OIL, LAVANDULA ANGUSTIFOLIA (LAVENDER) OIL, ROSA DAMASCENA FLOWER OIL, MANNITOL, SODIUM CITRATE, ACETYL TETRAPEPTIDE-15, BENZYL ALCOHOL, DEHYDROACETIC ACID, SODIUM PHYTATE, CITRIC ACID, LIMONENE*, LINALOOL*, CITRONELLOL*, GERANIOL*, HYDROXYCITRONELLAL*, CITRAL* (*NATURALLY OCCURRING IN ESSENTIAL OIL)


Posto isto, a única coisa que faria diferentemente era mesmo ter usado estes produtos no Outono (que foi mais quente do que o Verão), justamente porque nessa altura quase de certeza que não sentiria esta necessidade de ainda mais óleos na pele - o que faz desta linha coisa ideal para qualquer pele sensível, de preferência normal a moderadamente seca, ou mesmo normal e mista, com propensão para a oleosidade. Coisa muito boa, esta,
A Aurelia vende-se na Space.NK, para o caso de alguém ter ficado de olho na coisa. Quem gostar de saber mais e tiver interesse nesta coisa, eis uma curta (e interessante) entrevista com a fundadora da marca, Claire Vero, onde ela explica a filosofia que a move e o sentido último da sua marca.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A (blherc!) sombra unitária da Laura Mercier

Esta é mesmo uma rapidinha estupidamente rápida porque há imagens que falam por si - e estas são dessas, não porque sejam espectaculares, mas porque se explicam a si mesmas: não sei se estão lembrados mas, aquando do épico enfeiranço nos saldos deste Inverno da Space.NK, comprei entre muuuuuiiiitas outras coisas uma sombra unitária da Laura Mercier, a Sequin Eye Colour na cor Shummer Plum. Pá, não havia como falhar: as sombras da Laura Mercier têm (como tudo o mais) a qualidade que se lhes reconhece, a cor parecia absolutamente magnífica e a coisa (2,5g de sombra) estava por £9/12€, o se me afigurou como uma magnífica pechincha. Ora o problema é que não, como vos mostro seguidamente.

Passemos à descrição pura e simples das imagens, só porque eu ou chata e gosto de reforçar o óbvio:
1) cor que fica no dedo depois de o esfregarmos vigorosamente na sombra (de outro modo, agarra nada de nada);
2) cor que fica no braço quando tento passar para ele a cor que ficara agarrada ao dedo em 1), depois do esforço relatado;
3) obteve-se a quantidade de produto que podem observar aqui...
4) ... depois do velho truque em desespero de causa de lavrar a superfície da sombra com um objecto bem afiado, para soltar algum pigmento (foi uma tesourinha, qualquer outra coisa dava);
5) ainda assim, quando transferido para o braço o pigmento volta a apresentar uma prestação miserável;
6) adoptaram-se, por isso, medidas extremas (pelo menos para mim, que gosto de tudo a funcionar bem e sem grandes truques) e vá de recorrer ao Duraline da Inglot (um produto que comprei para usar com pigmentos soltos e glitter, mesmo prensado), para assegurar a intensidade da cor e o não esvoaçar de partículas - e que aqui fez toda a diferença.

Ou seja: sendo que estas Sequin Eye Colour foram lançadas no Outono de 2010, não posso ter comprado um produto velho e passado (a Space.NK disponibiliza produtos em saldo em condições ideais: de resto, comprei sombras unitárias do Kevyn Aucoin nos saldos, há já dois anos, e continuam macias como manteiga), mesmo porque os pós duram eternidades. Pelas apreciações que li por essa internet fora, estas sombras não eram de todo como esta se apresentou, o que indicará que me veio parar à mão um produto mal formulado, por algum motivo que me é desconhecido.
Se podia armar um pé de vento com a Space.NK? Podia, não era a primeira vez e tenho a certeza de que se resolveria com elegância - mas, vá-se lá perceber-me, não me apeteceu. Gostei tanto da cor que, enquanto houver Duraline, tentaremos ser felizes as duas, pronto.

A C&C foi aos saldos de Inverno #5 | Zara III + Pull & Bear

Ok, procedamos então ao último post de compras nos saldos de Inverno, sendo que houve aqui um ligeiro acrescento, tanto de coisas que vieram da Zara, para além da encomenda que fiz online, como de outras que vieram mesmo da porta ao lado (todo o meu enfeiranço foi feito no Norte Shopping, não tive capacidade para mais), da Pull & Bear, onde já havia entrado mas, porque estava muita gente, "não vi" nada de jeito, e agora, num final de tarde de segunda-feira, os meus olhos pousaram numa série de coisas interessantes, e a bons preços. Passemos então à quinta parte das minhas compras dos saldos (ver as outras aqui: 1-Zara, 2-H&M, 3-Zara, 4-Mango, Üterque e Parfois), e encerremos hostilidades até aos saldos de Verão (acho).

Colete de pêlo (falso, obviamente) castanho | 29,99€ (era 49,99€ e a marcação está feita por mim porque foi comprado online)

Segundo e último item comprado online: a saia midi a modos que metalizada cinzenta (aguentem os cavalos e não torçam já o nariz: isto é coisa linda e vai ficar genial com uma camisolona grossa, agora no Inverno, ou com uma t-shirt bem slouchy, como as que mostro a seguir | 12,99€ (era 29,99)

Camisola verde (igual à bege que comprei no primeiro dia, que afinal foi mais barata do que estava marcada) | 17,99 (era 39,95€) - e este foi o item que veio agarrado a mim quando fui buscar a encomenda online, sendo que também nessa altura reparei que os botins bronze que comprei na quinta-feira existiam, agora, em 38. Ora eu comprara o 39 e preparava-me para os usar com uma palmilha, o que funcionaria lindamente, mas ainda assim preferia ter o meu número, pelo que me preparei para regressar à loja ao fim do dia, depois do trabalho e de ir a casa buscar os 39, que ainda lá moravam, impecáveis e por estrear. E foi por isso e só por isso que aconteceu o que se segue.

Macacão de crepe, preto | 19,99€ (era 59,99), Esta será, provavelmente, uma das compras mais queridas (por mim) dos saldos: o menino tem um cair impecável, um decote em V fundo à frente e nas costas e uma parte de baixo entre as culottes e a saia-calça que fará um vistaço como quer que o use (naturalmente, quando o vestir, darei conta disso lá no álbum dedicado às fatiotas que se vão usando, no Facebook).

Guardo sempre para a época de saldos a compra de t-shirts assim para o grungy, que adoro emparelhar com peças mais clássicas, como saias-lápis, saias-midi ou calças mais formais, ao que junto um belo de um batom vermelho e estou pronta. Esta custou 3,99€ (era 9.95€).

Esta veio para substituir uma mana mais velha (e já a precisar de reforma): adoro o material e o cair. Custou 5,99€ em vez de 17,95€.

A última compra da Zara, ainda sob a égide da t-shirt casual, foi esta menina, que custou 3,99€, em vez de 12,95€.

Na Pull & Bear, tudo começou com mais um colete. Mas, que diabo, como não adoptar esta coisa linda, quentinha, castanho-arruivada e arraçada de ovelha, que estava rebaixada de 45,99€ para 9,99€. Ao contrário do da Zara, este aperta, com colchetes gigantes - e não tem nada a ver com o outro.

Mais duas compras magníficas, que só diferem na cor: são ambas sem mangas, naquela malha que não faz borboto, de gola alta e rachas dos lados, um nadinha mais compridas atrás do que à frente. Custaram 5,99€ cada uma (em vez de 25,99€) e uma é verde-água e a outra um cor de vinho escuro.

Cinza mesclada com logo verde-garrafa e letras camel - o que há para não amar? | 5,99€ (era 12,99)

Finalmente, trouxe uma catrefada de brincos também da Pull & Bear (cada conjunto estava rebaixado de 4,99€ para 1,99€): durante 20 anos da minha vida não saía à rua sem brincos (entre os 12, quando furei as orelhas, e os trinta e picos), agora não lhes pego nem à lei da bala. Mas entretanto recebi uns lindos da COS no Natal, pequeninos, e resolvi tentar regressar ao hábito. Como tenho cinco furos e gosto de usar brincos todos diferentes, acabo por optar sempre por este género de coisas: cada um deles tem sempre dois ou três pares de que gosto, o que já vale a pena. E não, não prefiro ouros nem pratas (esses estão todos guardados, para um dia que me apeteça): gosto mesmo assim, de pechisbeque, para que não me salte a tampa quando os gatos me desaparecem com um ou outro ou em própria não sei onde diabo os meti (e eu sou organizadíssima, mas isto é coisa pequena por demais).

[E foi isto, gentes minhas: não procedia a um belo enfeiranço de trapos e sapatos há meses, mas já tratei de colmatar a imensa falha.]

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Filmes #81 | Óscares 2015: as minhas escolhas, a partir de 20 vistos [em actualização]


Ora vamos lá a fazer um apanhado de todos os filmes que a pessoa já viu, dos que são candidatos aos Óscares deste ano, porque de outro modo os tipos são difíceis de encontrar num blogue que não prima pela organização e etiquetagem e essas coisas de quem faz estas coisas como deve ser. Tenham em mente que eu não vi tooooodos os filmes: dou sempre prioridade àqueles que são candidatos às categorias que mais me interessam (nomeadamente, todos os de interpretação, melhor filme e melhor realizador, argumento e original e adaptado) - são as minhas preferências, pronto, e nada contra as outras, de que até constam um ou outro candidato mas que vi porque sim e não pela nomeação (como o Unbroken ou o Interstellar, por exemplo).
À data em que publico esta entrada, faltam-me ainda ver três quatro dos dezanove vinte filmes que quero ver antes do dia 22 de Fevereiro, mas fá-lo-ei entretanto e completarei a coisa. Ainda assim, atrevo-me a dar conta das minhas escolhas para as categorias referidas, sendo que não terei qualquer problema em modificar alguma delas, se a visionação dos filmes que faltam me levar a isso (mas, francamente, duvido muito, embora esteja expectante em relação a Wild, porque acho Ms. Witherspoon um talento).

[É só clicarem com o rato em cima do nome do filme e serão transportados para a entrada correspondente, vale? Então vá.]

Boywood  (6 nomeações)
American Sniper (6 nomeações)
Foxcatcher (5 nomeações)
The Imitation Game (8 nomeações)
The Theory of Everything  (5 nomeações)
Whiplash (5 nomeações)
Deux Jours, Une Nuit (1 nomeação)
Still Alice (1 nomeação)
Gone Girl (1 nomeação)
The Judge (1 nomeação)
Unbroken (3 nomeações)
Interstellar (5 nomeações)
Into The Woods (3 nomeações)
Inherent Vice (2 nomeações)
Selma (2 nomeações)
Wild (2 nomeações)
Nightcrawler (1 nomeação)
Ida (1 nomeação)



Já agora, em termos de preferências pessoais (que raramente vão ao encontro das da Academia, mas isso não interessa nada), temos:
Melhor Filme | The Grand Budapest Hotel (caramba, porque sim, em absoluto)
Melhor Realização | Linklater, em Boyhood (o homem filmou durante 13 anos - não tem concorrência)
Melhor Actriz | Julianne Moore em Still Alice (brilhante! - mas não espernearei se ganhar a Witherspoon)
Melhor Actor | Eddie Redmayne ou Benedict Cumberbatch - um deles, caramba!
Melhor Actriz Secundária | Emma Stone em Birdman (a melhor actriz da nova geração)
Melhor Actor Secundário | J.K Simmons, em Whiplash (sim, sim e sim!)
Melhor Argumento Original | Nightcrawler (porque é absolutamente brilhante, tem de ganhar alguma coisa!)
Melhor Argumento Adaptado | Whiplash (porque há coisas que se perdem nas outras adaptações e não deveriam perder)

A C&C foi aos saldos de Inverno #4 | Üterque, Mango e Parfois

E passemos à quarta entrada dedicada às compras da pessoa nos saldos de Inverno: só quinquilharia e uns sapatos. Aproveito sempre para comprar sobretudo anéis nesta altura: gosto de ir variando e, de todo o modo, como não tenho cuidado nenhum e eles vão oxidando, só mesmo comprando baratinho. 

Scarpins Üterque (a melhor relação qualidade/preço em sapatos de salto clássicos) | 49,95€ (eram 89€)

Os anéis da PArfois normalmente não primam pela qualidade mas, volta e meia, lá se encontra um ou outro que dura horrores. A ver como se portam estes, sendo que todos custavam entre os 4 e os 6€ e estavam rebaixados para 2€ e 3€.

Na Mango, entrei mais para ver os restos de roupa (que eram poucos e fracos) e acabei frente ao escaparate de bijuteria. Tenho pouca coisa da Mango, no que toca a acessórios, mas o que tenho tem-se mantido simpaticamente, pelo que procedi ao enfeiranço acima: trouxe quatro fios fininhos (entre o dourado e o prateado) e uma catrefada de anéis (dourados, prateados e cor de chumbo), todos eles discretos e para usar em dedos vários, como os da Parfois - estava tudo a metade do preço, pelo que me pareceu negócio dos bons (e tenho com que entreter-me até à próxima estação).


[E estamos quase, quase, no fim da série, gentes minhas: amanhã encerro os saldos de Inverno com duas peças da Zara que já estão na loja à espera de que eu as vá levantar e pronto, partimos para outra, que tanta compra já enjoa]

domingo, 25 de janeiro de 2015

Filmes #80 | I Origins

I Origins (2014) é um filme ainda sem data de estreia prevista para Portugal, que estreou no festival de Sundance, no princípio do ano passado, e consiste numa daquelas estórias que eu classificaria de científico-espirituais (termo ainda fresquinho e acabado de inventar): creio que está muito em voga esta ideia da necessidade do holismo e, se quisermos, do ecumenismo, ainda que sempre com um pezinho a fugir para o quem-não-é-espiritual-não-é-bom-chefe-de-família. Ora eu, sendo eu mais ou menos chefe de mim mesma (os felinos e canídeos chefiam-me a mim, não tenho ilusões a esse respeito), careço dessa qualidade que um certo espectro da sociedade ocidental entende como necessária nos dias que correm. E eu compreendo, reparem, não defendo a racionalidade tout court, mas também não acho que o que a complementa seja necessariamente a crença em algo de metafísico: podemos pura e simplesmente a falar de emotividade, de empatia (e não serão elas metafísicas, sem mais?). Dizia eu que tenho zero de espiritualidade em mim - e não se pense que me orgulho disto, embora também não me faça comichões: é um facto, nada mais. Ser espiritual ou crente ou o que lhe quiserem chamar é, como tanta outra coisa que se julgou ser passível de escolha, algo que se é ou não, não é algo que se possa decidir ser. 
Mas adiante: este I Origins é um filme sobre um médico especializado em biologia molecular, que se dedica ao estudo da íris do olho, com o objectivo de provar que os olhos não são uma criação de Deus mas um órgão em permanente evolução que, a dada altura, com os colegas Karen e Kevin, consegue forjar numa minhoca que originariamente não os tinha. Entretanto, conhece Sofi, uma arisca e espiritualíssima modelo francesa, por cujos olhos (claro) se apaixona, até ao dia em que, tendo casamento marcado para o dia seguinte. um acidente num elevador a mata, depois de uma discussão. Claro que  o rapaz fica na lama, claro que a colega Karen o consola, claro que ficam juntos (na realidade como nos filmes, nada de novo) e acabam por ter um filho, sendo que, por causa dele (que mal faz parte da estória) vêm a saber que uma médica conduz um estudo que pretende provar que as íris dos olhos, que são como impressões digitais, podem, afinal "reencarnar", sendo que com elas vêm memórias de vidas passadas (Tobias, o bebé, teria herdado o padrão da íris, que não a cor dos olhos, de um fazendeiro recentemente falecido, e reagia a elementos que lhe eram mostrados em fotografia).
Não vou negar, aqui comecei a mexer-me no assento, achei a coisa demasiado forçada: tínhamos um cientista quase (e perdoem-me a liberdade da expressão disparatada) excessivamente ateu (porque não é impossível, como o filme parece pretender fazer crer, que o espírito científico se alie a crença em algo de sobrenatural - aconteceu e acontece com muitos e bons), posto de repente perante uma hipótese que não consegue explicar e, naturalmente, tudo apontaria para a redenção (que é mais ou menos, segundo este ponto de vista, a aceitação de um deus) e tal - e eu tenho muito pouca pachorra para estas moralidades, porque me soam sempre a cliché. Mas ok, já que a vida estava perdida, que se seguisse o raciocínio, a ver até onde a coisa ia, mesmo porque adivinhava que a Sofi da primeira parte da estória não teria aparecido ali por acaso. 
Não apareceu. A coisa mete uma viagem à Índia, uma busca desenfreada e uma conclusão que deixa todas as hipóteses em aberto, como é uso.
Se mudou a minha vida? Mas é que nem um bocadinho, vou esquecer este I Origins com muita facilidade. Mas não se vê mal e, para quem se interessa por assuntos deste cariz ou mesmo para quem se debate com dúvidas (ou certezas, que podem ser tão sintomáticas como aquelas), a coisa pode ser bem mais engraçada do que foi para mim.