domingo, 23 de Novembro de 2014

Mais uma parceria nada-morta, coitadinha.


Eu enterro-as as todas mesmo antes de nascerem, e juro que é sem planeamento ou sequer intenção, a coisa está-me no sangue e tendo para o assassinato dessa maravilha que sustenta 90% da blogosfera nacional (internacional também, sejamos honestos, mas como os blogues têm mais qualidade e podem ser levados mais a sério, a coisa não choca tanto): a bela da parceria.
Chega a pessoa de viagem há duas semanas e eis que a aguardam duas mensagens de relevo na caixa do correio: uma, de um restaurante vegetariano a que não achei graça (e que não nomearei, que eu cá sou uma elegante - mas, repito, é vegetariano), a ameaçar-me veladamente caso eu não revisse o conteúdo de um post em que eu digo que os tipos são fraquinhos, porque se sentem lesados pela ausência de clientes, que me atribuem (e eu adoro que me tenham em tão grande conta, juro que sim, mas lamento que aquela malta prefira atribuir o insucesso a um blogue de vão de escada do que à sua própria incompetência - evidentemente, levou resposta condigna e fofinha); a outra, de uma parafarmácia online espanhola que já em tempos me contactara para me oferecer um cupão de desconto de 5€ em qualquer compra Sesderma, que eu não usei porque acabara de mandar vir uma série de coisas da Dermofarma e eles davam-me o prazo de uma semana para usar o vale. Voltaram à carga agora, dizendo que adorariam trabalhar comigo e se eu fazia o favor de escolher produtos Lierac que me apetecesse experimentar (assim mesmo, sem limite de preço ou de número de produtos). E eu respondi que sim senhora, e que agradecia muitíssimo o contacto, já que há uma série de produtos da marca que me interessava experimentar, nomeadamente o x, o y e o z (e lá apontei três, bastante controladinha) mas que antes gostaria de que eles estivessem cientes de que aqui na chafarica não só se diz de onde veio o produto e com que fim, como se diz o que se acha, mesmo que o produto tenha sido oferecido pela Rainha de Inglaterra. Terminava pedindo-lhes o assentimento quanto a este forma de trabalho e dando-lhes toda a liberdade para escolherem, de entre os três produtos indicados, o ou os que lhes interessava enviarem-me.
E foi assim, com um parágrafo simples, que acabei com uma parceria que nem chegou a começar e que estou, até hoje, à espera de resposta de suas excelências, que lá devem ter achado que tinham encontrado mais uma banana para lhes fazer publicidade gratuita, deslumbrada com as ofertas.

Não, amizades, o tempo da colonização não acabou: há séculos, usavam-se colares de contas e outras tonterias, mas sempre eram novidade para os colonizados; hoje, vendemo-nos por muito menos, paz à nossa consciência e ao brio no trabalho, mesmo que amador.

Wei Beauty | um creme de olhos chinês

Foi num dos meus enfeiranços nos saldos de Verão da Space.NK: de que outro modo me disporia eu a comprar um creme de olhos de uma marca praticamente desconhecida, por £60/76€ (o caraças da libra valorizou, do Verão para cá), a não ser que se me propusessem vendê-lo por um quarto do preço? E foi mesmo por 15€ que arrematei este White Lotus Moisture Rich Eye Blend, da Wei Beauty, marca chinesa de luxo (sim, sim, amizades, da China não vem só pechisbeque, como de Paris não vem só requinte, boa?), como se verificará pelo cuidado na embalagem do produto (que não é determinante, mas impressiona sempre), que se propõe a integrar os conhecimentos da ancestral medicina tradicional chinesa nos cuidados de rosto. A oferta de produtos divide-se por quatro linhas, devida mas sucintamente apresentadas no site da marca com características muito próprias e objectivos definidos, a saber: 
- a Purify Chi, que é composta por produtos de limpeza e purificação da pele, propondo-se a libertá-la de toxinas e maleitas afins, de modo a receber condignamente os produtos de tratamento que se seguem à remoção da sujidade acumulada depois de um dia de labuta;
- a Energize-Yang, a que pertence um sérum reenergizante, que promete revitalizar a pele cansada, devolvendo-lhe o viço;
- a Replenish-Yin, a que pertence o creme de olhos que hoje vos trago, bem como um punhado de outros produtos que têm como função a nutrição da pele, por forma a que ela se apresente mais iluminada e com uma textura mais macia e uniforme (claramente direccionadas para peles mais maduras e/ou muito secas - como eu, infelizmente, acumulo, não havia engano possível);
- e, finalmente, a Correct-Zen, pensada para corrigir e equilibrar problemas específicos diversos que as peles podem apresentar.

A ideia de Wei Young Brian, a fundadora da marca, a que dá o nome, é a de aproveitar os conhecimentos sobre tratamentos e cuidados de beleza, transmitidos de geração em geração, numa civilização tão antiga e sapiente como é a chinesa (sim senhores, ainda nós vivíamos em cavernas e já os tipos sabiam o que é o papel-moeda - que agora a maioria da população viva em condições precárias é uma das consequências de uma ditadura que acaba por castrar tudo), durante mais de 5000 anos, actualizá-los e incorporá-los nesta marca, que chega à Europa por meio da Space.NK, bem como da Beauty Bay e afins, ainda que eu tenda a enfeirar na minha loja do costume, que continua a comercializar grande parte dos produtos da marca, só porque por casa £100 gastas, fico com um saldo de £10 para gastar, o que é sempre simpático e convida ao regresso.

Dentro de veludos e caixas de cartão, jaz um creme apresentado num pote de vidro robusto (mas ainda assim um pote - e pouco higiénico por isso), cuja fórmula contém, para além dos sempiternos e bem vindos manteiga de karité e ácido hialurónico, extracto de flor de lótus branca, que ajuda na hidratação, por ser conhecida a sua capacidade de absorção e retenção de água, mesmo depois de colhida dos lagos onde habita), bem como o peptíduo argireline, cada vez mais usado como parte de tratamentos antirrugas, cuja fama terá decorrido de estudos feitos justamente de Oriente - conforme nos dá a saber um dos blogues mais conhecedores destas coisas ligadas à beleza vindo do outro lado do mundo que conheço, o Cosme Ásia, da responsabilidade de um brasileiro que sabe que se farta da poda. 
Ora posta esta apresentação, cumpre-me dar conta desta experiência de quase dois meses usando este creme de olhos de consistência espessa, quase amanteigada (sendo que um nadinha dá mesmo para muito - e olhem que eu sou conhecida pelas generosas camadonas que aplico de tudo, que não hei-de ficar uma uva-passa tão cedo), primeiramente só à noite, como dei conta aquando da entrada sobre os meus cuidados de beleza outonais de fim de dia, mas de há umas semanas para cá fazendo o pleno, de modo a que eu pudesse aferir-lhe o efeito. Curiosamente, passou-se em relação a este creme de olhos da Wei (agora já bem perto do fim, embora ainda seja capaz de me acompanhar o resto do Outono, creio) o mesmo processo por que passei com um dos meus cremes de olhos preferidos de sempre, o Advanced Eye Renewal Complex da Nude: primeiramente, achava ambos) bastante tensores, proporcionando-me uma pele lisinha e como que repulpada (e ok, este até tem para ali uns silicones, mas o outro nem por isso) mas não tão peganhenta como eu gosto que os meus produtos de rosto sejam, para que eu sinta que estão mesmo a nutrir, para além de hidratar. Mas a verdade é que, de manhã, mesmo depois da cara lavada, a área periocular continua lisa e rejuvenescida, o que noto sobretudo depois de um mesito de uso (é preciso ter paciência, nestas coisas dos cremes) - e isso agrada-me muitíssimo.

Deixo os ingredientes para quem se interessa pela coisa (e bem, para poder decidir de moto próprio sobre o que deve comprar para as necessidades da sua pele) mesmo que, como eu, ainda não saiba tudo de cor e tenha sempre de ir pesquisar pelo menos metade, de cada vez que espreita a lista de componentes de um produto novo (o que não é mau, sempre vou aprendendo qualquer coisa por repetição) - cada vez me convenço mais de que há opiniões muito bem fundamentadas sobre skincare, mas não há livros sagrados a seu respeito, porque cada pele continua a ser única e aquilo que os tais sites de renome dizem que é absolutamente genial pode não se dar com a minha pele e, pelo contrários, o que as mesmas bíblias apresentam como potencialmente alergénico e fraquinho, pode dar-se lindamente com a minha esquisitice -e um pouco de autonomia nunca fez mal a ninguém.

Se eu voltava a comprar este creme? Muito provavelmente, pelo menos de forma hipotética: a verdade é que tenho uma catrefada deles para pôr em campo e, francamente, quando eles acabarem, já terão saído para o mercado tantos que me apelam que nunca mais me lembrarei do Wei. Mas é um óptimo creme - neste como noutros casos, o que vem de Oriente não desilude, apesar de estas marcas de luxo acabarem por ser tão puxadotas em termos de preço como as nossas, ao menos quando vendidas a Ocidente. De resto, se o apanhar nos saldos ao mesmo preço, nem hesito: saiam da frente que ele é meu e virá acompanhar os outros, pertencentes a um stock que me garante que, no caso de uma qualquer tragédia que me impeça de ter acesso a produtos de beleza durante dois anos, continuarei hidratada, nutrida e vaporosa.

sábado, 22 de Novembro de 2014

Compras #87 | Uma criminosa volta sempre ao local do crime

Bem sei que este título poderia apontar para qualquer uma das lojas onde me perco bastas vezes (para a semana, se tudo correr bem, haverá aquilo que poderia ser um post com este título, parte II, quando chegarem as coisas do enfeiranço de Natal na Space.NK), mas falo da Fragance Direct. [Sim, fechem lá a boca e voltem a inspirar e expirar devagarinho que eu espero, sem problemas, o post não vai a lado algum.] A verdade é que o enfeiranço de há umas semanas na mesma loja, que espantou meio mundo porque eu comprei quase 40 vernizes de uma vez e, ainda por cima venho para aqui dizê-lo; olha o desplante de comprar o que me apetece, com o dinheiro que eu ganho, e sem pedir licença à humanidade - de facto, há pessoas sem limites e eu, confesso, sou uma delas, mandem-me prender. Ou então deixem-se ficar aí e assistam à segunda parte do enfeiranço, só porque me tinham ficado algumas cores de baixo de olho (todas predominantemente outonais e invernosas) e eu cá não sou de ficar a remoer, não senhores, pelo que tratei de proceder no sentido de as adoptar também, com certeza. Mas comecemos pelos produtos menos entusiasmantes, que isto aqui no estaminé não é só conhaque.

Se há coisa que nunca faço (mas NUNCA mesmo, isto para mim é como dormir sem retirar a maquilhagem: não faço e acabou, esteja cheia de sono ou de pressa) é aplicar verniz sem uma base e um top coat. Ok, este é mais por motivos estéticos (odeio unhas mate, adoro unhas brilhantes, tipo espelho de água), mas aquela é essencial para que as minhas unhas não amarelem, tanto por via dos pigmentos escuros dos vernizes que uso, como graças ao facto de raramente respirarem, porque raramente estou sem verniz (tento fazer uma pausa ao domingo, mas só se não tiver de sair de casa). Por outro lado, o verniz fica muito mais fácil de remover, também - ou seja, só vantagens, tanto mais se comprarmos uma base que vá ao encontro das necessidades das nossas unhas. Ora a pessoa descobriu recentemente, graças a uma querida leitura que aventou a hipótese e estava certíssima, que as minhas unhas lascavam não por estarem fracas (e eu a dar-lhe com as bases fortificantes...) mas por serem desidratadas, pelo que comecei a investir em bases hidratantes (ainda tenho ali umas fortificantes, que intervalarei com estas, certamente, porque não as vou deitar fora) e a verdade é que as unhas ficaram impecáveis: fortes na mesma (sempre tive as unhas duras e sem problemas), mas sem lascas inexplicáveis (julgava eu, na minha ignorância). Ora neste caso resolvi comprar não uma base, mas um primer hidratante, justamente para usar antes das bases fortificantes que ainda cá moram, a ver se equilibro a coisa: o Hydrating Primer With Biotin, da Nail HQ (não, nunca ouvira falar da marca, mas o conceito e os componentes agradaram-me), é suposto ser usado antes da base propriamente dita: aplica-se uma camada e deixa-se evaporar, repete-se o processo e prossegue-se com a manicura do costume, depois da unha limpa e hidratada. Custou £4.99 em vez de £6.99, por 10ml.
Mandei vir também um dos poucos top coats de secagem rápida existentes no mercado que ainda não testei: o Diamond Flash Fast Dry Top Coat da Sally Hansen promete deixar as unhas secas num minuto e, por £3.50 (em vez de £9.95) por 13,3ml não me pareceu mau negócio.

Passemos aos vernizes propriamente ditos e comecemos pela Essie, que tem sempre cores maravilhosas e, comigo, este fórmula nem se porta nada mal em termos de durabilidade (já se sabe que exijo, no máximo, três dias  - mas muito recentemente o Too Too Hot mostrou que se aguentava cinco, sem espinhas e apenas uma lasca menor). Se o preço por frasco for de £2.49, em vez de £5.50 (por cá rondam os 10 ou 11€), melhor ainda, pelo que tratei de mandar vir mais quatro cores, depois de pesquisas demoradas sobre cada cor, nas unhas. Temos, assim, da esquerda para a direita: Mind Your Mittens (um tília muito escuro de fundo cinza), Sable Collar (um vermelho acastanhado  com brilho vermelho), Vested Interest (um azul seco, com um toque de verde e um fundo cinza) e Dive Bar (um azul escuro quase preto, com reflexos cor de tília e qualquer coisa de roxo, também). Tudo de colecções passadas, evidentemente, que a Fragrance Direct é genial mas não opera milagres.

Mais um verniz da linha Salon Pro, da Rimmel London, este da colecção que a boa da Kate Moss desenvolveu com a marca: o #361 Acid House é um verde escuro metalizado, com partículas de brilho também verdes (e eu e os verdes...). Custou £1.25 (em vez de £4.49) por 12ml.
Uma linha que nunca testei foi esta Resist & Shine Titanium da L'Oréal, pelo que não havia como experimentar, mesmo porque estavam a £1.25, em vez de £7.99 (por 9ml). O frasco é uma coisa estranha, meio curvada mas anatómica (cabe na palma da mão que é uma maravilha) e escolhi as cores 710 (um cinza chumbo metalizado) e 732 (um roxo quase preto). A ver como nos damos.

Da Ciaté, marca de que, actualmente, não tenho um único frasco para amostra, no ajuntamento de vernizes, e aproveitando o preço simpático das cores disponíveis nos Paint Pot Nail Polishes (£1.99, em vez de £9, por 13.3ml), mandei vir duas das cores que achei que me agradariam. São elas: a Pecan Pie (uma espécie de tijolo acastanhado com brilhos finíssimos dourados) e a Starlet (uma cor espectacular, de base roxa escura e brilhos muito mínimos azuis, verdes e roxos). Resta saber se gosto tanto da fórmula como me lembro de gostar - porque os frascos, esses, são um miminho.

Finalmente, os Sally Hansen, que eu até sei que se vendem por cá, em hipermercados e que, ainda assim, nunca experimentei. Da linha Hard As Nails Xtreme Wear, vieram as cores Mocha Mix (um castanho rosado médio, com um quê de malva) e Virtual Violet (um lilás cheio de cintilâncias, que me parece ter reflexos rosa, azuis ou lilases, consoante a luz ou o ângulo de visão) - e foram £0.99 em vez de £4.99 por 11.8ml. Já da linha Hard As Nails (£0.99 em vez de £9.99 por 13,3ml) vieram as cores Tough Taupe (sim, mais um toupeira este ligeiramente mais castanho do que o Particulière da Chanel, que é o meu toupeira de referência - porque foi o primeiro e porque continuo a adorá-lo, de Inverno como de Verão) e e Sturdy Sapphire (uma espécie de azul cobalto metalizado).

E agora perguntam-me vocês, com essa curiosidadezita aguçada: ó C&C, mas para que é que tu queres tantos vernizes, melher? Ora essa, quero os vernizes para pintar as unhas, que eu posso ter uma grande pancada mas ainda sei aplicar os produtos onde eles devem ser aplicados, 'tsá?
(Eu sei que não tinha de me justificar mas a minha ambição é brincar às bloggers e elas dão sempre contas da sua vida e pedem muita desculpa por terem o que têm e fazem sempre um "disclaimer" para afirmarem com ar condoído que não estão a exibir-se e tal - esta foi a minha versão da coisa.)

Unhas das semanas #50 | Kiko

E eis que, depois do protagonismo de há umas semanas atrás, regressámos à Kiko: o que não falta cá por casa são vernizes por estrear (é só espreitar aqui e aqui), mas estes meninos, comprados no Verão a pensar no Inverno, estavam em fila de espera há mais tempo. Como disse já, reconciliei-me com os vernizes da Kiko muito recentemente, depois de uns anos de total afastamento: as fórmulas eram assaz heterogéneas (e nunca sabíamos o que nos ia sair na rifa), a pigmentação era muitas vezes medíocre e a durabilidade uma vergonhaça (até para mim, que não sou nada exigente e bastam-me 48h de tranquilidade, sem uma única lasca - é o mínimo!), já para não falar do pincel fininho e mal jeitoso e das cores básicas.
Mas ultimamente, a Kiko reinventou-se: ele são metalizados, ele são cores sólidas com brilho fininho, ele é glitter tão bonito que parece uma bola de espelhos. E a pessoa não só deu a mão à palmatória (coisa que adora fazer, quando de direito) como está convertida. Vamos a eles.

O #535 Metallic British Green é assim um verde-árvore-de-Natal (sim, não ligo puto ao Natal, mas reconheço as cores, 'tsá?) tão magnífico que reflecte como um espelho. É super fácil de aplicar e com duas camadas fica absolutamente opaco e uniforme. Só não lhe posso atestar a durabilidade porque quis usá-lo numa noite específica e depois apercebi-me de que colidia um nadinha com o modo como queria vestir-me e maquilhar-me no dia seguinte, pelo que tratei de o trocar. Mas é uma cor linda (sou louca por verdes) e de excelente qualidade, sem sombra de dúvida.

O #524 Blue Multicolour é, como o nome indica, um verniz de base azul escuro acinzentado, pejadinho de glitter muito fininho (daquele que não se sente, áspero, ao passar a mão sobre a unha pintada) de cores várias, onde se salientam o rosa, o tília e o prata. Em termos de pigmentação, são precisas três camadas (das fininhas, já se sabe, se não bastam duas) para que se garanta a opacidade total (a única que tolero) e manteve-se impecável durante as 60h que durou nas minhas unhas, com ginásio pelo meio (pode ser mania minha, mas o ginásio, sobretudo quando mete pesos e unhas fincadas na palma da mão, é campeão em fazer o verniz durar menos tempo). Mais uma cor de estalo.

O #536 Metallic Quartz Green é uma cor que é beeeeem a minha cara: é verde, tem um fundo cinza, acabamento metalizado e uns micro-brilhos que só se vêem debaixo de algumas luzes, prateados, que lhe dão uma dimensão maravilhosa. Comprei-o fervorosamente porque me faz lembrar do saudoso Black Pearl, da Chanel, uma edição limitada da Primavera de há uns anos que foi um sucesso tamanho que nunca mais voltou a apanhar-se, em saldos e coisas que tais. Eu usei muito, muito, o meu e apetecia-me ficar com ele para sempre (ainda tive esperança de que passasse a integrar a linha permanente, como o Particulère, que foi um filme para agarrar e agora está por todo o lado, mas não). Ora este rapaz da Kiko, sendo mais linear em termos de micro-brilhos (os do Black Pearl tinham mais cor, apesar de quase imperceptível), tem-me matado a saudade e porta-se tão satisfatoriamente como o outro, isto é, precisa de três camadas para ficar perfeito e absolutamente opaco - mas fica e adoro-lhe o tom.
O #494 Pearly Amaranth é uma cor muito eu-no-tempo-frio: sempre que não estou a usar os quase-pretos, os azuis e os verdes ou os metalizados, tendo a inclinar-me muito para estes rosa-cor-de-baga com fundo arroxeado, sendo que este apresenta o bónus de ter uns micro-brilhos rosa-vivo. O menino fica absolutamente opaco com duas camadas e, dependendo da luz, vai mudando de cor: se de dia é a cor que vêem acima, à noite torna-se uma cor mais escura, quase acastanhada, de que gosto muito - e, assim, a Kiko vai somando e crescendo na minha consideração.

O #514 Pearly Golden Coffee não foi, a priori, um dos meus preferidos - mas é-o agora, depois de aplicado. Acho este castanho escuro, com glitter muito fininho bronze-dourado, uma coisa para lá de espectacular, sobretudo quando as mãos começam a ficar mesmo branquelas (é o caso, infelizmente): o contraste entre o castanho de subtom frio, na base, e o quente do dourado que o pintalga um absoluto requinte, daqueles que seriam um clássico, se o castanho alguma vez o fosse. Mas é um neutro lindo, cheio de personalidade mas sóbrio, simultaneamente. Em termos de qualidade, vale aqui tudo quando foi já referido para os outros meninos com o mesmo acabamento (ou seja: duas camadas e temos perfeição e muito brilho), sendo que vale a pena salientar que a durabilidade é superior à da das cores sólidas.

O #530 Pearly Blue Peacock é um azul esverdunçado (às vezes, mais verde do que azul, sobretudo quando escurece, mas é algo que não consigo captar com a fidelíssima câmara do meu telefone) lindo que faz jus ao nome que lhe deram: o efeito duocromático, pintalgado de glitter minúsculo dourado faz, sem dúvida, lembrar as penas de um pavão daqueles estupidamente vaidosos. De todas as cores "pearly" que experimentei, esta é a mais pigmentada de todas, ficando bastante bem com apenas uma camada - claro que eu passei duas, porque sim. Não é um tom original, no meu ajuntamento, tenho algo da OPI muito parecido, mas também creio que já ficou claro para muita gente que isso não é coisa que me transtorne ou tire o sono, correcto? Ora pronto.

E estamos conversados quanto às entrada quinzenal sobre cores de unhas. Inté.

sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Sephora | Um creme de duche mesmo muito hidratante

Querem ver como a pessoa é capaz de fazer um daqueles posts de meia dúzia de linhas, em que não diz grande coisa mas também não maça as gentes. Então aqui vai: tive oportunidade de experimentar, durante cerca de uma semana e em casa e banheira alheios, o Ultra Nourishing Shower Cream With 50% Moisturising Cream, da Sephora, numa altura em que estava ainda bastante calor (só para contextualizar a minha apreciação). Trata-se de um produto lavante, para usar no duche, sem parabenos e com 50% de creme hidratante, que a marca diz ser adequado até para as peles mais sensíveis, seja no corpo, seja no rosto. Não vou mentir: não testei a coisa no rosto, que eu prezo demasiado os dias bons da minha pele para me pôr com experimentações que podem dar barraca - mas a pele do meu corpo é absolutamente normal e pode ser sujeita ao me que aprouver (na verdade, ela está sempre normal e hidratada porque eu jamais deixo de a hidratar, diariamente; provavelmente, se não o fizesse, e apesar de beber muitos líquidos, talvez a sentisse desidratada). E foi justamente a pele do meu corpo que se sentiu ma-ra-vi-lho-sa-men-te com este menino, que tem uma consistência mais espessa  do que o mais rico dos cremes de duche (o Dove é sempre a minha referência) mas que se espalha com toda a facilidade, deixando a pele do corpo de facto nutrida. Claro que aqui a obcecada com as hidratações não deixa de aplicar o seu hidratante do costume, depois do duche, mas admito que se o não fizesse uma vez  ou outra, talvez o Carmo e a Trindade não despencassem.
O cheirinho é muito agradável e suave, quase inexistente e os 400ml que a embalagem com doseador porta custam, habitualmente, 9,90€. O melhor de tudo é que, por alturas dos saldos, é comum vermos este e outros produtos da marca rebaixados, sendo que no Verão o Ultra Nourishing Cream desceu para os 5€ (palpita-me que em Janeiro, se tiver a sorte de o encontrar, faço stock da coisa).
(E pronto, estão a ver como eu sei ser rapidinha e tudo?)

Ajuntamento #39 | Paletas de Sombras XI | As (mais) recém-chegadas Dior,Inglot, Becca e Kiko outra vez

No momento em que me encontro a encerrar este conjunto de onze (ONZE, caramba) entradas sobre as minhas paletas de sombras de olhos (e não fica a faltar uma única), verifico que se há post que devia actualizar bem depressinha era o de sombras unitárias - ultimamente, esse piqueno ajuntamento cresceu exponencialmente no último meio ano, mas vá, por ora ficamos assim, que ainda tenho de acabar esta epopeia, com os vernizes e os curvadores de pestanas (e, francamente, já deito publicações sobre o ajuntamento pelas bistinhas).
Para hoje e em último lugar (but not the least), ficaram reservadas as paletas e paletinha mais recentes, as compradas do Verão para cá, e que havia que testar antes de as fazer constar aqui, onde pertencem de pleno direito. Entretanto, e para quem chegou há pouco e quer pôr a leitura em dia, aqui ficam as dez primeiras publicações desta cruzada (encontram os 39 posts sobre todo o meu ajuntamento, escritos até ao momento, aqui):
I - Dior, Estée Lauder, YSL e Lancôme
II - Guerlain, Chantecaille, Tom Ford, Charlotte Tilbury, Bobbi Brown
III - Nars, Sephora, Bare Minerals e Soap& Glory
IV - Sleek, Gosh, Wet'n'Wild, Beauty UK, ELF e Coastal Scents
V - Urban Decay
VI - It Cosmetics, Stila, Lorac e Kiko
VII - The Balm
VIII - Too Faced
IX - As XL Estée Lauder, Clinique e Laura Mercier
X - Tarte
E agora vamos lá tratar de acabar com isto, c'os diabos, e tirar o peso dos ombros (a pessoa é assim, sente-se culpada se não faz as coisas a que se propõe, mesmo que se trate de uma entrada absolutamente fútil, sobre maquilhagem e ajuntamentos, num blogue não-vip, vá-se lá perceber-me.)

Com esta menina da Inglot deu-se todo um caso de amor à distância, que demorou uma eternidade a concretizar-se - mas, caramba, se dúvidas havia de que a paixão seria assolapada, desfizeram-se ao primeiro toque. Na verdade, repetir-me-ia se me pusesse para aqui a contar a estória desta paleta, relatada aquando da sua compra, aqui, mas não posso deixar de reiterar a qualidade destas sombras (ou dos pós em geral, já que os blushes, bronzers e pós de contorno são igualmente maravilhosos), bem como a magnífica possibilidade de construirmos as nossas próprias paletas: o sistema Free System da Inglot permite que escolhamos as combinações de sombras que nos aprouver (e até o formato, sendo que preferi as quadradas às circulares, que eu cá gosto de ângulos), em conjuntos de vinte, dez, cinco, três ou duas sombras - e eu juro que estive tentada com a paleta gigante, mas acabei por cair em mim: quem tem o número de paletas que eu tenho e não maquilha senão a si mesma estaria ainda mais louca se ousasse gastar tanto dinheiro assim, de uma vez (não que as sombras unitárias sejam caras: custam 6€ e eu usufruí de desconto amigo de 20%, o que as baixou para os 4,80€, mas ainda assim ficaria com uma paleta de 100€ a que nunca daria o uso devido). Veio, portanto, a paleta de dez sombras, sendo que duas delas me foram oferecidas (como relato no primeiro post que escrevi sobre ela) e as restantes escolhidas por mim, com o palpite das duas amigas que me acompanharam. E, caramba, que coisas linda que aqui estão: a textura parece cremosa, a pigmentação é do melhor (nas mate como nas acetinadas, nas peroladas como nas com glitter), aguentam-se estoicamente nas pálpebras (eu uso sempre primer ou sombra em creme por baixo, mas é assim que avalio todas as sombras e nem todas têm este comportamento); o único senão, diria, destas sombras (que nem é das sombras), é o facto de ser um inferno retirá-las da paleta (onde se fixam magneticamente) de modo a verificar a referência da cor, pelo que as apontei toscamente no verso, para poder designá-las em ocasiões como a presente. Partamos da fila superior, a partir da esquerda e leiamos a coisa à ocidental, boa? Então vamos lá:
#330 | um cor de (minha) pele, bestial como cor de base, depois do primer e antes das outras sombras (para que estas se esbatam melhor);
#153 | um toupeira com um bocadinho de lilás e carradas de brilho (que não glitter), daquelas que sozinhas quase fazem a festa (faz lembrar o Satin Taupe da Mac, mas mais bonito e pigmentado e brilhante, na minha humilde opinião);
#397 | um bege com um fundo salmão, de acabamento perolado, óptimo para a pálpebra móvel ou para iluminar o canto interno;
#402 | toupeira acastanhado com acabamento perolado (nem seria a minha paleta se não tivesse cor semelhante);
#363 | mais um toupeira, este a fugir mais para o cinzento e com acabamento mate (uso-o muito para afundar o côncavo);
#154 | dourado-neutro a fugir para o bronze (o All That Glitters da Mac, por que não morro de amores, é mais amarelado), com o mesmo brilho da #154;
#42 | um castanho-cobre discreto, como eu gosto, de acabamento acetinado;
#12 | um castanho-cobre mais avermelhado, de acabamento acetinado e micro-partículas de brilho dourado;
#607 | cobre com muito vermelho e acabamento perolado-acetinado, para lá de lindo (estou muito virada para estas cores, este ano);
#423 | um cor de vinho acastanhado (ou beringela, vá, chamemos-lhe beringela) de acabamento perolado, que foi certamente uma das primeiras cores em que eu peguei, sem qualquer supresa, ao menos para quem por aqui passa amiúde).

Uma outra paleta que não é novidade para quem é frequentador aqui da chafarica há uns meses é a Trafalgar, da Dior: trata-se de um dos quintetos-maravilha da marca, uma edição limitada deste Outono, que agarrei mal pude, a um preço disparatado de bom, graças a um erro de marcação da Sephora do Colombo - o que causou imeeeeensa indignação por parte de um(a) leito(a) quando contei a estória, pobre senhor(a), que já cá não está (entre os leitores do blogue, quero dizer) para se ofender mais uma vez. A verdade é que esta era "a" paleta que eu havia elegido (e não eleito, sim, muito bem!) para comprar no Outono (o que não impediria que comprasse outras, já se sabe) e ainda bem que o fiz: desde logo, porque a qualidade das sombras Dior agrada-me sobejamente (como dei conta logo no primeiro post que fiz sobre o ajuntamento de paletas); depois, porque a conjugação de cores tem o meu nome escrito algures, sobretudo do meio para baixo. Finalmente, porque uma gaja não é só consumismo racional, porque adoro aumentar o monte destas caixinhas azuis-escuras cá por casa.
Já falei da menina condignamente e, no entanto, nunca é demais tecer-lhe todos os elogios do mundo. Passemos às cores, shall we?
- No canto superior esquerdo, um rosinha que parece omnipresente na maioria dos quintetos da Dior, o que acho perfeitamente dispensável, na maioria dos casos: este é clarinho e não muito assustador (nem pigmentado, diga-se), concedo, mas ainda assim o que menos me agrada do quinteto;
- no canto superior direito, uma cor que eu diria ter qualquer coisa de duochrome, ainda que subtil: trata-se de um branco rosado de acabamento quase metalizado branco que, a certas luzes fica dourado, tendo sido esta inesperada qualidade que me encantou - cor iluminadora bem janota, esta;
- depois, no canto inferior esquerdo, e entrando agora na zona interessante da paleta, temos um dourado quase bronze, mas nada tcharam - como que um dourado maduro e requintado, mais verde-bronze do que amarelo, se é que isto faz sentido; tem brilho mas nada de demasiada cintilância;
- ao lado, no canto inferior direito, um beringela acetinado de cair para o lado de tão lindo (e que vai determinar o tipo de maquilhagem que queremos usar, mais ou menos escura, mais ou menos esfumada), já a preparar a entrada seguinte, a da protagonista;
- a meio de todas as já descritas, um vermelho acastanhado, um cor de vinho tinto avermelhado que, francamente, é o que distingue esta paleta das demais saídas - é a mais atrevida, sem dúvida. Tem um acabamento quase-mate, um nadinha acetinado, uma pigmentação fantástica e uma textura muito macia e fácil de esbater.

Quando, aqui há uns tempos atrás, a Space NK achou por bem tentar-me com um Flash Sale da Becca, eu nem sequer passei pela fase da hesitação face à tentação: atirei-me de cabeça e pronto, que há coisas que não são para contestar. Entre outras coisas, vieram dois quartetos de sombras, que comprei quase de olhos fechados: tenho sombras unitárias suficientes da marca para saber que aqui mora a qualidade, pelo que tratei de mandar vir dois dos três quartetos disponíveis (o já esgotado era, obviamente, o meu preferido e o que não escolhi era um quarteto de castanhos em tons quentes, para não variar - creio que são os tons preferidos da maioria, o que é óptimo para mim, que me inclino não necessariamente para aí), sendo um deles este Astro Violet, cujas cores são (começando à esquerda e avançando no sentido dos ponteiros do relógio:
Matte Black Fig | um beringela acastanhado tão escuro que é quase preto, de acabamento mate;
Mettalic Plum | um beringela com mais vermelho, de acabamento acetinado;
Metallic Platinum | uma espécie de toupeira-dourado com um claro subtom malva acinzentado (e nunca o diria, na paleta);
Matte Plum | um beringela mais cinza-arroxeado, escuro, de acabamento mate.

E passemos ao segundo dos meus quartetos Becca, que têm uma fórmula incrível, com vitamina E (um poderoso antioxidante), super pigmentada e facílima de esbater - na verdade, já os namorava há milénios, mas custava-me dar mais de 40€ por uma coisa tão minúscula (aparentemente, porque cada sombra tem 2g, o que é mais do que uma sombra Mac ou Urban Decay), embora soubesse que a qualidade o justificava - e eu faço parte da equipa dos que a-do-ram as embalagens da Becca (há quem as ache hediondas), embora reconheça que são chatas de arrumar. Acabei por optar, em segundo lugar, pelo quarteto Night Star, em tons esverdunçados (creio que os meus preferidos, depois dos beringelas porque são, por esta ordem, os que melhor destacam a minha cor de olhos, um castanho médio com um subtom verde que se nota mais com claridade ou com a cor de maquilhagem certa, lá está). As cores são:
Matte Jet Black | não, não é um preto-mais-preto-não há, como o nome parece indicar, mas um castanho frio muito escuro e mate;
Matte Slate | um verde seco de fundo cinza, entre o mate e o acetinado
Matte Blush | um champanhe entre o acetinado, a cair para o metalizado
Matte Midnight Green | um toupeira muito escuro com laivos de verde seco.

Finalmente, a última (e a mais inesperada) das minhas aquisições: uma paleta Kiko, igualmente composta por mim, como a da Inglot, sobre que falei muito recentemente, quando a comprei, pelo que tudo o que disser agora será redundante. Ainda assim, depois de quase um mês de experimentações (desenganem-se, não todos os dias, que eu acho que não sei o que é usar a mesma paleta mais do que dois dias seguidos, salvo se com objectivos de investigação, aqui para o blogue, quando ando em testes intensivos - mas isso maça-me imenso), é muito mais consistente a minha opinião, que consiste basicamete nisto: gaita, que tenho de engolir todo o meu desprezo pela Kiko e por estas sombras em particular. Preconceituosamente, e porque já tive más experiências com os produtos da linha permanente da marca (as edições especiais sempre foram largamente melhores), nunca sequer me interessara, das poucas vezes em que entro numa loja, em passar o dedo numa destas sombras. Até ao dia em que tinha de fazer tempo e, em vez de cirandar pelo piso térreo do Arrábida, sem destino, resolvi entrar na Kiko, que achei que era destino mais seguro do que a Perfumes & Companhia - e enganei-me redondamente: passados 15 minutos, saia de saco na mão, depois de um valente enfeiranço, que consistiu neste conjunto de nove sombras que aqui vêem (a paleta é oferecida, se comprarmos o número de sombras exactas para a preencher, tal como na Inglot) e cada sombra tem 2g. Em termos de cores, escolhi (da esquerda para a direita e de cima para baixo):
200 - Pure White | Um branco-marfim mate-acetinado, funciona lindamente como sombra de base e mesmo para quem gosta de "abrir o olhar" mantendo a sobriedade (um nadinha no canto interno faz milagres).
222 - Mat Rose Petal | Cor-de-pele-rosada, que trouxe essencialmente para servir como sombra de base (entre o primer e as outras sombras aplico sempre uma sombra de base, para que as restantes sejam mais fáceis de esbater); também gosto deste género de tom para esbater os contornos de sombras mais escuras.
240 - Mat Dark Taupe | Nem era coisa feita por mim se não tivesse um toupeira acastanhado mate, que uso essencialmente como sombra de transição.
235 - Mat Chocolate | Normalmente, fujo dos tons mais quentes, mas este castanho médio mate de subtom terra é lindo demais.
270 - Pearly Fern Green | Verde-tropa-médio, com um acabamento perolado que é uma delícia: adoro este tipo de tons em olhos castanhos (como os meus) e tenho-me obrigado a usá-los cada vez mais.
241 - Pearly Taupe | Obviamente, não bastava um toupeira: este é acetinado (a Kiko chama perolado ao que eu chamo acetinado e acetinado ao que eu chamo quase-mate, mas pronto) e tem um brilho (sem purpurinas, só reflexo) absolutamente divinal.
246 - Pearly Dark Wisteria | Embora na fotografia esta cor pareça um violeta, é, na verdade, um toupeira de fundo lilás e acabamento acetinado (ou perolado, vá, segundo a Kiko) absolutamente divino - é cor de glicínea, certamente, mas com algo mais de acastanhado (tipo Satin Taupe, da Mac, mas quanto a mim com muito mais pigmentação e, por isso, qualidade global), que o torna muito usável.
243 - Satin Dark Burgundy | Claro que tinha de haver um tom de beringela - porque há sempre, se eu puder escolher: este atira-se para a família dos cor-de-vinho e tem um acabamento entre o mate e o acetinado, com um sheen muito discreto, o que lhe confere um ar requintadíssimo.
293 - Starry Black | Preto com brilhos fininhos azul-royal, cor de festa, daquelas muito boas.

E é com muita honra e sensação de dever cumprido, leidizangêntleméne, que dou esta fase do ajuntamento por terminada. Yay!
(Creio que agora é mais perceptível para as gentes quando eu digo que tenho uma séria pancada por sombras de olhos, pronto.)

quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Filmes #60 | If I stay & What If


Isto não tem andado grande coisa para filmes, mas vícios são vícios e eu não vejo televisão nem séries (tirando, já se sabe, a Grey's Anatomy e a Girls, que agora está de sabática), pelo que lá se vai tirando um tempinho para se ir vendo o que se pode, nem que seja aos soluços (estou a dever a mim mesma o Interstellar mas para esse tenho mesmo de ir ao cinema, sem negociações - pode ser que para a semana o consiga, se não surgir nenhuma urgência desesperada, como tem sido uso). E por estes dias vi duas coisas bem recentes (nem sei se passaram pelas nossas salas), a saber:

If I Stay (2014) é uma estória que poderia ser muitíssimo bem esgalhada e que funciona por meio de flash-backs sem se atrapalhar ou perder o fio à meada ou usar o regresso ao passado só porque o realizador quer ser bué do baril, tájaver (atenção que acabei de dizer bem do filme - atente-se nisto porque não vai voltar a acontecer). A protagonista é desempenhada por uma das sensações mais recentes, ainda não percebi bem se do cinema se das revistas cor-de-rosa, por se constar que namora com o mais velhos dos filhos dos Beckham (mas já lá vamos), Chloé Grace Moretz (havia mesmo a necessidade dos dois nomes próprios, pêlamôrdassanta?). A trama é simples de explicar: temos um casal de ex-rockeiros-agora-pais-de-família (o pai desistiu de uma carreira promissora enquanto baterista de uma banda e tornou-se professor, para prover as necessidades da família), que geraram uma menina atinadinha  e conservadora (infinitamente mais do que os progenitores - e começa a catrefada de clichés) que se afigura como um prodígio na música clássica, onde evolui a olhos vistos no violoncelo. Tem um irmão, uns dez anos mais novo, que (ele sim) seguiu os passos dos pais e já ouve Iggy Pop e coisas janotas que tais. Vai daí, a mocinha está numa encruzilhada porque tem saudades do namorado, o líder e vocalista de uma banda de rock (olh'ó cliché outra vez, agora do ai-como-os-opostos-se-atraem) do género da do pai da cachopa, com quem acabou não sabemos porquê, e simultaneamente vive angustiada por não saber se foi aceite na Julliard, em Nova Iorque. Mas eis que um belo dia (que por acaso é feio: há demasiada neve e as escolas fecham por causa do mau tempo, o que torna ainda mais parva a decisão da família de ir dar um passeio até casa dos avós) dá-se a tragédia: o condutor de um carro que vem em sentido contrário perde o controlo da coisa e despenca-se em cima dos desgraçados. E pronto, a partir daqui é a desgraça em todos os sentidos: a mãe morre, o pai não tarda a seguir-lhe o caminho, o irmão está na corda bamba e ela própria fica vai-que-não-vai, mas sai de si mesma e passa a restante hora de filme, qual fantasminha, a decidir se morre ou se nem por isso. Ok, admito que apresentei isto de forma simplória mas isto basicamente resume-se a: gostaste ou não gostaste de A Fault In Our Stars ou, como eu, nem por isso? Quem gostou tem aqui coisa do género e é natural que aprecie; já eu não gostei: para além de ser previsível que dói, a boa da Chloé pode ter um belíssimo palminho de cara, uma cútis irrepreensível e um cabelo invejável, mas ou trata de se meter numa escola de representação ou então que agarre o Beckham, francamente (se pretender manter-se na ribalta), porque a personagem dela, que é só a protagonista, é sofrível, para dizer o menos.

What If (2013) constitui uma melhoria significativa no que toca às capacidades representativas dos protagonistas, Daniel Radcliffe e Zoe Kazan. Que fique claro que eu não sou propriamente da geração Harry Potter (embora tenha devorado todos os livres e seja das puristas que acha que os filmes me estragaram muita coisa - há personagens muito bem apanhadas, admito, e a coisa está bem feita, mas eu gosto de imaginar tudo e não quero que lhe dêe corpo), o que me dá o distanciamento necessário para perceber que Mr. Radcliffe é, de facto, o rapazinho dos livros de Rawling (pergunto-me quanta sorte é precisa para inventar um ser com determinadas características físicas, depois fazer um casting, arranjar um tipo igual e que, ainda por cima, sabe ser actor) mas não me deslumbra por aí além, embora já lhe tenha reconhecido o mérito num ou outro filme. Depois, outro facto: gostei muito do 500 Days Of Summer e a pretensão da comparação, se me pareceu sobranceira à partida, foi-se afigurando como absolutamente destituída de sentido, à medida que o filme avançava - e eis que estavam reunidas duas condições que não auguravam nada de bom, mas ainda assim insisti porque me apetecia uma comédia romântica bem esgalhada, O problema é que acertei no género mas não na qualidade, rai's partam. A trama é simples e passa-se em Toronto: ele, um quase-médico inglês que desistiu do internato porque descobriu que a namorada, também quase-médica, o traía, conhece, em casa de um amigo (o sempre bem Adam Driver. o Adam de Girls), a sua prima, com quem simpatiza. Há ali um clique qualquer, ele leva-a a casa e fica a saber que ela mora com o namorado de há anos - ainda assim, aceita a proposta de amizade que parte dela  e passam a ser "pals". Só que é evidente que ele gosta dela e que ela parece gostar dele às vezes, e até se dá que o caraças do namorado, que trabalha nas Nações Unidas e tudo, seja colocado por um semestre noutro continente; e depois ela fica confusa mas não se percebe exactamente porquê agora e não antes, e depois há o momento de auge a partir do qual tudo parece ir terminar só que não - e olhem, mais uma carrada de clichés, sem os fantásticos diálogos de 500 Days Of Summer (só um cheirinho, aqui e ali). Ou seja, não se vê mal, não indigna nem indispõe - só não se vá à espera de brilhantismos, porque disso não há, na minha modesta mas sempre assertiva opinião, muitóbrigada.