sábado, 19 de Abril de 2014

Filmes #23 | A Late Quartet & Breathe In


A Late Quartet (2012) é um filme que tinha há tanto tempo na lista dos "a ver" que, francamente, já me esquecera dele. Providencialmente, enquanto falava com o senhor da recepção lá do sítio onde trabalho, reparei que, ali mesmo, onde se deixam panfletos sobre tudo, havia um sobre um ciclo de cinema a realizar algures, sendo que esta obra de Yaron Zilberman (curiosamente, um homem dos documentários) seria a que abriria as projecções - e era a oportunidade ideal para ver mais uma vez a excelência de Philip Seymour Hoffman, que me deixou um nadinha viúva de actor favorito (há outros, sou uma poliamorosa do cinema), pelo que nesse mesmo dia, mal assentei arraiais em casa, vi-o de uma penada. A trama não é vulgar: trata-se do drama vivido por um quarteto de músicos clássicos (o Fugue String Quartet), juntos há 25 anos e conhecido nos quatro cantos do mundo, quando um deles, professor de quase todos, descobre sofrer de uma doença física e intelectualmente incapacitante, de modo caprichosamente progressivo. Há ali as tensões naturais de quem se conhece e trabalha muito proximamente há 25 anos: o segundo violino e a viola são casados (e têm uma filha, também ele estudante de violino na Juilliard, que todos frequentaram), mas houve qualquer coisa num passado distante entre ela e o primeiro violino (que agora se envolve com a filha dela e do segundo violino); o quarto membro, o violoncelo, é figura paternal para todo e é sua a condição que vai colocar a continuidade do grupo em cheque. O resto é um filme musicalmente muito rico, bem como pejado de interpretações individuais excelentes, daquelas que também funcionam em grupo e nos fazem acreditar que cada uma daquelas pessoas é mesmo o que vemos no ecrã - e é muito isto o que distingue o bom cinema do que não interessa nada.

Breathe In (2013) tem em comum com A Late Quartet a música - clássica, igualmente. Também há um violoncelo mas, aqui, assume papel secundário: se naquele filme é em torno da música que toda a estória se constrói, aqui ela tem um papel, certamente (que não deve ser escamoteado, mesmo porque a julgo o clique que espoleta tudo o que que se lhe segue), mas fica esquecida muitas vezes porque outras dimensões se lhe sobrepõem. O realizador deste filme é o mesmo de Like Crazy, vencedor em Sundance e com a mesma actriz principal, Felicity Jones (esta ideia de a fazer apaixonar por um norte-americano não é nova, portanto), também premiada. Quem eu já não via há muito tempo era Guy Pearce (que, nas minhas confusões, julguei, durante algum tempo, ser marido de Madonna, quando ela tinha um marido que também se chamava Guy e estava ligado ao cinama - mas depois este fez Memento e nunca mais me esqueci de quem era quem. Aqui, Pearce é o ex-músico profissional, que se vê obrigado a dar aulas de música num liceu dos arredores de Nova Iorque, para manter a vida de classe média (daquela como deve ser, que vive muito razoavelmente e tal - e a explicitação tem de ser feita, num país em que ela se extingue a cada dia), abandonando a City e a banda de que fazia parte, para ser pai de família e marido respeitável. Nos quarentas, com uma filha a acabar o ensino secundário e aquilo que parece um casamento feliz, faz o gostinho ao dedo tocando como músico substituto na Orquestra Metropolitana de Nova Iorque, onde fará uma audição em breve para violoncelista permanente - e é provavelmente porque se sente entediado que a chegada de uma inglesa a sua casa, ao abrigo do programa de intercâmbio de estudantes, sensivelmente da idade da filha, um prodígio do piano que se recusa a tocá-lo a não ser que lhe apeteça muito, desencadeia ali um processo que só não torna o filme absolutamente banal porque está muitíssimo bem realizado: todas as abordagens são elegantes, seja ao nível do argumento seja da fotografia - e é um gosto ver coisas assim.

The Balm | Cindy Lou Manizer: iluminador ou blush?

Quando o Cindy-Lou Manizer saiu, meu coração palpitou, evidentemente: sou uma fervorosa admiradora da The Balm (há coisas que fazem melhores do que outras, mas são especialmente prendados em sombras, das melhores que conheço, e blushes, seja em creme ou em pó) e tenho no Mary-Lou Manizer um dos melhores iluminadores em pó que conheço (como deixei claro na publicação que dediquei a todos os meus iluminadores), pelo que quando se falou na versão rosada do Mary-Lou, eu, que até tenho um subtom neutro e aguento bem o que quer que seja, fiquei imdiatamente interessada (como não?), sobretudo porque na estação fria, em que estou branca-acinzentada, assentam-me melhor os tons frios (os dourados são para esquecer, de tão forçados e ridículos que parecem, na minha pele).
Claro que fiz o TPC e evidentemente que li, como qualquer pessoa que tenha pesquisado sobre o assunto leria, que a opinião geral é a de que o Cindy-Lou não estaria beeeem ao mesmo nível do Mary-Lou, e que havia gente, de pele clarinha, a usá-lo como blush, e que o poder de iluminação não teria nadinha a ver e patati-patatá. O que é que a pessoa faz? Compra e aprecia por si mesma, pois com certeza, que ele há muito poucas coisas que me despertam a atenção e de que desisto graças a opiniões alheias.

A avaliar pela embalagem, tudo estava bem: o toque da The Balm é inconfundível, a embalagem é a delícia do costume e temos uma Cindy-Lou ruiva (particularidade que também me atraíu de início, não nego), presa e condenada por roubar olhares - quem resiste a semelhantes argumentos? Tudo no Cindy-Lou se assemelha ao Mary-Lou, até que, uma vez fora da caixa, abrimos a embalagem propriamente dita: reconhecemos o espelho generoso mas tudo muda quando tocamos o pó, desde logo porque, embora seja macio e amanteigado, é um nadinha mais poeirento do que o seu mano mais velho. A cor, que a marca descreve como um pêssego rosado, é mais um rosa dourado, com qualquer coisa de glitter (honra lhe seja feita: os brilhos são tão fininhos que se mesclam com o resto do pó, como se lhe pertencessem, ao menos até começar a desvanecer-se a cor, porque aí permanecem apenas os brilhos) - ou seja, se a ruiva que dá o nome ao produto indicia que este é um iluminador adequado para as peles muito claras que as ruivas costumam ter (mais leitosas do que o meu cinzentismo, até), então estão a pensar tão mal como eu.
Agora, a verdade é que a The Balm anuncia o Cindy-Lou como um produto multi-funções (como faz, de resto, com todos os seus produtos para dar cor ao rosto, blushes ou bronzers): um iluminador, um blush ou sombra de olhos. Ora sombras de olhos tenho eu ao trambolhão, não pegaria nisto para o efeito (embora seja comum usar bronzers como cores de transição, por exemplo; já enquanto iluminador, admito que fique coisa de estalo em peles de cor média a escura (mas, por outro lado, raramente as peles médias e escuras têm subtons rosados, pelo que a coisa também ficaria estranha)... mas numa cara da cor da minha? A única forma de o conseguir usar é mesmo como bush iluminador - tipo de produto de que gosto cada vez mais, para ser honesta: em vez do tradicional blush+iluminador (de que também gosto e uso as mais das vezes), temos um dois-em-um, que funciona lindamente em quem gosta de peles iluminadas, como eu gosto (ou mesmo por cima de um blush mate, por exemplo, a que queiramos dar uma tonalidade mais rosada). Trata-se de um produto muito pigmentado (como o mano Mary-Lou) pelo que convém ter mão leve com o bicho, mesmo porque, se se aplicar demasiado pó, é menino para acentuar zonas secas ou poros que não se quer propriamente destacar.

A cor assenta lindamente numa cinzentinha como eu (na fotografia da direita, vêmo-la à esquerda mais construída e à direita mais esbatida), dando um glow discreto (nada daquela coisa quase metalizada do Mary Lou) às bochechas invernais - e, nesta função, não posso negar que gosto bastante do menino. Mas a verdade é que o comprei como iluminador (verão em breve que não, não preciso de mais blushes - embora também não se possa dizer que sinta falta de iluminadores, a verdade é essa) e só por isso foi um bocadinho uma decepção, daquelas que me levaria a não comprar o rapaz, se pudesse voltar atrás no tempo.
Mas não posso. Por isso vou mas é tratar de o usar, enquanto o tempo quente não se decide e o meu cinzentismo permanece (esta cor não ficará nada bem com o meu dourado estival, isso é certinho).

Comprei o meu Cindy-Lou Manizer da The Balm na Rada mas os interessados podem adquiri-lo, sem portes e com 20% de desconto na Face Colours: basta que refiram o código ACC2013 e os 21,40€ passam miraculosamente a 17,12€.

sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Charlotte Tilbury | Os batons K.I.S.S.I.N.G. | Stoned Rose & PenelopePink

Isto até parece mal mas, relativamente aos K.I.S.S.I.N.G. Fallen From The Lipstick Tree, da Charlotte Tilbury isto tem sido mais usá-los do que falar sobre eles; de todo o modo, teci os maiores elogios à base (que é mesmo a minha preferida de todo o sempre) e só não falarei no mesmo tom sobre os batons porque já cá moram fórmulas igualmente interessantes e eu sou mais de me deslumbrar com batons daqueles que duram horrores sem mácula, por uma questão de praticidade, sobretudo quando estamos a falar de cores tcharam. Mas sei reconhecer a qualidade quando a vejo, para além de que quando se trata de cores-de-boca não exijo durabilidade em primeiro lugar, para além de que a verdade é que já usei muito estes dois rapazes que, de entre o tipo a que pertencem são, sim, dos meus preferidos - e a prova disso é que gostei tanto do primeiro que mandei vir, que encomendei um segundo logo depois.

Ms. Tilbury não será (re)conhecida propriamente como figura modesta e a sua atitude bubbly (termo carinhoso e muito anglo-saxónico, para  referir uma personalidade extrovertida, para dizer mínimo) vem bem plasmada nas embalagens dos produtos que lançou em nome próprio, de que fala como sendo pouco menos do que quintessenciais. E a atitude mexe-me tanto com os nervos (porque sou produto da cultura em que me deixei construir, onde só as falsas modéstias são aplaudidas) como me incita a um forte aplauso: ora caramba, se não for a mulher a acreditar na linha de maquilhagem que pôs cá fora há pouco mais de meio ano, quem o fará? Não me é imediato reconhecê-lo, mesmo porque não a considero a figura mais agradável do mundo (talvez por ser um nadinha agressiva e bestialmente blasé), mas há qualquer coisa de muito positivo em Ms. CT, que me parece uma fura-vidas com muito savoir-faire (a mulher trabalhou no desenvolvimento da linha de maquilhagem do Tom Ford, caramba!), capaz de pôr meio mundo a suspirar-lhe pelos produtos, que têm o grande senão (provavelmente pensado para se tornarem ainda mais atractivos - a lei do fruto proibido nunca falha!) se vendem em sítios muito exclusivos: a Net-à Porter, o Selfridges e, mais recentemente  (porque não enviava para Portugal), no site em nome próprio. Claro que os portes de todas estas lojas são absolutamente desencorajadores (cerca de £10), mas a Net-à Porter tem duas semanas por ano em que não os cobra e há sempre a possibilidade de os dividir com uma ou outra amiga que estejam interessadas também. 

Antes de prosseguirmos, podemos, por favor, ater-nos um nadinha na embalagem destas maravilhas? Então está bem: trata-se de um plástico que imita na perfeição metal dourado-rosado, mesmo no peso, que lhe confere um ar requintado, rhico, como diriam as nossas amigas brasileiras. O baixo-relevo que fornece a aparência de riscas fininhas (ou ondulação) verticais é também assaz elegante (para além de que a textura dá um jeitaço a quem tem mãos escorregadias, sobretudo de madrugada, isto é, antes do meio dia) e o símbolo gravado na tampa do batom é discreto e refinado. Na base do batom, a designação que nos permite distingui-los (pelo que os guardo com esta extremidade para cima). Em suma, uma embalagem daquelas bonitas de sacar da carteira e reaplicar em público, pelo ar luxuoso (e não, não acho pindérico retocar a maquilhagem em público - muito pelo contrário, pode ser coisa muito feminina e refinada, se o espelho de que sacarmos não tiver peças em falta nem for dos pirosos que dó). 
Quanto às cores, e depois de algum trabalho de casa, achei que esta fórmula, cremosa e pigmentada, mas de duração média, estava mesmo a pedir uns cor-de-boca - e comecei pelo Stoned Rose, um rosa neutro com algo de castanho muito mais próximo da cor dos meus lábios do que o Penelope Pink, que de «pink» tem muito pouco, é muito mais aquele nude-bege que a giraça da Penelope Cruz fez imagem da sua marca (e daí o nome, sim) e que adoro usar com um olhar mais carregado - porque não me apaga os lábios em absoluto, mas dá-lhes o protagonismo discreto de um bom coadjuvante.

A fórmula destes batons é muito cremosa (deslizam nos lábios que é uma maravilha) e confortável de usar, eu diria que até um nadinha hidratante e, não tendo um acabamento glossy, também não são mate - di-los-ia acetinados, que são, afinal, os que mais se aproximam do aspecto au naturel dos nossos lábios (se não estiverem a desfazer-se de secura, evidentemente). Em termos de fixação, é reconfortante apreciar o modo como estas fórmulas mais clássica se tornam cada vez duradouras, mantendo a hidratação: são meninos para aguentar uma das minhas maratonas de 3h a falar (bebendo água pelo meio, com certeza), sem desaparecer por completo (o que, acredite, é muitíssimo bom).
Em termos de composição, e de acordo com informação da marca, estes batons contêm um ingrediente "secreto" (adoro estes mistérios, a sério...), a que a sodôna Tilbury achou por bem chamar Lipstick Tree, que é um anti-oxidante qualquer que, segundo ela, protege naturalmente os lábios dos danos causados pelos raios UV, ambientes poluídos e assim. Parece que a cremosidade dos meninos se deve a uma mistura de ceras e o brilho a partículas reflectoras de luz (mas sem ponta de glitter, asseguro eu, que o-dei-o purpurinas nos lábios), para além de que não contém parabenos.
Cada um destes rapazes custa £23 (cerca de 28€) e valem, na minha modesta opinião, tudo o que custam - de resto, não me ensaiaria nada para mandar vir mais umas cores das dez que existem: aquele Coachella Coral e o Velvet Underground estão a rir-se para mim que eu bem vejo (mas não me ralava de ter as outras, também).

Stoned Rose

Penelope Pink

Vivemos em estado de graça desde que fomos apresentados e não tenho qualquer pejo em afirmá-los, de entre todos os meus vários cor-de-boca, como membros do meu top 10 - que me desculpem os outros, mas há qualquer coisa nestes K.I.S.S.I.N.G. da Charlotte Tilbury que me apaixonou irremediavelmente, mesmo não tendo eles o tipo de acabamento que costumo privilegiar.
Well done, Ms. T (yet again).

quinta-feira, 17 de Abril de 2014

O Regresso | Unhas da semana #26

Pois temos que há boas notícias: os meus problemas de pele, já vastamente documentados por aqui, não têm absolutamente nada que ver com o verniz (ou, pelo menos, não em exclusivo), porque a meio das três semanas de repouso (tanto do verniz como dos tratamentos de pele costumeiros) que relatei aqui, a coisa voltou em força, e exactamente nas mesmas zonas da cara em que aparecera antes - o que não se coaduna (mesmo que eu estivesse a usar verniz, que não estava), creio, com a explicação de que se trataria de uma alergia de contacto, que sucederia durante o sono - o meu inconsciente teria de ser muito regradinho para levar as mãos à cara exactamente da mesma forma, de cada vez que me dá um achaque.
Claro que isto implica partir para os testes de detecção de alergias (partindo do princípio de que isto é uma alergia, algo de que não estou de todo convencida), que já estão marcados, e aguentar o barco (com o corticóide do costume) até lá. Ou seja: a única boa notícia é mesmo a de que voltei a usar vernizes (porque tudo o resto é uma chatice pegada) mas, acredite quem quiser, quem não usa as unhas nuas há dez anos tende a não reconhecer as mãos quando as tem por pintar, sobretudo em situações profissionais (e se eu falo com as mãos, minha nossa!). Portanto, fixemo-nos nisto, que o resto há-de resolver-se, a seu tempo.
Os cachopinhos que marcaram o regresso das minhas mãos foram:

O Special Effects- Mirror Metallics da Nails Inc, na cor Swiss Cottage foi comprado nos saldos do Verão passado e só agora teve oportunidade de brilhar: trata-se de um tom duochrome, eminentemente verde mas com reflexos tília e dourados, consoante lhe bate a luz. É uma cor linda e perfeita para um regresso primaveril.

O Pro Professional Finish da Rimmel London, na cor #378 Posh Trash, foi o último verniz que comprei (tenho resistido aos Formula X da Sephora só porque não os podia usar, mas irei em breve colmatar a lacuna, aproveitando o desconto de 20% para cartões Gold - ou 23%,em compras acima de 120€) e confesso que o que me atraiu foi o nome, sendo que a cor lhe corresponde: ok, há qualquer coisa de requintado neste rosa dourado acastanhado com acabamento metalizado, mas não deixa de estar ali presente qualquer coisa de grunge - o que me agrada muito mais do que eu esperava.

E se o Posh Trash foi o último verniz que comprei, o #333 Madness da Chanel foi um dos últimos que recebi: a minha querida MV deu-me esta espécie de Rouge Noir mais acastanhado (e um outro, mais primaveril, que mostrarei em breve) porque o tinha repetido e evidentemente que aqui a louca por coisas novas foi imediatamente experimentá-lo, mesmo porque estes tons escuros são os meus preferidos a maior parte do ano, enquanto as minhas mãos estão muito brancas. Adorei também a fórmula (a Chanel é muito heterogénea, em termos de pigmentação, sobretudo, e este é dos bons), quase absolutamente opaca, numa primeira passagem.

[Não imaginam como é bom estar de volta às lidas, mesmo que a cara continue por descortinar]

Skincare | Noite | Primavera'14

Bom, a única coisa que temos certa, para além da morte e do Quim Barreiros nas Queimas das Fitas, é a imposição de escrever um post sobre a rotina de cuidados de rosto nocturna, uma vez tendo publicado a diurna. Podem chover notas de quinhentos euros, que a coisa não falha - e verifique-se a segurança da hipérbole, como que a testar uma entidade sobrenatural em que não se acredita mas, ao mesmo tempo, desafiando-a, não vá ela existir: anda lá, pá, mostra que és omnipotente e põr-me à prova, a ver se eu escrevo ou não o segundo post, com uma catrefada de notas roxinhas na mão. E olhem, só para nós que ninguém nos lê, provavelmente até escreveria, mas temos que os produtos não fossem exactamente os mesmos (digo eu, armada em visionária).
Bom, mas façamos a fogueira com a lenha que temos, que nem se porta nada mal.


Desmaquilhagem/Limpeza
O acto de tirar da cara aquilo que lhe coloco, antes de sair de casa, reveste-se de um prazer tão grande como o que tenho ao brincar com bases, cores e pincéis: é a primeira coisa que faço quando chego a casa e sei que o dia lá fora terminou e não vou receber ninguém, logo depois de tirar as lentes e imediatamente antes de vestir o pijama (já teci o devido elogio a estas vestes por que tenho tanto carinho). É uma tarefa que empreendo conforme os meus apetites e de acordo com a maquilhagem que estou a usar, sendo que posso partir directamente para uma arma infalível, como o Perfect Cleansing Oil Face & Eyes, da Nude (de que falei aqui), que arruma de vez com qualquer resquício de maquilhagem, mesmo a de longa duração e à prova de água, mas também posso optar por algo como o Pureté Thermale 3 in 1 - Desmaquilhante Integral Para Peles Sensíveis da Vichy, uma loção de facto muuuuuiiiiito (demasiado!) suave, que demora um nadinha a arrancar da cara o que não lhe pertence e que, diga a Vichy o que disser, não tira maquilhagem de olhos a não ser que estejam a usar uma máscara fraca e as sombras sejam uma miséria. Uso-o porque não me agride a pele e funciona para tirar uma grande parte do que está na cara mas jamais confiaria nele como desmaquilhante único - a verdade é que confio em nenhum, mas este em particular é visivelmente pouco poderoso. Na maioria das vezes, contudo, começo com uma água micelar, sendo que uso comummente as da Bioderma (e usei recentemente uma Eucerin de que gostei muitíssimo) e estou agora (há cerca de uma semana) a testar a Bio & Me Eau Micelar de Beauté da Peggy Sage, que me está a deixar muito bem impressionada, pese embora o facto de, em vez de água, parecer mais um chá, pela coloração - o que de início me pôs de pé atrás, mas já me venceu o preconceito, graças à sua evidente eficiência e eficácia (não, não são sinónimos), de que falarei a seu tempo, em publicação exclusiva (como faço com todos os produtos que me são enviados para o efeito pela Face Colours).
Chova ou faça sol, isto é, use que produto usar para retirar a maquilhagem, é certinho que depois disso uso um produto para lavar a cara com água: neste momento, tenho de serviço o Leite de Limpeza Desmaquilhante Com Aveia e Vitamina E, da Barral, para peles sensíveis, de que já falei na rotina de rosto de Inverno e de que gosto muitíssimo. Normalmente, uso-o com a Skincare Cleansing Massage Brush da Shiseido (que não consta da fotografia mas que já mostrei na rotina de Verão), uma amiga indispensável, macia e perfeita para a minha pele mariquinhas.
Quando não uso o óleo da Nude, que remove mesmo a maquilhagem à prova de água dos olhos, peço sempre a ajuda a um desmaquilhante de olhos bifásico, sendo que o que está agora em funções é o Clear Magic Lip & Eye Remover, da Tony Moly, uma marca de skincare coreana; ora este menino (ao contrário do antecessor da Étude House, de que não gostei particularmente) não fica atrás de nenhum dos melhores bifásicos que usei até agora (Clarins, Lancôme e Clinique, definitivamente), sendo que custou uma fracção do que eles custam: 6,50€ por 150ml, como dei conta quando me chegou às mãos: não arde nos olhos (como o da Sephora uns e outros que por aí andam) e é muitíssimo bem sucedido na tarefa a que se propõe.
Nesta altura, já devo ter a minha pele absolutamente livre de maquilhagem, mas gosto de a borrifar generosamente com água termal, absorvendo o excesso com uma tolha turca ou um disco de algodão e estamos prontas (eu e a pele) para nova etapa).

Tonificação e Hidratação
Já disse aquando da rotina de cuidados de pele diurna que o Serozinc de La Roche Posay se tornou um amigo inseparável desde Janeiro: este tónico, que é tão bom para pele oleosa e acneica como para pele sensível como a minha, embora não tenha resultados avassaladores no meu rosto, faz exactamente aquilo de que eu preciso: mantém-me a pele exactamente como está e pode ser usado mesmo (e sobretudo) quando tenho os meus achaques dérmicos (a ver se no dia 6, data da próxima consulta, a boa da médica me ouve de facto e percebe que se isto fosse uma alergia ao verniz as lesões não apareciam sempre nos mesmos sítios, durante meses a fio). Às vezes, tenho saudades da minha Lotion Douce Tonifiante Aloé Vera, da Clarins, pensada para peles sensíveis, e lá a aplico (mesmo porque adoraria acabá-la - mas só em dias de pele boa, não vá o diabo tecê-las.
Depois do tónico, os séruns: começo com o de olhos, (quase) invariavelmente o Liftactiv Serum 10 Yeux & Cills da Vichy, carregadinho de áciso hialurónico, que serve como preparação da área periocular para que receba na sua plenitude a hidratação que se lhe segue - este produto tem sido protagonista dos meus cuidados de rosto no último ano e meio e só o interrompo para testar coisas similares (palpita-me que dentro em brece será substituído pelo da Caudalie, que está ali em fila de espera, uma vez que o Dr. Brandt não deixou memórias). Depois uso alternadamente dois séruns da Sesderma, isto é, uso três ou quatro dias o C-Vit Liposomal Serum, um produto hidratante e anti-oxidante (logo, anti-envelhecimento), adequado até à pele mais sensível e bestial para pele seca, com um magnífico odor a citrinos; uma vez de quatro em quatro dias, mais coisa menos coisa , e se a pele estiver boa e sem achaques, uso o Acglicolic Liposomal Serum, também ele com propriedades anti-oxidantes e regeneradoras, que combate ao envelhecimento com ácido glicólico (a 6%), que também tem propriedades esfoliantes (e daí eu preferir não abusar dele), entre uma enorme quantidade de outras coisas boas. Falarei de ambos mais lá para a frente, uma vez que estou a usá-los há pouco mais de duas semanas.
Um produto que uso ora como sérum (em dias de pele má, é o que me sabe melhor) ora como óleo, por cima dos séruns anteriores (porque assim o indica a marca, ainda que haja óleos que devem usar-se por cima do hidratante, de modo a "trancar" a hidratação anterior) é o Stemcell Super-Food Facial Oil da Rodial, portador de um complexo de vitaminas(A, B5, D e E) que são tudo de bom que comprei ao preço da uva mijona na Showroom Privé e que está em uso há coisa de um mês. Falarei dele, obviamente, a seu tempo, mas para já posso gabar-lhe a fórmula pouco oleosa, que se funde como um sonho com a pele, o cheiro discreto e muitíssimo agradável e o modo como conforta imediatamente a pele desidratada, para além de que é bestialmente elástico e umas gotas dão para todo o rosto (o que lhe torna o preço menos disparatado). Para além disso, juraria que a minha pele acorda mais lisa e luminosa, menos descaída e, decididamente, menos acinzentada, quando o uso, mesmo sem máscaras especiais.
Depois, os hidratantes: nos olhos, tenho em uso há duas semanas uma compra muito recente, o Advanced Renewal Eye Complex, da Nude, indicado para usar tanto à noite como de dia (mas que reservo para a noite já que de dia estou a ver se acabo com os outros desgraçados que estão quase no fim) e do qual não consigo dizer ainda nada de definitivo, para além do que a marca promete, que se prende com a nutrição e firmeza da área periocular, o que fundamenta na belíssima formulação, que contem ácido hialurónico, omegas 3, 6 e 9, os belos dos peptídeos para atenuar as rugas e mais umas coisas boas de que não fazem parte os malditos silicones, pelo menos tanto quando eu consigo detectá-los na lista de ingredientes. A ver como nos damos. Na cara, quando não estou a Atoderm ou Ictyane (que significam que a coisa está má), de que falei no post diurno, adoro  mimar a pele do meu rosto com o Regenerative Anti-Aging Ultra Rich Cream da Algenist, uma maravilha para qualquer pele seca, comprada em saldos por uma pechincha (25€ em vez de 85€) e que me deixa a pele confortável, elástica e, sobretudo, maravilhosa ao acordar (há ali magia a suceder, durante o sono). A sua textura amanteigada afastará as peles mistas ou oleosas, mas também não é a elas que o produto se destina (aqui a malta não pode ficar só com rugas precoces, também tem de ter coisas boas exclusivas): a fórmula contém manteiga de karité, ácido algurónico (o tal que a marca diz que é só dele, seja lá o que for) e vitaminas C e H - tudo combinado para hidratar e, sobretudo regenerar a tal barreira hidro-lipídica de que falo a cada passo, porque tendemos a desejar aquilo de que sentimos falta. Escrever-lhe-ei em breve uma ode mesclada de prece, no sentido de assegurar que a Sephora faz o favor de voltar a vender esta coisa boa em saldos, no Verão.


Mãos, pés, lábios e aleatórios
Desta feita, decidi introduzir uma nova categoria, porque há cuidados que tenho diariamente que, embora não digam respeito ao rosto, prendem-se claramente com a preocupação de utilizar o sono (ou o tempo de ócio antes dele, porque eu não sei adormecer se não tiver relaxado primeiro) para tratar de zonas do corpo que, durante o dia, não merecem tanto cuidado. Assim, nos lábios estou a usar o Rêve de Miel Baume Lèvres, da Nuxe - na verdade, este era o bálsamo labial eleito para andar comigo na carteira, porque tem acabamento mate, mas o facto de ser em pote torna-o pouco higiénico para usar em qualquer lado, pelo que sofreu uma requalificação e é agora o tratamento que aplico nos lábios, antes de dormir (o meu cuidado em ter os lábios sempre hidratados e sem peles - sendo que raramente os esfolio - deve-se também à minha preferência por batons mate, que ficam um pavor se aplicados em lábios em más condições.
Depois, o bom do Homeoplasmine em pomada, o produto de culto, baratinho (que actualmente só se encontra nas farmácias francesas ou nos eBays e Amazons desta vida (porque a Cocoon Center não o disponibiliza) que é um bocado pau para toda a obra: não o uso muito nos lábios, só porque há produtos que funcionam melhor comigo, mas já usei e usarei se necessário for; uso-o sim em tudo quanto é zona mais seca, que precisa de recuperar depressinha - nomeadamente, as minhas mazelas pós ataques do-que-quer-que-seja-que-eu-tenha: o Homeoplasmine amacia tudo e, no dia seguinte, a pele escamada está mais lisa e recuperada (claro que antes já levou com o Algenist, mas vá).
Já o Fletagex Pommade é (imagine-se) uma pomada arraçada de gel e de mau cheiro (não é mau-nojento, é mau-estranho, o que creio dever-se ao óleo de fígado de bacalhau que lá mora) mas carregadinha de vitamina A, que a Sara me recomendou e que aplico amiúde, mesmo depois de toda a rotina preparada e imediatamente antes de apagar a luz: passo-a em camada generosa (não façam isto se tiverem lençõis de seda ou um namorado novo, boa? Também convém apanharem o cabelo) na zona onde tenho linhas de expressão mais vincadas (os chamados pés de galinha e as nasolabiais) e nos sítios onde há mais linhas fininhas (zona periocular, sobretudo) - e pode ser efeito placebo e tal (que não é) mas juro que esta ranhoca faz qualquer coisa por mim durante a noite e de manhã sinto a zona dos olhos mais lisa e como que repulpada. Infelizmente só se vende nas Franças, em lojas físicas (a minha veio da City Pharma, claro).
Em seguida, o creme de mãos: este é um produto que, como os bálsamos labiais em bastão, tenho espalhados por todo o lado: mexo muito em papel e sinto as mãos secas amiúde, pelo que tenho sempre umas mini-embalagens nas carteiras e uma, religiosamente, na mesa de cabeceira. Este Hand Cream da Florabelle para Space.NK era coisa exclusiva da loja, e arrematei um punhado de embalagens de aromas vários a £2.50 (o preço original era £10) nos saldos de Inverno do ano passado. Também comprei umas loções corporais e essas não eram estupidamente hidratantes, mas os cremes de mãos são muito bons: hidratam sem deixar as mãos gordurosas e têm cheirinhos maravilhosos (este tem aroma de bergamota, violeta, jasmim e frutos vermelhos) e muito suaves. Passo-o sempre insistindo na zona das cutículas.
Finalmente, o creme de pés, que é coisa que uso todo o ano (e por isso, creio, nunca tenho calos, mesmo passando a vida em cima de saltos de dez centímetros, em média). Este Cheese Release Me Minty Foot Cream da Anatomicals é melhor para o Verão, porque a sensação de frescura que a menta proporciona é o melhor do mundo depois de um dia de praia, por exemplo; mas estava aberto deste o Verão passado e quero mesmo acabar com ele antes de abrir outros. Gosto especialmente, porque durmo de meias nove meses por ano, de empestar os pés com um creme bem nutritivo (e este não o é especialmente), calçar as meias e dormir sobre o assunto. É que não falha, para pés sempre impecáveis e sequer sem zonas secas inestéticas (o que significa que posso usar sandálias quando me dá na real gana, sem ter de ir a correr à pedicura primeiro).

Finalmente, as máscaras nutritivas ou os peelings nocturnos, que uso de quando em vez (quando a pele está eufórica, evito, mas no resto do tempo, uso e abuso): das máscaras que uso durante a noite falei aqui (de quase todas, vá); do Liquid Gold falei acolá - e já não o uso há tempo demais (mais uma vez por causa do estado esquizofrénico da idiota da minha pele), estou cheiinha de saudades de acordar depois de uma noite sob o seu efeito.

E é muito isto, minha gente. Voltarei no Verão, com o que se estiver a usar por cá, à época.

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Pincéis da semana #12

Qualquer pessoa que me conheça bem sabe que não sou nada de stressar com um bocadinho de pó em cima dos móveis ou com uns pelos da bicharada armados em tufos de feno dos filmes de cowboys passados no Far West norte americano: a empregada há-de vir no dia seguinte, ou uns dias depois e tratará do assunto - não que me caiam os parentes na lama se tiver de limpar mas a alergia ao pó, (só) neste caso, é providencial. Não tenho a mania das limpezas nem das arrumações, o meu estado ideal é o do caos organizado e, ainda assim, sei onde tenho cada peça de roupa, cada par de sapatos e até cada elemento de maquilhagem (só com o skincare me baralho um nadinha, porque vou acumulando as maravilhas que compro e, como demoro até abrir o próximo produto para determinada função, às vezes baralho-me).
Só há uma coisa com que sou quase obsessiva: os pincéis de maquilhagem, que têm de estar imaculados (se não lavados, ao menos desinfectados) e tenho-me visto grega para mesmo assim, prolongar o tempo de uso de uma família por mais de uma semana, como disse pretender fazer na passada semana.
Mas não vou cumprir, ah pois não: os babies da passada semana foram a banhos e no fim de semana e nos dias úteis que se lhe seguiram, escolhi mais um magote, que pensei ir usar pouco, mas eis que o ócio se revelou mais externo do que caseiro, como quase sempre, e apesar dos meus planos. Vamos a eles.


- O Powder Brush da ELF tem sido, esta semana, o pincel de base em funções: tem o formatdo de um kabuki mas as cerdas não são tão densas ou firmes, o que torna a aplicação mais levezinha. Não o uso muito mas às vezes gosto de lhe recorrer.
- O pincel língua de gato da Barbara Hoffman (basicamente, um pincel de base tradicional) foi usado para corrector: com um dos lado dou batinhas para esbater o creme, com o outro recolho um nadinha de pó para o assentar e está feito.
- O 55N da Make Up For Ever (linha antiga) já foi o meu pincel de base (há muitas luas), mas sempre largou tanto pêlo que o reformei precocemente, usando agora para aplicar pó ou tão só para uma passagem final, que uniformiza tudo e esbate linhas chatas.
- O #964 da Bdellium Tools é um dos meus pincéis de blush preferidos: de cerdas sintéticas, é ultra-macio, agarra e esbate lindamente o produto, é ligeiramente achatado (também dá para contorno, por isso) e, caramba, é verde alface - como não amar?
- O #C404 Small Duo Face Brush da Crown foi o menino de serviço para esbater blushes e contorno em creme.
- Ainda ando a brincar com este Fan Brush do eBay (sem marca nem coisa alguma) e esta semana utilizei-o para contorno e iluminador. É um nadinha grande mas creio que será uma questão de jeito (as cerdas são tão macias que apetece estar sempre a usá-lo).
- Ando em fase Beauty Blender outra vez (a nossa relação de amor/ódio tem pernas para andar) e tem havido (muitos) dias em que não quero outra coisa para aplicar base e corrector (e até mesmo para esbater blush em creme).
- o pincel duplo Naked 3 da Urban Decay (que veio com a paleta)  é daqueles que tinha para ali, sem saber o que lhe fazer (porque acho-o sofrível para sombras em pó, santa paciência, mesmo as UD), até que me lembrei de o usar para esbater corrector (a ponta mais fofinha), aplicar primário de sombras (a mais achatada) e, sobretudo, para aplicar e esbater sombras em creme - e é craque nisso.
- o #C208 da Crown foi o escolhido para aplicar sombra por toda a pálpebra superior (às vezes só na móvel, que eu tenho os meus dias) - e está fartinho de aparecer por aqui.
- O BK43 Large Pointed Crease Brush da Crown é outra estrela repetida - e foi preciso começar a fazer este tipo de publicações (mais ou menos) semanais para perceber que recorro mais a este pincel (baratíssimo) do que pensava - o que é bestial.
- O #C200 Deluxe Crease da Crown (sem querer, temos marca dominante, esta semana) foi usado para o esfumanço final, nos olhos.
- Dois pinceis sem designação da Beauties Factory: o mais pontiagudo foi muito usado para aplicações detalhadas (iluminação no canto interno do olho, sombra rente às pestanas inferiores, etc); o outro, usei para esbater lápis ou aplicar eyeliner (sobretudo com sombra).

E é isto, numa semana em que a maquilhagem se esperava quase nula, mas sê-lo-á sobretudo a partir de... agora (iei!).

Ajuntamento #15 | Sombras em creme

Não sei se já disse nos últimos tempos últimas horas que tendo a privilegiar produtos em líquidos ou em creme, desde logo porque tenho pele seca mas também porque gosto mais da sensação do creme na pele, bem como do acabamento. Ora em termos de sombras de olhos, apesar de ter sobejamente mais produtos em pó (vai ser lindo quando chegarmos a essa parte...), a verdade é que tenho algumas sombras em creme, que gosto de usar ora sozinhas, ora conjugadas com sombras em pó, ora mesmo como base de sombras.
E o desafio de hoje era esse mesmo: interromper os batons (já falámos dos vermelhos, dos cor-de-boca e dos mais escuros, faltam-nos os rosa e os laranjas e corais) e dar aqui duas de letra sobre o mini-ajuntamento desta categoria de produtos, que moram em dois acrílicos, sendo que não há espaço para mais uma que seja - o que me leva ao aparente dilema de ter de escolher entre não comprar mais  e comprar mais um acrílico, que não sei bem onde enfiaria (e a minha categorização do dilema - como «aparente» - deve-se à minha devoção ao dito délfico "conhece-te a ti mesmo", que Sócrates, o verdadeiro, adoptou como lema de conduta filosófica: sei tão bem quem sou que acabarei com o problema no dia em que me apetecer mais uma sombra e, acto contínuo, comprar outro acrílico, sem mais discussões).
Passemos, portanto, às protagonistas de hoje, que se faz tarde (sabemos que estamos a passar as marcas quando metemos um filósofo que viveu há 26 séculos mais um Oráculo numa publicação sobre maquilhagem não porque nos estejamos a armar aos cágados mas, pior, porque vemos lógica na coisa):

Comecemos pelas Eye Tint da Becca, que tenho nas cores Paracus (à esquerda), um castanho frio mate, e Gilt, um castanho acobreado com brilhos: francamente, não me deslumbram, qualquer que seja a função que lhes dou a cumprir. Ok, talvez tenha que ver com as cores, porque comprei o que havia, num saldo da Fragrance Direct, e preferi jogar pelo seguro - tanto que não encontro aqui mais do que um wash de cor sequinho (bom para pálpebras oleosas, portanto, que as minhas não são), que se espalha com facilidade e resulta em algo demasiado transparente (a menos que se construa), sendo que depois de assentar não mexe. Para além do mais, é comum (andei a fazer pesquisas) que o produto dentro do tubo se separe, pelo que é necessário chocalhá-lo loucamente de modo a que não saia primeiro o líquido e depois o creme (o que me chateia enormemente, embora só aconteça na cor Gilt). Finalmente, as cores não são nada de especial: não há ali qualquer complexidade ou dimensão especiais, qualquer beleza daqueles que arrebata e só apetece olhar para o espelho: só uma tinta muito básica.
Na imagem acima, estão aplicadas generosamente no braço, mas as Eye Tints da Becca são muito menos pigmentadas do que isto, se as esbatermos como deve ser no olho. Francamente? Uma perfeita desilusão, uma vez que se trata de uma marca de que só tenho coisas boas a dizer - e só agradeço nunca me ter lembrado de largar £19 por um tubinho.

Então se as sombras da Becca são secantes porque não têm dimensão e tal, vais arruinar com a reputação dos Prolongwear Paint Pots da Mac, certo, ó C&C? É porque isto não basta ter a mania que se é coerente, há que comprová-lo e o que mostras são duas cores chatas que dói, vê lá o que vai dizer e nãnãnã. Olhem, filhinhos, vou dizer mesmo o que me apetece, está bom? E eu gosto muito dos Paint Pots da Mac, que escolhi nestas cores e não em quaisquer outras (porque as há lindíssimas e só apetece trazer todas) justamente porque às vezes, quando me apetece um batom bem vermelho (ou outra cor tcharam), basta-me passar um destes tons mate na pálpebra (prefiro o Painterly, mais rosado, no Inverno, e o Soft Ochre, mais amarelado, no Verão), carradas de máscara, talvez uma sombra em pó um ou dois tons acima da minha cor de pele no côncavo, e está feita a maquilhagem de olhos: o Paint Pot apaga as veias e descolorações da pálpebra, uniformizando-o (como num Photoshop mas dos bem feitos). Bem sei que há quem não se dê com eles (porque escorregam e acumulam, em pálpebras oleosas), mas em peles normais, como a minha (nas pálpebras), funcionam muito muito bem e não mexem. Estes babies (de que falei aqui), que custam cerca de 20€ cada um, operam que é uma beleza também como base de sombras, pelo que só tenho palminhas a bater-lhes.

Claro que se a Mac faz, a Sigma tem de imitar (já não é tanto assim, mas foi, e à descarada), pelo que surgiram as Eye Shadow Bases - e, neste caso, ainda bem, muito francamente, porque temos aqui coisa genial: as sombras em creme da Sigma, que a própria marca designa como bases de sombras mas que funcionam igualmente bem sozinhas (numa panóplia de cores que não pára de crescer). Tenho quatro: a Persuade é dupla do Painterly, na Mac, sem tirar nem pôr (um nude rosado mate, portanto); a Pose é um castanho médio com brilhos dourados; a Spy é a mais fantástica das quatro: trata-se da versão em creme da cor Club, da Mac, um duochrome em que o toupeira se mistura com o tília, num resultado bestial - a Wet'n'Wild  também chega lá muito perto, com a cor do canto inferior direito da sua paleta Comfort Zone, que se vê aqui em todo o seu esplendor - swatch à direita); finalmente, a Composed, da colecção Enlight, um castanho médio quente. Falei destas meninas aqui, quando só tinha duas e, no que toca à comparação inevitável com a Mac, tenho a dizer que, apesar da embalagem (porque a da Sigma ocupa demasiado espaço), creio que as Sigma ganhariam, porque são um nadinha mais cremosas e, provavelmente, melhores para pálpebras oleosas. Custam cerca de 14€ cada (ou 36€, se se optar pelos conjuntos pré-feitos de três cores, no caso das primeiras colecções: Bare, a que pertence a Persuade, Flare, a que pertence a Spy, e Dare), o que põe os Mac em perigo dos grandes.

Passemos agora às famosérrimas 24 Hrs Color Tattoo, da Maybelline, quase tão famosas como o Papa Francisco e certamente um dos produtos mais afamados da blogosfera, até há coisa de um ano atrás: as minhas vieram de Londres mas pouco tempo depois começaram a vender-se em Portugal, nos hipermercados e Pluricosméticas, embora não cheguem à Europa nem um terço das cores que estão à disposição nos Estados Unidos, ainda por cima muitíssimo mais baratas (e com nomenclatura e numeração diferente, também - não percebo por que mudaram as referências para a Europa). Cá em casa, moram: 65-Pink Gold (um rosinha claro metalizado com reflexos dourados, que tendo a usar sob sombras de fundo rosado, como as da Naked 3 e outras que cá moram); 35-On And On Bronze (um castanho médio quente metalizado); e a minha preferida 70-Permanent Taupe (um cinzento toupeira mate). Trata-se de uma forma muito cremosa e fácil de trabalhar e, embora saiba que há cores cuja consistência é pouco uniforme ou pouco pigmentada, não tenho razão de queixa das que escolhi: trata-se de um produto muitíssimo bom para a gama a que pertence e funciona bem sozinho ou como base de outras sombras. Custa cerca de 8€.

No que toca às Creaseless Cream Shadows da Benefit, muito francamente, não as acho tão absolutamente deslumbrantes como algumas opiniões atestam, desde logo porque são extremamente heterogéneas em termos de consistência e aplicação, o que me faz não ter muito pouca confiança nelas. A embalagem foi reformulada muito recentemente (há cerca de um ano, diria) mas a fórmula manteve-se - e tenho coisas boas e más, tanto antes, como depois. Quando escrevi sobre elas, disse tudo quanto tinha a dizer, pelo que não é novidade que a Birthday Suit e a Stiletto não pertencem já ao reino dos vivos (finaram-se e eu acabei por aceitar bem e avançar com a vida, que o que importa é quem fica e tal). As que ficaram continuam a portar-se bem (sendo que algumas já têm uns dois anos, pelo menos - as mais pequeninas, que vieram em kits), mas falemos de todas as cores, porque parece-me que o problema não é o tom, mas algumas embalagens, que vedam menos bem. Tive: a Birthday Suit, um dourado acobreado com brilho bem bonito; a Skinny Jeans, um toupeira a atirar para o cinza com brilho esverdeado; a Stiletto, um beringela lindo de morrer; a Foiled (que veio com este kit), um champanhe-amarelado metalizado; a RSVP é um champanhe-rosado metalizado; e a Foiled é um metalizado mais toupeira-rosado.

Passemos aos conjuntos cujo critério não é o da marca (nem outro qualquer, a bem dizer), sendo que este primeiro é o meu preferido, pelas cores. 
Temos primeiro o azul fabuloso da Illusion d'Ombre da Chanel na cor #91-Apparition, um azul-marinho-quase-klein, com brilhos azuis e arroxeados, que foi uma edição limitada e é assim qualquer coisa de divino. Não sou a maior fã das Illusion d'Ombres (não aprecio a consistência esponjosa e acho que o pigmento tende a desmaiar, deixando só brilhos) mas têm cores com brilhos lindos, para noites de festa (foi a cor com que entrei em 2014, esta) e custam cerca de 25€. 
Depois, o magnífico pigmento dourado do Eye Paint da Nars na cor Iskandar, de que falei aqui  - e este produto sim, merecerá uma nova abordagem, a seu tempo; é cremoso, o pigmento é ultra rico e a fórmula é consistente e fácil de trabalhar, para além de que, dependendo das cores, funciona também como eyeliner e dura eternidades. Custa cerca de 25€.
Depois, a sombra Pure Color - Stay-on Shadow Paint da Estée Lauder, na cor 06-Cosmic: adoro este castanho quente, com um toque de vermelho e só lhe critico os brilhozinhos purpurinados, perfeitamente dispensáveis. Falei dela aqui.
A Long Wear Cream Shadow da Bobbi Brown, na cor Beach Bronze, é só a minha primeira sombra em creme (já tem seis anos e meio e sim, está tudo bem com ela, sossegai): comprei-a a ela e uma amiga mais clara (para jogar com a dimensão) quando se tratou de me maquilhar para o casamento de uma amiga, no pico do Verão (princípio de Setembro e uma canícula inacreditável) e as tipas portaram-se impecavelmente. A outra era mais usada e acabou por secar, desta ainda consigo tirar pigmento muito honesto, embora esteja muito mais sequinha e já não lhe vaticine grande futuro - mas teve vida longa e foi bem amada. As sombras em creme da Bobbi Brown custam cerca de 30€, no Corte Inglès.

A Creassless Cream Eyeshadow Batter Up, da The Balm, na cor Grand Slam Pam apaixona-me desde logo pela cor, um cinza arroxeado lindo de morrer. Trata-se de um produto muito cremoso, que consigo usar sozinho mas tem de levar um primer por baixo (e é para esquecer em pálpebras oleosas, sem este cuidado): não é a melhor coisa que cá mora em termos de longevidade, confesso, e custa cerca de 11€. Falei dela aqui.
Já a Limitless 15Hrs Wear Cream Shadow da Smashbox, na cor Gemstone, é assim uma riquezinha a que, infelizmente, não se consegue deitar a mão por cá: a minha veio de Paris e é assim uma espécie de um acobreado-beringela (se é que isto faz algum sentido) com uma pigmentação, consistência e durabilidade óptimas. Custa cerca de 19€ e falei dela aqui.

Comprei a Ombre Soyeuse da Marionnaud na cor #03 com 50% de desconto, em Paris, pelo que não fico muito aborrecida por este cinzento arroxeado (parece que tenho predilecção por este tipo de cor), passado um par de horas, perder o pigmento e ficar só com o glitter, a não ser que se use um excelente primer por baixo (o que tendo a não fazer com sombras em creme).
Já a Made To Stay Longlasting Eyeshadow da Catrice, na cor Mauvie Star, é outra conversa, apesar da similaridade cromática com a Marionnaud: aqui há brilho metalizado como deve ser e esta menina aguenta-se muito bem nas minhas pálpebras, para além de que continua cremosíssima, apesar de ser uma das mais antigas do ajuntamento. Não sei se já houve descontinuação desta fórmula, mas se não, e se puderem, deitem-lhe a mão, que a coisa merece.
A Dew Pots - Rich Colour Eye Defyning Cream, da MeMeme, na cor Willow Whisper, tinha mesmo tudo para dar certo: a cor é linda (um bronze com brilho metalizado dourado-champanhe), a consistência é quase a de um gel (o que a torna facílima de espalhar) mas a menina não se aguente em todo o seu esplendor, mesmo com primer: é escorregadia como tudo e usá-la apenas como base de sombras em pó é perder o que ela tem de melhor: o tom e o brilho maravilhosos. Falei dela aqui e custa cerca de 11€.

Finalmente, as últimas entradas neste post: umas porque não sabia bem como categorizá-las, as outras porque são muito recentes. Comecemos pelas Long Lasting Lustruous Eyeshadow da ELF, nas cores Confetti (a branca) e Festivity (a roxa), que estive quase para incluir na publicação sobre sombras unitárias, mas depois achei que caberiam melhor aqui, embora, não sendo um pó, também não sejam propriamente cremosas: são assim a modos como as Illusion d'Ombre, esponjosas, mas mais secas e com menos quantidade de produto. Já tive mais cores, restaram-me estas: a Confetti porque às vezes dá-me vontade de um toque de luz entre o metálico e o purpurinado (e ela, como a Fantasme da Chanel, desempenha bem esse papel); a roxa porque, caramba, é roxa e, apesar dos glitters prateados, tem bom pigmento. Ou seja: nas suas £3,95, fazem um papel muito similar ao do desempenhado pelas Chanel, embora o espectro de cores não seja muito apelativo.
Já as Long Lasting Lustruous Eyeshadows da Kiko foram uma compra bem desejada, desde o Verão passado, quando toda a gente as gabava e eu não agarrei nenhuma, porque estava de férias e eu em férias fico um nadinha preguiçosa, até para estas coisas; felizmente, a marca relançou-as agora, com mais cores usáveis (por mim), pelo que corri a comprá-las. Ainda não as usei vezes suficientes para tecer uma opinião como deve ser (haverá post próprio, a seu tempo), mas adianto já que me impressionaram pela positiva, tanto a cor 114-Snappy Brass (um toupeira dourado) como a 102-Revolutionary Burgundy (um roxo muitíssimo escuro): são lindas, trabalham-se bem e duram, efectivamente, muito tempo nas pálpebras.

E é isto, gente boa: literalmente, la crème de la crème.